5.2 Investigating cooperation, mobility and ICT
5.2.1 Cooperation in case study companies
No interior do estado de São Paulo predomina diversas agriculturas, entre as mais importantes, destacamos a atividade do setor primário, a cana-de-açúcar, importante fonte econômica do país. As regiões de Ribeirão Preto e Araraquara se destacam no cultivo dessa lavoura, abrigando inúmeras usinas responsáveis pela produção não apenas do açúcar, mas também do álcool.
De acordo com Teixeira e Freitas (2003), o Estado de São Paulo sobressai-se por ser o mais populoso do país e também por possuir um importante centro agropecuário com relação ao conjunto nacional.
Concentra excelentes condições em virtude da boa qualidade do solo e do clima, além de possuir excelentes fatores estruturais, técnicas aplicadas que favorecem o plantio de culturas diversificadas, como algodão herbáceo, amendoim, cana-de-açúcar, laranja,
tomate, arroz, banana, feijão, mandioca, milho, soja, trigo, batata-inglesa, uva e café (Teixeira & Freitas, 2003, p.82).
As regiões, do estado de São Paulo, que mais se destacam no cultivo de cana-de-açúcar são as regiões de Ribeirão Preto, Piracicaba, Araraquara e Bauru. Araraquara concentra as atividades dos complexos agroindustriais da cana-de-açúcar e da laranja e, por este fato, tem sido uma atração para os migrantes virem para o trabalho na safra. Esses trabalhadores almejam trabalhar no corte da cana-de-açúcar em busca de melhores condições de vida para sua família. Muitos desses trabalhadores são provenientes das regiões mais pobres do país, como o Nordeste e também muitos vêm da região mais pobre de Minas Gerais – o Vale do Jequitinhonha (F. Alves, 2007; M.A.M. Silva, 2008).
O setor agrícola, segundo Pochmann (2009), passou a ser permeado pela lógica empresarial semelhante à produção urbano-industrial, principalmente no estado de São Paulo. Com isso, percebeu-se o papel do Estado nas ações voltadas à pesquisa e inovações tecnológicas nas culturas industriais e, por isso, uma parte importante do setor agropecuário se reconfigurou no interior paulista.
Por estar fundado em lavouras de escala associada à crescente mecanização, capaz de impulsionar a inserção externa crescente de produtos agropecuários, como a laranja, a cana-de-açúcar e a soja, houve reflexos não desprezíveis, tanto para a estrutura fundiária como para a forma de organização da produção (Pochmann, 2009, p. 96).
Assim, o autor ainda continua ressaltando que na macrorregião de Ribeirão Preto há o predomínio das lavouras de cana-de-açúcar, enquanto, nas áreas próximas do entorno metropolitano, há o predomínio de frutas e olerícolas. Na região sul do estado, encontra-se em destaque a lavoura de laranja e, nas regiões sudoeste e oeste paulista, a cultura da soja.
De outro lado, vale ressaltar as novas formas de articulação da produção agrícola, inseridas numa moderna prática empresarial. “Cresce a importância, por exemplo, de arrendatários capitalistas nas culturas da laranja e da soja, bem como dos parceiros rentistas mais relacionados às parcerias entre usinas e plantadores de cana-de-açúcar” (Pochmann, 2009, p. 97).
Ao longo dos últimos anos, a riqueza do complexo canavieiro “[...] vem sendo exposta nas vitrines dos agrishows em Ribeirão Preto, feiras realizadas com o intuito de revelar o Brasil moderno, com tecnologias avançadas, cuja agricultura é movida tão-somente por máquinas” (M.A.M. Silva, 2008, p. 4).
No entanto, por trás dessas atrações há um mundo invisível “[...] responsável pela gigantesca produção dessa região, escondido no meio dos canaviais e laranjais: o trabalho e os trabalhadores” (M.A.M. Silva, 2008, p. 4). Desta forma, há um mundo invisível em que vivem os trabalhadores que lutam, trabalham, sofrem, adoecem e morrem em meio ao canavial dividindo espaço com as máquinas no campo.
A mecanização do corte da cana-de-açúcar em todo estado de São Paulo encontra-se em estágio avançado, o que tem gerado discussões acerca do trabalho e da saúde do trabalhador e também no que diz respeito ao meio ambiente (Scopinho, Eid, Vian, & Silva, 1999).
A modernização da lavoura canavieira e a expansão da atividade agroindústria, em virtude da boa perspectiva do mercado internacional do álcool, como energia renovável e menos poluidora que o petróleo, também toma força com a migração de trabalhadores do nordeste para o estado de São Paulo (Novaes, 2007a).
A modernização possibilitou a existência de dois sistemas, um de corte manual e outro de corte mecanizado. De acordo com Novaes (2007a, p. 91), “a proporção de uso de um ou outro sistema varia de acordo com as estratégias de cada unidade de produção e das restrições técnicas das áreas dos canaviais, além das colheitadeiras mecânicas”.
O interior do estado de São Paulo, principalmente a região de Ribeirão Preto, é onde há a maior concentração do corte mecanizado, devido a topografia do terreno que favorece o emprego de máquinas colheitadeiras. Mesmo assim, ainda há a presença do trabalho manual no canavial.
É bem verdade que o aumento da demanda por colheitadeiras cresceu nos últimos anos, porém o crescimento da área plantada de cana ampliou a demanda por trabalho no corte da cana e reduziu o impacto na relação entre corte manual e mecânico (Novaes, 2009, p. 112).
O estado de São Paulo se mantém como o maior produtor de cana-de-açúcar para a indústria, tornando-se responsável por cerca de 60% do total produzido no território nacional. É também o estado que concentra grande parte dos centros de pesquisas cujo objetivo seria o desenvolvimento de tecnologias para a agroindústria canavieira, além “[...] das organizações que coordenam a atividade, formando um robusto sistema de inovação e governança, propiciando a discussão e implantação de políticas públicas específicas para o complexo sucroalcooleiro” (Torquato, Fronzaglia, & Martins, 2010, p. 128).
De acordo com esses autores, desde a época do Proálcool vem sendo debatido, no estado de São Paulo, algumas políticas, articuladas entre o poder público e as entidades de
representação do setor, com relação a questão ambiental, devido a deposição da vinhaça, o uso da água, o uso de agroquímicos, a queimada da palha, a preservação do solo e também o uso da força de trabalho.
Na década de 199021, com a reestruturação produtiva, ocorre uma mudança com relação ao desenvolvimento tecnológico que propiciou a mecanização do corte da cana crua. Por isso, ocorreram profundas transformações no mundo do trabalho rural, com impactos na produção do açúcar, no trabalho no canavial, e na saúde dos trabalhadores envolvidos em todo esse processo.
Com o avanço tecnológico em busca de ganhos de eficiência, finalmente, viabilizou-se perfis de sistema de produção capazes de dispensarem a mão-de-obra nos processos de plantio, corte e carregamento. Por consequência, elimina-se a queimada do processo produtivo, uma vez que a cana passou a ser colhida crua (Torquato et al., 2010, p. 129).
A expansão da mecanização do corte está condicionada também a questão do fim da queimada no canavial. A Lei No. 11.241 de 19 de setembro de 2002 dispõe acerca da eliminação gradativa da queima da palha da cana-de-açúcar. No estado de São Paulo, essa lei dispõe sobre a eliminação do uso do fogo como um facilitador do corte da cana. Para a área mecanizada, o prazo para a eliminação total das queimadas estendeu-se para o ano de 2021, e para o sistema de corte manual da cana-de-açúcar, ou seja, áreas não mecanizadas, o prazo estendeu-se para 203122.
Regiões como Barretos, Ribeirão Preto, Orlândia, Presidente Prudente e Andradina representam 32% do total de área mecanizada nas safras de 2012/2013. Considerando a cidade de Araraquara, a área de corte representa 264.285,0 hectares, a área mecanizada corresponde a 216.473,8 hectares, ou seja, o índice de mecanização dessa região representa cerca de 81,9%. Na tabela 1, podemos visualizar as regiões do interior do estado de São Paulo que mais se modernizaram na lavoura da cana-de-açúcar.
Os dados foram publicados pelo Instituto de Economia Agrícola [IEA] (2014a) com informações cedidas pelas Casas de Agriculturas dos municípios produtores de cana que foram
21 Nesta década, com a desregulamentação dos mercados, houve um processo de mudança institucional, com
investimentos públicos e privados em pesquisa, desenvolvimento e inovação que promoveram o progresso técnico, viabilizando a evolução tecnológica da reciclagem e reuso da água, controle biológico e a mecanização do corte da cana (Torquato et al., 2010).
22 A Lei No. 11.241, estabelece que áreas mecanizadas são consideradas as plantações em terrenos acima de 150
hectares, com declividade igual ou inferior a 12%, em solos com estruturas que permitam a adoção de técnicas de mecanização da atividade de corte da cana. E compreende que as áreas não mecanizáveis são as plantações em terrenos com declividade superior a 12%, em demais áreas com estrutura de solo que inviabilizem a adoção de técnicas usuais de mecanização da atividade de corte de cana.
agregadas por Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDR) aos quais pertencem, com o objetivo de avaliar o grau de mecanização de cada região. De um total de 521 municípios, chegou-se a 35 EDRs produtores de cana-de-açúcar.
Tabela 1 - Principais indicadores da mecanização na colheita da cana-de-açúcar, Estado de São Paulo, 2012/2013
EDR Área de corte
(ha) Área mecanizada (ha) mecanização Índice de (%) Estimativa de cortadores de cana-de-açúcar (n.) Andradina 241.602,0 229.468,6 95,0 882 Araçatuba 243.885,0 213.768,8 87,7 1.879 Araraquara 264.285,0 216.473,8 81,9 3.349 Assis 225.841,0 204.370,1 90,5 1.256 Avaré 71.860,0 57.488,8 80,0 1.276 Barretos 441.747,9 387.118,7 87,6 3.626 Bauru 90.908,3 29.579,2 32,5 776 Botucatu 88.574,2 68.046,1 76,8 1.325 Bragança Paulista 3.526,6 480,9 13,6 216 Campinas 27.660,9 16.250,0 58,7 887 Catanduva 246.007,8 192.214,9 78,1 4.054 Dracena 147.773,0 115.132,0 77,9 2.057 Fernandópolis 59.850,0 54.470,0 91,0 378 Franca 143.445,4 117.947,3 82,2 1.949 General Salgado 168.120,3 128.924,2 76,7 1.905 Itapetininga 48.800,0 33.150,0 67,9 1.465 Itapeva 5.940,0 3.470,0 58,4 673 Jaboticabal 258.126,0 228.268,9 88,4 2.713 Jales 37.866,0 36.552,6 96,5 104 Jaú 246.184,0 203.071,2 82,5 2.802 Limeira 156.309,2 116.294,0 74,4 2.800 Lins 162.096,6 155.204,8 95,7 454 Marília 28.925,0 24.087,0 83,3 327 Mogi-Mirim 45.782,4 36.513,8 79,8 797 Orlândia 367.078,0 276.906,3 75,4 6.187 Ourinhos 111.915,0 88.855,0 79,4 1.714 Piracicaba 164.165,2 90.741,9 55,3 5.375 Presidente Prudente 287.260,0 232.026,2 80,8 3.395 Presidente Venceslau 136.532,0 108.986,2 79,8 2.092 Ribeirão Preto 362.686,0 291.916,3 80,5 4.367
São João da Boa Vista 126.078,7 96.576,7 76,6 2.328 São José do Rio Preto 258.098,9 188.477,4 73,0 4.264
Sorocaba 30.472,0 20.522,4 67,3 607
Tupã 82.828,9 63.051,3 76,1 1.126
Votuporanga 117.291,4 102.974,1 87,8 824
Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (2014a).
O município de Araraquara encontra-se entre um dos municípios que possui grande parte do processo de trabalho, na cana-de-açúcar, mecanizado. Além do avanço da mecanização
nesses municípios, há também a presença do trabalho manual no canavial como pode ser visto na tabela acima. A cidade de Araraquara possui um número estimado de cortadores de cana- de-açúcar de 3.349, mesmo tendo 81,9% de índice de mecanização. Em Ribeirão Preto, que também se destaca na plantação canavieira, possui um índice de mecanização de 80,5%, porém ainda com forte presença do trabalho do cortador de cana manual, com uma estimativa no número de trabalhadores de 4.367.
A mecanização na lavoura da cana nem sempre é conveniente, devido às condições do terreno em que a cana é plantada. Muitas vezes, o terreno, em declive, dificulta a adoção de operações mecanizáveis. Como diria Novaes (2007a, p. 93), “[...] as colheitadeiras exigem certas condições técnicas e operacionais, nem sempre disponíveis nos canaviais das modernas usinas paulistas”.
Novaes (2009) também destaca que é preciso considerar outros fatores com relação à mecanização da lavoura. Uma delas seria o alto investimentos numa colheitadeira que gira em torno de R$ 800 mil e seu custo operacional varia entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões. Mesmo com vantagens especiais do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) que estimula a venda de colheitadeiras, o empresário não descarta as vantagens do corte manual da cana. Outro fator seria o aumento da produtividade do trabalho na lavoura e o baixo custo da mão de obra do corte manual. Isso se torna um obstáculo para o crescimento do corte mecanizado.
[...] tanto a incorporação do corte mecanizado nos canaviais quanto a convivência entre tal novidade e o ritmo de trabalho agora imposto ao corte manual produzem mudanças na organização do trabalho agrícola e interferem nas idas e vindas dos migrantes do século XXI (Novaes, 2007a, pp. 93-94).
Esta expansão da lavoura da cana-de-açúcar no interior de estado de São Paulo desperta interesse de trabalhadores de outras regiões, bem distantes do centro agropecuário da região de Ribeirão Preto. É importante, no entanto, revelar brevemente o trabalho no canavial desses migrantes que chegam para o labor no canavial. Tal como destacar o aumento da produtividade no interior do estado de São Paulo, principalmente na região de Araraquara.