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cabo inteiramente dedicado ao gênero, chamado Sci-Fi Channel. Em Asimov (1984) temos a afirmação de que este termo, sci-fi, que fora cunhado por Forrest J. Ackerman como uma brincadeira com palavras, como a abreviação inglesa hi-fi, para high definition (alta definição). O autor também afirma que a abreviação acabou sendo “utilizada principalmente por gente ligada ao cinema e à televisão” (p.29), o que é coerente com seu nome ter sido dado a um canal de TV a cabo exclusivamente dedicado ao gênero. Apesar de sua aparente conotação negativa – “material de quinta ordem, lixo ou refugo, por vezes confundido, por gente ignorante, com s.f.” (Ibid.). – o canal, assim como o termo, engloba todo o escopo da produção audiovisual do gênero, como Star Trek (Jornada nas Estrelas) que Asimov categoriza como SF, e Godzilla, que ele chama de sci-fi.

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televisão que vai seguir a senda definida tanto pelas outras transposições quanto pela nova vertente literária do gênero que surge evidenciando os fantasmas e sonhos da era tecnológica vivida atualmente pelo ser humano ocidental. Aqui, portanto, partimos para a análise da história e construção de Arquivo X, inserido/associado a esse gênero tão prolixo e que vai se definir como encaixado na terceira transposição, a Ficção Científica que chega, semanalmente, à casa das pessoas através das antenas de TV.

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Originalmente concebida em 1992 por Chris Carter, um roteirista contratado da rede norte-americana de televisão Fox, Arquivo X foi ao ar com seu episódio piloto em setembro de 1993. Inspirado por séries policiais e contos de ficção científica da sua infância, durante as décadas de 1960 e 1970, e pelos comentários do professor de Harvard, John E. Mack, sobre uma pesquisa que afirmava ultrapassarem os três milhões de norte-americanos que teriam sido abduzidos – seqüestrados – por alienígenas52, Carter definiu que o escopo da série seria uma dupla de agentes do FBI (O Federal Bureau of

Investigation, a polícia federal dos Estados Unidos) envolvidos na investigação de crimes

que desafiariam a lógica e a ciência, sendo, assim, considerados paranormais. Esses casos, que ao longo dos anos eram freqüentemente abandonados por falta de provas ou suspeitos, ficariam conhecidos como os arquivos X (the x-files), e se tornariam o objetivo central de vida e de curiosidade de um jovem agente dessa instituição, formado em psicologia em Oxford e, até então, especializado em crimes violentos (como serial killers¸ chacinas ou assassinatos de cunho religioso, satânico ou racial), chamado Fox Mulder, interpretado por David Duchovny.

“Spooky Mulder”, como ficaria conhecido por seus colegas de forma bastante antagonista, encontrara nos Arquivos X a corroboração derradeira de suas fantasias e pesadelos de infância, incitados pelo misterioso e jamais explicado desaparecimento de 52 Segundo matéria do site EW.com (Entertainment Weekly), de 18 de Março de 1994, disponível em:

http://www.ew.com/ew/article/0,,301487,00.html, em 14 de janeiro de 2009.

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sua irmã, Samantha, quando ele ainda era apenas um garoto; para o agente, sua irmã fora raptada por alienígenas envolvidos, de alguma forma, com braços do governo norte- americano em uma espécie de conspiração. Pronto a acreditar na existência do que a série se refere como sendo fenômenos paranormais, Mulder afunda sua atenção – e também sua carreira – perseguindo uma transferência para o indesejado e mal visto subsolo do prédio Edgar Hoover do FBI em Washington, onde, ao longo de mais de cinco décadas, a agência enterrava casos e crimes jamais resolvidos em um gabinete de documentos sinistramente marcado com a letra X. A despeito do desprezo que os colegas e superiores demonstravam para com Mulder, o agente perseguiria por anos o que ficaria na boca dos fãs como a

missão, de não só comprovar irrefutavelmente a existência desses fenômenos como revelar

para o público as ações de seu próprio governo.

Entretanto, pouco da luta solitária de Mulder é retratada na série. O mote inicial, tema do primeiro episódio (episódio piloto) da série é o aparecimento da Agente Especial Dana Scully, interpretada por Gillian Anderson. Com a finalidade de desbancar Mulder e invalidar seu trabalho, uma jovem agente do FBI, com background em medicina e um intelecto claramente voltado para a razão, experimentação e corroboração científica – uma cientista na acepção máxima da palavra – Scully é apontada pela administração da agência como parceira de Mulder. A princípio, a jovem ruiva, filha de militares e católica fervorosa, surge como uma cética, pronta a aceitar que o jovem Mulder não passa de um lunático irrevogavelmente preso ao trauma do sumiço de sua irmã. Porém, ainda nesse primeiro episódio, seguindo as indicações de seu superior, o Chefe da Divisão Scott Blevins (interpretado por Charles Cioffi), a dupla segue para uma pequena cidade do interior do estado norte-americano do Oregon a fim de investigar as misteriosas mortes de quatro jovens. Por fim, as investigações levam o ceticismo de Scully a ser profundamente balançado, ao encontrarem evidências que, de fato, apontam para uma explicação paranormal, possivelmente envolvendo abduções.

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Assim, Arquivo X extrapola uma única conceituação. Apenas um terço dos episódios pertence ao que Chris Carter chama de “mitologia ou mytharc”53, histórias interconectadas que narram em partes – geralmente episódios especiais como premiere e

finale de temporadas – a grande história da série que envolve o desaparecimento de

Samantha Mulder, a vida secreta do pai de Mulder, o filho de Scully e, essencialmente, a investigação e revelação de uma conspiração secreta de certos homens em posições de poder – usualmente chamados de shadow government ou governo das sombras – com uma suposta raça de seres alienígenas que visitariam a Terra há muitos séculos a fim de projetar uma futura colonização do planeta. Em Roberts (2000), percebemos que esse método de narrativa, também conhecido como monstro da semana, é derivado das histórias de mistério e das primeiras publicações de Ficção Científica em forma de folhetim nas páginas das revistas, como as publicadas por Gernsback:

Esta técnica se tornou marco da FC; uma série de TV como Arquivo X tentou sua audiência com um conjunto orquestrado de mudanças revelatórias, nas quais primeiramente o governo é representado como estando por trás dos mistérios do programa, depois uma organização das sombras acima do governo, e finalmente os alienígenas malignos (ROBERTS, 2000, p.74).

Em contrapartida, os outros dois terços da série referem-se a temáticas variadas, realmente inseridas no modo monstro da semana, envolvendo investigações para as quais a dupla de agentes é indicada; cada semana um episódio com um tema específico e o que poderíamos chamar de vilão. Clonagem, manipulação e mutações genéticas, inteligência artificial, serial killers, rituais satânicos, poderes extra-sensoriais, reencarnação, projeção astral, viagem no tempo, tráfico de órgãos, são alguns dos temas abordados nestes episódios que poderíamos chamar de paralelos. Em Asimov (1984),