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Economía social y EmprEsas dE Economía solidaria

1. Rasgos generales y delimitación de las entidades de economía social

1.1. Delimitación doctrinal de la economía social

Ao usarmos o modelo de cinco partes da Figura 2.1 para entender a depressão de Marisa, podemos encontrar algumas semelhanças entre ela e Paulo quanto aos padrões de pensa- mento, humor, comportamento e experiências físicas. No entanto, as situações de vida que contribuíram para a depressão de Marisa tiveram início em sua infância.

A mente vencendo o humor 11

Vejamos a seguir como ela e seu terapeuta usaram o modelo de cinco partes para compreender sua depressão.

Mudanças ambientais/situação de vida: o pai molestou-a sexualmente; os dois ma- ridos eram alcoolistas e abusivos; é mãe solteira de dois adolescentes; feedback ne- gativo do supervisor no trabalho.

Reações físicas: cansada na maior parte do tempo. Humor: deprimido.

Comportamento: dificuldade de trabalhar; evita familiares e amigos; chora com facili- dade; corta-se; já tentou suicídio por duas vezes.

Pensamentos: “Não sirvo para nada”, “Sou um fracasso”, “Nunca vou melhorar”, “Mi- nha vida não tem solução”, “O melhor mesmo é me matar”.

Algumas pessoas podem achar que Marisa estava destinada a permanecer deprimi- da devido às suas dolorosas experiências de vida. Como você verá, isso não é verdade. Vítor: Ajude-me a ser mais perfeito.

Vítor, um executivo de marketing de 49 anos de idade, iniciou terapia três anos depois de ingressar nos Alcoólicos Anônimos (AA) para conseguir parar de beber. Medindo mais de 1,80 metro e com corpo atlético, Vítor chegou para sua primeira sessão bem-vestido, com um terno preto risca de giz e uma gravata combinando. Cada detalhe de sua aparência era perfeito, desde seu cabelo bem-aparado até seus sapatos polidos cuidadosamente.

Apesar da frequente compulsão para beber, Vítor se mantinha sóbrio há três anos. Sua compulsão para beber era mais forte quando se sentia triste, nervoso ou irritado. Às vezes, pensava: “Não suporto estes sentimentos. Preciso de um drinque para me sentir melhor”. Sua participação nas reuniões do AA era irregular, e resistir à bebida ainda era um grande esforço para ele.

Vítor estava sujeito a períodos de depressão, durante os quais via a si mesmo como “inútil”, “sem valor” e “um fracasso”. Com frequência, ficava nervoso e, nesses momentos, repetidamente se preocupava de que seria despedido do emprego por mau desempenho, apesar de receber boas avaliações. Sempre que seu telefone tocava, Vítor imaginava que a pessoa chamando era seu chefe para comunicar sua demissão. Ficava surpreso e aliviado cada vez que isso não acontecia.

Ele também lutava contra acessos de raiva periódicos. Embora essas explosões não ocorressem com frequência, eram muito destrutivas, especialmente em seu relacio- namento com a esposa, Júlia. Ficava irritado rapidamente quando sentia que outras pes- soas o estavam desrespeitando, agindo de forma injusta, maltratando-o ou quando pare- cia que as pessoas mais próximas a ele não estavam se importando com seus sentimen- tos. Conseguia conter a raiva no trabalho, mas, quando esse tipo de situação ocorria em casa, perdia a calma muito rapidamente e explodia com fúria. Essa fúria era seguida de sentimentos de intensa vergonha e arrependimento, desencadeando mais pensamentos de desvalia.

Vítor descreveu sua batalha de 25 anos contra o álcool como resultado de sentimen- tos permanentes de inadequação, baixa autoestima e uma sensação de que algo “terrível”

iria acontecer com ele. Quando bebia, sentia-se melhor, mais forte e “no controle”. Ficar sóbrio havia trazido à luz seus profundos sentimentos de desvalia, ansiedade e baixa auto- estima, os quais eram encobertos pelo álcool.

Já no começo da terapia, ficou evidente que Vítor era um perfeccionista. Seus pais haviam dito: “Se você cometer um erro, isso é mau” e “Se você for fazer qualquer coisa, faça certo”. Ele concluiu, então, que “Se não sou perfeito, então sou um fracasso”.

Vítor cresceu com um irmão mais velho, Douglas, que era um astro do esporte e ex- celente aluno. Quando criança, Vítor acreditava que a aprovação, o amor e a afeição dos pais dependiam de seu desempenho. Embora os pais demonstrassem amor por ele de vá- rias maneiras, Vítor nunca sentiu que tinham orgulho dele como tinham de Douglas. Ele se sentia pressionado a ser o melhor na escola e nos esportes. Certa vez, marcou um gol em um jogo de futebol importante, mas ficou desapontado porque um colega do time marcou dois gols na mesma partida. Um bom desempenho não era suficiente para Vítor se não fosse também o melhor.

Depois de adulto, achava cada vez mais difícil conseguir ser o melhor. Ele equili- brava os papéis de marido, pai e executivo de marketing, julgando seu valor pelo desem- penho em cada uma dessas áreas. Raramente se achava perfeito em qualquer área e preo- cupava-se de modo constante sobre como as outras pessoas o avaliavam. Se trabalhava até tarde no escritório para agradar seu chefe, ele se preocupava durante o caminho de volta para casa se não estava desapontando a esposa e os filhos.

Vítor veio à terapia à procura de formas de se sentir melhor em relação a si mesmo e querendo se sentir mais seguro. Ele também queria ajuda para se manter sóbrio. Ao final da primeira sessão, disse ao terapeuta, rindo: “Olhe, tudo o que eu quero é que você me deixe perfeito, e, então, eu vou ser feliz”. O terapeuta sugeriu a Vítor que talvez um dos ob- jetivos da terapia devesse ser ajudá-lo a se sentir feliz consigo mesmo do jeito como era, com imperfeições e tudo o mais. Vítor engoliu em seco e, depois de um momento, concor- dou balançando a cabeça.