As alterações no padrão de consumo de bebidas alcoólicas das últimas décadas no género e idade dos consumidores irão ter repercussões a nível da taxa de natalidade e nos problemas de saúde apresentados pela população (WHO, 2014) o que faz aumentar a necessidade de estratégias que visem diminuir o consumo de álcool. As intervenções de enfermagem devem incidir na promoção de estilos de vida saudáveis e na prevenção de comportamentos de risco de que é exemplo o consumo e bebidas alcoólicas sendo para isso importante a construção de um projeto de saúde.
As intervenções de enfermagem no âmbito da promoção da saúde e da prevenção de comportamentos de risco devem ocorrer em idades precoces, pois como mostram os resultados do presente estudo, as idades mais precoces de experimentação vão repercutir-se em percursos de consumo com riscos para a saúde. Assim, deverão ser desenvolvidas intervenções que tenham como objetivo atrasar a idade de experimentação (Barroso et al., 2006), iniciadas na infância, uma vez que as primeiras experiências de consumo são relatadas a partir dos 11 anos.
A nível dos fatores de ordem pessoal, serão importantes intervenções de enfermagem que promovam a construção de um projeto de saúde que inclua recursos que permitam aos indivíduos evitar as situações que coloquem a sua saúde em risco. O projeto de saúde deverá incluir os recursos que cada um vai utilizar para lidar com os acontecimentos de vida que vão ocorrendo. Nesta perspetiva, quanto mais e melhores recursos disponíveis existirem, melhor preparados estarão os indivíduos para lidar com situações que possam comprometer a sua saúde de que é exemplo o consumo de bebidas alcoólicas. De acordo com o Modelo Salutogénico (Antonovsky, 1996), um elevado SC relaciona-se positivamente com o modo como a pessoa se relaciona com o meio, como o percebe e como com ele estabelece relações de significado e de capacidade de gestão, sendo este o responsável pela escolha das estratégias de gestão do stress mais adequadas para fazer face às exigências dessas situações. Assim, considera-se importante a implementação de medidas que promovam o desenvolvimento de estratégias de coping
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eficazes como forma de prevenir o consumo de bebidas alcoólicas e que visem fortalecer o SC dada a sua relevância na promoção dos comportamentos de saúde e prevenção do consumo de bebidas alcoólicas (Moutinho, Mendes & Lopes, 2015).
As alterações que têm vindo a ser identificadas no género dos consumidores de bebidas alcoólicas e confirmadas na presente investigação apontam para a necessidade de intervenções que considerem esta variável. Assim deverão ser implementadas intervenções tendo em consideração o sexo. Por um lado, pela maior percentagem de consumidores com riscos para a saúde no sexo masculino, e por outro, pela vulnerabilidade feminina não só para as consequências físicas do consumo, mas também para as consequências sociais que estas têm de enfrentar (Khan et al., 2013; Ait-Daoud, Blevins, Khanna, Sharma & Holstege, 2017).
Na comunidade, mais concretamente no sistema família e amigos, cada um dos participantes teve a possibilidade de obter a aprendizagem de um modelo de consumo de bebidas alcoólicas. Em contexto familiar, os consumos são permitidos, mas em doses reduzidas de álcool, sendo por isso este um contexto onde se poderá estimular a aprendizagem de um consumo de álcool sem riscos para a saúde dada a importância do modelo parental na aprendizagem de estilos de vida e da aquisição dos comportamentos de saúde (Newman, Harrison, Dashiff & Davies, 2008).
Nas últimas décadas tem-se assistido a um consumo descontrolado de bebidas alcoólicas entre os jovens, evidenciado na presente investigação pela percentagem de binge
drinkers e pela integração do consumo de bebidas alcoólicas nas suas atividades de
socialização. De modo a que este comportamento seja alterado será importante a implementação de medidas que “ensinem” os jovens a beber sem abusarem da ingestão de álcool. Esta aprendizagem deve incluir programas de prevenção baseados no Modelo de Influencia Social que integrem o desenvolvimento de competências pessoais e sociais que incluam entre outros, a aquisição de conhecimentos acerca das substâncias e suas consequências, a resistência à pressão social, o treino de competências pessoais e sociais e a construção de atitudes e expetativas seguras acerca da substância (Barroso et al., 2006; Barroso et al., 2013; Brito et al., 2015). Deverá também contemplar a participação em atividades prazerosas que não incluam o consumo de álcool. Assim e perante uma sociedade em que o acesso às bebidas alcoólicas é facilitado, compete aos técnicos de
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saúde e em especial aos enfermeiros a implementação de estratégias que dotem os indivíduos de competências para lidar com esta substância.
O conhecimento sobre o impacto das bebidas alcoólicas a nível físico, psicológico e social é importante para que cada um possa escolher de forma consciente a sua integração ou não nos seus hábitos de vida. Mostra-se por isso fundamental a disponibilização de informação, através de estratégias psicoeducativas sobre o impacto desta substância nos diferentes padrões de consumo, e em particular no binge drinking. As intervenções psicoeducativas deverão também incluir informação sobre a possibilidade de o consumo assumir o padrão de dependência e sobre as diferentes áreas de vida que podem ser afetadas pela ingestão de bebidas alcoólicas. A psicoeducação tem-se mostrado eficaz na redução do consumo de álcool (Andretta & Oliveira, 2008; Andretta & Oliveira, 2011).
Os indivíduos, deverão ter conhecimentos que permitam identificar o que é um consumo sem riscos para a saúde e quando este já está a ter repercussões. Para que este objetivo seja alcançado é também fundamental a triagem dos padrões de consumo. Esta é fundamental para que possam ser implementadas intervenções que impeçam a progressão dos consumos para padrões prejudiciais para a saúde. Também as intervenções a realizar com vista à alteração do padrão de consumos devem ter em consideração o estádio de mudança em que cada um se encontra. A identificação dos padrões de consumo e as intervenções breves adequadas a cada padrão e ao estádio de mudança (Anderson et al., 2005), têm mostrado ser eficazes nos consumos de risco e nos consumos nocivos apresentando elevada relação custo-benefício (Anderson et al., 2005; Kaner et al., 2007; Willenbring, Massey & Gardner, 2009).
Os diferentes contextos influenciadores de consumos remetem para a importância de encontrar líderes informais na comunidade onde se destaca o contexto escolar para a dinamização de ações/ intervenções de promoção de saúde. Pela importância que a família tem na construção do projeto de saúde, na experimentação e evolução dos consumos de álcool é fundamental que esta seja incluída nas intervenções planeadas que visem a redução do consumo de bebidas alcoólicas (Guillermo-Ramos, Jaccard, Turrisi & Johansson, 2005).
Os resultados desta investigação são também um importante contributo para a implementação de intervenções de enfermagem na transição doença-saúde que é a
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interrupção dos consumos de bebidas alcoólicas com riscos para a saúde. A identificação de um grupo de amigos sem consumos, a participação em atividades prazerosas que promovam a socialização e que não incluam o consumo de álcool mostram-se importantes medidas a ter em consideração nos programas de tratamento para a dependência alcoólica.