PART I DIRECT FE METHOD FOR NONLINEAR EARTHQUAKE ANALYSIS OF
4 Dam–water system
5.1 Dam–water–foundation rock interaction as a scattering problem
Évora (2009) constatou que o djunta-mon (ajuda mútua) persiste em, praticamente, todos os tipos de associações de caráter mutualista como, por exemplo, a tabanca que é, provavelmente, a associação do gênero mais antiga da ilha de Santiago, uma manifestação cultural do santiaguense, herdada da cultura tradicional africana.
Na perspectiva de Trajano Filho (2006), a tabanca funciona como uma irmandade ou confraria, com o objetivo de fomentar o auxílio mútuo entre seus membros nas situações de crise, morte, doença, limpeza das roças, trabalho agrícola, bem como na
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devoção aos santos do catolicismo popular121e na sociabilidade e entretenimento de seus membros. Estes são normalmente recrutados com base na localidade ou bairro de residência.
Por conseguinte, a tabanca tem sido uma instituição central para a organização da vida social nas aldeias camponesas no interior de Santiago e nos bairros populares na cidade da Praia. Destaca-se que, nas comunidades rurais, a tabanca tradicionalmente coordena parte substancial do trabalho agrícola, com recurso ao sistema de djunta-mon ou seja, assente na reciprocidade e solidariedade entre os seus membros.
Trajano Filho (2006) afirma que esta irmandade manifesta-se ostensivamente durante o ciclo de cerimônias que se realiza em homenagem ao santo padroeiro, tendo a maioria como objeto de devoção o Santo Antônio. Nestas ocasiões, seus membros saem em cortejos coloridos, ao som de tambores e búzios pelas localidades vizinhas em busca do santo roubado e das prendas que os seus patrocinadores - reis ou rainhas de agasalho - oferecem ao santo padroeiro.
Portanto, a tabanca tem sido tradicionalmente uma instituição total (TRAJANO FILHO, 2006), em virtude de regular os aspetos mais importantes da vida dos seus associados e da comunidade, designadamente, pela, acima mencionada, coordenação da atividade agrícola, pelo estabelecimento de formas prescritas de comportamento nas ocasiões importantes da vida social, pela criação de formas originais de sociabilidade para os grupos sociais que não têm acesso aos modos em uso pela elite cabo-verdiana local, pelo fato de ser uma instância onde se aprende a rezar, chorar, festejar, trabalhar e viver em comunidade. De resto,
Sua eficácia social é derivada de sua organização e esta se revela plenamente no ciclo anual de festividades em honra ao santo padroeiro, que é sua atividade mais visível para os não membros. É através dessas festas que a tabanca se faz ver enquanto uma unidade institucional que representa a comunidade. A sua estrutura emula a de uma sociedade, o que faz dela um sistema social em miniatura. Elas têm chefes, agentes da ordem, contraventores, personagens com prestígio diferenciado, valores e símbolos próprios (TRAJANO FILHO, 2006, p. 6-7).
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Entretanto, as tabancas existem somente nas ilhas de Santiago e do Maio. Segundo Trajano Filho (2006) a maioria delas, num total de 9, encontra-se localizada em Santa Catarina de Santiago, o maior e mais populoso Município do interior da ilha e terceiro a nível nacional, dos quais, 2 na localidade de Chão de Tanque: Ribeira Engrácia e Achada Grande, 2 em Palha Carga: Boca Mato e Lém Cabral e, as restantes 5, em Mato Sancho, Achada Leite, Charco, Mato Baixo e Tomba Touro. Trajano Filho refere ainda à existência de uma tabanca na cidade do Tarrafal e Município homônimo e outra, já em decadência, numa localidade próxima de Ribeira da Barca, em Santa Catarina.
Na cidade da Praia existe atualmente três associações de tabanca, localizadas nos bairros suburbanos de Achada de Santo António, Várzea da Companhia e Achada Grande, denominadas de acordo com o nome dos respetivos bairros de origem.
A ressalva vai no sentido de que todas as tabancas funcionam como associações voluntárias de ajuda mútua, porém, no caso das da Praia, sua organização interna e as tarefas de socorro mútuo que praticam são diferentes das tabancas do interior.
O estudo realizado por Évora (2009) sobre a experiência cooperativa na ilha de Santiago demonstrou que, como forma de proteger a identidade, garantir a familiaridade e o controle subjetivo da prática social, no quotidiano das interações122na cooperativa ou em referência a ela, são atualizados o significado e as práticas relativas ao sistema do djunta-
mon (ajuda mútua). Além disso, pelo conteúdo que lhe é atribuído e a relevância social do sistema de entreajuda djunta-mon, compreende-se que o conceito de cooperativa (o que no contexto cabo-verdiano se fundamenta no conhecimento prático dos cooperadores) se refere a realidades objetivadas e identificadas, tais como loja, campo, barco, carpintaria, etc. Concluiu ainda que a participação na cooperativa encontra-se de tal modo apoiada nas permanências culturais que foram identificados como parte constituinte do núcleo central das representações dos cooperadores, conteúdos associados aos temas da sobrevivência, da propriedade privada e do trabalho.
No entanto, estas formas tradicionais de solidariedade (de famílias, vizinhos e amigos) passaram a coexistir com experiências tímidas de solidariedades novas, estruturadas em cooperativas sociais, ainda durante as últimas décadas da administração
122 Blumer, um estudioso e intérprete de Mead, e criador do termo interacionismo simbólico, pôs em
evidência as principais perspectivas dessa abordagem: as pessoas agem em relação às coisas baseando-se no significado que essas coisas tenham para elas; e esses significados são resultantes da sua interação social e modificados por sua interpretação.
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colonial. Porém, a partir da independência nacional, o governo do PAIGC introduziu o cooperativismo como instrumento político e ideológico de mobilização, organização e participação popular no processo de reconstrução nacional e desenvolvimento do país.
3.3. O associativismo no contexto cabo-verdiano