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3.2 Methods used in the statistical analysis

3.2.5 Data analysis

A transição democrática não afastou o PRI da possibilidade da conquista presidencial, mas, sem dúvida, impôs a necessidade de competir eleitoralmente com outros partidos. Sua hegemonia havia garantido o revezamento de seus membros na presidência do país, sempre respaldado por uma maioria na Câmara dos Deputados, situação que permaneceu até o governo de Zedillo, que se viu, pela primeira vez, obrigado a governar sem maioria.

Frente à nova realidade, o PRI necessitou se reestruturar e adquirir novas habilidades para competir nas eleições de 2000. Quatro pré-candidatos se apresentaram na disputa priísta, entre os quais Roberto Madrazo, então governador de Tabasco. Seu principal concorrente era Francisnco Labastida, secretário de governo, que acabou como candidato de seu partido, perdendo, entretanto, a presidência para o panísta Vicente Fox70.

A derrota eleitoral nas eleições daquele ano provocou uma disputa interna pelo controle do partido, assim como resultou ser um momento de reavaliação da própria história da organização. Os desafios com a perda da presidência estavam lançados ao partido. Era necessário:

70

Os outros dois pré-candidatos priístas eram: Manuel Bartlett, governador de Puebla, e Humberto Roque, diretor geral da Seguradora Hidalgo.

Configurar uma fonte legítima de governo interno, estabelecer um estrumento operativo já sem o guia presidencial, redimensionar seus órgãos diretivos e se adaptar a um sistema de partidos no qual, por primeira vez, militaria na oposição [...] A estes desafios, o PRI tería que somar outro maior ou mais mortal: as mudanças, dadas no nível da disputa interna, deveriam atender a democracia interna como uma exigência impossível de calar (MIRÓN LINCE, 2005, p.286).

O primeiro passo neste sentido se deu com a realização da XVIII Assembléia do partido, em novembro de 2001 (REVELES VÁZQUEZ, 2005b, p.26), em que se determinou que as eleições para a dirigência nacional se dariam por meio de uma consulta direta à base militante. Também ficou estabelecida a possibilidade de formação de alianças com outros partidos e organizações da sociedade (MIRÓN LINCE, 2005, p.289).

Como base nas novas regras, Roberto Madrazo foi eleito, em fevereiro de 2002, o novo líder do partido, com uma diferença de 1,78% dos votos em relação ao grupo de Beatriz Paredes. Esse processo não se deu sem conflitos; foi marcado por desqualificações e possíveis irregularidades, uma vez que o sistema de contagem de votos saiu do ar em três ocasiões (FERNÁNDEZ DEL CASTILLO, 2008, p.38). Independentemente dos meios empregados para chegar a liderança, uma vez vitorioso, Madrazo começou a percorrer os caminhos que o levariam a ser o candidato do PRI em 2006. Para tanto, provocou uma série de conflitos internos, enfrentando a oposição de alguns dos principais membros priístas.

De saída rompeu relações com a Secretária Geral do PRI, Elba Esther Gordillo, parceira da chapa, com a ajuda da qual obteve a liderança partidária, ao apoiar outro deputado para a coordenação partidária na Câmara dos Deputados, em 2003. Em novembro de 2004, diante da pressão do grupo de governadores e parlamentares que pretendiam lançar um pré- candidato comum à presidência sob o lema “Unidad Democrática para la Renovación del PRI”, Madrazo adverte que todos os aspirantes deveriam renunciar aos seus cargos para garantir a igualdade do processo (FERNANDEZ DEL CASTILLO, 2008, p.41).

O tiro parece ter saído pela culatra, pois, no ano seguinte, os membros do grupo passaram a solicitar que o próprio Madrazo renunciasse à direção nacional, se pretendia disputar a pré-candidatura presidencial priísta. O então líder partidário tentou postergar a “decisão”, mas teve que assumi-la quando outro grupo, denominado “Todos unidos contra Madrazo”, entrou em cena.

Encabeçaram a tarefa de apresentar o nome de Roberto Madrazo como pré- candidato cinco governadores priístas. A edição do jornal La Jornada, do dia 23 de janeiro de 2005, anunciava a “cruzada” em favor do dirigente:

Cinco gobernadores priístas - de Tabasco, Quintana Roo, Oaxaca, Campeche y Guerrero - acordaron anunciar una gran cruzada nacional para constituir comités de apoyo en torno a la candidatura presidencial del dirigente nacional del tricolor, e invitaron al grupo Unidad Democrática a sumarse a este esfuerzo (DÁVALOS, 2005).

Com o ato, Madrazo dava uma cartada que o manteria na liderança do PRI até junho de 2005 e conseguiria conter, por algum tempo, as ações do grupo Unidad Democrática. Em agosto de 2005, entretanto, esse grupo, após processo interno, define o nome daquele que disputaria com Madrazo a candidatura do PRI: Arturo Montiel, ex- governador do Estado do México. Tinham início, assim, os ataques a Montiel e o fim da “trégua” entre Unidad e Madrazo (FERNANDEZ DEL CASTILLO, 2008, p.48). Duas ações foram fundamentais nesse conflito.

A primeira trata dos rumos que tomaria a presidência do partido. Pela regra, essa, em caso de renúncia, deveria ficar a cargo da Secretária Geral do PRI, à época, Elba Esther Gordillo. Como assinalado, as relações entre Roberto Madrazo e Gordillo estavam estremecidas, o que explica a manobra do Conselho Político Nacional do PRI, efetuada no dia 31 de agosto, ao designar Mariano Palacios Alcocer como novo presidente do partido.

A segunda ação – e golpe final nas intenções dos adversários – se deu logo após Arturo Montiel se registrar como aspirante a candidato presidencial. No período, foram divulgados na imprensa documentos que sugeriam um suposto enriquecimento ilícito do candidato da Unidad. Segundo o semanário Proceso, Montiel era alvo de investigações para esclarecer depósitos milionários efetuados em contas bancárias que apareciam em nome de seus filhos, Arturo e Juan Pablo. Averiguava-se, ainda, a procedência do dinheiro destinado à compra de terrenos e casas residenciais nas cidades de Acapulco e Valle de Bravo, propriedades que se encontravam em nome de sua esposa, Maude Versini (OLMOS, 2005).

Frente aos escândalos, Montiel renuncia. Em novembro, sem enfrentar seu principal adversário, Madrazo disputa o processo interno para a escolha do candidato presidencial do PRI contra Everado Moreno (um político relativamente desconhecido), e sai vitorioso. Se, por um lado, as estratégias empreendidas com intuito de se tornar candidato pelo PRI foram exitosas, por outro, também tiveram seus custos nas eleições nacionais.

A fatura se cobrou, primeiro, com a falta de apoio por parte de governadores do partido na disputa presidencial. No norte do país, havia uma oposição explícita dos governadores priístas a Madrazo e, no sul, onde era apoiado, o candidato perdeu espaço para López Obrador, que promovia um discurso a favor dos pobres (FERNANDEZ DEL CASTILLO, 2008, p.52).

A segunda parte da fatura veio quando o então candidato priísta optou por uma estratégia de campanha estruturada na construção de sua imagem de centro, como mediador do conflito instalado entre Calderón (PAN) e López Obrador (PRD). A questão é que seu passado não condizia com a nova imagem.

Depois de meses de escândalo público pelo conflito com Elba Esther Gordillo e dos reiterados conflitos com o grupo de governadores que conformavam a corrente Unidad Democrática; depois das denúncias contra seu opositor pela candidatura priísta Arturo Montiel (...), Roberto Madrazo quis propor uma imagem de centro mediador entre a guerra suja do PAN e as respostas de López Obrador. (...) ninguém acreditou na sua nova imagem de mediador, quando havía sido protagonista, durante meses, de agudos conflitos no interior de seu partido (FERNANDEZ DEL CASTILLO, 2008, p.53).