2.10 Recipes for growth mediums and buffers
2.10.6 Buffers for HPLC
materiais e treinamentos que possam dar apenas alguns décimos de segundo de vantagem para um corredor ou nadador. Uma das transgressões máximas desse aspecto pôde ser vista no final de 2007, início de 2008, com o escândalo do uso generalizado de esteróides e anabolizantes por jogadores de baseball norte-americanos denunciados pelo jornal New York Times.
Matéria disponível em http://www.nytimes.com/2007/12/14/sports/baseball/14mitchell.html?hp, no dia 28 de junho de 2008.
3
técnica criaram”, na modernidade tardia, definida e marcada indelevelmente por seu aspecto tecnológico, “um modo de vida”, uma forma de perceber, entender e projetar a existência na qual “o pensamento tecnológico está conectado com o fetichismo da mercadoria e a vontade de poder que representa o capital, através de todo tipo de fantasias, mitos e utopias, sejam elas funcionais ou figurativas, produtivas ou regressivas, conformistas ou emancipatórias” (RÜDIGER, 2007b, p.172). Fantasias estas que, com cada vez mais força, operam através dos diversos produtos culturais que trafegam no circuito das mídias – tanto clássicas, como livros, revistas e jornais, quanto modernas, como a televisão, o cinema e, mais recentemente, na rede mundial de computadores – e que se valem da deterioração ideológica contemporânea para engendrar um:
[...] discurso em forma de narração, que retoma as grandes questões da vida e da morte, do destino e da liberdade, uma reescritura da história humana, ligando natureza e tecnologia, uma ode ao progresso, fazendo dos dois valores já reconhecidos – a natureza e a ciência – um casal quase divino cujos filhos seríamos nós (SFEZ, 1996, p.55),
3
2
2..22..RREESSIISSTTAAOOUUSSIIRRVVAA
3535K
Keellllnneerreeooeemmbbaatteeiinntteerrnnooiinneerreenntteeaaoosspprroodduuttoossccuullttuurraaiiss
A marca essencial desse trabalho é o esforço em perceber, dentro do corpo do objeto selecionado, revelações, a priori, conflituosas, dos caracteres utópicos e distópicos ligados ao referencial teórico construído a partir de uma recuperação bibliográfica acerca dos autores centrais – Francisco Rüdiger e Lucien Sfez – e de colaborações externas ligadas aos conceitos daí vindos. Objetiva-se, portanto, debruçado sobre as proposições analíticas de Douglas Kellner, principalmente no tocante a sua obra de 2001, A Cultura da Mídia, efetuar uma análise de três episódios da série de televisão
Arquivo X (1993-2002), chamados Ghost in the Machine, de 1993, Kill Switch¸ de 1998, e First Person Shooter¸ de 2000.
Assim, a partir da percepção de um fenômeno histórico definido como Ocidente, que converte o mundo em imagem, em representação, pretende-se um recorte deste objeto que indique, a princípio, as temáticas expostas através da reconstrução teórica acerca do pensamento tecnológico e da projeção utópica da existência humana e do mundo. Primeiramente, deve-se ressaltar que, para atingir a pretensão de uma “análise crítica do sentido objetivo desses bens” culturais que revele como sua formação (e possível recepção) “colabora no processo de constituição” não só dos “sujeitos”, mas também da “própria sociedade” (RÜDIGER, 2002b, p.219), devemos utilizar as “proposições teóricas” como “chave de interpretação no estudo” dessa “mercadoria cultural tecnológica” em específico dentro da “sociedade contemporânea” (Ibid.). Entramos, assim, no que Kellner (2001) conceitua como Cultura da Mídia: um “fenômeno histórico”, marcado por uma crise da cultura provocada pela institucionalização e progresso do capitalismo e que “é relativamente recente. Embora as novas formas da indústria cultural” – durante as décadas de 40 e 50 – “tenham começado a colonizar o lazer e ocupar o centro do sistema de cultura e comunicação nos Estados Unidos e em outras democracias capitalistas” (KELLNER, 2001, p.26). É nessas nações, eventuais berços da incipiente cibercultura, que nessas 35 No original, Resist or Serve.
3
décadas era apenas fantasia delirante de estudiosos como Norbert Weiner e sua idéia de um mundo cibernético (LEMOS, 2002; RÜDIGER, 2007a, 20008), onde predominantemente surge uma “mídia” que “veicula uma forma comercial de cultural, produzida por lucro e divulgada à maneira de mercadoria” (KELLNER, 2001, p.27).
A produção cultural como um todo forma – de maneira mais ou menos consciente – às contradições existentes em seu meio social de origem e inserção, sendo, pois mais ou menos ideológica; mas também figura – de maneira mais ou menos utópica – as suas possibilidades, dando face e voz àquilo que aquela ratifica através de seus recursos estéticos e criativos, por mais que não possa convertê-las em realidade concreta: a partir dessas premissas é que pode ser devidamente pesquisada (RÜDIGER, 2002b, p.220).
Então, percebe-se que há uma mudança de registro. A submissão das instituições produtoras de bens culturais às regras de eficiência, lucro e expansão do moderno capitalismo, que se inseria em todos os aspectos da vida, faz com que se opere a partir do conceito de penetração e aceitação, obrigando os produtos culturais a serem “eco da vivência social” (KELLNER, 2001, p.27); ou seja, imbuídos não de um caráter formativo – que alterasse ou definisse a conduta dos indivíduos de maneira forçosa, manipulada –, mas sim de um caráter normativo: confirmando normas, costumes e comportamentos ditados pelo sistema vigente através do que Theodor Adorno (1976) vai delimitar como “modelos de imitação” (p.348).
Portanto, enquanto a cultura da mídia em grande parte promove os interesses das classes que possuem e controlam os grandes conglomerados dos meios de comunicação, seus produtos também participam dos conflitos sociais entre grupos concorrentes e veiculam posições conflitantes, promovendo às vezes forças de resistência e progresso. Conseqüentemente, a cultura veiculada pela mídia não pode ser simplesmente rejeitada como um instrumento banal da ideologia dominante, mas deve ser interpretada e contextualizada de modos diferentes dentro da matriz dos discursos e das forças sociais concorrentes que a constituem (KELLNER, 2001, p.27). Assim, em termos, temos que “a hipótese básica” que se deve adotar, metodologicamente, quanto à análise de um produto cultural ligado à Cultura da Mídia e à
3
idéia frankfurtiana de indústria cultural “é a de que essa cultura” – a da mídia alçada pelo progresso do capitalismo – “produz e reproduz em termos econômicos, técnicos e espirituais as categorias e contradições sociais dominantes” (RÜDIGER, 2002b, p.216). Ou seja, temos um embate entre posições diametralmente opostas, que, de forma conflituosa, revelam os aspectos hegemônicos e contra-hegemônicos formadores (e talvez também
deformadores) da sociedade contemporânea ocidental. Deve-se, portanto, apontar o
“horizonte social” do produto cultural, no que este “refere-se às experiências, às práticas e aos aspectos reais do campo social que ajudam a estruturar o universo da cultura da mídia e sua recepção” (KELLNER, 2001, p.137). Para este volume, como apontado previamente, o principal horizonte social será o da projeção utópica do mundo e do homem através da tecnologia e como tal proposição é articulada e revelada através dos construtos da mídia, já que “para funcionar diante de seu público, a cultura da mídia precisa repercutir a experiência social”; de alguma forma os produtos culturais precisam “’encaixar-se no horizonte social do público, e assim a cultura popular da mídia haure medos, esperanças, fantasias e outras inquietações” (Ibid., p.138) determinadas historicamente e definidas por uma “repetição que constitui ainda outro aspecto da situação contraditória da produção estética a qual tanto o modernismo quanto a cultura de massa de um jeito ou de outro não pode fazer outra coisa se não reagir” (JAMESON, 1979, p.135).
Portanto, “o verdadeiro problema de pesquisa” aqui não se trata de uma investigação empírica quanto à recepção ou efeitos reais que esse produto em específico –
Arquivo X – enseje sobre a sua audiência, mas sim “consiste [...] em interpretar o sentido
histórico dos fenômenos com que se associa e, assim, determinar a maneira como mediatizam o movimento global da sociedade” (RÜDIGER, 2002b, p.234). Como premissa para a análise dos episódios, temos que eles enfocam uma “dimensão utópica ou trascendente. [...] A hipótese aqui é a de que os produtos da cultura de massa” antes de serem ideológicos ou de engendrarem a manipulação de seus espectadores “devem ser implícita ou explicitamente Utópicos”: eles não podem formar ou “manipular a não ser que ofereçam pelo menos um traço genuíno de conteúdo como um suborno fantasioso” (JAMESON, 1979, p.144). Deve-se, portanto, proceder frente a eles com um trabalho
3
crítico e interpretativo deixando transparecer “as condições materiais e históricas das quais dependem” os fenômenos aqui enfocados através de uma “decifração dos impulsos utópicos desses [...] textos culturais ainda ideológicos” (JAMESON, 1992, p.304). Como Jameson exemplifica, “até mesmo o monstruoso fenômeno do nazismo foi nutrido por fantasias coletivas de tipo utópico” (1979, p.144) aliadas a “fantasmagoria” (RÜDIGER, 2008) mais assustadora de tipo distópico – de um lado o mundo perfeito da utopia ariana contrastado com a distopia econômica e social que os arquitetos do pensamento anti-semita na Alemanha das décadas de 20 e 30 insistiam ser culpa das migrações judaicas. Seguindo, então, o pensamento metodológico de Kellner (2001), este volume trata de uma “análise cultural” que “revelará o modo” como não somente ideologias ligadas às novas descobertas e avanços tecnológicos, como também a já mencionada dimensão utópica, “é estruturada no texto [...], bem como os aspectos textuais” – sem necessariamente se tornar uma mera análise da narrativa ou das imagens, mas, seguindo a proposição de que o termo texto envolve todo o conjunto de um produto cultural. Portanto, nos debruçaremos parcialmente sobre a metodologia da escola de Frankfurt e dos estudos culturais, propostas por Kellner, sem, entretanto, jamais desconsiderá-las totalmente36.
De cada um desses backgrounds teóricos, portanto, enfatizaremos as condições mais latentes para a análise que aqui se pretende fazer. Da perspectiva frankfurtiana, tomaremos os entendimentos de Theodor Adorno como expostos por Rüdiger, principalmente no que tange suas premissas iniciais, de combinação entre “teoria social, análise cultural, história, filosofia e intervenções políticas” (KELLNER, 2001, p.42), interpelando o nosso próprio esquema teórico para suprimir as limitações que ora se tornem evidentes. Objetiva-se, dentro dessa visão, levar em consideração o período histórico e as repercussões filosóficas – ligadas, então, ao pensamento de Francisco Rüdiger sobre o avanço técnico-científico que a humanidade ocidental vivencia (2002, 2007, 2008) que, por sua vez, se ligam às elaborações de Martin Heidegger e Friedrich Nietzsche, e também ao pensamento de Lucien Sfez, no que diz respeito a busca do que ele chama de “Saúde