4. Analyse av fellesskapet i russetiden
4.1. De store samlingene
Apresentei as idéias gerais de dois tipos de filosofias que não aderem ao princípio de univocidade, uma de tendência anti-realista e outra realista. Sabemos que o princípio é uma das condições necessárias para o surgimento do problema dos nomes vazios,
de modo que essas filosofias devem conter as intuições estratégicas para dois tipos de resposta pluralista ao problema. Enquanto a estratégia anti-realista pode ser entendida como uma versão generalizada das teorias locais ficcionalistas, a realista pode ser entendida como uma generalização das teorias locais realistas.
Pois bem, podemos sugerir uma estratégia geral anti-realista para responder ao pro- blema, via o abandono da univocidade do ser, do seguinte modo. O efeito do princípio da univocidade do ser é exigir que a interpretação dos nomes de uma linguagem natural real seja restrita a um único universo de discurso, em todos os contextos, como se houvesse um único conjunto privilegiado de objetos reais. Mas as condições de significação da sentenças não são limitadas a um único universo de discurso. Em diferentes contextos, práticas ou jogos de linguagem operam diferentes universos de discurso, de modo que, em contextos ficcionais, certos nomes devem ser interpretados em termos de referência a personagens e certas sentenças que afirmam ou supõem a existência destes devem ser processadas por uma boa semântica como verdadeiras. Desse modo, é falso dizer que a existência é unívoca. Quando se diz que uma pessoa é real, quando ela já morreu; ou quando se diz que existe um personagem muito conhecido que é mais rico do que qualquer indivíduo real; ou quando se fala de um deus ou uma figura folclórica em uma etnografia, etc.; são certamente em diferentes sentidos que todas essas coisas são coisas e são reais. Em um caso, a existência é ficcional, em outro, folclórica, hipotética, matemática, etc. É precisamente o fato de que diferentes universos de discurso estão em jogo em diferentes contextos que explica a noção de contexto.
Por sua vez, uma estratégia de resposta realista ao problema pode ser generalizada assim. O princípio da univocidade, ao afirmar que todas as coisas existentes são reais no mesmo sentido, reduz a pluralidade das coisas reais a um só padrão de realidade ou critério de existência como, por exemplo, o dos objetos físicos. A univocidade é con- sequência de uma política positivista e reducionista que pretende restringir as condições de verdade da linguagem e da experiência a uma única narrativa. Mas a experiência, a significação e a verdade não se restringem a um só tipo de existência; elas atravessam vários modos de existência. Esse fato é atestado localmente por argumentos ontológicos
da indispensabilidade. Números existem pois são indispensáveis para se fazer ciência, mas personagens também são indispensáveis para se fazer ficção, assim como possibilia são indispensáveis para se fazer teorias contrafactuais, objetos de tamanho médio são indispensáveis para se explicar a experiência sensorial, etc. Sendo que a diferença entre cada tipo de coisa nem sempre é explicável em termos de uma mera diferença de categorias, por exemplo, em termos de distinções concreto-abstrato, universal-particular, real-intencional, transcendente-imanente, etc.; as diferenças entre um número e um átomo, um personagem e uma alucinação, um objeto hipotético e um objeto fenomênico, são irredutíveis à oposição concreto-abstrato, real-irreal, exceto a um enorme custo semântico explanatório. A aposta univocalista e nominalista de se explicar a multitude do real em termos de um só padrão de realidade, de fazer semântica com um único domínio, é alta demais, uma promessa que não se pode cumprir.
Sem levar em conta as críticas à própria premissa pluralista de que o verbo de existência não é unívoco, deve-se levantar a questão sobre o critério de identidade de um contexto ou modo de existência. Como oferecer uma regra que determine quando um nome é utilizado ou uma sentença é enunciada em um dado contexto, e.g. de ficção? Como determinar, no caso do plurirrealismo, o modo de existência de um objeto? Essa resposta tem de ser dada antes, suponho, antes que a semântica seja aplicada. Afinal, segundo meu entendimento, ainda que a forma lógica dos enunciados não dependam dessas regras, precisamos delas para montar uma interpretação que valore as sentenças adequadamente, segundo os contextos e modos de existência relevantes. Caso contrário, como inevitavelmente parece acontecer no caso dos ficcionalismos e realismos locais, o pleiteio da pluralidade se sugere como um dispositivo ad hoc. Essa é a crítica interna à solução, pois é seu desafio essencial. O pluralismo seria incapaz de servir a uma semân- tica como uma teoria geral das condições de verdade de uma linguagem. Provavelmente essa conclusão seria endossada alegremente por figuras como Souriau e Heidegger, que se recusaram a deduzir os vários modos de existência como em um sistema. Por outro lado, espera-se que um pluralista, em particular um plurirrealista, admita que a questão sobre o critério de identidade de cada modo de existência seja empírica. Cada modo teria seu lugar em uma tabela periódica dos modos de existência e a aplicação de
uma semântica plurirrealista envolveria a capacidade de se distinguir uns dos outros. Quanto à disputa sobre a univocidade, vale lembrar as manifestações de Quine e de Inwagen. Quine insiste na simplicidade de uma teoria que explica a diferença entre objetos abstratos e concretos como uma diferença entre os próprios objetos.
There are philosophers who stoutly maintain that “true” said of logical or mathematical laws and “true” sais of weather predications or suspects’ con- fessions are two uses of an ambiguous term “true”. There are philosophers who stoutly maintain that “exists” said of numbers, classes and the like and “exists” said of material objects are two uses of an ambiguous word “exists.” What mainly baffles me is the stoutness of their maintenance. What can they possibly count as evidence? Why not view “true” as unambiguous but very general, and recognize the difference between true logical laws and true confessions as difference merely between logical laws and confessions? And correspondingly for existence?(QUINE, 1960, 131)
A crítica de Inwagen, também de espírito quineano e ortodoxo, aponta para a conexão de Frege entre números e existência.
No one would be inclined to suppose that number–words like “six” or “forty– three” mean different things when they are used to count different sorts of object. The very essence of the applicability of arithmetic is that numbers may count anything: if you have written thirteen epics and I own thirteen cats, then the number of your epics is the number of my cats. But existence is closely tied to number. To say that unicorns do not exist is to say something very much like saying that the number of unicorns is 0; to say that horses exist is to say that the number of horses is 1 or more. And to say that angels or ideas or prime numbers exist is to say that the number of angels, or of ideas, or of prime numbers is greater than 0. The univocacy of number and the intimate connection between number and existence should convince us that there is at least very good reason to think that existence is univocal.(INWAGEN, , 17)
Nenhum dos dois trechos oferecem argumentos conclusivos, contudo. Eles de- pendem, em um caso, de uma motivação pragmática e, em outro, de uma analogia tendenciosa e somente sugestiva.