O valor do score total do AUDIT permitiu identificar diferentes níveis de risco nos consumos de bebidas alcoólicas. No que diz respeito à identificação de um padrão de consumo de risco ou prejudicial verificámos que, de acordo com o score global dos dados obtidos pelo AUDIT, 89,20% da amostra não apresenta consumos de risco, ou
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seja apresentam um score compreendido ente 0 e 7. No entanto, uma percentagem de 10,8% apresentou score superior a oito, correspondendo a 21 casos de nível II, com
scores compreendidos entre 8 e 15. No nível III (score compreendido entre 16 e 19)
foram identificados quatro participantes e no nível IV ou seja com um score superior a 20, três participantes (Figura 14).
Figura 14 – Grupos de Risco identificados através do AUDIT
De acordo com o score total do AUDIT os participantes foram divididos em quatro grupos sendo que um dos grupos (Grupo IV) ficou com apenas 3 participantes. De modo a facilitar a análise estatística dos dados, na análise inferencial, os participantes do Grupo IV foram incluídos no Grupo III passando este a incluir todos os que apresentam consumos nocivos e/ou dependência.
A percentagem de participantes sem consumos de risco identificados pelo AUDIT-C é de 18,10% dos participantes, ou seja, é inferior aos 89,20% dos participantes identificados pelo score total do AUDIT. Sendo o AUDIT-C o primeiro passo para a avaliação dos potenciais consumos de risco é importante que este retenha um maior número de casos (mesmo que se venham a verificar serem falsos positivos), uma vez que serão alvo de uma avaliação subsequente.
92 4.2.1.3 Medida do Sentido de Coerência
Um dos objetivos da presente investigação era avaliar o SC dos participantes. Este é constituído por três componentes sendo estas a compreensibilidade, a maneabilidade e a capacidade de conferir sentido emocional ou significabilidade.
No que diz respeito à medida do sentido de coerência verificámos que a média do score global foi de 139,74. As médias das diferentes dimensões em que o SC se pode dividir foram a da dimensão compreensibilidade com 47,44, da dimensão maneabilidade com um valor médio de 48,94 e da significabilidade com 43,69.
Tabela 2 – Sentido de Coerência total (SC Total), Compreensibilidade (Comp), Maneabilidade (Mane) e Significabilidade (Signif): Média (M), Desvio Padrão (DP), Mediana (Md), valores mínimos (Min) e valores máximos (Máx) N Min Máx Md M DP Comp 252 27,00 105,00 47,00 47,44 9,27 Mane 245 16,00 67,00 49,00 48,94 7,84 Signif 243 14,00 107,00 45,00 43,69 8,19 SC Total 232 73,00 206,00 140,00 139,74 18,99
Estudo de normalidade da distribuição das variáveis de sentido de coerência
Existem evidências estatísticas de que o valor de SC total segue uma distribuição normal de média 139,74 e desvio parão de 18,99 (KS (232) =0,04; p=0,20) pelo que se assume que
o valor de SC é normalmente distribuído.
Na dimensão maneabilidade constatou-se que também existem evidências estatísticas de que esta dimensão segue uma distribuição normal de média 48,94 e desvio padrão 7,84
(KS(245) =0,05; p=0,20) pelo que se assume que o valor da maneabilidade é normalmente
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Nas dimensões compreensibilidade (KS(252)=0,09; p=0,00) e significabilidade
(KS(243)=0,09; p=0,00) não se encontraram evidências estatísticas de que estas
dimensões seguem uma distribuição normal.
Considerando estes resultados utilizou-se testes paramétricos para análise das primeiras e não paramétricos quando as condições de normalidade não se verificaram.
4.2.2 Estudo da relação entre as variáveis – Teste de hipóteses
O consumo de bebidas alcoólicas é influenciado por múltiplas variáveis. De modo a averiguar, na amostra em estudo, o que vai influenciar o consumo de álcool fomos analisar a relação entre tipos de consumo (AUDIT-C, níveis de risco definidos pelo AUDIT e o consumo binge drinking) e as outras variáveis em estudo (sexo, tipo de ensino frequentado e residência durante os períodos letivos). Foi também avaliada a existência da relação entre as consequências do consumo de álcool e o género. No que se refere ao SC, analisou-se a relação entre as variáveis que poderão influenciar a sua formação (idade, sexo, tipo de ensino frequentado).
De modo a compreender como o SC influencia o consumo de bebidas alcoólicas, estudou-se a existência de diferenças no valor de SC e das diferentes dimensões que o constituem nos diferentes grupos constituídos pelos níveis de risco definidos pelo AUDIT. Avaliou-se também a existência de diferenças no SC e a prática de binge
drinking.
Por fim, foi averiguada a existência de correlação ente o padrão de consumo de álcool (AUDIT-C) e o SC total e nas diferentes dimensões que o constituem.
4.2.2.3 Estudo da relação entre o consumo de álcool e o sexo
Relação entre o valor do AUDIT-C e o sexo
Ao considerar o AUDIT-C, ou seja, o conjunto das três primeiras questões do AUDIT que avaliam o uso de álcool no que respeita a frequência e quantidades ingeridas e os
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valores de referência para homens e mulheres, verifica-se que na amostra total, 6,98% (18 participantes) dos homens e 10,47% (27 participantes) das mulheres apresentaram consumos considerados de risco (Figura 15) sendo esta diferença estatisticamente significativa X2(10)= 23,59; p=0,00.
Figura 15 – Valores do AUDIT-C distribuídos por sexos
Relação entre os níveis de risco identificados pelo AUDIT e o sexo
Na amostra total dos participantes (N= 259), considerando as diferenças quanto ao sexo nos grupos de risco definidos pelo AUDIT, constatou-se que existem diferenças estatisticamente significativas entre os sexos X2
(2) = 9,60; p= 0,01.
Figura 16 – Grupos de risco para o consumo de bebidas alcoólicas identificados pelo AUDIT distribuídos por sexos
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Tal como observado na figura 16, a percentagem de indivíduos do sexo masculino identificados pelo AUDIT com consumos considerados de risco é de 16,50% e de 8,00% nos indivíduos do sexo feminino.
Como podemos verificar o número total de mulheres identificadas com consumos de risco é superior quando consideramos o valor do AUDIT-C. Esta medida tem em consideração o número de bebidas padrão por sexo o que explica a maior percentagem de mulheres identificadas com consumos de risco. O score total do AUDIT avalia as consequências do consumo e os sinais sugestivos de dependência o que remete para um maior número de consequências e sinais sugestivos de dependência no sexo masculino.
Relação entre o padrão de consumo binge drinking e o sexo (N=209)
Ao averiguar a diferença entre sexos no que respeita ao consumo de bebidas alcoólicas do tipo binge drinking (N=209), constatou-se que existe uma maior percentagem de indivíduos do sexo feminino (40,88% das mulheres versus 34,72% dos homens) com consumos do tipo binge drinking, no entanto esta diferença proporcional não é estatisticamente significativa (X2
(1) =0,75; p=0,39) (Figura 17).
Figura 17 - Consumo de 6 bebidas ou mais numa ocasião no último ano por sexo (N=209)
Na análise do padrão de consumo de álcool (AUDIT-C) constatou-se que é maior a percentagem de mulheres com consumos de risco assim como nos praticantes de binge
drinking. Por outro lado, é maior a percentagem no sexo masculino de consumos de
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percentagem de consequências do consumo e sinais sugestivos nestes participantes. Considerando que o binge drinking também acarreta consequências, podendo mesmo evoluir para a dependência, considerou-se importante averiguar a existência de relação entre os praticantes de binge drinking e os grupos de risco identificados pelo score total do AUDIT.
Relação entre os padrões de consumo definidos pelo AUDIT e o binge drinking
Com o intuito de melhor caraterizar os diferentes grupos de risco de consumo de bebidas alcoólicas identificados pelo AUDIT fomos analisar a relação entre os padrões definidos pelo score total do AUDIT e o consumo do tipo binge drinking.
Os participantes foram divididos em três grupos (de acordo com o score total do AUDIT), consumidores de baixo risco, consumidores de risco e consumidores com consumo nocivo e/ou dependência. Em cada um dos grupos comparou-se a média de consumo do tipo binge drinking. Utilizou-se o teste paramétrico One-way ANOVA (F). Constatou-se que existem diferenças estatisticamente significativas entre os três grupos (F2;209) = 63,69; p=0,00.
As comparações Post-Hoc, por teste Bonferroni, indicaram que o Grupo III apresenta médias mais elevadas deste tipo de consumo (M=3,00; DP= 0,82).
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4.2.2.4 Estudo da relação entre o consumo de álcool e o tipo de ensino frequentado
Relação entre o consumo de risco definido pelo score total do AUDIT e o tipo de ensino frequentado
Para uma melhor caraterização dos consumidores de risco identificados pelo AUDIT optou-se por averiguar a relação entre o tipo de ensino frequentado e o consumo de álcool. Para isso, os participantes foram divididos em dois grupos sendo estes os que não apresentam consumos de risco (score do AUDIT inferior a 7) e consumidores com consumos considerados de risco (score do AUDIT igual ou superior a 8).
Foi realizado o teste não paramétrico (teste de independência do Qui-quadrado – X2) por
estarem em análise duas amostras qualitativas nominais. Não se encontraram diferenças estatisticamente significativas no que se refere ao tipo de ensino frequentado e a existência de consumos de risco (X2(1)=0,62 e p=0,39). No entanto verifica-se uma maior
percentagem de consumidores de risco nos participantes que frequentam o ensino profissional (14,70% versus 10,20%) (Tabela 3).
Tabela 3 – Existência de consumos de risco identificados pelo score total do AUDIT e tipo de ensino frequentado
Ensino Académico Ensino Profissional Consumos de Risco Não 202 (89,8%) 29 (85,3%) Consumos de Risco Sim 23 (10,2 %) 5 (14,7%) Total 225 (100%) 34 (100%)
Relação entre o padrão de consumo binge drinking e o tipo de ensino frequentado
O consumo do tipo binge drinking, nos participantes com consumos de álcool nos últimos 12 meses (N=209), foi também investigado nos participantes que frequentam o ensino académico e o ensino profissional. Os participantes foram divididos em dois grupos de acordo com o tipo de ensino frequentado. O consumo binge drinking foi avaliado tendo em consideração as respostas à pergunta AUDIT 3. Utilizou-se o teste t para amostras independentes, não tendo sido encontradas diferenças estatisticamente significativas (t(207) = -1,27; p=0,20), apesar de nos estudantes do ensino profissional se
verificar uma média superior de praticantes de binge drinking (M= 1,09; DP= 1,08) comparativamente aos do ensino académico (M=0,84; DP=0,85).
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4.2.2.5 Estudo da relação entre o consumo de álcool e a residência habitual durante os períodos letivos
Relação entre os consumos de risco identificados pelo score total do AUDIT e a residência habitual durante os períodos letivos
De modo a averiguar se o fato de residir durante os períodos letivos fora da residência habitual influenciou o consumo de bebidas alcoólicas dividiram-se os participantes em dois grupos, os que residem com a sua família durante os períodos letivos (residência habitual: sim) e os que estão afastados do ambiente familiar durante os períodos letivos (residência habitual: não). No que se refere aos consumos de risco, os participantes também foram divididos em dois grupos, os que não apresentam consumos de risco (score do AUDIT inferior ou igual a 7) e consumidores com consumos considerados de risco (score do AUDIT superior ou igual a 8) (Tabela 4).
Tabela 4 – Residência habitual durante os períodos letivos e consumos de risco de álcool Residência habitual Sim Residência habitual Não Consumos de Risco Não 198 (91,20%) 30 (76,90%) Consumos de Risco Sim 19 (8,80%) 9 (23,10%) Total 217 (100%) 39 (100%)
Verificou-se maior percentagem de consumidores de risco nos participantes que não residem na sua residência habitual durante os períodos letivos (23,10% versus 8,80%) sendo esta diferença estatisticamente significativa (X2 (1) =6,96 p=0,00).
Relação entre o padrão de consumo binge drinking e a residência habitual durante os períodos letivos
O consumo de álcool do tipo binge drinking, foi também analisado tendo em consideração a residência dos participantes durante os períodos letivos. Os participantes foram divididos em dois grupos sendo estes os que os que residem com a sua família durante os períodos letivos (residentes em alojamento habitual) e os que estão afastados do ambiente familiar durante os períodos letivos (deslocados).
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Utilizou-se o teste t para amostras independentes tendo-se encontrado diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos (t(204)=-1,99; p= 0,05) sendo o grupo
dos deslocados (M dos deslocados = 1,14; DP=1,00) o que apresenta uma média mais elevada comparativamente aos residentes em alojamento habitual (M dos residentes em alojamento habitual = 0,82; DP= 0,85).