KAPITTEL 4 – METODE OG GJENNOMFØRING
4.2 Datainnsamling
A definição mais difundida e aceite é a de Freeman (1984) que define stakeholder como qualquer indivíduo ou grupo que possa afectar a obtenção dos objectivos organizacionais ou que é afectado pelo processo de busca desses objectivos. Apesar da sua popularidade, este conceito tem sido criticado por ser muito amplo e por abrir uma possibilidade infinita de stakeholders, podendo até os factores climáticos (Mitchell, Agle and Wood, 1997; Starik, 1994), os não-humanos (Discoll e Starik, 2004; Starik, 1994) ou criminosos e terroristas (Jensen, 2001) serem considerados na medida em que estes podem afectar ou serem afectados pelo bem-estar da empresa. Do ponto de vista da sustentabilidade mundial, tudo interessa desde a mais ínfima parte que possa ser afectada remotamente (Clifton e Amran, 2011) e, na teoria, o número de stakeholders é ilimitado (Barry, 2002).
Este termo tem evoluído ao longo dos anos, o que parece lógico dadas as contribuições que recebeu de várias teorias e áreas científicas. O próprio Freeman, ao longo do tempo, foi também modificando o seu conceito, introduzindo pequenas nuances fruto da sua investigação e da aplicação a outras áreas, como a ética, a teoria dos custos de transacção, a teoria da agência, a teoria feminista, entre outras.
No geral, Freeman manteve-se fiel a si próprio e ao conceito original. Alterou algumas palavras, mais do que o conceito, para expressar o mesmo significado e reforçou, nos últimos anos, a necessidade das empresas criarem valor com e para os stakeholders referindo que nenhum está sozinho nesta criação de valor (Parmar et al., 2010).
Se a definição de Freeman (1984) é a mais difundida, a mais simples será, certamente, a proposta por Friedman (1970) que defende que o objectivo das organizações é maximizar o lucro e que por isso têm um único stakeholder: os accionistas. O autor afirma que o objectivo das organizações é o lucro e à medida que são administradas com este fim geram ganhos para toda a sociedade. Esta visão economicista da empresa e dos stakeholders será retomada nos próximos capítulos.
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Quadro 1 – Definições de Stakeholders de Freeman
Fonte: Elaboração própria.
Na perspectiva do risco envolvido, os stakeholders passam a ser pessoas ou grupos que têm ou reivindicam propriedade, direito ou interesse numa organização e nas suas actividades passadas, presentes e futuras (Clarkson, 1995); e na perspectiva de valorização do processo de criação de valor, são indivíduos ou constituintes que contribuem, voluntária ou involuntariamente, para as actividades de criação de valor de uma organização e que, por isso, assumem o risco e/ou são seus potenciais beneficiários (Post et al., 2002) mas devem ser considerados apenas aqueles que estão próximos e se identificam com os objectivos / operações da empresa (Harrison et al., 2010) e apenas os que têm uma estaca1 na organização (Atkinson et al, 1997; Fassin 2009; Jones, 1995).
Na abordagem de justificativa ética, os stakeholders seriam todos os que tivessem interesses legítimos na actividade corporativa da organização, de modo a obterem benefícios e, portanto, não existiriam motivos para a priorização de um conjunto de interesses em detrimento de outros (Donaldson e Preston, 1995). Refira-se que esses interesses teriam valor intrínseco na medida em que os stakeholders deveriam ser considerados enquanto um fim em sim mesmos e não como um meio para se alcançar determinados fins (tal como proposto na teoria ética de Kant).
Numa linha de pensamento semelhante, stakeholders podem ser indivíduos ou grupos que conseguem legitimidade organizacional para participarem no processo de decisão simplesmente porque são afectados pelas práticas, políticas e acções de uma organização (Hummels, 1998) ou
1 Stake no original.
Freeman e Reed (1983)
No sentido amplo: qualquer grupo ou indivíduo que pode afectar a obtenção dos objectivos da organização ou que é afectado pela obtenção dos objectivos por parte da organização;
No sentido restrito: qualquer grupo ou indivíduo de quem a organização dependa para a sua contínua sobrevivência.
Freeman (1984) Qualquer indivíduo ou grupo que possa afectar a obtenção dos objectivos
organizacionais ou que é afectado pelo processo de busca desses objectivos.
Freeman e Gilbert (1988)
São os grupos que podem afectar ou ser afectados pela organização, ou seja, aqueles com os quais a organização tem uma relação de dependência mútua. Os autores introduzem a questão da criação de valor.
Evan e Freeman (1988) Stakeholders são grupos que são beneficiados ou prejudicados, cujos direitos são violados ou respeitados pelas acções da corporação.
Freeman (1994) Stakeholders são todos os participantes no processo humano que criam valor
para as organizações.
Freeman et al. (2007) Os stakeholders devem ser orientados para a criação e negociação de valor para a organização que deve ser sustentável ao longo do tempo.
Parmar et al. (2010a)
Mantém a definição original mas reforça a necessidade de criação de valor para os stakeholders e introduz uma classificação: no sentido restrito integra os grupos primários ou de definição, cujo suporte é fundamental para a viabilidade do negócio; no sentido mais amplo, inclui os grupos secundários ou
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indivíduos ou grupos que devem ser o objecto legítimo da atenção dos gestores e da organização (Phillips, 2003).
Refira-se ainda que, mesmo para Freeman que é o grande impulsionador da teoria, o termo tem uma amplitude de interpretação que é um dos grandes suportes da teoria dos stakeholders mas é, ao mesmo tempo, uma das suas proeminentes debilidades teóricas (Phillips, Freeman e Wicks, 2003).
Quadro 2 – Definições de Stakeholders
Autores Definições
SRI (1963) Todos os grupos sem os quais a empresa não pode existir.
Friedman (1970) Todos os accionistas da empresa (todas as outras entidades são um meio para atingir um fim - a maximização do lucro).
Freeman (1984) Qualquer indivíduo ou grupo que possa afectar a obtenção dos objectivos organizacionais ou que é afectado pelo processo de busca desses objectivos.
Carroll (1991) Grupo ou indivíduo que interage com a empresa e que com ela tem interdependência, tendo uma "estaca", reivindicação ou interesse nas operações e decisões da empresa.
Savage et al. (1991) Stakeholders inclui aqueles indivíduos, grupos e outras organizações que têm um interesse nas acções de uma organização e têm a capacidade de a influenciar.
Hill e Jones (1992)
Todos os constituintes que têm uma reivindicação legitima sobre a empresa (…) estabelecida através da existência de uma relação de troca que fornece a empresa com recursos críticos (contribuições) e em troca espera que cada um dos seus interesses sejam satisfeitos (por incentivos).
Clarkson (1994)
Stakeholders assumem certas formas de risco como resultado de ter investido alguma forma de capital, humano ou financeiro, ou alguma coisa valiosa para a empresa ou são colocados em risco como resultado das actividades da empresa.
Wicks et al. (1994) Grupos que interajam com, dêem sentido e interpretação à organização.
Starik (1994) Qualquer entidade que surja naturalmente que afecte ou possa ser afectado pelo desempenho da organização.
Clarkson (1995)
Pessoas ou grupos que têm ou reivindicam propriedade, direito ou interesse numa organização e nas suas actividades passadas, presentes e futuras. Essas reivindicações, direitos ou interesses são resultado das transacções ou das acções realizadas com a organização e podem ser legais, morais, individuais ou colectivas.
Donaldson e Preston (1995) Todos os grupos que tiverem interesses legítimos na actividade corporativa da organização.
Jones (1995) Qualquer grupo ou indivíduo com poder para afectar o desempenho da empresa e uma participação (stake) nesse desempenho.
Atkinson et al. (1997) Um stakeholder é um individuo ou um grupo, dentro ou fora da organização, que tem uma stake (estaca) dentro da organização ou que consegue influenciar o seu desempenho.
Campbell e Alexander (1997) Os stakeholders são grupos que mantém uma relação comercial com a empresa e com quem a empresa deve ganhar / manter a sua lealdade.
Hummels (1998)
São todos os indivíduos ou grupos que conseguem legitimidade organizacional para participarem no processo de decisão porque são afectados pelas práticas, políticas e acções das organizações.
Carroll (1999) Grupos ou pessoas relacionados com negócios que devem ser considerados nas acções ou actividades de responsabilidade social da empresa.
GRI (2000-2006)
Stakeholders são organizações ou indivíduos que possam ser significativamente afectados pelas actividades, produtos e/ou serviços da organização e cujas acções possam afectar significativamente a capacidade da organização de implementar as suas estratégias e os seus objectivos com sucesso.
Post et al. (2002)
Stakeholders são indivíduos ou constituintes que contribuem, voluntária ou
involuntariamente, para as actividades de criação de valor de uma organização e que, por isso, assumem o risco e/ ou são seus potenciais beneficiários.