Num total de 3957 objectos líticos dispersos por diferentes categorias técnicas e artefactuais (Gráfico 1), agruparam-se 525 peças classificadas como detritos, estalamentos e seixos, que correspondiam a 13.3% do material recolhido.
Os calhaus rolados, perfaziam um total de 205 peças, que pelas suas características morfológicas, ergonómicas e finalmente pela presença de estigmas, admitiram-se poderem corresponder a sugestivos percutores.
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4.2.1. Os seixos de origem local e não antrópica
Numa primeira fase, foram alvo do nosso estudo 178 pequenos seixos de origem local e não antrópica. O interesse de integrar os mesmos, na presente dissertação, reside na justificação da diferença verificada entre os seixos rolados que se recolheram e que foram objecto do nosso estudo e os pequenos seixos também aí recolhidos, como amostra, no sedimento pliocénico em que assenta a jazida do Casal do Azemel.
Estes seixos, como referido anteriormente, são seixos de origem não antrópica, de pequenas dimensões e de morfologia essencialmente achatada, possuindo uma origem fluvial.
Os seixos de origem local e não antrópica, foram analisados tendo em conta a matéria- prima, onde se pode observar uma predominância dos pequenos seixos de quartzo e quartzito (sempre inferior a 50 mm), em detrimento dos seixos de origem antrópica, onde os seixos têm uma maior dimensão (sempre superior a 50mm) maioritariamente de quartzite, seguindo-se o quartzo e o lidito, resultados de excursões exteriores à jazida.
Em seguida procedeu-se à medição do comprimento, da largura e da espessura máxima de cada seixo, procurando comparar tais valores entre os seixos de origem não antrópica e os que se admitia terem sido transportados para o local pelo próprio homem.
No comprimento (Tabela 1), os seixos de origem não antrópica apresentam valores sempre inferiores a 50 mm, com uma média de 37,6 tornando-se, deste modo, inadequados para as actividades de percussão. Tanto pelas suas diminutas dimensões, como pelas massas que delas decorriam. Esta situação é exactamente inversa nos seixos de origem antrópica, existindo sempre seixos com dimensões superiores aos 50 mm. O valor das respectivas dimensões máximas situa-se num intervalo, encontra-se entre os 80 mm e os 105 mm, sendo a mesma adequada para as actividades de percussão.
Seixos de Origem local e não antrópica
Seixos de Origem não local e antrópica 37,1 mm Categoria 1 (96 mm) Categoria 2 (92,4 mm) Categoria 3 (86,3 mm) Categoria 3 A (92,2 mm) Categoria 4 (80,4 mm) Categoria 4 A (97,9 mm) Categoria 5 (104,9 mm)
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Categoria 6 (103,7 mm) Categoria 7 (100,2 mm) Categoria 8 (93,4 mm) Categoria 8 A (100,2 mm) Total 95,3 mmTabela 1 | Cálculo da média do comprimento dos pequenos seixos e das várias categorias classificativas
consideradas na presente tese para o estudo dos seixos de origem antrópica.
Na largura (Tabela 2), os seixos de origem não antrópica, possuem também na sua totalidade uma largura inferior a 50 mm. Pelo contrário, os seixos de origem antrópica, mais precisamente 200 peças, detêm uma largura compreendida entre os 50-100 mm, onde apenas 5 peças residuais, apresentam uma largura superior a 100 mm.
Seixos de Origem local e não antrópica
Seixos de Origem não local e antrópica 29,84269663 Categoria 1 (70,6 mm) Categoria 2 (72,3 mm) Categoria 3 (66,6 mm) Categoria 3A (68,9 mm) Categoria 4 (59,3 mm) Categoria 4 A (70,7 mm) Categoria 5 (78,7 mm) Categoria 6 (85,7 mm) Categoria 7 (78,125 mm) Categoria 8 (70,875 mm) Categoria 8 A (71 mm) Total 72,1 mm
Tabela 2 | Cálculo da média da largura dos pequenos seixos e das várias categorias classificativas consideradas
na presente tese para o estudo dos seixos de origem antrópica.
Em relação à espessura (Tabela 3), observa-se que os seixos de origem não antrópica possuem na sua totalidade, uma espessura inferior a 50 mm. Pelo contrário, em 204 seixos de origem antrópica, a espessura está compreendida entre 50 a 100 mm, com apenas uma peça de espessura superior a 100 mm, tratando-se provavelmente de uma peça usada nas actividades de percussão indirecta.
Seixos de Origem local e não antrópica
Seixos de Origem não local e antrópica Categoria 1 (54,5 mm) Categoria 2 (51,9 mm) Categoria 3 (48 mm) Categoria 3A (50,7 mm) Categoria 4 (22,6 mm)
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16,2 mm Categoria 4 A (35,1 mm) Categoria 5 (52 mm) Categoria 6 (63,3 mm) Categoria 7 (61,4 mm) Categoria 8 (51 mm) Categoria 8 A (52 mm) Total 49,2 mmTabela 3 | Cálculo da média da espessura dos pequenos seixos e das várias categorias classificativas
consideradas na presente tese para o estudo dos seixos de origem antrópica.
Não procurando a presente tese ser um trabalho no domínio da sedimentologia (Friedman, Sanders, 1978), recorremos a esta disciplina para completar a análise comparativa entre os seixos de origem não antrópica e os transportados para o local pelo homem com a análise morfométrica dos dois conjuntos em estudo. Desta forma procedeu-se à medição do raio de curvatura da aresta mais aguda de cada peça, com recurso a um ábaco de círculos, determinando o valor de r1. Em seguida procurou-se aferir os índices de rolamento, achatamento e esfericidade de cada um dos conjuntos considerados.
- O índice de rolamento da peça (Tabela 4), calculado através da fórmula enunciada acima (Wentworth, 1936). Esta é realizada de forma a compreender aspectos como a intensidade do transporte, a distância percorrida e a origem dos sedimentos, entre outros. Este índice expressa o grau de curvatura ou angulosidade das arestas e dos vértices da partícula (Dias, 2004, p.50). A aferição do arredondamento do balastro/seixo, foi realizada medindo-se a aresta mais aguda de cada peça com recurso ao ábaco de círculos (Cailleux, 1947, 1950; Galopim de Carvalho, 2005).
Mais tarde, Folk, 1955 (apud Dias, 2004), propôs a aplicação de uma escala logarítmica (designada por r). A escala proposta por Folk, 1955, “varia entre 0 e 6, tendo como limites das classes: muito angular, angular subangular, sub-rolado, rolado e muito rolado os valores 1, 2, 3, 4, e 5. Nesta escala a esfera perfeita tem rolamento 6” (apud Dias, 2004, p.51).
Deste modo, para os pequenos seixos locais e de origem não antrópica, a sua classificação como muito rolados é bastante clara, à semelhança do que se passa nos seixos de origem antrópica, no qual a presente dissertação se debruça, onde o estado muito adulterado e
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incompleto das peças dificulta a aferição do estado de rolamento das mesmas, No entanto, podemos depreender que também apresentam um estado de rolamento muito avançado.
Seixos de Origem local e não antrópica
Seixos de Origem não local e antrópica 5,2 mm Categoria 1 (22,2 mm) Categoria 2 (21,6 mm) Categoria 3 (17,1 mm) Categoria 3A (18,3 mm) Categoria 4 (17,7 mm Categoria 4 A (21 mm) Categoria 5 (18,9 mm) Categoria 6 (12,7 mm) Categoria 7 (18 mm) Categoria 8 (19,6 mm) Categoria 8 A (17 mm) Total 18,6 mm
Tabela 4 | Cálculo da média do rolamento dos pequenos seixos e das várias categorias classificativas
consideradas na presente tese para o estudo dos seixos de origem antrópica.
- O achatamento (Tabela 5), foi calculado através da fórmula enunciada (Cailleux, 1947, 1950). Desta forma, determinou-se que os seixos de origem local e não antrópica possuem um achatamento mais expressivo, resultado inverso aos dos seixos exógenos e de origem antrópica, pois possuem um nível menos acentuado de achatamento associado.
Seixos de Origem local e não antrópica
Seixos de Origem não local e antrópica 2,3 mm Categoria 1 (1,6 mm) Categoria 2 (1,7 mm) Categoria 3 (1,7 mm) Categoria 3A (1,7 mm) Categoria 4 (3,2 mm) Categoria 4 A (2,5 mm) Categoria 5 (1,9 mm) Categoria 6 (4,6 mm) Categoria 7 (1,6 mm) Categoria 8 (1,7 mm) Categoria 8 A (1,8 mm) Total 2,2 mm