6 Datainnsamling
6.4 Data fra sanntidssystemet (SISST)
Reconhece-se a fundamental importância da reconstrução do contexto sócio-interacional de produção do texto para a análise do agir. Nesse sentido, resgata-se a importância de Bakhtin, um pensador que historiciza a linguagem, deixando clara a relação existente entre linguagem e contexto social. Brait (1997: 97), ao discutir as idéias desse autor, afirma que “a palavra não é falada no vazio, mas numa situação histórica e social concreta, no momento e no lugar da atualização do enunciado”. Justifica-se, portanto, a importância do estudo do contexto sócio-interacional mais amplo e, também, o estudo da situação de produção.
A situação de produção envolve, segundo Bronckart (1997/1999:93), “os parâmetros que podem exercer influência sobre a forma como um texto é organizado, a partir das representações pessoais que o agente faz do mundo objetivo e do sócio-subjetivo.” É importante ressaltar que o que podemos fazer, ao analisarmos esses parâmetros de produção, é levantarmos hipóteses das representações desse agente, a partir do material que temos em mão e a partir de nossas próprias representações, uma vez que nós também somos agentes.
Para Bronckart, a situação de produção, vista como as representações do agente produtor, deve ser analisada a partir de dois conjuntos de fatores agrupados e, a nosso ver, indissociáveis:
1. o que ele chama de mundo físico, o qual se relaciona com a situação material de produção e;
2. o que o autor chama de mundo sócio-subjetivo, que se relaciona com a situação de interação social.
É a partir desses sistemas de representações que o sujeito pode situar e avaliar suas ações:
a) fazendo uma representação interna do contexto de produção e; b) mobilizando as representações referentes ao conteúdo temático. 8 c) entrando em conflito com as representações sociais dos “outros”.
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conteúdo temático compreendido como o conjunto de informações que estão explicitamente presentes no texto.
1. Em relação ao mundo físico, quatro são os parâmetros essenciais a serem analisados:
2. Em relação ao mundo sócio-subjetivo, o qual leva em conta as representações que o agente faz de normas, valores, regras e a imagem que o agente tem de si próprio ao agir, também se destacam quatro outros parâmetros de análise relacionados, portanto, à situação de interação social:
Um dos parâmetros de análise proposto por Bronckart diz respeito ao agente produtor do texto (emissor-destinatário). Sobre isso, observamos a influência de Bakhtin (1953/1997), para quem o autor está presente em sua obra, principalmente no momento em que “conteúdo e forma se fundem”. A nosso ver, este autor é aquele que constrói significados e sentidos, a partir das representações que tem da realidade. Segundo Bronckart (1997/1999), é a partir das representações que constituem o mundo físico e o sócio-subjetivo do produtor, portanto, não é um agente “assujeitado”, que somente sofre os efeitos do meio, mas um sujeito que interage com esse meio e com seus parceiros em uma determinada situação de comunicação. O que existe é um constante diálogo entre os interlocutores (eu-outro/ autor-leitor/ enunciador- destinatário) e entre os diferentes discursos. Remetendo-nos, de novo, ao próprio Bakhtin (1953/1997:316), lembramos que o “enunciado está repleto de ecos e lembranças de outros enunciados”, assim como reflete o papel a) lugar de produção, considerado como o lugar físico da produção do texto empírico. b) momento de produção, considerado como o período de tempo em que o texto é produzido.
c) emissor, considerado como a pessoa física que produz o texto, seja ele oral ou escrito. d) receptor, considerado como a pessoa física ou conjunto de pessoas a quem se destina o texto, estando ou não no mesmo espaço-tempo da produção.
a) lugar social, considerado como o quadro das instituições e da formação social em que se dá a produção do texto: escola, família, interação formal ou não.
b) posição social do emissor, considerado como o papel social desempenhado pelo agente, que se torna enunciador.
c) posição social do receptor, considerado como o papel social atribuído ao receptor pelo agente. Esse receptor ganha o estatuto de destinatário.
d) objetivo, compreendido como os efeitos que o produtor quer produzir sobre o destinatário, levando-se em conta o ponto de vista do enunciador.
social do agente, seu lugar social e os efeitos que o autor espera produzir no destinatário.
Sem confundir a figura do agente produtor (indivíduo físico) com o enunciador, narrador e expositor (figuras construídas discursivamente) não podemos nos esquecer de que esse sujeito histórico é também um sujeito ideológico que, conforme Pauliukonis (2003:39) tem na sua fala “um recorte das representações sociais do seu tempo, ou um sujeito heterogêneo que insere outras vozes em seu discurso e delas se utiliza em suas argumentações”.
Essa natureza dialógica da linguagem, fundamento básico do pensamento de Bakhtin, remete-nos a outro parâmetro proposto por Bronckart: a análise do “outro”, do interlocutor, de quem o agente espera uma “compreensão responsiva ativa”. Nos dizeres de Bakhtin (1953/1997:290): “De fato, o ouvinte que recebe e compreende a significação (lingüística) de um discurso adota simultaneamente, como com este discurso, uma atitude responsiva ativa: ele concorda ou discorda (total ou parcialmente), completa, adapta, apronta-se para executar, etc., e esta atitude do ouvinte está em elaboração constante durante todo o processo de audição e de compreensão desde o início do discurso, às vezes, já nas primeiras palavras emitidas pelo locutor.”
Parece que Bronckart, nos trabalhos posteriores ao livro “Atividades de linguagem, textos e discursos”, de 1997, procurou ampliar e ao mesmo tempo considerar com maior complexidade os procedimentos de análise da situação de produção. Trata-se de buscar informações “externas” aos textos, no sentido de se resgatar a situação sócio-histórica em que está imersa a produção dos mesmos. Para nós, considerando a temática dos textos selecionados para análise neste trabalho, faz-se necessário conhecer a conjuntura política brasileira no momento dos fatos (Caso Waldomiro Diniz), bem como conhecer o contexto intelectual/jornalístico em que escrevem os autores desses textos.
Em segundo lugar, cabe observar que o estudo da situação de produção e especialmente dos parâmetros do mundo sócio-subjetivo apresenta uma série de dificuldades derivadas da impossibilidade de se identificar quais foram, de fato, as representações do mundo sócio-subjetivo
efetivamente mobilizadas por um determinado agente produtor e pelos seus interlocutores. Por isso, configura-se o conflito de representações entre os interlocutores e o texto se torna o lugar do embate dessas diferentes representações em conflito.