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Chapter 5 Avocado production and the value chain

5.4 Control regime of Rema 1000 and Bama

O avivalismo é o termo que se usa neste trabalho para se referir, em especial, ao segundo período de avivamento nos Estados Unidos, que ficou conhecido também como Segundo Grande Despertar, tempo notadamente influenciado pela teologia arminiana. O arminianismo15 foi o contraponto do calvinismo16. Enquanto o calvinismo enfatiza a soberania de Deus na questão da salvação das pessoas, o arminianismo enfatiza a responsabilidade humana: ―O arminianismo opõe-se ao calvinismo, enfatizando o livre-arbítrio, a responsabilidade humana quanto à salvação, e negando que todas as coisas tenham sido predestinadas por Deus‖ (FEINBERG et al., 2000, p.4).

15 A arminianismo é um sistema teológico resultado do trabalho e pensamento do teólogo holandês Jacobus

Arminius (1560-1609) (GRIDDER, 2009, p.112). Embora Arminius tenha sido outrora discípulo de Beza, sucessor de Calvino, ao se aprofundar no estudo do calvinismo chegou à conclusão de que o mesmo se equivocara. Após sua morte, seus discípulos sistematizaram seu pensamento teológico em cinco pontos fundamentais, conhecido como ―memorial arminiano‖: 1) O decreto divino de predestinação é condicional, não absoluto. Isto é, Deus, baseado em sua presciência, elegeu para a salvação aqueles que sabia, de antemão, que aceitariam a Cristo como Salvador. 2) A expiação é universal. Cristo morreu por todas as pessoas de todos os lugares e de todos os tempos, de forma que qualquer um pode decidir crer Nele e ser salvo. 3) Livre arbítrio ou capacidade humana. A queda não teria degenerado a natureza humana a tal ponto de destruir sua capacidade de livre de escolha. 4. A graça pode ser rejeitada pelo pecador. Embora Deus tenha feito tudo pela salvação dos seres humanos, os mesmos têm a capacidade de resistirem à Sua oferta de salvação. 5) Possibilidade de perda da salvação. Ou seja, o crente, mesmo tendo nascido de novo pode rejeitar livremente sua salvação, isto é ―cair da graça‖ e perder-se eternamente. Apesar de suas ideias terem sido, inicialmente, rejeitadas na Holanda, espalharam-se por todo o mundo protestante, principalmente, devido à simpatia e acolhida que receberam de pregadores como John Wesley. Atualmente, o arninianismo ―tem se mesclado com ideias batistas e dispensacionalistas, particularmente, pelo seu contato com o fundamentalismo americano (LETHAM, 2009, p.93). No Brasil, a maioria das igrejas evangélicas adota boa parte da teologia arminiana principalmente no que diz respeito à liberdade do indivíduo em aceitar ou negar a oferta gratuita da salvação.

16 O calvinismo é o sistema teológico fruto do trabalho e pensamento do teólogo João Calvino (1509-1564),

amplamente aceito pelas igrejas reformadas, a ponto de ser denominado por alguns como ―teologia reformada‖ (LETHAM, 2009, p.1137). Calvino se propôs a sistematizar os principais ensinos das Escrituras, cujo resultado foi sua obra ―Institutas da Religião Cristã‖, que após sua quinta edição, encontrou sua forma definitiva, uma coletânea de setenta e nove capítulos (REID, 2009, p.229).O calvinismo também produziu seus ―cinco pontos‖ fundamentais que se opõem diretamente às proposições do memorial arminiano, a saber: 1) Total depravação: a queda tornou o homem morto espiritualmente e totalmente incapaz de salvar-se. A não ser que Deus intervenha, nesse estado o homem permanecerá eternamente. 2) Eleição incondicional. Deus é soberano e, portanto, não é obrigado a salvar ninguém. Contudo, em Sua misericórdia, decidiu, em Cristo, salvar alguns para Si e torná-los Seus filhos adotivos. 3) Expiação limitada ou particular. Embora o sacrifício de Jesus Cristo seja suficiente para salvar a todos, apenas os eleitos são capacitados a receberem o benefício salvívico de Seu sacrifício. 4) Graça irresistível ou infalível. Embora o eleito possa tentar rejeitar a graça da salvação, ele acabará sendo convencido de seu pecado e aceitando-a livremente, por ação do Espírito Santo, em sua mente e coração. 5) Perseverança dos salvos. Uma vez que a obra de salvação é totalmente de Deus, ela não poderá ser frustrada. Logo, aqueles que receberam a salvação têm a garantia de perseverarem nela para sempre, por obra do Espírito Santo. Ao longo da história, igrejas reformadas desenvolveram confissões doutrinárias de cunho calvinista como o Catecismo de Heidelberg (1563), os Canônes do Sínodo de Dort (1618) e a Confissão de Fé de Westminster e os catecismos anexos (1647-48) (REID, 2009, p.228). O calvinismo teve ainda influência determinante em Jonathan Edwards (LETHAM, 2009, p.1138), principal teólogo do Primeiro Grande Despertamento e, mesmo hoje, sua teologia permanece acolhida e perpetrada nas igrejas reformadas, como acontece, por exemplo, nas Igrejas Presbiterianas.

Na verdade, ambos concordam que a salvação da alma se dá pela graça, mediante a fé em Cristo e na suficiência de seu sacrifício expiatório. Contudo, divergem a respeito do que leva uma pessoa à fé em Cristo e, consequentemente, à salvação. Para o calvinista, o que leva uma pessoa à fé em Cristo é o fato de ter sido eleita por Deus, escolha essa que tem como critério somente a Sua soberania. Para o arminiano, o que leva uma pessoa à fé é a sua escolha livre em resposta positiva ao convite de Deus para a salvação (ERICKSON, 1997, p.149). Em outras palavras, para o calvinista a salvação do indivíduo centra-se, totalmente, na escolha soberana de Deus (ERICKSON, 1991, p.27), enquanto que, para o arminiano, a livre vontade do indivíduo também ocupa lugar importante (ERICKSON, 1997, p.150).

O arminianismo estabelece-se na soteriologia dos missionários americanos, especialmente, no ―Segundo Grande Despertamento‖. Enquanto que, no ―Primeiro Grande Despertamento‖, a ênfase soteriológica era calvinista, motivada, principalmente, pelo pensamento de Jonathan Edwards17 (1703-1758) (PIPER, 2009, p.65) e pelas pregações de George Whitefield18 (1714-1770), no Segundo Grande Despertamento, o arminianismo, com sua ênfase na responsabilidade humana, assume o lugar:

...a teologia original dos avivamentos nos Estados Unidos centrava-se no medo da punição eterna, na soberania absoluta de Deus e na doutrina calvinista da eleição. Agora, ela volta para a capacidade livre do ser humano de aceitar ou rejeitar a salvação que Deus, através de Jesus Cristo e por obra do Espírito Santo, oferece a todas as pessoas. A função do pregador era convencer seus ouvintes de seus pecados, levá-los ao arrependimento e torná-los responsáveis pela aceitação ou rejeição da salvação (MENDONÇA, 1990, p.94).

Essa mudança de teologia se fez notória nos chamados ―acampamentos‖ (MENDONÇA, 1990, p.84-85). Os acampamentos eram semelhantes ao que hoje se chama de ―retiros espirituais‖ pela maioria das igrejas evangélicas. À época dos acampamentos, apenas cinco por cento da população americana fazia parte de uma igreja (BOSCH, 2002, p.339).

17 Jonathan Edwards é reconhecido não apenas como um dos maiores pregadores do Primeiro Grande

Despertamento, mas como o seu maior teólogo. Sua obra abarcou desde sermões, pregados em sua igreja Congregacional em Northampton, até profundos e extensos compêndios teológicos de natureza calvinista. É dele um dos sermões mais conhecidos no protestantismo evangélico, ―Pecadores nas Mãos de um Deus irado‖ (NOLL, 2009, p.7-8).

18 George Whitefield, embora não fosse um grande teólogo como Jonathan Edwards ou um grande organizador

de movimentos como John Wesley, mostrou-se uma das figuras mais importantes do Primeiro Grande Despertamento. Com uma pregação alinhada às ênfases calvinistas e sensivelmente dramática, tornou-se o pregador itinerante mais conhecido do século XVII. Uma de suas conferências na Nova Inglaterra, no outono de 1740, quando pregou para mais de 8.000 pessoas, quase todos os dias e por mais de um mês, é considerada por alguns como ―o evento chave no Grande Despertamento na Nova Inglaterra‖ (NOLL, 2009, p.647-648).

Desta feita, aqueles que se empenhavam na promoção desses eventos religiosos viam-nos como uma oportunidade de levar pessoas à conversão ou à consagração. Dezenas e centenas de pessoas começaram a participar dos acampamentos e, em sua maioria, se converteram à mensagem pregada naqueles locais:

Os indivíduos eram confrontados com o terrível juízo de Deus sobre os pecados de indiferença, infidelidade e imoralidade. Estes eram descritos em quadros gráficos que infundiam temor e pânico aos ouvintes. Uma vez conseguido isto, o pregador proclamava o perdão de Deus para aqueles que se arrependiam de seus pecados e nasciam de novo por seu espírito (MENDONÇA, 2008, p.299).

As conversões eram acompanhadas por manifestações como choro, gritos e até desmaios. Tais manifestações, próximas ao que é visto hoje em cultos pentecostais, fez com que presbiterianos (notadamente calvinistas) desistissem do empreendimento, ficando a cargo de batistas e metodistas (notadamente arminianos) assumirem e darem continuidade à empreitada (MENDONÇA, 1990, p.85). Esse período de avivamento ficou também conhecido como a ―Era Metodista‖ (MENDONÇA, 1990, p. 92), de onde provieram muitos missionários para o Brasil (HAHN, 1989, p.132), trazendo para cá não apenas sua soteriologia arminiana (a ideia de que a salvação também depende da decisão humana), mas também sua liturgia simples e seu estilo de pregação, cujo alvo era o mesmo dos acampamentos, qual seja, a conversão ou a consagração.