7 Analyse av dagens reisetid
7.1 Beregning av tid på ulike komponenter
Além do estudo do contexto de produção, que faz parte de toda produção textual, Bronckart nos fornece um modelo de análise mais refinada da arquitetura interna dos textos, que é chamada de “folhado textual”, pois o autor concebe o texto em níveis diferentes de organização, superpostos um sobre o outro, embora não estanques. Há uma relação de interdependência e interpenetração entre esses níveis e daí a metáfora criada pelo autor: a de “folhado” ou de “patisserie”. Observemos o desenho 9a seguir, que procura de forma esquemática representar os três níveis de análise: a infraestrutura textual, os mecanismos de textualização e os mecanismos enunciativos, os quais formam o nível organizacional dos textos.
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Extraído de Luca, Glaucimara Baraldi. Subsídios lingüístico-discursivos para a prática da leitura na aula de História. Dissertação de mestrado, Lael/2000, p. 73
4.2.1. A infraestrutura textual
Este nível engloba o estudo do plano global do texto, dos tipos de discurso e das seqüências predominantes, bem como os valores que as unidades dêiticas assumem, as modalizações e a identificação dos protagonistas centrais postos em cena no texto, assim como a análise sintático-semântica dos sintagmas nominais que a eles se referem.
a) Plano Global
O plano global do texto diz respeito à organização do conteúdo temático e depende do gênero ao qual o texto pertence, bem como de sua extensão, do contexto de produção e do conteúdo temático.
Geralmente, o plano global deriva da combinação específica dos tipos de discurso, das seqüências e de outras formas de planificação. Devido a isso, a classificação dos planos de texto torna-se praticamente impossível, assim como é impossível classificar e categorizar todo o universo de gêneros de texto existentes. Soma-se a isso o exame da capa, do título, das divisões presentes no texto, de seus tamanhos, dos elementos paratextuais que o circundam, etc. Devido a toda sua complexidade, em nosso trabalho limitar- nos-emos a estudar o plano global de cada texto empírico e a fazer um resumo do conteúdo temático, tal como propõe Bronckart (1997/1999:248)
b) Mundos discursivos e tipos de discurso
Dentro da proposta teórica de Bronckart, é preciso explicitar bem as escolhas conceituais e terminológicas que ele faz, bem como distinguir texto de discurso.
O conceito de texto pode ser usado em diversas acepções. Os textos podem ser definidos como sendo os correspondentes empíricos/lingüísticos das atividades linguageiras (Bronckart, 2004), reúnem tanto as produções escritas como as produções orais. O texto é visto como uma unidade de comunicação verbal superior organizada, que transmite uma mensagem que tende a ser coerente e que revela a atividade social que a gera. Cabe aqui ainda uma outra observação de natureza terminológica, uma vez que a noção de texto também é utilizada pela Lingüística textual. Bronckart procura explicitar essa divergência conceitual. Enquanto Adam (1991) considera seu
projeto de trabalho analisar o texto em si, isto é, sem relação com as atividades sociais, Bronckart (1997/1999), por sua vez, considera o texto não como um objeto puro, mas sim em relação direta com o contexto de produção. Bronckart revê o conceito de ação como correspondente empírico da ação de linguagem, tal como proposto no modelo de 1997 e, ao rever sua posição, para a considerar o conceito de texto como correspondente das atividades de linguagem, o que dá ao texto um caráter “coletivo”, explicitado pelo dialogismo e por meio das diversas vozes implícitas e explícitas que o constituem.
Por outro lado, os tipos de discurso seriam segmentos de textos que, nas palavras de Bronckart, (1997/1999:149) se caracterizam como “formas lingüísticas que são identificáveis nos textos e que traduzem a criação dos mundos discursivos específicos, sendo esses tipos articulados entre si por mecanismos de textualização e por mecanismos enunciativos que conferem ao todo textual sua coerência seqüencial e configuracional”. Além disso, os tipos de discurso constituem-se a partir de modelos disponíveis no chamado interdiscurso, tal qual ocorre com os gêneros de texto em relação ao intertexto.
Para a construção dos tipos de discurso, o agente produtor desenvolve três procedimentos psicológicos. O primeiro diz respeito à construção de mundos discursivos virtuais, diferentes do mundo ordinário em que o agente se insere, mas que, ao mesmo tempo, articulam-se a ele. Em relação a isso, o agente produtor pode decidir por situar as coordenadas do mundo discursivo disjuntas das coordenadas do mundo da interação social (mundo ordinário), ou seja, os fatos são organizados estabelecendo-se distância entre o mundo ordinário e as coordenadas do conteúdo temático, não importando se os fatos são passados, presentes ou futuros, reais ou imaginários, pois os fatos são narrados como se fossem passados, caracterizando a ordem no narrar (como podemos observar no exemplo 1); ou o agente pode situar as coordenadas do mundo discursivo conjuntas ao mundo onde se realiza a ação da linguagem. Os fatos são apresentados como acessíveis ao mundo ordinário do agente e são expostos, caracterizando a ordem do expor, no qual o conteúdo temático é avaliado
segundo os critérios de validade do mundo ordinário (como podemos observar no exemplo 2).
EXEMPLO 1
“Em um país distante, vivia um povo pacífico. As ondas sujas e revoltas dos problemas do mundo só muito raramente vinham rebentar em suas belas praias quentes e acolhedoras. Isolados de tudo, e orgulhosos de sê-lo, seus habitantes dedicavam seu tempo ao trabalho e à família, ao lazer e aos amigos”.
(extraído de Keshavjee, Shafique (1999) O rei, o sábio e o bufão. Uma fábula sobre Deus e as religiões. São Paulo: Nova Alexandria, p.11).
EXEMPLO 2
“Refrigerantes normal e diet, água mineral e gasosa e gelo são imprescindíveis em qualquer refeição. Num almoço, suco de frutos é muito adequado. As polpas são uma boa opção e podem ser encontradas em todos os sabores e cores”.
(extraído de Dajcz, Mônica. Segredos de uma banqueteira – para receber em casa com sucesso. (2006). São Paulo: Melhoramentos, p. 11).
O segundo procedimento psicológico do agente produtor é escolher o grau de implicação dos parâmetros da situação material de produção e pode optar em integrar os parâmetros ao texto, o que chamamos de implicação ou, então, produzir um texto autônomo em relação aos parâmetros materiais de produção. Nos casos de implicação do agente, existem referências dêiticas aos parâmetros e, para interpretar esses textos, é preciso ter acesso ao contexto. De outra forma, quando o texto apresenta-se autônomo em relação aos parâmetros da ação de linguagem, sua interpretação não requer conhecimento desse contexto.
O terceiro procedimento psicológico diz respeito à escolha das seqüências convencionais que compõem os tipos de discurso: narrativa, descritiva, argumentativa, explicativa, dialogal e injuntiva. Ou ainda, da escolha de seqüências chamadas de não convencionais: script e o plano expositivo puro.
c) Os quatro tipos de discurso
Os quatro tipos de discurso derivam da articulação dos dois primeiros procedimentos psicológicos citados no item anterior. Redimensionando o estudo de Benveniste(1959/1966) Bronckart evita qualquer ambigüidade terminológica e distingue os mundos da ordem do narrar, que podem ou não implicar os parâmetros de produção, traduzindo-se nos discursos de relato interativo ou narração; e os mundos da ordem do expor, que podem ter ou não relação de implicação ou autonomia em relação aos parâmetros da situação de ação, traduzindo-se pelo discurso interativo ou discurso teórico. Vejamos o quadro10 a seguir, onde é possível verificar as articulações entre a situação de produção e as coordenadas gerais dos mundos discursivos:
COORDENADAS GERAIS DO MUNDO DISCURSIVO