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Definere for hvilke markeder eventuelle kvantumsrestriksjoner har interesse. Klargjøre hvilke observerbare størrelser som kan beskrive eventuelle kvantumsrestriksjoner på

01. 31Em seguida, os judeus,

02. visto que era a preparação (para a Páscoa) Oração Subordinada Adverbial Causal

I. 03. para que não permanecessem na cruz os corpos no sábado, Oração Subordinada Adverbial Final

04. porque era solene esse dia de sábado, Oração Subordinada Adverbial Causal

pediram a Pilatos, Oração Principal

05. que fossem quebradas as suas pernas Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta

06. e fossem removidos. [os corpos] Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta, Coordenada à Anterior

_______________

II. 07. 32Vieram, em seguida, os soldados, Oração Coordenada Assindética

III. 08. e do primeiro quebraram as pernas, Oração Coordenada Sindética Aditiva

IV. 09. e do outro, [com o verbo “quebraram” implícito]

Oração Coordenada Sindética Aditiva e Principal (em relação à próxima)

10. que foi crucificado junto com Ele Oração Subordinada Adjetiva

11. 33mas,

V. 12. tendo ido até Jesus,

Oração Subordinada Adverbial Temporal viram

Oração Coordenada Sindética Adversativa e Principal (em relação à próxima) 13. que Ele já estando morto,

Oração Subordinada Objetiva Direta VI. 14. não quebraram as suas pernas,

Oração Coordenada Conclusiva

VII. 15. 34mas um dos soldados (com uma) lança golpeou o lado dele, Oração Coordenada Sindética Adversativa

VIII. 16. e saiu imediatamente sangue e água. Oração Coordenada Sindética Aditiva

IX. 17. 35E o que viu Testemunha, Oração Coordenada Sindética Aditiva

X. 18. e é verdadeiro o seu testemunho Oração Coordenada Sindética Aditiva

XI. 19. e este sabe

Oração Coordenada Sindética Aditiva e Principal (em relação à próxima)

20. que diz a verdade

Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta 21. para que também vós creias. Oração Subordinada Adverbial Final

_______________

XII. 22. 36E isto aconteceu

Oração Coordenada Sindética Aditiva XIII. 23. pois esta Escritura foi cumprida:

Oração Coordenada Sindética Explicativa e Principal (em relação à próxima) 24. osso dele não será quebrado.

Oração Subordinada Substantiva Apositiva XIV. 25. 37E ainda uma outra Escritura diz:

Oração Coordenada Sindética Aditiva e Principal (em relação à próxima) 26. verão,

Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta e Principal (em relação à próxima) 27. a quem transpassaram.

Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta

Na análise sintática dessa perícope destacam-se 27 verbos, o que corresponde a 27 orações divididas em 14 períodos. Dessas orações, dois casos são especiais e serão destacados durante a análise: primeiramente no quarto período em que se apresenta um verbo implícito para dar sentido à frase “quebraram”; e no nono período onde duas orações independentes se tornam uma só quando a frase “o que viu” funciona como sujeito da oração precedente.

Para a análise, serão divididos os períodos em quatro blocos de acordo com o tema tratado em cada um deles: o primeiro bloco, composto por apenas um período, apresenta o pedido dos judeus a Pilatos; o segundo bloco, composto por sete períodos, apresenta o cumprimento da ordem dada por Pilatos pelos soldados; o terceiro bloco, composto por três

períodos, apresenta o testemunho do autor; e, por fim, o quarto bloco, composto por três períodos, apresenta o cumprimento das Escrituras.

O primeiro bloco é formado por uma Oração Principal que apresenta o tema central dessa subdivisão: “os judeus pediram a Pilatos”. Esse pedido marca a parte inicial da perícope e faz a introdução do quinto episódio da terceira seção do relato da Paixão, como apresentado acima na delimitação do texto.

São duas as orações que apresentam a causa do pedido: “era a preparação (para a Páscoa)”; e “era solene este sábado”. E disso deriva a apresentação da finalidade do pedido: “que os corpos não permanecessem na cruz”. Aqui está a argumentação do autor para o pedido e sua consequência fundamental: “quebrar as pernas dos condenados” e “remover os corpos da cruz”. Assim, a finalidade foi alcançada e será cumprida no bloco seguinte.

O segundo bloco pode ser subdividido em duas partes: os soldados em relação aos condenados com Jesus e os soldados em relação a Jesus. A primeira parte poderia ser analisada como três orações coordenadas unidas pela conjunção coordenativa aditiva “e” que une os três períodos dentro do mesmo tema. Mas, para uma análise mais adequada ao português, a terceira oração foi subdividida, entendendo que há ali um verbo implícito, “quebraram”, e que forma uma nova oração, gerando uma nova oração subordinada a ela e que qualifica o pronome anterior, ou seja, o “outro [que foi crucificado]” com Jesus. Nessa primeira parte, o pedido realizado pelos judeus começa a ser cumprido pelos soldados, que quebram as pernas dos dois condenados.

A segunda parte desse bloco apresenta no seu primeiro período (o quinto no total) os soldados que vão até Jesus e veem que ele já está morto. Essa ação é concluída com um dado apresentado pelo autor: “não quebraram as suas pernas”. As duas orações seguintes, unidas pela conjunção aditiva “e”, apresentam o evento fundamental desse bloco: “a lança que golpeia o lado de Jesus” e o “sair sangue e água”.

O terceiro bloco, que é o centro deste estudo, apresenta três períodos com três orações e, na última, duas subordinadas a ela. Estas são unidas pela conjunção aditiva “e” que dá um reforço às frases e destaca três ações importantes presentes no texto: “o testemunho do que viu”; a “verdade do seu testemunho”; e o intuito de que o leitor venha a “crer” em Jesus.

O primeiro período (o nono no total) é constituído pela união de duas orações. Isso acontece pelo fato que já foi de certa forma apresentado na tradução, quando se argumenta que o tempo utilizado no grego para “o que viu” faz compreender que isto não é simplesmente uma ação de uma pessoa, mas a própria pessoa, isto é, o “vidente” é aquele que “testemunha”. Mas, se assim fosse traduzido, perderia a importância do verbo “ver” no Evangelho de João e, ao mesmo tempo, esse termo traz outro entendimento no português que não se ajusta à intenção do texto. Assim, a primeira oração se torna o sujeito do período completo.

Esses períodos apresentam a ação do narrador que agora se dirige diretamente ao leitor – que, aparentemente, é o objetivo central dessa construção. Os três períodos se conectam nesta função de direcionar o olhar do autor ao leitor e apresentar-lhe seu testemunho verdadeiro para que aquele que lê responda ao testemunho do evangelista com a sua fé.

O quarto bloco, formado por três períodos, apresenta a argumentação do evangelista sobre o cumprimento de duas passagens da Escritura. Cada passagem é iniciada pela conjunção aditiva “e” e elas são formadas por três orações.

São dois momentos que revelam o objetivo de apresentar a conclusão dessa narração do autor: “pois a Escritura foi cumprida”. Isso convida o leitor a interpretar o Antigo Testamento a partir do Mistério Pascal de Cristo.

A análise semântica se inicia com a apresentação de uma tabela que indica as palavras e sua morfologia, em especial, das que aparecem mais vezes ou que são mais relevantes para o entendimento do texto e do conceito de testemunha.

O quadro é dividido pelos versículos e os números correspondem às orações anteriormente apresentadas na análise sintática. Nesta primeira tabela são analisados os cinco verbos que mais aparecem no texto.

Verbos 31 01. 02. 03. 04. 05. 06.    (era)    (era)           (fossem quebradas)    32 07. 08. 09. 10.     (quebraram)  (vieram)   33 11. 12. 13. 14.        (quebraram)  (tendo ido)    (viram)  34 15. 16.      35 17. 18. 19. 20. 21.   (é)     (viu)         (diz) 36 22. 23. 24.       (partido)    37 25. 26. 27.      (verão)    (diz) 

O primeiro é o verbo  (estin), “ser”, que aparece três vezes na perícope trabalhada. É um verbo de ligação que, primeiramente, é usado no passado para se referir ao

dia de preparação para a Páscoa, um dia solene. Mais adiante é utilizado no presente, ressaltando a verdade do testemunho do autor.

O segundo verbo  (katagnumi) aparece três vezes, uma em cada um dos três primeiros versículos da perícope. Quando um verbo se repete, é porque se entende que o autor quer ressaltar um dado importante em sua narrativa. A crucifixão era realizada com um martelo pesado e normalmente só os ossos das pernas eram quebrados, mas algumas vezes outros também se rompiam. A ação de quebrar as pernas era uma medida piedosa para com os condenados, pois diminuía o tempo de seu sofrimento9; para Jesus, entretanto, não foi preciso.

Aqui se pode fazer a relação com texto anterior de João onde Jesus “amou até o fim” (cf. Jo 13,1) e, por isso, nada de sua ação poderia ser amenizada.

Segundo Brown, a petição dos judeus se referiria aos três crucificados, o que leva a entender que os judeus deixaram o Calvário ainda enquanto Jesus estava agonizando para irem até Pilatos fazer o seu pedido10.

Unido ao verbo quebrar há, no penúltimo versículo, um termo semelhante, que nas traduções é utilizado com o mesmo sentido, porém a palavra no grego é um verbo:  (syntribō). Este pode ser traduzido por “destruir” ou “partir” e faz uma referência de que nenhum osso de Jesus foi quebrado para se cumprir a Escritura. Os autores apresentam muitas possibilidades de passagens que possam ter sido a base para o autor do Evangelho de João, mas há um acento na passagem de Ex 12,46 na qual apresenta o texto: “não quebrareis osso nenhum”. E o Sl 34(33),21: “O Senhor guarda os seus ossos todos, nenhum deles será quebrado”. Ambas as passagens utilizam o mesmo verbo na tradução da Septuaginta e fazem uma referência ao Cordeiro Pascal, que não foi preservado da morte, mas seus ossos não foram quebrados11.

9 Cf. BROWN, Raymond E. El Evangelio según Juan. 2ª ed. Madrid: Ediciones Cristandad, 1999. p. 1344. 10 Cf. BROWN, Raymond E. El Evangelio según Juan. p. 1344.

11 Cf. BARRET, Charles Kingsley. El Evangelio según San Juan: Una Introducción con Comentario y Notas a

Aqui, Sánchez faz uma ligação entre o Cordeiro Pascal e o Servo Sofredor como protótipos dos justos que sofrem. Esta referência é baseada no argumento de que, no arameu, servo e cordeiro se designam com a mesma expressão. Assim, em Jesus se entrelaçam as imagens mais nobres do Antigo Testamento12.

O terceiro verbo que se repete na perícope é  (ercomai), “vir”. Brown acrescenta apenas que as versões coptas traduzem esse verbo por “encontraram”13. Porém,

pondero que esse verbo está ligado ao verbo seguinte, pois para ver melhor é preciso se aproximar daquilo que se vê, e essa é a intenção do autor ao fazer com que os soldados viessem até Jesus e assim pudessem contemplar o Mistério de Sua Páscoa.

O quarto verbo encontrado é  (řoraō). É encontrado por três vezes no texto:

quando os soldados viram que Jesus estava morto; quando o autor se coloca como a testemunha da ação que está acontecendo com Cristo; mas também no final da perícope, relatando que a Escritura diz que “verão a quem transpassaram”.

Para a tradução para o português é utilizado o verbo “ver”, no sentido de “ver com os olhos”. Essa ideia é aprofundada em sentido figurado e pode significar: perceber, provar, sentir, conhecer, experimentar, constatar, vir a saber e ter em conta. No Novo Testamento esse verbo aparece 449 vezes14, sendo frequentemente empregado para expressar o ato de ver.

Ele não se restringe ao aspecto fisiológico-psicológico do momento que é visto; nele se percebe uma diferenciação entre o mundo sensível e o mundo inteligível, semelhante ao que é encontrado na cultura e na filosofia grega, em que a percepção sensorial é inadequada ao conhecimento da realidade inteligível. A visão é aceita como um dado da criação e por esse motivo acaba sendo valorizada no evento revelador15.

12 Cf. SÁNCHES,Secundino Castro. Evangelio de Juan: Comprensión Exegético-Existencial. 3ª ed. Espanha:

Editorial Desclée de Brouwer, 2001. p. 460.

13 Cf. BROWN, Raymond E. El Evangelio según Juan. 2ª ed. Madrid: Ediciones Cristandad, 1999. p. 1344. 14 Cf. BALZ, Horst et SCHNEIDER, Gerhard. DENT. V. 2. Traducido por Constantino Ruiz-Guarrido.

Salamanca: Ediciones Sigueme, 1998. p. 581.

15 Cf. MICHAELIS, Wilhelm. . In KITTEL, Gerhard. (Iniciador). GLNT. V. 8. Edizione Italiana Integrale.

Esse verbo não se aplica com frequência a qualidades estéticas e poucas vezes é usado em conexão com objetos da vida do cotidiano. Na maioria das vezes ele é empregado com referência a pessoas e o que vê é capaz de perceber as pessoas concretas em sua individualidade e frequentemente em seu modo individual de ser ou de comportar-se16.

Nos Evangelhos refere-se principalmente aos atos de Jesus que as gerações anteriores não puderam ver. Pode ser apenas uma reação de curiosidade, mas também uma relação íntima com a fé, como apresenta o Evangelho de João17.

Nos Evangelhos o termo também se referencia a um testemunho ocular e a uma visão que leva à fé. Ver é também um modo de ouvir no sentido de receber a revelação que traz a fé a quem realiza essa ação. Já no início do Evangelho de João encontra-se este termo dentro do estilo testemunhal que o evangelista utiliza em seu prólogo, buscando

reproduzir fielmente aquilo que lhe foi transmitido e experienciado em sua relação com o Verbo de Deus encarnado18.

O quinto verbo,  (legō), “dizer”, é importante no Novo Testamento, pois aquilo

que se entende fundamentalmente pelo “escutar” a Palavra de Deus, suas ordens e seus mandamentos, como apresenta o Antigo Testamento19, pede um complemento que acontece na “palavra falada”. Para ouvir é preciso que se diga algo.

Essa palavra falada no Novo Testamento tem sua relação com a própria Palavra de Jesus e com a autoridade que ela possui, sendo algo que apresenta um conteúdo superior

àquela palavra tradicional, produzida pelos homens, e que demonstra sua autoridade20. A palavra e a ação de Jesus não são duas coisas distintas nele, mas entende-se que a palavra é

mesmo ativa, isto é, ela é um elemento fundamental para a sua ação21.

16 Cf. BALZ, Horst et SCHNEIDER, Gerhard. DENT. V. 2. Traducido por Constantino Ruiz-Guarrido.

Salamanca: Ediciones Sigueme, 1998. p. 582.

17 Cf. BALZ, Horst et SCHNEIDER, Gerhard. DENT. p. 583.

18 Cf. MICHAELIS, Wilhelm. . In KITTEL, Gerhard. (Iniciador). GLNT. V. 8. Edizione Italiana Integrale.

Brescia: Editrice Paideia, 1973. p. 981.

19 Cf. KITTEL, Gerhard. In KITTEL, Gerhard. (Iniciador). GLNT. V. 6. Edizione Italiana Integrale.

Brescia: Editrice Paideia, 1973. p. 284.

20 Cf. KITTEL, Gerhard. p. 290. 21 Cf. KITTEL, Gerhard. p. 300.

Para o Evangelho de João a ação de crer em Jesus ou de recusa a ele se baseia ou em sua obra ou em sua palavra. Se alguém crê em Jesus é por causa de sua

Palavra, que é aceita ou não por aquele que a escuta. Essa Palavra de Jesus é também equiparada com a Escritura22.

Essa perícope apresenta duas vezes esse verbo no presente ativo, uma referindo-se àquele que viu e outra à Escritura. Assim, se o dizer está relacionado ao crer, pode-se encontrar uma relação importante entre o que foi dito e a finalidade do dizer que é levar o leitor à fé: “ele sabe que a verdade diz para que também vós creiais”.

A relação existente aqui pode ser ampliada quando se coloca também o entendimento do ser “testemunha” – no qual são necessárias duas testemunhas para que alguém possa validar suas palavras. Aqui já se tem duas duplas de testemunhas: o que viu e o soldado; e as duas passagens da Escritura. Os três (excetuando o soldado) dão testemunho de Jesus “dizendo”. E por isso este verbo se destaca no texto estudado.

A próxima tabela apresenta termos que se repetem no texto e que serão analisados:

uma conjunção; o verbo e o substantivo centrais deste estudo sobre o testemunho; dois adjetivos substantivados; um verbo que aparece somente uma vez, mas se ressalta por expressar a finalidade deste escrito no Evangelho de João; e um substantivo que se repete.

Destaca-se a repetição da conjunção  (kai), “e”, no início das frases por oito vezes, mais uma vez no meio da frase final, e também  (řina) que será traduzido também por “e”.

Trata-se de um hebraísmo, recurso comum na literatura bíblica, fruto da cultura hebraica e presente também nos textos do Novo Testamento em grego. Nesse caso, indica o reforço do pensamento expresso pelo autor e a união dos períodos delimitados nos quatro blocos apresentados anteriormente na análise sintática. A conjunção gera uma unidade entre os

22 KITTEL, Gerhard. In KITTEL, Gerhard. (Iniciador). GLNT. V. 6. Edizione Italiana Integrale. Brescia:

elementos do texto e tem a função de interligá-los.

O termo “testemunha” aparece duas vezes: a primeira como um verbo 

(martyreō) que indica a ação do que viu, e na segunda como um substantivo 

(martyria). Esses serão analisados de forma mais profunda ao longo de todo o trabalho.

Conjunção SubstantivoVerbo SubstantivadoAdjetivo Verbo Substantivo 31 01. 02. 03. 04. 05. 06.            (e)     32 07. 08. 09. 10.    (e)  (e)     33 11. 12. 13. 14.     34 15. 16.    (e) [2x]     35 17. 18. 19. 20. 21.  (e)  (e)  (e)    (testemunha)    (testemunho)      (verdadeiro)    (verdade)         (creiais)  36 22. 23. 24.  (e)      (Escritura) 37 25. 26. 27.  (e)    (Escritura)

Encontra-se nessa perícope um adjetivo substantivado importante para o contexto da Escritura,  (alēteia), “verdade”. Já no Antigo Testamento esse termo é utilizado 126

vezes para indicar um fato que é seguro, válido, vinculante e, em especial, verdadeiro23. É utilizado em relação a uma pessoa para designar a característica essencial da sua palavra, do seu agir e do seu pensamento. Esse termo remonta a um modo de ser comum e exprime, em particular, a estabilidade e a validade da ação de uma pessoa.

O Novo Testamento segue, em geral, a mesma linha aqui apresentada, porém em alguns casos pode-se perceber uma diferença entre o termo usado diretamente e a verdade que vem de Deus, em contraste com aquilo que é praticado pelo ser humano. Também na literatura paulina pode ser visto como um indicativo de sinceridade e lealdade24.

Um modo especial de utilização do termo é sua indicação para aquilo que realmente aconteceu de forma efetiva e algo que demonstra a realidade de fato. Em especial João relaciona o termo com o verbo dizer e com o verbo testemunhar25 (cf. Jo 5,33; 8,40-45), indicando ao leitor que aquele fato referido está de acordo com o que é específico da revelação divina e que é algo digno de fé.

O termo também se refere à reta doutrina e à verdadeira fé. O Evangelho é considerado como a verdade que deve ser manifestada nas ações dos cristãos. Ela indica a realidade de fato unida ao sentido de que é algo que define a fé cristã26.

Na Literatura Joanina, encontramos esse termo ligado ao Ser autêntico, à realidade

divina e à revelação, sendo esse modo algo particular dessa literatura, em que a verdade divina é contraposta à esfera demoníaca e ao pecado humano, e se manifesta pela revelação em Cristo Jesus, sendo que esta só é conhecida pelo homem com a humildade da fé. Essa revelação é definitiva e deve ser assumida pelo homem em sua vida,

23 Cf. QUELL, Gottfried. In KITTEL, Gerhard (Iniciador). GLNT. V. 1. Edizione Italiana Integrale.

Brescia: Editrice Paideia, 1973. p. 625.

24 Cf. BULTMANN, Rudolf. In KITTEL, Gerhard (Iniciador). GLNT. V. 1. Edizione Italiana Integrale.

Brescia: Editrice Paideia, 1973. p. 653.

25 Cf. BULTMANN, Rudolf.  p. 655. 26 Cf. BULTMANN, Rudolf.  p. 657.

no seu comportamento cotidiano27.

O último verbo a ser analisado é  (pisteyō), “creiais”. Ele aparece somente uma

vez na perícope, mas como uma finalidade que o autor quer alcançar com seu texto; por isso, ele ganha um destaque especial no contexto estudado.

Esse verbo é entendido como a ação de “crer” ou “acreditar”. No Antigo Testamento crer está relacionado a prestar fé à Palavra de Deus, isto é, à Escritura que é constituída da Lei e dos Profetas. No Novo Testamento ele vai adquirindo também o significado de crer que Jesus é o Messias e, como consequência disso, que Ele morreu e ressuscitou28.

No desenvolvimento do termo no Novo Testamento, chega-se ao entendimento de que crer significa a aceitação do kerigma cristão e indica, portanto, a fé salvífica que nasce da gratuidade da obra salvífica que Deus realiza em Jesus Cristo29. A Literatura Joanina utiliza frequentemente o termo como uma aceitação da mensagem cristã que fala de Jesus30.

Para Bultmann, João parte do uso cristão geral no qual “crer” designa a aceitação da mensagem cristã31. Segundo a Tradição Joanina, a humanidade deve acreditar em Jesus porque Ele diz a verdade, mesmo que esta não seja aceita por todos. Aquele que adere às palavras de Jesus renuncia ao mundo, não no sentido do mundo criado por Deus, mas no sentido do mundo que se opõe à mensagem de Jesus; isso resulta que aquele que crê recebe a

salvação e a vida. Crer, então, é primeiramente um ato positivo, ou seja, uma adesão livre que nasce de uma decisão autônoma pela Palavra de Jesus, pelo que ele oferece e pela revelação divina que desembocará em um evento escatológico, o juízo final, que

terá como veredito a vida ou a morte de acordo com a fé do homem e, por isso, acreditar ou não terá um sentido decisivo à humanidade32.

27 Cf. BULTMANN, Rudolf. In KITTEL, Gerhard. (Iniciador). GLNT. V. 10. Edizione Italiana

Integrale. Brescia: Editrice Paideia, 1973. pp. 658-660.

28 Cf. BULTMANN, Rudolf. pp. 417 e 422. 29 Cf. BULTMANN, Rudolf. p. 431. 30 Cf. BULTMANN, Rudolf. p. 472.

31 Cf. BULTMANN, Rudolf. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2004. p. 505. 32 Cf. BULTMANN, Rudolf.  pp. 473-478.

Pela fé se vence o mundo, afirma a Tradição Joanina, porém essa fé deve ser demonstrada pela conduta de sua vida unindo o crer ao agir. Em especial, entende-se que aquele que crê é também aquele que ama. O amor é iniciativa divina: Deus nos ama primeiro. Crer, então, é uma resposta de amor, pela qual se ama a Deus e se ama o irmão, sendo isso não uma possibilidade, mas uma obrigação do cristão33.

O evangelista apresenta esse convite a uma adesão livre e fecunda ao Mistério de Jesus crucificado a partir do seu testemunho pessoal. O que viu testemunha para que todos os que acolhem o seu testemunho creiam e recebam a vida doada pelo Amor de Jesus na cruz.