4.2 Characterization of pneumococcal strains expressing mosaic PBPs
4.2.4 Will deletion of the native murMN genes affect penicillin resistance in S. pneumoniae R6
SOC escaneando. DRAKE, BENJAMIN. Dados interceptados. Durante o decorrer dessa análise, nos referiremos a esse Sistema Operacional Central com sua sigla original, COS.
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A cena vai para um fade-out e corta para a vinheta de abertura da série. Até aqui, pouco menos de três minutos de episódio se passaram. Apesar de ainda estar suprimido para os personagens da série, neste pouco tempo, a narrativa imagética de
Ghost in the Machine apresenta a representação do que nos limitaremos a chamar –
seguindo os personagens Mulder e Scully, que assim se referem ao personagem antagonista – como a Máquina. E, ao fazê-lo, a narrativa coloca explicitamente em jogo a revelação de inúmeros fundamentos utópico-tecnológicos e fragmentos daquilo que chamamos de pensamento tecnológico. O primeiro ponto seria sobre as regras de vida de higienista, ou seja, sobre as pretensões utópicas de controle generalizado de todas as instâncias da vida a partir de sistemas rígidos de controle físico, mental e social, aqui, altamente tecnológicos. Como explicita Sfez (1996), cada autor, em cada momento específico da História, deteve-se em objetivar essas fantasias de controle de acordo com as preocupações morais e sociais vigentes naquele determinado recorte temporal. E, para este caso em específico, não nos parece ser diferente, mesmo preliminarmente. O crescimento vertiginoso no século XX das estruturas privadas de poder financeiro, econômico, industrial e, até mesmo, institucional levaram o Homem a uma busca pela organização e pelo controle. Com este crescimento, aumentaram o número de facetas a serem controladas dentro de uma – seguindo o exemplo do próprio episódio – empresa ou corporação. Desde o controle dos ambientes físicos, como escritórios e fábricas, até a própria gestão de negócios precisariam de um acompanhamento mais rígido e contínuo. A Máquina, o COS serve a esse propósito. Posteriormente discorreremos com maior profundidade sobre esse aspecto, conforme forem se tornando mais claras e extensas essas demonstrações dentro da narrativa.
Entretanto, aqui, cabe também ressaltar outro aspecto importante trazido à tona nestes primeiros minutos introdutórios. A discussão entre Wilczek e Drake revela uma importante noção referente ao pensamento tecnológico. Rüdiger (2007) articula a idéia deste tipo de pensamento que hoje permeia a sociedade dirigindo a forma como entendemos, usamos e imaginamos a tecnologia e a técnica que adentra com cada vez
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mais premência nossas vidas. E um caráter vital para o apogeu contemporâneo da tecnocultura é precisamente o do capitalismo. Drake e Wilczek parecem representar plenamente os pontos dessa tecnocultura capitalista e do próprio pensamento tecnológico. Wilczek personifica a técnica pela técnica. O avanço técnico-científico voltado para a sua própria replicação, para seu uso imediato, para o pleno desenvolvimento das capacidades tecnológicas. Ou seja, para Wilczek o que parece importar é verdadeiramente a Máquina, sua utopia pessoal é a da “vontade de poder ou controle sobre nossas condições de existência” (RÜDIGER, 2007, p.171). Já Drake claramente personifica o caráter mais capitalista da empreitada tecnocultural pós-moderna. Para o CEO da Eurisko não há validade numa utopia calcada na técnica com a finalidade exclusiva de melhorar a vida, amplificar o controle humano sobre as instâncias físicas nem mesmo a lógica da técnica pela técnica.
Atualmente, a pesquisa científica depende menos da procura de conhecimento do que da geração de valor através da criação de produtos, a exploração econômica da vida mesma ainda é mais relevante do que a elaboração do saber a seu respeito e a pesquisa de uma forma de vida menos causadora de opressão, sofrimento e desigualdades (RÜDIGER, Francisco. 2008, p.158)
Para ele, essas pretensões tem que positivamente passar pelas pretensões comerciais, financeiras, em suma, capitalistas. O aparato COS não tem sentido se não gerar lucros, quando ele diz: “Seu desempenho desastroso nos últimos três trimestres e perdas previstas em 1994...” fica claro o aspecto mercantil envolvido. O desenvolvimento científico é injustificável a não ser que gere receita proporcional ao seu grau de desenvolvimento. É, de certa forma, como se Wilczek e Drake personificassem os dois possíveis lados da materialidade do pensamento tecnológico: Wilczek segue a lógica de que a “técnica [criou] um modo de vida em que os elementos míticos e utópicos que definem essa instância se inscrev[eram] materialmente nos corpos e nos artefatos” e Drake vai na esteira de um “pensamento tecnológico [que] está conectado com o fetichismo da mercadoria e a vontade de poder que representa o capital” (Ibid., p.172).
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Após a vinheta de abertura, a cena corta para Washington, Distrito de Columbia, capital norte-americana, e a legenda lê: Quartel-General do FBI. Na cena, vemos o prédio J. Edgar Hoover67, e corta para o interior do prédio onde um homem, meio calvo, de terno e gravata anda por um corredor procurando Mulder. Ele o encontra, se aproxima, chama seu nome e o abraça. Mulder e Scully estão juntos e então o homem se apresenta como Agente Especial Jerry Lamana. Outrora, nos tempos em que Mulder era parte da equipe que investiga os chamados Crimes Violentos, Lamana fora parceiro de Mulder e muito se valeu das idéias e perspicácia dele, portanto, agora, confrontado com o mistério da morte de Drake, novamente ele busca seu antigo parceiro. Ele explica a dupla que a causa da morte do CEO fora eletrocussão causada por algum tipo de “armadilha elaborada”. O ex-parceiro de Mulder precisa muito de ajuda para resolver esse caso, pois, há alguns anos, teve má sorte num caso ligado a mortes violentas com motivos raciais em Atlanta e Drake não era somente o líder de uma grande organização, era também amigo íntimo do Procurador Geral, gerando enorme pressão política para que o caso seja resolvido rápida e claramente.
Do escritório de Mulder, no subsolo do prédio do FBI, a cena vai para as escadarias do prédio da Eurisko, na Virginia. Ao entrarem no prédio, a dupla é imediatamente filmada por outra câmera de segurança – idêntica àquelas na sala de Drake e em seu banheiro particular. Seguem pelo luxuoso hall de metal, mármore e vidro do prédio até os elevadores. Já dentro do elevador, a visão que o espectador tem da cena é a mesma que a câmera de vigilância produz e novamente a câmera ganha destaque na cena. Scully pressiona o botão do andar 29 e o elevador começa a subir. Nesse momento, se ouve uma voz digitalizada informando aos passageiros sobre a progressão dos andares. Ao atingirem o quarto andar, o elevador subitamente pára derrubando Scully no chão.