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3. RESEARCH METHODOLOGY AND HYPOTHESES

3.3 R ESEARCH D ESIGN

3.3.1 Pre-test

Constitui objeto desta pesquisa compreender de que forma se relaciona o “lugar” e a construção de conhecimentos geográficos através de uma análise da relação entre as vivências sócio-espaciais do aluno e a Geografia ensinada. Em outras palavras, buscou-se responder aos seguintes questionamentos: de que forma o professor mobiliza as experiências dos alunos com o lugar para ensinar a disciplina Geografia? O aluno consegue relacionar a Geografia aprendida na escola com o seu cotidiano? E ainda se a Geografia ensinada instiga os alunos a refletirem mais sobre o lugar onde vivem.

Partiremos do pressuposto de que os agentes do processo de ensino-aprendizagem, alunos e professores, pertencem a um meio social, pelo qual são influenciados e certamente exercem influências. A relação com esse meio perpassa aspectos sociais, econômicos, culturais, históricos, religiosos, o que acaba por tornar cada lugar único, particular, dono de uma identidade própria, contribuindo para que os seus moradores tenham um jeito próprio de se relacionar com o mundo.

A relação do sujeito com o seu lugar é dinâmica, e apesar de ter uma escala local, interage com contextos mais amplos, daquele efetivamente vivido por cada um. O lugar seria então a parte do mundo vivida pelo sujeito, nas palavras de Santos: “Os lugares são, pois, o

mundo, que eles reproduzem de modos específicos, individuais, diversos. Eles são singulares, mas são também globais, manifestações da totalidade-mundo, da qual são formas particulares.” (2000a, p.112).

Partindo desse entendimento de que aluno e professor possuem um lugar com o qual se relacionam e que tal lugar está também permeado de influências de vários fatores, consideramos que a compreensão do mundo tendo como ponto de partida esse lugar pode ser um importante instrumento no ensino da Geografia. Além disso, os lugares são dinâmicos, apesar de conterem identidades próprias, não estão isentos de transformações.

Para a realização desta pesquisa optamos por uma abordagem metodológica quanti- qualitativa, uma vez que nos pautamos em dados quantitativos e qualitativos para fazermos nossas análises. A pesquisa quanti-qualitativa ou de métodos mistos é descrita por Creswell:

A coleta de dados também envolve a obtenção de informações numéricas (por exemplo, em instrumentos) como de informações de texto (por exemplo, em entrevistas), de forma que o banco de dados final represente tanto informações quantitativas como qualitativas. (p. 35, 2007)

Essa escolha nos possibilitou fazer uma ampla análise dos sujeitos da pesquisa. Primeiramente utilizando dados quantitativos pudemos traçar um perfil, caracterizando os alunos estudados, quanto aos aspectos socioeconômicos, culturais. Em um segundo momento, através da análise dos dados qualitativos das respostas fornecidas por professores e alunos, conhecemos como é a relação da disciplina Geografia e as vivências cotidianas dos alunos no lugar onde moram.

Os instrumentos utilizados nesta pesquisa foram a Entrevista Estruturada (RICHARDSON et al., 2007) e o Questionário de Perguntas Abertas e Fechadas (RICHARDSON et al., 2007). As entrevistas foram aplicadas com os coordenadores e tiveram a finalidade de caracterizar as escolas em estudo.

Os questionários foram dirigidos aos alunos e aos professores. Com os primeiros o objetivo foi traçar o seu perfil socioeconômico para que pudéssemos conhecer suas vivências e ainda apreender aspectos da sua relação com a Geografia, com a escola e com o lugar onde moram e como fazem a relação entre esses elementos. Em relação aos professores tivemos como foco sua formação e experiência profissional, sua prática docente, as dificuldades enfrentadas nessa atividade e principalmente como eles fazem a relação da Geografia que ensinam diariamente com as vivências dos seus alunos nos lugares onde moram.

• Visitação às três escolas estudadas para apresentação da proposta de pesquisa.

• Visitação das escolas para reconhecimento dos coordenadores, professores e alunos e agendamento da realização das entrevistas com os coordenadores pedagógicos e da aplicação dos questionários com os professores e com os alunos.

• Visitação à escola para a observação da estrutura física e registro fotográfico.

• Aplicação das entrevistas com os coordenadores pedagógicos.

• Aplicação dos questionários com os alunos.

• Aplicação dos questionários com os professores.

• Tabulação dos dados quantitativos e organização das tabelas.

• Análise dos dados qualitativos e disposição dos resultados em tabelas.

A análise dos dados foi feita em duas etapas: a primeira se constituiu na observação das frequências dos dados quantitativos das respostas, que foram tabulados e dispostos em tabelas, com o objetivo de caracterizar os sujeitos da pesquisa: alunos. Nesse momento, deu- se, portanto, a pesquisa quantitativa, quando foi traçado o perfil dos alunos sujeitos da pesquisa das três escolas estudadas; dessa forma, foi obtida uma caracterização sócio- econômica, que foi demonstrada a partir de tabelas, que procuram enquadrar esses alunos em classes e assim demonstrar melhor seu perfil.

Os dados qualitativos colhidos nas perguntas abertas dos questionários foram analisados através da Análise de Conteúdo, que visou à identificação dos elementos relevantes para responder a nossa questão e estabelecer categorias de análise acerca da construção de conhecimento geográfico e sua relação com as vivências sócio-espaciais do aluno. Dessa forma, pudemos identificar como o lugar e as vivências do aluno se tornam elementos norteadores de discussões nas aulas de Geografia.

A análise de conteúdo é definida por Franco (2007) como um procedimento de pesquisa que tem como ponto de partida a mensagem. Considera ainda que toda mensagem contém, potencialmente, uma grande quantidade de informações sobre o seu autor (concepções, sentimentos, filiações, interesses de classes, etc.); e ainda que a mensagem, por ser um produto social, está condicionada pelos interesses de sua época, ou da classe em que seu produtor se insere, ou ainda: “É uma técnica de pesquisa para a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação” (BERELSON, 1979, p. 18 apud RICHARDSON et al. 2007, p. 223).

A análise se organizou nas seguintes fases: uma leitura do material coletado; a definição de categorias que enquadrassem as respostas dadas pelos alunos; o tratamento quantitativo dessas respostas de modo a sabermos como apareciam através de cálculos de frequências e porcentagens e sua disposição em tabelas conforme as categorias pré- estabelecidas; a interpretação qualitativa desses resultados.

O momento mais importante dessa análise foi a interpretação dos dados obtidos, a partir de categorias de análise, foi feita em uma perspectiva global, revelando os fatores que incidem na configuração do problema sob investigação.