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Deltakelse i arbeid og utdanning ett år etter avsluttet introduksjonsprogram

CATEGORIAS - Questão 4 N %

A – Envelhecimento com saúde 4 26,7

B – Envelhecimento com dor/doença 11 73,3

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Envelhecimento com saúde

Eu tenho fé de melhorar, né? De conseguir ficar boa. Pelo menos, se não ficar boa, me aliviar um pouco, porque eu tenho a fé que não vai continuar desse jeito. Vocês que são os médicos, que estão nos ajudando. Eu vou passar no paraíso sem a dor. A dor não vai comigo não, ela vai ficar. Deus vai tirar de mim e jogar bem longe (da gente). E eu acho que Deus também, ele ilumina, bota alguém pra dizer: “Não. Vai melhorar”. Então, eu acho que vai melhorar sim. ... Claro que eu não vou ter mais 50, 55 nem 45, mas eu vou ser... como quando eu era pequena que eu vivia feliz no interior, na roça. Mas o governo que precisa ajudar. Nós precisamos, o povo todo depende de governo. Tem tanta gente gastando dinheiro... jogando tanto dinheiro pra cima e a gente vê né, a saúde do pobre tá ai... e vou lhe dizer uma coisa... o posto de saúde...chega no posto não tem médico, às vezes os médico que tem passa medicação errada, Às vezes marca pra dois meses, três meses, seis meses, um ano. Eu vou aguentar esperar seis anos, seis meses?

Neste DSC, aparece a expectativa “de chegar lá na frente com essa doença”, mas também há a esperança de encontrar cura ou melhora para as dores e o sofrimento. Cabe ressaltar que não apareceu neste DSC termos como envelhecer, envelhecimento, velho, velhice, idoso ou outro em que essas mulheres demonstrassem associar suas experiências presentes a esse processo ou etapa do curso da vida. Pode-se inferir que a dor assume tamanha significância em suas vidas que elas chegam ao ponto de não perceber, negligenciar ou mesmo negar que estão envelhecendo.

Simone de Beauvoir (1990) dá uma pista a respeito dessa possibilidade ao assinalar:

Quando adultos, não pensamos na idade: parece-nos que essa noção não se aplica a nós. Ela supõe que nos voltemos para o passado, e que interrompamos as contas, impelidos para o futuro, deslizamos insensivelmente de um dia para o outro, de um ano para o outro. A velhice é particularmente difícil de assumir, porque sempre a consideramos uma espécie estranha: será que me tornei, então, uma outra, enquanto permaneço eu mesma? (p.348).

Além disso, a autora destaca que é mais fácil perceber a doença do que os indícios do envelhecimento, porque ela existe com mais evidência para o sujeito que dela é vítima. Os sinais do envelhecimento, por outro lado, podem se confundir com os sinais de outras doenças.

Neste grupo de 15 mulheres da pesquisa qualitativa, a maioria delas já tinha mais de 40 anos e, conforme literatura médica específica, podiam estar iniciando, vivenciando ou finalizando o climatério. Essa etapa do envelhecimento feminino, caracterizada pela diminuição progressiva do estrógeno e que vai culminar com a interrupção definitiva dos ciclos menstruais, pode se iniciar a partir dos 35 anos, estendendo-se até os 65 anos ou mais. Frequentemente vem acompanhada por sintomas característicos e é comum que as

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mulheres enfrentem dificuldades emocionais e sociais nesse período. Estima-se que 50% a 70% das mulheres climatéricas manifestam sintomas somáticos e dificuldades emocionais (LORENZI et al., 2006).

É possível perceber que, vivendo esse contexto com os agravantes da doença, as mulheres entrevistadas tinham a expectativa de que o médico, a ciência ou mesmo Deus resolvesse seus problemas de saúde. Não parece existir a percepção de si mesma como uma mulher em processo de envelhecimento e não há indícios de que elas desenvolvam atividades que promovam esse conhecimento a respeito delas próprias.

A participação em grupos de vivência comunitária com enfoque no enfrentamento da dor crônica e no processo de envelhecimento poderia ser uma alternativa de promoção da saúde, tendo em vista que o compartilhamento de experiências pode incrementar a construção de saberes acerca dos eventos que ocorrem ao longo do curso da vida. Essa participação pode se configurar ainda, principalmente entre as mulheres de classes sociais menos favorecidas, como espaços de interação social, reflexão e oportunidade de verbalização e escuta, que muitas vezes não existem dentro do grupo familiar.

A presença da fé é marcante neste DSC. Apesar da dor e da doença, existe a crença em que algo vai acontecer e transformar a condição de vida delas, seja vindo da medicina, seja trazido por Deus. Nesse sentido, a fé é um conforto e tem papel importante, pois se constitui como um modo de pensar construtivo. É um sentimento de confiança, de que acontecerá o que se deseja, e Deus aparece como uma forma privilegiada para lidar com as situações estressantes.

[...] Vocês que são os médicos, que estão nos ajudando. Eu vou passar no paraíso sem a dor. A dor não vai comigo não, ela vai ficar. Deus vai tirar de mim e jogar bem longe (da gente). E eu acho que Deus também, ele ilumina, bota alguém pra dizer: “Não. Vai melhorar”. Então, eu acho que vai melhorar sim. [...]

No fragmento do DSC destacado abaixo, podemos perceber uma representação social do envelhecimento mais positiva, não associada a situações sombrias e lúgubres, mas ancorada nas lembranças felizes da infância. Denota uma perspectiva de futuro feliz, condicionado, no entanto, à superação das dores.

[...] Então, eu acho que vai melhorar sim. ... Claro que eu não vou ter mais 50, 55 nem 45, mas eu vou ser... como quando eu era pequena que eu vivia feliz no interior, na roça [...]

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Em função da qualidade crônica da dor e da inexistência de uma perspectiva de cura próxima, fatos esses dos os quais as mulheres entrevistadas têm consciência, o envelhecer não parece estar no plano concreto, mas num plano imaginário e idealizado.

A expetativa do envelhecimento com saúde existe, mas vem associada a uma avaliação crítica de que o sistema de saúde tem limitações e que o Estado precisa fazer a sua parte. Minayo (2000) ressalta que, por meio da experiência do fenômeno saúde-doença, os indivíduos falam de si, do seu entorno, das suas condições de vida, do que os oprime, ameaça e amedronta. Eles irão expressar também suas opiniões sobre as organizações sociais em seus substratos econômicos, político e cultural.

[...] Mas o governo que precisa ajudar. Nós precisamos, o povo todo depende de governo. Tem tanta gente gastando dinheiro... jogando tanto dinheiro pra cima e a gente vê né, a saúde do pobre tá ai... e vou lhe dizer uma coisa... o posto de saúde...chega no posto não tem médico, às vezes os médico que tem passa medicação errada, Às vezes marca pra dois meses, três meses, seis meses, um ano. Eu vou aguentar esperar seis anos, seis meses? [...]

Ao mesmo tempo em que essas mulheres esperam envelhecer e acreditam que isso de fato irá acontecer, não conseguem se visualizar idosas padecendo com essa doença. Envelhecer com saúde demanda atitudes pessoais individuais, mas também coletivas, que envolvem toda a sociedade. Portanto, são necessárias estruturas sociais que respondam às demandas da população de maneira ampla, abarcando todos os âmbitos da saúde, previdência, educação e segurança em todas as etapas do curso da vida.

Envelhecimento com dor/doença

Pior ainda. Eu vejo que daqui mais dois ou três anos o que será de mim? Saudável, não. Me ver assim com essas dores, na frente, não. Eu quero me livrar dela pra poder eu ter a minha vida normalmente. Entendeu? Cuidar da minha casa, cuidar das minhas coisas, como eu sempre cuidei. Mas eu tenho a impressão que ela vai ser companheira de todas pessoas que tem isso daí. Nós devemos fazer tudo pra saber lidar com ela porque com ela ou sem ela tem que lutar. Porque se eu tiver na minha cabeça “ai, meu Deus, eu tenho fibromialgia, não posso fazer isso, não posso fazer aquilo, não posso fazer nada, não posso andar, não posso dirigir, eu não posso trabalhar”, eu não vou viver. Eu tô dependendo agora muito de alguém que me ajude nos serviços em casa. Porque quando a gente tá boa, não, a gente dá conta de tudo, né? Às vezes fico imaginando... Meu Deus como vai ser meu futuro? Eu tô ficando velha... cada dia... é claro, daqui pra frente cada ano que passa a gente tá mais velho Hoje você tá bem, daqui a pouco você não tá. Mas, a fibromialgia daqui a dez vinte minutos ela ataca, é uma coisa inesperada. Eu penso às vezes que eu vou ficar travada, viu? de não poder andar. Morro

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de medo disso. Me vejo sozinha, em cima de uma cama, E não tem outro jeito. Eu me vejo assim, em cima de uma cama, sem poder fazer nada. Que as pessoas se afasta, filho, todo mundo. Aí, se eu não tivesse a doença, eu não poderia pensar assim, né? Eu não estaria sozinha, porque eu estaria fazendo pra não ficar sozinha. Essa doença, acho que sem querer, ela te empurra pra uma solidão porque deixa a gente muito nervosa, com insônia. E isso vai te desanimando cada dia que passa. Mas eu quero, mesmo com dor, chegar mais na frente. Não vou me entregar, ela não vai me derrubar. Porque não é fácil, mas eu vou reagir, se Deus quiser. E se eu tiver a graça ainda de eu conseguir encontrar uma cura/A cura não, pelo menos uma ajuda que me tire metade das dores, eu vou lutar por isso.Mas o governo que precisa ajudar. Nós precisamos, o povo todo depende de governo.Pois eu vou lhe dizer uma coisa... o posto de saúde...chega no posto não tem médico, às vezes os médico que tem passa medicação errada. Eu espero que Deus me ajude e ele me dê ainda muitos anos de vida pra mim lutar com ela...Tem muitas pessoas que começa a vida com 60, 65, né?

Neste DSC, a representação social do envelhecimento normal/natural parece estar associada a uma vida sem doenças. As mulheres entrevistadas têm consciência da natureza crônica de sua doença e de que ela é “companheira” de todas pessoas que têm essa enfermidade.

[...] Eu vejo que daqui mais dois ou três anos o que será de mim? Saudável, não. Me ver assim com essas dores, na frente, não. Eu quero me livrar dela pra poder eu ter a minha vida normalmente. Entendeu?[...]

A mesma mulher que reage e enfrenta a dor numa estratégia de enfrentamento focada no agente estressor é aquela que consegue se enxergar lá na frente porque desenvolve recursos internos e externos para lidar com a dor. Esses recursos serão valiosos na fase final da vida, pois, embora não necessariamente elas se tornem dependentes para desenvolver todas as atividades de autocuidado, se isso acontecer, a resiliência poderá ser um recurso para suportar e superar as adversidades.

[...] Que as pessoas se afasta, filho, todo mundo. Aí, se eu não tivesse a doença, eu não poderia pensar assim, né? Eu não estaria sozinha, porque eu estaria fazendo pra não ficar sozinha [...]

A mulher que tem fibromialgia sente que é discriminada pela família e que isso pode ter reflexos futuros em sua vida, pois se há afastamento e isolamento no momento presente, essa condição deve piorar, já que os vínculos tendem a se fragilizar e a vulnerabilidade, aumentar.

Há uma culpabilização delas próprias, por não conseguirem se controlar, e elas acreditam serem responsáveis pelo afastamento das pessoas, em virtude de seu

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comportamento. Veem-se, dessa maneira, envolvidas em um círculo vicioso de culpa e solidão.

A fragilidade se constitui em vulnerabilidades que os indivíduos apresentam em relação aos desafios do próprio ambiente. Segundo Caldas (2003), essa condição pode ser encontrada em situações onde existe uma combinação de doenças ou limitações funcionais que reduzem a capacidade do indivíduo de adaptar-se ao estresse causado por doenças, hospitalização ou outras situações de risco.

Essas mulheres apresentam temor de um envelhecimento associado a dependências. [...] Eu penso às vezes que eu vou ficar travada, viu? de não poder andar. Morro de medo disso. Me vejo sozinha, em cima de uma cama, E não tem outro jeito. Eu me vejo assim, em cima de uma cama, sem poder fazer nada [...]

É importante salientar que o envelhecimento com dependências é uma possibilidade e hoje se configura como um problema de saúde pública, tendo em vista a incapacidade do sistema previdenciário e de saúde de dar conta de responder à demanda de toda a população idosa brasileira. Com isso, a família vem progressivamente se tornando a principal fonte de recursos disponíveis para o cuidado do idoso com perda da independência.

Estudos como os de Karsch (1998), Mendes (1995), Hayar (2003) e Salimene (2004) mostram que a tarefa de cuidar dos idosos com dependências está principalmente sob a responsabilidade das famílias, já que o Estado e a sociedade como um todo ainda não possuem estratégias efetivas para cuidar de idosos com dependência em situação crônica. Assim, as famílias acabam cuidando da maneira como conseguem, muitas vezes sem orientação e com poucos recursos.

Podemos verificar que a representação social do envelhecimento com dor relaciona- se diretamente às incapacidades tanto de realizar as atividades cotidianas quanto de trabalhar, enfatizando-se aqui a inatividade e a dependência.

[...] Porque se eu tiver na minha cabeça “ai, meu Deus, eu tenho fibromialgia, não posso fazer isso, não posso fazer aquilo, não posso fazer nada, não posso andar, não posso dirigir, eu não posso trabalhar”, eu não vou viver. [...]

Estar doente significa não produzir, não gerar bens, depender de outras pessoas para sobreviver. As mulheres percebem que com o passar do tempo essa situação pode se

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acentuar ainda mais por causa da possibilidade do afrouxamento dos vínculos familiares e do agravamento das condições físicas e socioeconômicas. Sendo assim, podemos inferir que, se os efeitos da fragilidade física somarem-se aos efeitos das variáveis socioeconômicas, culturais e demográficas, tais como a baixa escolaridade, a possibilidade de viver só, de ter que cuidar ou precisar de cuidados, nesse caso, a qualidade de vida das mulheres tende a decair.

[...] Eu tô ficando velha... cada dia... é claro, daqui pra frente cada ano que passa a gente tá mais velho Hoje você tá bem, daqui a pouco você não tá. [...]

Nessas falas, evidenciam-se estereótipos relacionados ao termo “velho” e vê-se que essas mulheres projetam sobre a velhice uma representação social associada a perdas e declínios. Isso pode contribuir para a construção de uma imagem negativa ou estereotipada delas próprias, bem como das condições e circunstâncias que envolvem a sua existência. As crenças são imagens mentais que influenciam as emoções e, consequentemente, o corpo na sua totalidade.

Esses estereótipos têm o efeito de criar a tendência de associar indevidamente a velhice somente a aspectos negativos, pejorativos, e não enxergá-la como uma fase da vida que pode ser gratificante.

Uma última reflexão feita com base nesses DSCs nos leva a pensar que o processo de envelhecimento é determinado não só pela cronologia, mas também pela condição social na qual se encontra a pessoa em questão, além de ser um processo fortemente afetado pelas singularidades individuais. Envelhecer é um processo que está alicerçado nas experiências pessoais e no contexto socioeconômico, cultural e demográfico, os quais oferecem aos indivíduos as condições para gradualmente irem construindo sua identidade, ancorando-se no passado e direcionando-se para o futuro, respeitando suas possibilidades e potencialidades diante das adversidades que eventualmente aparecerem ao longo de seu curso de vida.

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