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Current conditions - challenges and possibilities

CHAPTER 5. EMPIRICAL FINDINGS AND ANALYSIS

5.3 Current conditions - challenges and possibilities

O estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento de atividades de pesquisa foi verificado entre as três empresas consideradas nesse estudo. Essas parcerias têm contribuído para os avanços tecnológicos nas áreas de atuação das empresas, pois possibilitam o desenvolvimento de novas tecnologias bem como aplicações em novos produtos e processos.

A Opto Eletrônica tem estabelecido parcerias para o desenvolvimento de novas tecnologias com médicos, universidades e governos no Brasil e no exterior, com pesquisadores americanos, franceses, africanos e australianos para o desenvolvimento de produtos que atendam as necessidades de diversas áreas, não apenas a área médica.

Desde o ano de 2004, os pesquisadores da Opto passaram a desenvolver o projeto conjunto entre os governos do Brasil e China para a construção de duas câmeras fotográficas que seriam utilizadas em um novo satélite. Um dos fatores fundamentais para o credenciamento da Opto para participação neste projeto foi o alto nível científico de seus funcionários, pois muitos deles já são mestres e doutores (EXAME, PME, 2007).

A Opto ganhou a licitação feita pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para participar deste projeto. Tal fato contribuiu muito para elevar a competitividade da Opto no mercado internacional de instrumentos ópticos de precisão (INOVAÇÃO, 2006).

A partir deste projeto, a empresa enfrentou alguns desafios. O primeiro desafio era a criação de câmeras capazes de funcionar por muito tempo no espaço e elevadas amplitudes térmicas. Já o segundo desafio referia-se às restrições de importação de tecnologia espacial impostas pelos Estados Unidos. As empresas norte-americanas que atuam em setores considerados sensíveis, como o de desenvolvimento de tecnologia espacial, pedem que seus compradores se comprometam a não usar seus produtos em projetos não aprovados pelo governo americano, como a fabricação de bombas. As suspeitas sobre a China por parte do governo norte-americano contribuíram para o surgimento destas restrições. Assim, a Opto teve que buscar componentes europeus, o que representou uma importante oportunidade para a empresa, que tem conquistado maior independência.

A Opto também foi selecionada para a construção de mais duas câmeras em um novo satélite no ano de 2011, projeto também desenvolvido entre os governos brasileiro e chinês. Neste projeto, a empresa participou de um processo de licitação em que concorriam empresas como a EADS, proprietária da Airbus (EXAME, 2007).

A empresa tem participado ainda de outros projetos de parcerias em pesquisa. O primeiro deles foi formalizado com uma empresa americana, a Precision Light, também no ano de 2004. Esse projeto tem como objetivo o desenvolvimento de um laser verde para ser usado em oftalmologia.

Em 2007, a Opto formalizou parceria em pesquisa com uma universidade australiana. O projeto envolve o desenvolvimento de um laser amarelo, também para ser utilizado em produtos de oftalmologia. Esse projeto envolve o pagamento de royalties por parte da Opto, que utiliza patentes registradas pela universidade australiana.

Ainda em 2007, a Opto passou a participar de um projeto firmado entre a aeronáutica brasileira e a aeronáutica da África do Sul. O projeto envolve o desenvolvimento de um míssil, definido como de quinta geração.

No Brasil, a empresa passou a trabalhar em conjunto com pesquisadores da Escola Paulista de Medicina de São Paulo, o que gerou o desenvolvimento de um laser específico para o tratamento para a DMRI - degeneração macular relacionada à idade, que representa uma das causas da cegueira. O resultado deste trabalho conjunto foi o desenvolvimento do tratamento definido como i-MP (Indocyanine Green Mediated Photothrombosis). Para alcançar maior eficiência do tratamento, a Opto convidou 27 centros de referência em retina para o desenvolvimento de um grupo de pesquisa nesta área.

As subsidiárias da Opto no exterior desempenham um papel importante no estabelecimento de parcerias com universidades e empresas internacionais. Nesse sentido, destaca-se a parceria com a empresa australiana Glassner Optronika GmbH. Essa parceria foi criada com o objetivo comercial, inicialmente, mas atualmente tem importância no desenvolvimento de pesquisas.

Da mesma maneira, para a Bematech, a manutenção de subsidiárias no exterior, especialmente na Ásia e Europa, dedicadas ao acompanhamento das principais tendências têm papel fundamental para o desenvolvimento da empresa. Além disso, as subsidiárias também são importantes para a formalização e aprofundamento de parcerias em pesquisas, o que contribui para a constante atualização de seus produtos. Além disso, após dominar um determinado mercado, a empresa opta por continuar a investir em tecnologia em todas as áreas, o que inclui produção e distribuição.

O estabelecimento de parcerias também tem contribuído para a absorção de tecnologias de impressão desenvolvidas por parceiros mundiais da Bematech, através de contratos de transferência tecnológica e estabelecimento de contratos de convênios com centros de pesquisa. A Lei de Informática contribuiu para o desenvolvimento de investimentos em P&D e inovação na empresa, favorecendo a criação de soluções competitivas que favoreceram a capacitação da Bematech para atuação no mercado mundial (MCT, 2003c).

A Lupatech tem buscado parcerias para o desenvolvimento de novas tecnologias com universidades no Brasil, especialmente a Universidade Federal de Santa Catarina, e com empresas no exterior. O primeiro contrato para transferência de tecnologia foi formalizado em 1994 com uma empresa norte-americana e envolveu a aquisição de técnicas para injeção de aço. Os laboratórios das empresas adquiridas no exterior são mantidos especialmente para o desenvolvimento de adequações dos projetos de acordo com as necessidades de cada cliente.

É possível concluir, portanto, que as três empresas desenvolvem parcerias em atividades de pesquisa e desenvolvimento no exterior. Para a Opto, essas parcerias são

estabelecidas com universidades, governos e subsidiárias no exterior e são consideradas fundamentais para o desenvolvimento da empresa e para conquista de mercados no exterior.

Para a Bematech, as subsidiárias no exterior também desempenham um importante papel para a área de P&D, pois possibilitam o acompanhamento das tendências desenvolvidas em diferentes países e relacionadas com os produtos da empresa. Já a Lupatech, ao adquirir empresas no exterior, mantém as estruturas de pesquisa e desenvolvimento bem como os laboratórios desenvolvidos pelas subsidiárias. A empresa reconhece que, principalmente no segmento de energia, as empresas internacionais adquiridas contribuem para os avanços tecnológicos alcançados pela Lupatech, pois possibilitam o acesso a linhas de produtos e serviços complementares.