4 ARBEIDSRELATERTE TILTAK
4.2 Psykiske lidelser og arbeidslivet
4.4.3 De mindre aktive kommunene
Em Investigações Lógicas, um dos seus primeiros escritos, que Husserl utiliza o termo fenomenologia em vez de psicologia descritiva, expressão anteriormente empregada para definir seu pensamento de oposição ao psicologismo (ZILLES, 2007). Nessa obra que Husserl exprime pela primeira vez sua ideia de fenomenologia, determinando, assim, o que entende como tarefa primeira da filosofia - a elaboração de uma teoria do conhecimento, somente possível se a filosofia se mostrasse como fenomenologia (PAISANA,
5 Desde Platão, o termo é utilizado na Filosofia e significa o pensamento intuitivo, captação intelectual imediata de uma realidade. Ver discernindo. Intuir. (FERRATER MORA, 1964)
6 Vocábulo grego que significa pensamento, ideias, as noções contidas no pensado. Ou, ainda, entendido como significação (FERRATER MORA, 1964).
1992;HEIDEGGER, 1995). Portanto, Investigações Lógicas se destinava muito mais a uma fundamentação da lógica e à doutrina da ciência (HUSSERL, 1980, 2007a, 2007b).
Ainda nessa obra, Husserl aponta o psicologismo como doutrina filosófica, considerando a Lógica e a Teoria do Conhecimento disciplinas subordinadas à psicologia experimental, sendo esta uma de suas críticas. Nesse sentido, propõe como objetivo da fenomenologia investigar reflexivamente a consciência, inaugurando uma nova atitude perante esse sujeito, assinalando, assim, a forma descritiva da fenomenologia (SINDOCHA, 2001).
Husserl entendia que a fenomenologia, tomando como objeto o fenômeno, poderia cair num novo psicologismo e, para que isso não ocorresse, deveria problematizar e alargar o conceito de intuição e elaborar a ideia de
epoché ou redução fenomenológica, propondo, inicialmente, uma psicologia
descritiva para refutar o psicologismo e o empirismo (OLIVEIRA, 2008b). Para o filósofo, no entendimento de Paisana (1992), e sob esse aspecto, a fenomenologia deveria se caracterizar como reflexiva ou descritiva, posto que o que é descrito é considerado em si mesmo no ato intencional tal como é visado e na ausência de pressupostos.
A obra citada é dividida em seis investigações, a saber: a primeira trata da significação baseada no ato expressivo. Significa dizer que o ato de expressar não está no expressado, mas naquilo que o exprime, sendo este múltiplo em sua significação, pois "[...] o acto, na medida em que é exprimido nesta ou naquela forma de discurso, tem de ser conhecido em sua determinação típica: a pergunta como pergunta, o desejo como desejo [...]" (HUSSERL, 1900/2007a, p.26). Acentua que a percepção realiza a possibilidade do ato de visar a algo, possibilidade que comporta a significação, implicando que, na percepção que se estabelece a relação sujeito e objeto. Há que se deixar bem claro que essa relação não contém a significação, mas é somente o solo para que floresça. Portanto, é nessa vivência que o ato de conhecimento se fundamenta, entendendo-se, aqui, que conhecer é ato. Assim afirma que,
O exprimir do discurso não consiste, por conseguinte, em meras palavras, mas sim em actos de expressão; estes,cunham os actos correlatos que devem ser exprimidos por si numa nova matéria, criam uma expressão pensante deles, cuja essência universal constitui a significação do discurso correspondente (p.26, grifo do autor).
A segunda investigação procede a uma análise fenomenológica da consciência, evidenciando o que a caracteriza, a intencionalidade. Husserl garante que o conceito de significação é correspondente ao de intenção de significação. Para Husserl (1900/2007a)
Pelo facto de, então, fenomenologicamente, encontrarmos a unidade mais íntima e , na verdade, uma unidade intencional, em vez de uma mera soma, teremos, com perfeita razão, de dizer: ambos os actos, um dos quais constitui a palavra completa e o outro constitui a coisa, encadeiam-se intencionalmente para uma unidade de acto (p.42, grifo do autor).
O conceito de intencionalidade tornou-se fundamental para Husserl e para todo o seu pensamento na fenomenologia. Critelli (2006) refere-se ao conceito de intencionalidade como a possibilidade de se ver o que está exposto e, ao mesmo tempo, o que está oculto, sugerindo que éna intencionalidade da consciência que se perfaz o conhecimento, que é na constituição desse vínculo que ocorre o ato de conhecer. Nas palavras da autora, "Sem esse encontro do olhar e do mostrar-se do ente é impossível a própria manifestação" (p.67).
A terceira apresenta os conceitos de objeto dependente e independente e suas relações. Demonstra a distinção entre mera identificação ou atos flutuantes de significar e significações idealmente unas para estabelecer o conhecimento. Na mera identificação ou atos flutuantes, as expressões mudam em sua significação, pois são subjetivas e ocasionais. No ato de conhecer, têm-se essas expressões como formas de constituir o conhecimento e que aproximam as pessoas do conhecimento uno. Este ocorre com as significações idealmente unas, pois são expressões que permanecem objetivas e fixas, e livres das significações flutuantes. Assim como nos indica Husserl (1900/2007a)
A universalidade da palavra significa, de acordo com isto, que uma e a mesma palavra, por meio do seu sentido unitário, abrange (e, quando tal é absurdo, abrange 'pretensamente') uma multiplicidade de intuições possíveis idealmente delimitada de forma fixa, de tal
forma que cada uma destas intuições pode funcionar como base de um acto de conhecimento nominal com o mesmo sentido (p.43, grifo do autor).
Na quarta investigação, Husserl demonstra o que é significar e suas estruturas de formação e derivação; acrescenta às suas discussões, nas investigações anteriores, a diferença entre o teor psicológico e o conteúdo lógico das expressões, sendo o psicológico o que muda constantemente e o lógico o que é fixo e objetivo. Em suas palavras
Poderíamos pensar, neste instante, que, por exemplo, no caso de uma relação, apenas os pontos da relação estariam presentificados e que o novo residiria num mero carácter psíquico, que enlaçasse ambos os fenômenos. Mas um enlave dos actos não é, sem mais, um enlace dos objectos; no melhor dos casos, ele pode ajudar no aparecimento de um tal enlace: ele próprio, todavia, não é o enlace que nele aparece (1900/2007a, p. 173).
Com isso, Husserl assegura que a verdadeira teoria das significações prescinde de um pensamento das relações lógicas e de proposições estabelecidas sistematicamente.
Na quinta, exibe uma teoria acerca do que constitui a consciência com arrimo em conceitos como intencional e qualidades do ato, afirmando que "Cada acto em geral é, [...], ou ele próprio um acto objetivante, ou tem um tal acto por base" (HUSSERL, 1900/2007a, p.102). Esclarece que, até o momento, o que se falava era da possibilidade e da impossibilidade do ato de significar. Nessa investigação, problematiza as qualidades desse ato, assinalando que todo juízo que se tem das coisas é posicional, pois exprime somente as diferenças entre o que é e o que não é, e essa diferença é da ordem do intencional.
Na sexta e última investigação, aprofunda a relação dos atos intencionais com a correspondente intuição na conquista do conhecimento, no alargamento da ideia de experiência fazendo a distinção entre experiência singular e experiência universal e expressa a sua radical fidelidade à experiência direta (PAISANA, 1992). Apesar de consistir em uma obra inaugural da perspectiva fenomenológica, viria, ainda, a sedimentar a fenomenologia como campo de pesquisa e conhecimento, tendo sido objeto de revisão no ano de 1913, pois, segundo o próprio Filósofo, estavam inacabadas.
Paisana (1992) aponta alguns aspectos que dificultaram a explicitação da ideia de fenomenologia de Husserl em Investigações Lógicas, quais sejam: a imprecisão das leis empíricas da ciência experimental, acarretando, consequentemente, uma imprecisão das leis lógicas; a indefinição de uma matéria de fato das leis lógicas; e a insuficiência na explanação do que seja o caráter a priori como ordem metodológica.
Cada vez mais, a preocupação de Husserl era tornar a filosofia uma ciência rigorosa, adotando um método que pudesse lhe servir de base para esta ciência. Este era o tema central do livro A Filosofia como ciência do rigor (1911). Husserl entendia que "Desde os seus inícios, a Filosofia pretendeu ser ciência de rigor propriamente suscetível de satisfazer às supremas necessidades teóricas [...]" (p.1). Essa obra é considerada como intermediária entre a crítica ao psicologismo nas Investigações Lógicas e a instituição da fenomenologia no livro Ideias para uma Fenomenologia Pura e uma Filosofia
Fenomenológica.