• No results found

3. Analysis of the cotton import to Norway 1835-1920

4.2 Where the cotton came from 1855-1860

Na opinião de João Carlos Correia (1998), o jornalismo regional exerce um papel de relevo nas decisões regionais/locais, cujos grandes desafios passam pelo não condicionamento, quer publicitário, quer político.

Esteves cit in Ferreira (2005,a) é ainda mais exaustivo, considerando que cabe à “comunicação social local e regional cabe a insubstituível tarefa de promover o envolvimento do cidadão comum nos processos de decisão, através de um incentivo do conhecimento, discussão, diálogo e defesa dos pontos de vista das populações; o fomento de um poder de autogestão responsável; e a defesa de um desenvolvimento equilibrado das diferentes regiões”

Assim sendo, a prática do jornalismo, fora das grandes cidades, pode e deve ser um elemento estruturador do espaço público regional/local “como esfera crítica de debate e intersecção dos cidadãos em tornos dos problemas que lhe são próximos” (Correia, 1998).

O papel de relevo do jornalismo regional na democracia é traduzido por Xosé Garcia et al cit in Ferreira (2005,a): “Os meios locais apresentam-se como o resultado de uma reunião na qual a comunidade em conjunto discute temas do seu interesse. O espectador estará sendo interpelado como cidadão mais do que como consumidor. É aí onde a comunicação local tem que jogar as suas cartas no nível social, político e económico. A pluralidade de vozes, também no âmbito local, é um elemento essencial da democracia”.

Compete pois ao jornalista servir de elo de ligação entre o poder local e o público, deixando de ser apenas um mero “veículo de informação”, onde se limitava a transmitir os conteúdos dos políticos. Por outras palavras, “o jornalista gera um valor acrescentado, conduz a sua acção por critérios que lhe são próprios e que obedecem a uma finalidade” (Carvalheiro, 1996).

Ribeiro (2005) partilha desta opinião e considera que a imprensa local pode, e deve, funcionar com elemento fiscalizador do poder político. “Apesar de ser conhecido por alguns como “artesanal”, representa um compromisso com o município, reflectindo as disputas, as lideranças, as paixões políticas”.

Esta opinião é corroborada por Nuno Castela Canilho, director do Jornal da Mealhada destaca a importância da elevação do jornalismo regional, como facto decisivo no aumento da qualidade na forma de fazer política: “a forma de fazer política

no concelho mudou muito desde que há esta nova forma de estar no jornalismo (…) Os políticos passaram a colaborar mais nos artigos de opinião, passaram a ter melhores estruturas de imprensa (através de press-releases, conferências de imprensa, entre outros). Houve também uma profissionalização dos partidos, no sentido de facilitar o acesso à imprensa”, precisa, destacando a necessidade de recorrer a “regras rígidas das quais não podemos abdicar”, nomeadamente: “a forma da construção da notícia e a forma de certificação da fonte que, neste campo, tem de ser muito mais rígida do que em relação a outros temas”.

Por seu turno, Carvalheiro (1996) tem uma visão mais extremista no que diz respeito à relação entre a imprensa regional e os políticos. Na sua opinião, “o que o jornalismo regional não deve ser é uma galeria onde passeiam os poderosos da terra, a dizer impunemente o que lhes interessa (…) O compromisso é com os destinatários da informação, como condição para a democracia”. Contudo, o facto de a maior parte das notícias serem transmitidas por políticos torna difícil controlar este poder. Assim, compete ao jornalista “não hostilizar as fontes – sob pena destas secarem – sem deixar de noticiar os factos” (Carvalheiro, 1996).

O referido autor coloca o “dedo na ferida”, confrontando o facto de a opinião pública encarar mal os media que não questionam o poder. “Talvez os media sejam obrigados a ser mais agressivos para melhorar comercialmente. Ou então, a optar pelo sensacionalismo em outras áreas, tornando a informação espectáculo. Nada impede que, de resto, as estratégias coexistam”. Neste âmbito, o autor distingue dois tipos de jornalistas regionais: por um lado “os que seguram o braço do jornalista para lhe fazerem confidências” e, por outros, “políticos que escolhem manter a distância e preferem infundir respeito” – conceito indispensável de distanciamento (Carvalheiro, 1996)

Esse compromisso é, na opinião do responsável máximo do Jornal da Mealhada, “a única forma que eu penso existir para que o jornalismo regional subsista politicamente”, através da imparcialidade, dando oportunidades iguais aos diversos protagonistas. Contudo, nem todos os protagonistas têm a mesma forma de se apresentar no nosso mercado de informação”.

De facto, a agenda informativa de um jornal regional está, em grande parte, condicionada pelo poder político. Esta mediatização excessiva da política faz com que se descurem outras áreas igualmente importantes. “A prioridade é ir atrás dos

redacções, não sobra muita capacidade para dar atenção a outros fenómenos” (Carvalheiro, 1996).

É precisamente com este intuito que alguns media locais optam por outras estratégia, que passa pela crítica às autarquias. Este facto prende-se com uma tentativa de aumento da agressividade, tendo em vista o crescimento comercial. O sensacionalismo é outra opção, transformando a informação em espectáculo. Ainda assim, “nada impede que as duas estratégias coexistam” (Carvalheiro, 1996).

O número reduzido de profissionais nos órgãos de comunicação regional é outra das condicionantes apontadas pelo autor. A escassez de recursos humanos remete para segundo plano “outros fenómenos e outros sectores da realidade regional que um pouco de imaginação poderia descobrir”. Assim sendo, as pressões e influências têm nestes media maior impacto, “desde logo porque há menor disponibilidade para proceder à comprovação dos dados e para ouvir todas as partes envolvidas” (Carvalheiro, 1996).

Em tempos de crise, o director do Jornal da Mealhada aponta com principal desafio para o futuro “a sobrevivência”, tendo em vista a produção “dos mesmos conteúdos com menos recursos”, referindo-se também ao pequeno número de profissionais que trabalha naquele periódico.

A presença significativa dos colaboradores nos jornais regionais é também apontada por João Carlos Correia como uma das maiores fragilidades do jornalismo regional. Correia (1998) encara esta presença com cepticismo, destacando a dificuldade que estes profissionais colocam nas redacções: “É muitas das vezes um álibi para impedir a formação de redacções profissionalizadas”. Na opinião do autor, a presença dos colaboradores “deve ser contrabalançada com o recurso a redacções profissionalizadas e objecto de uma preparação sólida que lhes permita compreender as tarefas que competem ao jornalismo regional”.

Nuno Castela Canilho, por seu turno, prefere reconhecer o papel de relevo dos colaboradores no jornalismo regional. “Os colaboradores são uma mais-valia que não podemos rejeitar. Há um caminho para a profissionalização, mas não podemos querer a profissionalização pura, através de colaboradores pagos, porque isso não é viável. É preciso dar compensação a essas pessoas, que naturalmente têm uma compensação imediata que é a auto-estima de verem os seus conteúdos publicados no jornal e de verem as pessoas comentarem aquilo que escreveram”.