6.2 Contextual design requirements
6.2.3 Summary of the contextual design requirements
Em 2011, no estado de São Paulo foram registrados 250.306 acidentes de trabalho. Nos anos de 2012 e 2013, essa média se manteve, sendo que em 2012, 247.668 foram registrados e em 2013, 248.928 acidentes de trabalho (Ministério da Previdência Social (2013a).
No município de Araraquara, no ano de 2011 foram registrados 2.276 acidentes de trabalho, sendo 1.399 considerados acidentes típicos; 377 de trajeto e 10 doenças relacionadas ao trabalho. 490 acidentes não tiveram registros de Comunicação de Acidentes do Trabalho (CAT) e, nesse ano, teve quatro ocorrências de óbitos. Em 2012, Araraquara registrou 2.171 acidentes de trabalho, sendo 1.413 acidentes típicos; 401 de trajeto e 12 doenças do trabalho. Desse total de acidentes, 345 não tiveram a CAT registrada e, nesse ano, também tiveram cinco ocorrências de óbitos. Em 2013, registrou-se 2.243 acidentes de trabalho, sendo 1.364 acidentes
típicos; 472 de trajeto e 14 doenças do trabalho. 393 acidentes não tiveram registros da CAT e, nesse ano, registraram-se quatro acidentes com óbitos (Ministério da Previdência Social, 2012d, 2013d).
Uma lei municipal, aprovada no dia 27 de abril de 2010, tornou obrigatória a notificação de todos os acidentes de trabalho67 registrados pelas Unidades de Pronto-Atendimento médico das redes públicas, conveniadas e privadas, sendo repassadas ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) através do Relatório de Atendimento ao Acidentado do Trabalho (RAAT) (Prefeitura Municipal de Araraquara, 2010).
(...) em 2010, nós conseguimos uma aprovação de uma lei municipal, aqui em Araraquara, para captar essa informação de acidente do trabalho e doença relacionada ao trabalho. Então, toda pessoa que der entrada, vítima de acidente de trabalho, numa unidade de Pronto Atendimento, isso é preenchido, impresso e traz a informação para nós [para a equipe do CEREST]. É feita a investigação desse acidente, com essas informações, a equipe do CEREST faz a investigação do acidentado, e da situação de trabalho (Matilde Damiani, gestora do CEREST).
Em casos de acidentes de trabalho, o papel do CEREST é fazer a inspeção no local de trabalho. De acordo com a gestora do CEREST Araraquara, quando ocorre um acidente de trabalho, a equipe deve averiguar as causas desse acidente.
O que promoveu o acidente e aí, encaminha para o técnico de segurança do trabalho, que faz essa inspeção, junto a Vigilância Sanitária, na empresa, para a melhoria das condições de trabalho. [...] isso é para acidente grave. Os acidentes leves, o que a gente tem conseguido fazer alguma coisa, por exemplo, quando a empresa acidenta, nós temos (...) muitas notificações de uma mesma empresa, né? No caso aí uma metalúrgica, solicitamos a presença do representante desse sindicato e fazemos a inspeção nessa empresa. Mesmo sendo acidentes considerados leves, de classificação leve. Ou então, quando a gente tem uma denúncia, como, por exemplo, nós já tivemos a denúncia de um caso de gráfica com odor muito intenso com relação a produto químico, então o Centro de Referência vai até esse local.
Em caso de acidente classificado grave, a gestora salienta que,
É aberto um processo administrativo. (...) quando essa notificação, quando a RAAT chega aqui no CEREST, que o acidente é grave, então, ela demanda a investigação
67 De acordo com a gestora do Centro de Referência em Saúde do trabalhador (CEREST) de Araraquara, Matilde
Damiani, essa lei visa amparar os trabalhadores araraquarenses. Para Damiani, há uma preocupação do atual governo, via Secretaria Municipal de Saúde, “no levantamento de dados e perfil epidemiológico da população trabalhadora para o desenvolvimento de políticas públicas no setor, visando promover e preservar a saúde”. A expectativa, com essa nova lei, é de haver um crescimento no número de notificações de acidentes de trabalho em Araraquara (Prefeitura Municipal de Araraquara, 2010).
epidemiológica, a notificação no SINAN, Sistema de Informação de Agravos e aí (...), abre-se um processo, a gente tem esse controle dos processos de investigação e de inspeção no meio ambiente de trabalho. Finaliza o processo, teoricamente, finaliza o processo após a inspeção e o relatório incluso da Vigilância Sanitária e da Segurança do trabalho. [...] ela é notificada através da Vigilância Sanitária [a empresa]. O CEREST vai em companhia da [Vigilância Sanitária], da equipe de lá.
Com relação aos casos de acidentes que a região de Araraquara mais registra, Matilde Damiani destaca um índice alto de acidentes de trabalho no setor industrial.
Nós temos um índice alto de acidentes de indústria, né? Normalmente é ferimento cortocontuso. A maioria é ferimento cortocontuso, contusão, queda, fratura e acidentes com moto. [...] é entra no comércio, também na indústria [acidentes de trajeto]. Que são os dois índices mais altos. Os dois segmentos de atividades que mais se acidentam.
De acordo com o CEREST/Araraquara, no ano de 2010 foram registrados 251 acidentes de trabalho. Em 2011, 231 acidentes de trabalho foram registrados, envolvendo trabalhadores rurais no município de Araraquara. Desse total, apenas 14 foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) por serem classificados como acidentes de trabalho graves: oito acidentes envolvendo fraturas e um destes acidentes acarretou a morte de um trabalhador rural, um acidente com amputação, um acidente com trauma, um acidente com ferimento corto contuso, um acidente envolvendo lesões múltiplas e dois acidentes de trabalho com queimaduras. No ano de 2012 foram registrados 198 acidentes e 18 notificados no SINAN, envolvendo fraturas, amputações, intoxicação e ferimentos cortocontusos68.
Nos próximos capítulos trataremos dos resultados da pesquisa sobre os acidentes de trabalho entre os trabalhadores da agroindústria canavieira.
68 Dados fornecidos pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) de Araraquara (SP), através
6 Acidentes de Trabalho com trabalhadores rurais da região de Araraquara: o que os números revelam
Os resultados aqui apresentados foram elaborados de acordo com a análise dos Relatórios de Atendimento ao Acidentado no Trabalho disponíveis no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST).
Ao longo desta etapa foram surgindo algumas dificuldades, como já foi abordado em outro tópico, acerca do preenchimento dos relatórios. Muitas fichas estavam incompletas e não constavam as informações adequadas para a tabulação dos gráficos e quadros para a análise. Outra dificuldade encontrada durante a execução desta etapa foi com relação à estatística publicada pelo CEREST dos acidentes de trabalhos rurais e outra estatística computada pela pesquisadora.
Houve divergência com relação a essas estatísticas. Durante a análise das fichas de acidentes de trabalhos (RAATs) foi encontrado um número maior de acidentes de trabalho rural pela pesquisadora, o que diferenciou dos dados publicados do CEREST.
Um dos motivos se deve à percepção da pesquisadora durante a análise. Muitos acidentes de trabalho rural foram incluídos nas estatísticas, pois foram interpretados como acidentes que aconteceram na lavoura, como por exemplo, aqueles acidentes que ocorrem com caminhoneiros e motoristas que transportam a cana para a usina. E por esse motivo, alguns acidentes, desse tipo, não foram interpretados, pelo CEREST, como acidentes na lavoura, sendo analisados como outra categoria de trabalho, que não a de atividade rural.
Entendeu-se como acidente de trabalho rural a atividade que envolve a lavoura: cana- de-açúcar, laranja, outros tipos de plantações e acidentes que ocorreram em fazendas, sítios, granjas, ou seja, aqueles acidentes que aconteceram no campo.
Desta forma, faremos uma comparação da estatística dos acidentes de trabalho rural elaborada pelo CEREST e a estatística realizada pela pesquisadora.
A seguir demonstramos uma análise dos acidentes de trabalho registrados pelo CEREST nos anos de 2010 a 2012.
Quantidade de acidentes de trabalho rural Número total de acidentes 2010 2011 2012 251 231 198 Acidentes Graves ---- 13 18 Fatal 0 1 0
Fonte: Dados fornecidos pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador
Quadro 8. Quantidade de acidentes de trabalho rural registrado no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Araraquara
De acordo com os dados do CEREST, no ano de 2010 foram registrados 251 acidentes de trabalho rural. Em 2011 foram registrados 231 acidentes de trabalho e deste, 13 foram classificados como acidentes graves e um acidente fatal. No ano de 2012, o CEREST registrou 198 acidentes rurais, sendo que 18 foram classificados como acidentes graves.
Os dois quadros a seguir demonstram os acidentes de trabalho rural classificados como graves e que foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) nos anos de 2011 e 2012. Não puderam ser fornecidos, pelo CEREST, os dados do ano de 2010, em virtude de um problema no sistema do CEREST para este período.
Acidentes de Trabalho Rural notificados no SINAN-NET Classificação
do acidente Sexo Idade Parte do corpo atingida Diagnóstico CAT*
Grave Masculino 30 Tornozelo Fratura Não
informado
Grave Masculino 38 Mão Fratura e Perda
Substancial Sim
Grave Masculino 32 Dedo da mão Fratura Não
Grave Masculino 28 Dedo da mão Fratura Não
informado
Fatal Masculino 44 Coxa Fratura Sim
Grave Masculino 34 Perna/Braço/ Tornozelo Politraumatismo Fratura/ Sim
Grave Masculino 21 Dedo da mão Amputação Sim
Grave Masculino 46 Várias Lesões múltiplas Sim
Grave Feminino 21 Ombro Fratura Sim
Grave Masculino 54 Antebraço Fratura Não
Grave
(Menor) Masculino 17 Pé/Tornozelo Queimadura Não
Grave Masculino 18 Joelho/Patela FCC* Sim
Grave Masculino 34 Corpo todo Queimadura Sim
Grave Masculino 34 Tórax Trauma Não
Fonte: Dados fornecidos pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador *Ferimento Cortocontuso
* CAT – Comunicação de Acidente do Trabalho
Quadro 9. Acidentes de Trabalho Rural notificados no SINAN-NET em 2011, no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Araraquara
No ano de 2011 foram registrados 14 acidentes de trabalho rural no SINAN, sendo que um destes acidentes ocorreu com um menor de idade e outro acidente foi fatal. Observa-se pela tabela que a maioria das ocorrências foi com trabalhadores do sexo masculino e apenas uma trabalhadora sofreu acidente grave.
A idade dos trabalhadores acidentados varia de 17 a 54 anos, sendo que a maioria dos trabalhadores se encontra na faixa etária dos 30 anos. O diagnóstico dos acidentes envolve fraturas, amputações, lesões múltiplas, ferimento cortocontuso (FCC), queimadura e trauma de membros superiores, principalmente, dedos das mãos, mãos, antebraços e outras partes que envolvem ombros, tórax, tornozelos, pés, joelhos. Um acidente de trabalho rural resultou em queimadura no corpo todo do trabalhador acidentado.
O acidente fatal que ocorreu foi com um trabalhador de 44 anos que sofreu fratura na coxa. De acordo com informações do CEREST, o trabalhador após o acidente teve uma série de complicações em sua recuperação, acarretando a morte do trabalhador.
Acidentes de Trabalho Rural notificados no SINAN-NET Classificação
do acidente Sexo Idade Parte do corpo atingida Diagnóstico CAT
Grave Masculino 23 Tornozelo/ Perna Fratura Sim
Grave Feminino 36 Dedos da mão Fratura Sim
Grave Masculino 28 Dedos da mão FCC* Sim
Grave Feminino 40 Pé Ruptura tendão Sim
Grave Feminino 41 Mão FCC Sim
Grave Masculino 48 Dedos da mão Amputação Sim
Grave Masculino 39 Dedos da mão Fratura Sim
Grave Masculino 36 Dedos da mão Amputação Sim
Grave Masculino 54 Dedos da mão Fratura Sim
Grave Masculino 39 Punho Fratura Não
Grave Masculino 58 Fêmur Fratura Sim
Grave Masculino 23 Dedo da mão Amputação parcial Sim
Grave Feminino 33 Dedo da mão FCC/Fratura Sim
Grave Feminino 38 Antebraço Fratura Sim
Grave Feminino 35 --- Intoxicação Sim
Grave Feminino 37 Pé FCC Não
Grave Masculino 26 Pé Esmagamento informado Não
Grave Masculino 42 Pé Fratura informado Não
Fonte: Dados fornecidos pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador *Ferimento Cortocontuso
Quadro 10. Acidentes de Trabalho Rural notificados no SINAN-NET em 2012, no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Araraquara
No ano de 2012 foram registrados 18 acidentes de trabalho rural no SINAN. Ocorreram 11 acidentes com trabalhadores do sexo masculino e sete do sexo feminino. A idade desses trabalhadores variou de 23 a 58 anos, sendo que a maioria se encontra na faixa etária dos 30 anos.
As ocorrências dos acidentes graves tiveram como diagnósticos fraturas, ruptura de tendão, ferimentos cortocontuso, amputações, intoxicação e esmagamento que envolveram as seguintes partes do corpo: tornozelo, pé, dedos da mão, punho, mão e antebraço.
Os dados das tabelas acima sobre os acidentes de trabalho rural na região de Araraquara foram fornecidos pelo CEREST. Estes dados contemplam a estatística oficial, elaborada pela instituição. A seguir mostraremos a análise realizada pela pesquisadora por meio dos Relatórios de Atendimento ao Acidentado do Trabalho.