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2.2 Discussing constructs

2.2.2 Construct validity

O presente estudo analisou as respostas de PA, após diferentes intensidades de exercício e a liberação de NO2-, em função do gene da ACE

em mulheres idosas. Os principais achados deste estudo foram os efeitos da intensidade do exercício e da presença do alelo I na liberação de NO2- e HPE

em idosas hipertensas. Houve HPE para a PAS em idosas que carregam o alelo I do gene da ACE, demonstrando diferenças aos valores de repouso. Percebeu-se uma diminuição da PAS na média de recuperação de uma hora para as sessões de exercício e aumento da PAS na comparação destes momentos na sessão controle, o que diferiu da análise sem divisão de grupos por gene. Somente a sessão TI apresentou diferença significativa do pré para o pós-exercício, reafirmando a importância do exercício físico em qualquer das intensidades e em qualquer grupo para as variáveis de PAD e PAM, pois nestas sessões os valores de repouso e da média de recuperação de 1 hora não se alteraram significativamente, mantiveram-se estáveis; ao contrário da sessão controle que teve os valores aumentados.

O fato de somente as idosas que contêm o alelo I apresentarem HPE para PAS em ambas às sessões de exercício (Tabela 6) deve-se possivelmente à ocorrência de homozigotos D/D apresentarem atividade da enzima conversora de angiotensina quase duas vezes maior que os homozigotos de deleção (Rigat et al., 1990; Alvarez et al., 2000). A ACE tem função de transformar angiotensina I em angiotensina II, esta atua aumentando a ativação simpática, reabsorção tubular de sais como cloreto de sódio, excreção de potássio, retenção de água, estimulação do córtex da glândula adrenal e estimulação de uma vasoconstrição arteriolar (Erdos & Skidgel, 1987; Jones & Woods, 2003; Brewster & Perazella, 2004; Pescatello et al., 2006; Sayed-Tabatabaei et al., 2006), tudo isto pode levar a aumento da PA, e em conseqüência interferir na PA pós-exercício.

É relevante o fato de D/D apresentarem uma alta atividade de ACE, como citado por Alvarez et al. (2000) podendo levar a uma maior atuação da ANG II que além de atuar inibindo o vasodilatador bradicinina (Hernández et al,

2003; Jones & Woods, 2003) e influenciando a pressão arterial (Sayed- Tabatabaei et al., 2006), causa um impacto negativo na função endotelial, reduzindo a biodisponibilidade de NO (Luscher et al., 2004). Essa pode ter sido a razão da não diferença significativa do grupo D/D para qualquer sessão experimental em relação ao repouso.

Estes valores de HPE para PAS em nosso estudo ocorreram somente no grupo que tem o alelo I, o que também aconteceu de forma semelhante em outros estudos. No estudo de Pescatello et al. (2007), eles analisaram a resposta da PA após alta e baixa ingestão de cálcio e após duas sessões de exercício em baixa e moderada intensidade, verificando que na intensidade correspondente a 60% VO2max, um pouco menor que a intensidade utilizada em

nosso estudo, para os carreadores do alelo I na situação de baixa ingestão de sódio apresentaram melhor resposta no controle da PA ao exercício, apresentando uma maior HPE. Entretanto, valores de PAD não apresentaram nenhuma diferença dos dias de exercício com a sessão controle e interação entre os genótipos da ACE, enquanto em nosso estudo, independentemente do grupo dos genes da ACE, o exercício apresentou uma cárdio-proteção, não permitindo um aumento de PAD, e também de PAM, nas sessões experimentais de exercício, quando comparadas ao controle (Tabela 6 e Figura 8).

Em estudo de Blanchard et al. (2006), eles verificaram de forma ambulatorial, em uma média de 14h, as respostas após exercício de nas mesmas intensidades do artigo de Pescatello et al. (2007) em homens. Eles encontraram resultados controversos aos achados nesse estudo, apresentando aumentos na PAS e PAD em todas as sessões experimentais (60% VO2max,

40% do VO2max e controle) em uma média de 14h após exercício, entretanto o

exercício apresentou benefícios em relação à sessão controle. Ademais, eles encontraram benefícios da resposta da PAS pós-exercício com menores valores após 14h da realização de exercício leve (40% VO2max) em indivíduos

homozigotos D/D, sendo estes diferentes do grupo que continha carreadores do alelo I. Nas outras sessões e na resposta da PAD não houve diferenças significativas (Tabela 6 e figura 7). Estas respostas diferentes do presente

estudo estão, possivelmente, relacionadas à diferença de gênero, pois alguns estudos sugerem que associações entre PA e a resposta do homozigoto D/D do gene ACE só são significantes em homens, apresentando diferenças do efeito dos alelos I/D do gene ACE na PA (Fornage et al., 1998; O’Donnell et al., 1998); e diferenças de idade, pois este estudo teve como população estudada pessoas idosas, que apresentam diferentes respostas endoteliais comparadas a jovens (Lauer et al., 2008).

Entretanto, o domínio de intensidade nos estudos de Blanchard et al. (2006) e Pescatello et al. (2007) pode ser o mesmo para as duas sessões, mas apresentou-se diferente das intensidades mais altas (TI) neste trabalho oq confirmou uma correlação da média da PA na recuperação de 1 hora em função da intensidade alcançada na sessão tanto para PAS quanto para PAM para todas as idosas (figuras 3 e 10) e no grupo com alelo I (figuras 4 e 11) e até mesmo nas idosas homozigotos D do gene ACE para PAS (figura 5), o que, em parte, corrobora com estudo de Lima et al. (2008) que apresentou, para uma população de diabéticos, efeitos benéficos para PAS em diferentes domínios de intensidade (10% acima ou abaixo do LA), embora somente a intensidade mais alta tenha apresentado benefícios para PAM, demonstrando, desta forma, o efeito da intensidade.

Os resultados de NO2- encontrados neste trabalho estão de acordo com

o importante papel que o óxido nítrico tem no efeito do exercício em diminuir a PA como citado por outros artigos (Lauer et al., 2008, Rees et al., 1989) sendo isto sugerido para uma população idosa (Chobanian et al., 2003). Entretanto, Lauer et al. (2008) revelou que idosos, quando comparado com jovens, têm disfunção endotelial, apresentando dificuldade em aumentar o NO2- plasmático

em resposta pós-exercício. Mas, em nosso estudo essa capacidade de aumentar nitrito pós-exercício foi apresentada logo após o teste incremental no grupo carreador do alelo I e apresentou uma tendência, após a sessão a 90%LA (tabela 9) foram obtidos sendo os mesmos resultados sem divisão por genes da ACE (tabela 7). O grupo D/D não apresentou mudanças significativas em nenhum momento de qualquer sessão experimental, corroborando com os

achados de outros estudos em idosos que não pesquisaram a influência de genes (Vanhoutte, 2002; Lauer et al., 2008).

Os achados deste estudo são similares a encontrados sobre a resposta de dilatação fluxo mediada em atletas no estudo de Tanriverdi et al. (2005) apresentando que atletas I/I, I/D e D/D são diferentes, sendo os homozigotos D/D com as piores respostas de dilatação fluxo mediada. Neste estudo não foram apresentadas mudanças de dilatação em pessoas sedentárias independentemente do genótipo da ACE.

A liberação aumentada de NO2- após as sessões de exercício ocorre

devido ao estresse de cisalhamento nos vasos sangüíneos o que estimula a formação de NO endotelial (Cooke et al., 1991; Miller & Burnett, 1992). O fato de NO2- estar aumentado de forma significativa somente após a sessão TI no

grupo que contém o alelo I, deve-se ao fato de que este exercício levou a um maior estresse, pois uma maior intensidade de exercício recruta mais unidades motoras induzindo a um maior estresse metabólico ([Lac] – Tabela 1) e mecânico, por meio de um fluxo sangüíneo aumentado nas paredes dos vasos promovendo maior estresse de cisalhamento (Van Citters & Franklin, 1969).

Outro fator que pode afetar a liberação de NO é o envelhecimento, o que pode predispor idosos a uma doença cardiovascular (Lauer et al, 2008; Chen et al, 2006, Finkel, 2005), e esta associação com uma alteração endógena da parede do vaso sangüíneo, promovendo disfunção vascular e progressão a aterosclerose (Lauer et al, 2008). Logo, o envelhecimento é um preditor de um prejuízo na vasodilatação endotélio dependente (Lauer et al, 2008; Castelli, 1984; Huang, Yang, Du, Zhang, & Ma, 2007; Turcato et al, 2006; Weinsaft & Edelberg, 2001), e isto é associado com uma prejudicada bioatividade do NO (Lauer et al, 2008). Uma prejudicada capacidade de aumentar NO2-

(metabólito do NO) no plasma pode limitar a capacidade de exercício (Rassaf et al, 2007) o que pode ter acontecido neste estudo, quando se comparam os deltas das sessões de exercício, pois não houve diferenças significativas na variação do NO2- na sessão TI e sessão a 90%LA, entretanto, estas foram

al. (2008) verificaram que o NO em intensidades a 60% da freqüência cardíaca máxima em homens saudáveis não interfere em uma rigidez arterial sistêmica ou alteração na amplificação da PA durante o exercício leve.

O NO2- não apresentou diferenças significativas em nenhum grupo de

pesquisados fora o momento IFE (na média de 1 hora pós-exercício). Provavelmente, devido a sua curta meia-vida, entre 11-13min (Tsikas, 2005), logo isto pode ter afetado o aparecimento de alguma outra diferença significativa durante os momentos de recuperação.

A importância do NO é crucial para manter uma função endotelial e uma saúde vascular pois, de acordo com Allen et al. (2009), o delta do pré para o pós-exercício de NO2- revela uma variedade de riscos de doenças

cardiovasculares e é relacionado a função endotelial e prediz a capacidade de exercitar. Esta função endotelial é relacionada também com taxas de lipemia pós-prandial, apresentadas por Tyldum et al. (2009), reveladoras de que uma maior intensidade no exercício gera um maior fluxo sangüíneo, levando a um maior consumo de gorduras, diminuindo possibilidades de formação de placas de ateromas que viriam a afetar de forma negativa a função endotelial.

Neste estudo, foram analisados dados respiratórios para se estimar dados metabólicos de consumo de energia, através do VO2 e do RER. Foi

observado, em ambos os grupos divididos pelo gene da ACE, durante a 1 hora de recuperação no laboratório, benefícios para os valores da RER para as sessões de exercício e para o controle (este somente o grupo com alelo I) diminuíram os valores da média de 1h, quando comparados ao repouso, contudo quando comparados entre si, ambas as sessões de exercício apresentaram um maior decréscimo no valor da RER (tabela 10), demonstrando maiores benefícios do consumo de energia proveniente do metabolismo de gorduras, apresentando os valores de RER mais próximos a 0,7 (Elia & Livesey, 1988). Estes resultados não apresentaram diferenças na forma de análise, dividindo ou não grupos por alelos do gene da ACE.

Em relação à análise do consumo de oxigênio, quando os resultados são expressos sem divisão de grupos e comparados ao repouso, somente a sessão

90%LA apresentou uma tendência a consumo excessivo de oxigênio pós- exercício (EPOC) (Tabela 10), sendo isto desejável para um maior gasto calórico, sobretudo quando este é mais oriundo do metabolismo de gorduras (RER próximo ao valor de 0,7). A ocorrência do EPOC somente na sessão a 90%LA (duração de 20,0±0,0 minutos) deve-se possivelmente à maior duração do exercício (Bahr et al., 1987), pois o TI (duração de 11,62 ± 3,95 minutos) terminou em maior intensidade, fator que também influencia o EPOC (Gore & Withers, 1990), contudo não foram apresentadas diferenças significativas no delta da média do consumo de oxigênio pós 1h de exercício entre as três sessões experimentais.

Deve-se tomar cuidado ao avaliar um EPOC somente para o grupo de homozigotos do alelo D do gene da ACE, quando analisados separadamente, pois apesar de esse ser estatisticamente significante, é provável que isto se deva ao fato de este grupo apresentar um menor VO2 de repouso em todas as

sessões, o que pode também ter levado à condição de quando analisados sem a divisão de grupos a presença de um EPOC somente na sessão moderada de exercício (90%LA). Também comparar os grupos pelo delta do VO2, pode levar

ao mesmo erro de análise, especialmente porque ao comparar na sessão controle o grupo D/D apresenta um aumento significativo na média de recuperação de 1 hora, quando comparado ao grupo que contém o alelo I, isto poderia ser explicado porque o consumo de oxigênio basal declina com a diminuição da massa magra e esta correlacionada com mudanças no envelhecimento (Tzankoff & Norris, 1977) e alguns estudos demonstram que os portadores do alelo D/D demonstram valores significativamente superiores de volume muscular, quando comparados com grupos que possuem o alelo I (Charbonneau et al., 2008; Lima, 2009), entretanto deve-se ter cuidado ao atribuir valores a estes resultados, pois os dados da recuperação da sessão para o grupo D/D são semelhantes aos valores de repouso do grupo I/I – I/D.

As limitações deste estudo ficam em relação à não mensuração da atividade endotelial da óxido nítrico sintase (eNOS) o que poderia representar o fenômeno da dilatação endotélio-dependente e, conseqüentemente, uma possível HPE. Entretanto, alguns autores (Miyado et al., 2004; Tanaka et al.,

2004; Gáspár et al., 2005) verificaram que a concentração de NO2-

salivarprediz a concentração plasmática de NO2- que é um dos melhores

índices da atividade da eNOS (Lauer et al, 2001). Outra limitação do estudo foi não mensurar a atividade da ACE nas idosas participantes do estudo, contudo alguns autores (Rigat et al., 1990; Alvarez et al., 2000) observaram valores maiores desta atividade para homozigotos com alelo D quando comparados com heterozigotos e ainda maiores comparados com homozigotos I do alelo do gene da ACE.

O estudo também ficou limitado a somente uma intensidade de exercício que pode ser treinável (90% LA). A sessão considerada intensa não é aplicável a um treinamento regular por chegar à intensidade máxima e em forma de teste, algo não sugerido especialmente a esta população. Além disto, os achados ficaram restritos a resultados da PA mais benéficos a somente o grupo I/I – I/D, contudo haveria a possibilidade de também não ocorrerem, no final desses resultados. Logo, isto guia sugestões de futuros estudos para investigar diferentes intensidades e/ou formas de exercício que também poderiam ser benéficas ao grupo que não apresentou, por exemplo, os benefícios da HPE neste estudo.

7. CONCLUSÕES

Com os resultados apresentados neste estudo pode-se concluir que somente o grupo I/I – I/D apresentou HPE para PAS em ambas as sessões experimentais de exercício, contudo para qualquer grupo analisado quando comparadas ao controle, verificou uma proteção do exercício para impedir o aumento da PAD e PAM.

A intensidade de exercício pode influenciar a PAS e PAM na média da recuperação de 1 hora para idosas que apresentam o alelo I e de PAS para idosas homozigotos D do gene ACE.

Pode-se concluir também que somente o grupo I/I – I/D apresentou as respostas endoteliais de liberação de NO (estimadas pelo NO2-) desejadas

após exercícios em ambas as intensidades estudadas, diferentemente do grupo D/D do gene da ACE.

Portanto, o polimorfismo do gene da ACE parece ter um importante papel na função do controle da PA e também no controle da liberação de NO após sessões de exercício.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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