A segunda turma de licenciandos que participaram da pesquisa era integrada por 26 (vinte e seis) alunos matriculados na disciplina 0001655 A – Prática de Ensino de Ciências e Biologia III – ESB (9º Termo), vinculada ao Departamento de Educação da Faculdade de Ciências, para o primeiro semestre letivo do ano de 2007, dos quais 25 (vinte e cinco) efetivamente freqüentaram a disciplina.
A diferença desta turma com a primeira reside no fato de, excetuando-se dois alunos, os demais não cumpriram estágio de docência em escolas. Portanto, a verificação do alcance ou não dos objetivos ficou circunscrito à sala de aula em avaliação expositiva por meio de aula simulada que ocorreu no final do semestre letivo.
Esses dois alunos não elaboraram os relatórios e mesmo exaustivamente procurados após o final do semestre, não responderam aos chamamentos efetuados, razão pela qual não constam do quadro anteriormente elaborado.
As Avaliações aplicadas à esta turma (Prática de ensino de ciências e Biologia III) também se configuraram na forma de seminários e ocorreram nos dias 18 e 25 de julho de 2007.
4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Os instrumentos de pesquisa foram aqueles referidos anteriormente no item 3.2. Os procedimentos utilizados para a organização dos dados coletados consistiram:
a) no estabelecimento de categorias, assim tomadas como grupos o mais
homogêneos possível, considerados pelas categorias mais importantes, observando-se para tanto a derivação de um único princípio de classificação, jogos completos de forma a se colocar cada resposta em apenas uma categoria e um conjunto destas, mutuamente exclusivas, (SELLTIZ, 1965 apud LAKATOS & MARCONI, 1999 p. 142);
b) recorreu-se a minudente análise das respostas, com revisões rotineiras,
identificando-se aquelas semelhantes ainda que exprimidas de maneira diferente;
c) ilustra-se mais adiante que embora as categorias assim sejam consignadas, a
maioria das respostas, por conterem mais de um item, não são excludentes entre si; portanto a somatória das percentagens conferidas às respostas de cada uma das questões pode ultrapassar a cifra de 100%, sem comprometer os resultados e a validade destes;
d) codificação numérica ou alfabética permitindo que os dados fossem tabulados,
adotando-se códigos essencialmente qualitativos (Lakatos & Marconi, 1999, p. 142); portanto, a classificação foi qualitativa e, sempre que necessário, adotou-se uma pré-codificação das respostas; os esclarecimentos necessários para os códigos qualitativos podem ser encontrados e verificados nos comentários expendidos para cada uma das questões, anteriormente explicitadas, anotando-se que correspondem àquilo que se esperava nas respectivas respostas;
e) tabulação na modalidade manual conforme Marconi & Lakatos (1999, p.142).
A análise de dados não inclui, propositalmente, qualquer tratamento estatístico sofisticado, recorrendo-se apenas ao cálculo rudimentar de freqüências em percentuais, preferindo-se a organização adequada dos dados obtidos na linha de sua apresentação descritiva. Mais que os conteúdos expressos nas respostas, preferiu-se considerar também a intenção dos respondentes. Noutras palavras, optou-se pela análise das respostas, segundo os seus próprios conteúdos.
Existem várias formas para se proceder a análise de discursos e uma dessas formas é a análise de conteúdo. Ela possibilita a compreensão dos significados das comunicações, valendo afirmar, permite conhecer o conteúdo manifestado, as significações explícitas.
Outro ponto importante nesta etapa é a consideração tanto do conteúdo manifesto quanto do conteúdo latente do material. É preciso que a análise não se restrinja ao que está escrito, mas procure ir mais a fundo, desvelando além dos referidos conteúdos expressos, mensagens implícitas, dimensões contraditórias e temas sistematicamente “silenciados”.
A técnica utilizada da análise dos discursos (termo aqui tomado no sentido amplo) empregada na elucidação das informações coligidas nesta investigação baseou-se principalmente naquela preconizada por Laurence Bardin (2003), resumidamente no estudo dos significados e significantes por seus domínios possíveis de significação, tomando-se esta como a passagem sistemática pelo estudo formal dos códigos.
A análise é essencialmente temática, ou seja, da contagem de um ou vários temas ou itens de significação, numa unidade de codificação previamente determinada (BARDIN 2003, p. 77) cuja freqüência e percentuais aparecerão nos quadros e/ou nas demonstrações respectivos. É a própria Exploração do material, a fase da descrição analítica (TRIVINOS, 1997, p. 17).
É pelos códigos, ou seja, pela análise formal destes, pertinentes às unidades de registro em suas palavras, temas, objetos ou referentes, personagens, documentos, tomando-se mesmo as palavras ditas vazias e as palavras-tema a que chamamos, como os ingleses, de “symbols”33 e cotejando-as com os temas-eixo das pesquisas que se constrói, passo a passo, as variáveis analíticas, sejam empíricas ou construídas até as variáveis de implicação, que são os elementos parciais de integração exegética.
Parciais porque outros caminhos se abrem diante desses elementos encontrados, através de cruzamentos necessários entre a origem das respostas obtidas às questões apresentadas, à sua aceitação ou recusa (de cada uma das respostas), considerando-se também certo grau de ideologia ante o vivido e conflitos eventualmente detectados, a tudo conferido um grau de estranheza que vai compor o todo da análise realizada, cotejado em passo posterior com os elementos descritivos apresentados pelos manifestantes e seus sentimentos expressos. Estes, sempre considerados em função do primeiro passo dessa modalidade analítica que é a formação das figuras categoriais, dentro das quais se podem, no conjunto de todo o explicitado, especialmente na expressão dos sentimentos em função das categorias, reparti-los para uma abordagem da noção de conflitos e construção de um coeficiente de ambivalência, este, de sua parte, em função das referidas escolhas ou recusas e das variações
segundo as origens dos objetos (os analisados) e o grau de estranheza comentado.
No caso presente, consideramos sempre uma ambivalência relativa e tomamos com importância a freqüência com que uma unidade de registro aumentava com sua repetida aparição, podendo esta unidade de registro ser uma palavra, uma frase ou mesmo a expressão de uma idéia, não raro recorrendo a uma freqüência ponderada.
De todo modo, considera-se importante a categorização das respostas obtidas durante as investigações, incluídas aí, também, as expressões formadas durante os cursos ministrados voltados para a capacitação dos docentes ou, como se pode dizer, futuros docentes preparados de forma continuada.
Cabe deixar assinalado que o procedimento de contagem de palavras e o tratamento estatístico avançado não foram ferramentas manejadas porque consideradas de pouca utilidade para os objetivos traçados. As características incidentes à análise de conteúdo, designadas como propósitos específicos, podem ser destacadas, sempre com liame à lingüística, relacionados com:
a. as características dos conteúdos, o exame do teor da comunicação em
confronto com os objetivos e a descrição das tendências gerais [do teor] das manifestações dos respondentes;
b. os emissores e a motivação de conteúdos, a determinação, quando possível,
sublinhe-se, dos estados anímicos dos respondentes.
c. os efeitos do conteúdo, a revelação do foco de atenção e a descrição das
respostas com referência às atitudes e conduta nas manifestações.
Esta técnica influenciou, também, a determinação das categorias e a escolha das unidades de análise no que resvala aos aspectos importantes do material coletado, em consonância do que ensinam Marconi & Lakatos (1999).
Na visão de Bardin (2003, p.34), a análise de conteúdo traduz-se em análise de significados, na esteira da análise temática, mas não só dos significados como também dos significantes, ocorrendo neste caso, por exemplo, a análise léxica e dos procedimentos, aí, um processo que não é exclusivo da análise de conteúdo.
O desenvolvimento das análises da pesquisa centralizou-se no campo das comunicações lingüísticas escritas, conforme já se mencionou, no objetivo de se examinar integralmente tudo o foi referido pelos respondentes.
sutileza dos métodos de análise de conteúdo corresponde aos objetivos seguintes: - a ultrapassagem da incerteza [...] e o enriquecimento da leitura.
Segundo esta doutrina a plasticidade desse conjunto de técnicas ou, no seu dizer, desse leque de apetrechos:
A técnica de análise de conteúdo, adequada ao domínio e ao objectivo pretendidos tem que ser reinventada cada momento, excepto para usos simples e generalizados, como é o caso do escrutínio próximo da descodificação e de respostas a perguntas abertas de questionários cujo conteúdo é avaliado rapidamente por temas. (BARDIN, 2003, p. 31).
No procedimento das análises, a partir das unidades de registro – palavras ou conceitos – sempre em busca de se precisar o porquê e o como, aquele como teoria e este como técnica, levam-se em conta as variáveis empíricas, aquelas que surgem dos dados colhidos no próprio texto, assim como as variáveis construídas que envolvem o grau de estranheza (conflito - ideologia – o vivido - cruzamento da origem e da implicação em função das origens).
Foram considerados também eventos delineados como intervenção de intermediários conhecidos que se constituem de expressões-chave. Sobre estas, Bardin (2003, p. 31) exemplifica com as expressões: “quase amigos” ou “conhecidos de há muito”, que são utilizados para ponderar uma variável de implicação.
Estabelecida a variável de implicação, parte-se para o cruzamento da origem e da resposta à pergunta, dentro do campo aceitação ou recusa para se obter uma variável construída e dela, o mencionado grau de estranheza que contém o número de elementos descritos de sentimentos expressos com sua repartição em função das categorias de origem.
Esmiuçando a questão do conflito anteriormente referido, sua noção corresponde à de um coeficiente de ambivalência, claro, tudo procurado nas expressões examinadas, em função da dicotomia escolha/recusa e a sua variação conforme a origem dos objetos – o que está sendo analisado - e o seu grau de estranheza.
Procurou-se elaborar um coeficiente de ambivalência, quando coube, mediante a análise das escolhas e das recusas, compondo-as com os sentimentos positivos ou negativos e as variações conforme a origem dos objetos e o seu grau de estranheza, obtendo-se agora a ambivalência relativa.
As análises exploratórias consideram também as ausências de elementos que podem significar determinados bloqueamentos ou recalcamentos de manifestações ou ainda se
constituir numa ocultação de vontade como frequentemente ocorre nos casos de declarações públicas (Bardin 2003, p.103).
Em breve síntese, numa primeira fase foram realizadas leituras flutuantes explorando-se o material coletado e com base no conteúdo das frases e nas expressões inicialmente assinaladas, retiraram-se as categorias consideradas suficientes e necessárias para a análise dos discursos dos sujeitos.
Após este procedimento, foram delineados os temas e os sub-temas encontrados nas manifestações dos participantes, ou, alternativamente uns e outros, conforme a necessidade, os quais foram distribuídos em categorias (dispersas nos quadros ou nas demonstrações) de acordo, claro, com as pertinências. Com isso construiu-se uma visão panorâmica de todo o contexto das manifestações dos licenciandos participantes.
Este processo exigiu a progressão pela seleção das expressões-chave, obtidas dos recortes das falas de cada um dos sujeitos e que foram colocadas para os temas e sub-temas; em seguida, para a definição das idéias centrais que representavam a síntese do conteúdo discursivo que conduzia à referida visão de conjunto (neste caso, de todo o grupo de participantes) com pertinência aos temas e sub-temas; prosseguindo-se para a elaboração do denominado discurso do sujeito coletivo que se constitui em uma manifestação sintética que reúne os dados dos diferentes discursos organizados conforme os elementos constantes nas respostas e manifestações de cada um dos itens dos dados coletados. Neste caso, recorre-se aos fragmentos das manifestações. Por fim, confere-se uma interpretação referencial por meio das categorias refletindo-se sobre as mesmas, cotejando-as com os conteúdos empíricos coletados e os referenciais teóricos que dão respaldo a esta pesquisa.
A Análise de Conteúdo demanda a constituição de um corpus (Bardin, 2003, p. 96), tomado no sentido de um conjunto dos documentos tidos em conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos.
O corpus nesta pesquisa é constituído pelo material recolhido dos sujeitos participantes.