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Existem diversos modos para validar uma ferramenta que dependerá do construto a ser mensurado, bem como do próprio instrumento. Segundo Pasquali (2010), verifica-se a validade de um instrumento mediante a validade de conteúdo, a validade de critério e a validade do construto.

A validade de critério deixa de ser a técnica parceria de validação dos testes psicológicos em favor da validação de construto (PASQUALI, 2010).

A validade de construto é o esforço para testar hipóteses, em geral, relacionadas com a perspectiva teórica. Os construtos são aplicados em termos de conceitos abstratos. A validade de construto é um processo complexo que envolve estudos e abordagens, entre as quais, existem testagem de hipótese, fator analítico, convergente e divergente, e abordagens de grupos contrastados (POLIT; BECK, 2011).

No presente estudo, a validade de critério não foi realizada pela ausência de um instrumento padrão ouro para verificar a qualidade de vida em puérperas. Da mesma forma, a validade de construto não foi analisada, pois o instrumento não contém questões fechadas ou afirmações pré-concebidas, impossibilitando a verificação da análise fatorial.

De acordo com Polit e Beck (2011), quanto mais abstrato o conceito, mais difícil o estabelecimento da validade de construto e menos adequado é o uso da validade de critério. Assim, optou-se nessa pesquisa por utilizar a validação de aparência, a validação de conteúdo e a validação clínica.

A validação de aparência ou de face trata-se de uma forma subjetiva de validar um instrumento, consistindo no julgamento de um grupo de juízes, quanto à clareza dos itens, facilidade de leitura, compreensão e forma de apresentação do instrumento, entretanto, não deve ser utilizada de forma isolada (WILLIAMSON, 1981).

A validação de aparência checa a compreensão da população alvo (puérperas) quanto ao instrumento. Indica se o instrumento parece estar medindo o construto

apropriado, especialmente de acordo com aqueles que vão utilizar o instrumento (POLIT; BECK, 2011).

Na validação de conteúdo, verificou-se se os conceitos estavam representados adequadamente e se conseguiram abordar todo o domínio do conteúdo o qual o instrumento se propõe por meio de juízes especialistas (FEHRING, 1987; POLIT; BECK, 2011).

Formou-se um comitê de cinco juízes especialistas, enfermeiras bolivianas com experiência em saúde materna, diferentes dos participantes da fase IV da tradução e adaptação transcultural, selecionadas de acordo com os critérios de Fehring (1987). Estas avaliaram o grau de relevância, usando uma escala que varia de 1 a 4 pontos (APÊNDICE N) (1 = não relevante, 2 = pouco relevante, 3 = bastante relevante e 4 = muito relevante). Tal escala serviu de base para o cálculo do Índice de Validade de conteúdo (IVC) ou Content Validity Index (CVI) em três abordagens: a) I-CVI (Item- Level Content Validity Índex); b) S-CVI/Ave (Sca le-Level Content Validity Índex, Average Calculation Method); c) S-CVI/UA (Sca le-Level Content Validity Índex) (LINN, 1986).

A validação clínico consiste na aplicação do novo instrumento validados pelas enfermeiras especialistas no ambiente clínico. Assim a validação clinica é a aplicação do MGI versão boliviana nas 120 mulheres bolivianas selecionadas de acordo a critérios de inclusão.

Todo este processo de validaçao foi realizado entre os meses de novembro de 2014 e fevereiro de 2015.

População e amostra

A população da fase de validação do conteúdo (comissão de especialistas) foi composta por cinco enfermeiras bolivianas, com ampla experiência prática na área de Saúde da Mulher, e com amplo conhecimento nos dos idiomas Inglês e Português.

Ao igual que na etapa IV da tradução, foram selecionadas de acordo com os critérios de Fehring (1987). Optou-se por um numero impar (cinco) com o intuito de evitar o empate de opiniões.

As juízas bolivianas também receberam um kit composto por: 1) Carta convite (APÊNDICE K); 2) Termo de consentimento livre e esclarecido (APÊNDICE L); 3) Instrumento do perfil dos juízes (APÊNDICE M); 5) Instrumento de avaliação de equivalências (APÊNDICE N); e todas as versões do índice T1 (APÊNDICE E); T2 (APÊNDICE F); T12 (APÊNDICE G); BT1 (APÊNDICE H); BT2 (APÊNDICE I); bem como o índice original (ANEXO A).

A amostra da fase de validação clínica do estudo foi calculada segundo o proposto por Kass e Tinley (1979) que recomendam um numero de 5 a 10 participantes por variável. Deste modo, adotou-se as oito áreas mencionadas na etapa 1 do instrumento como variáveis, assim o estudo precisaria de um mínimo de 40 mulheres entrevistadas, entretanto a pesquisa foi composta por 120 mulheres, selecionadas aleatoriamente, o que equivale a uma proporção de 15 sujeitos por item, logo superando o número de participantes sugerido Kass e Tinley (1979) e garantindo maior rigor ao processo (RIBEIRO, 2013).

Na etapa de validação, os critérios de inclusão definiram-se: mães de recém- nascidos a termos, entre 30 e 45 dias de pós-parto e sem limite de idade, ademais sem intercorrências neste puérperio, com telefone e endereços nos prontuários. Os critérios de exclusão foram: mães com limitações cognitivas, idioma diferente ao espanhol e mães menores de idade sem consentimento dos pais ou tutores. Os critérios de descontinuidade foram: desistência de participar da pesquisa após início da coleta de dados e mudanças de números telefônicos ou endereços.

A seleção do período de 30 e 45 dias após o parto foi realizada com o intuito de que nesse período, as mulheres já tinham uma noção sobre a experiência vivida e as mudanças percebidas até então.

Cenário da pesquisa

A etapa de validação clínica do estudo foi realizada em quatro Centros de Saúde, ademais de um hospital de nível terciário de atenção, todos pertencentes à rede pública da cidade de Cobija – Pando - Bolívia. Este último é considerado referência estadual no atendimento de Medicina Interna, Cirurgia, Maternidade, Pediatria, Neonatología, UTI, Emergência e consultas externas, que oferecem a população, junto com os serviços de banco sangue, consultas ambulatoriais de pré-natal, ginecologia, puérperio e pediatria,

atendimentos de emergência em obstetrícia e ginecologia, acompanhamento clínico (internação) e cirúrgico, além de realizações de exames diagnósticos e terapêuticos.

Dentre as unidades que compõem tal complexo hospitalar, situa-se a unidade de internamento. Trata-se do serviço de maternidade destinado para pacientes no pré e pós- parto, com um total de 44 leitos. Com profissionais de saúde como: médicos ginecologistas e enfermeiras.

Também é válido ressaltar que esta instituição recebe atividades de estágio de estudantes de diversas universidades de toda Bolívia, tanto em nível de graduação, como especialização, constituindo-se em um centro de formação acadêmica.

Ademais, dos centros de saúdes e hospital, as entrevistas para aplicação da nova versão em espanhol do MGI, foram realizadas em domicílios particulares das mães.

Instrumentos de coleta de dados

Antes da aplicação do MGI – versão boliviana, investigou-se o conhecimento das mulheres acerca das definições “qualidade de vida e puerpério” por meio de um primeiro formulário de coleta de dados referente a questões conceituais (APÊNDICE P). Quando a participante desconhecia alguns destes conceitos, o entrevistador tinha que explicar para melhor compreensão dos instrumentos de coleta de dados.

Ademais, durante a coleta de dados, as participantes responderam um segundo formulário contendo questões sociodemográficas e obstétricas (APÊNDICE Q) e por ultimo a versão em espanhol do MGI (APÊNDICE J).

Na aplicação do MGI, verificaram-se as principais áreas afetadas na qualidade de vida das puérperas bolivianas.

No passo 1, as mães identificaram as áreas de sua vida que foram influenciadas ou afetadas após o nascimento do bebê. As mulheres ainda aportaram se essas áreas eram positivas, negativas, ambos/nenhum de acordo as respostas mencionadas.

No passo 2, foram identificadas as pontuações de cada área citada no passo 1, de zero (o pior que ela poderia sentir) a 10 (o melhor que ela poderia sentir), com base em como tinha sido afetada após o nascimento do bebê, e como elas se sentiam a respeito desta questão em relação ao mês anterior.

No passo 3, mostra-se a distribuição dos 20 pontos entre as áreas citadas pelas mães, de acordo com a importância na sua vida em relação à qualidade de vida. Esta etapa é útil para se avaliar a importância relativa de potencia l para melhoria das áreas escolhidas.

Coleta dos dados

A coleta dos dados na fase de validação clínica foi realizada pelo pesquisador e por duas enfermeiras da Universidad Amazónica de P ando (UAP), que foram treinadas criteriosamente para posterior aplicação do instrumento, sendo que o pesquisador esteve presente em todas as coletas de dados dos sujeitos da amostra, intercalando em dupla com estas outras enfermeiras.

O período da coleta de dados da fase de validação ocorreu entre os meses de novembro de 2014 e fevereiro de 2015. Os dados foram coletados em dois momentos: primeiro, de posse da autorização (ANEXO D) do diretor do Hospital Roberto Galindo Terán (HRGT), realizou-se uma revisão nos prontuários das parturientes entre 30 e 45 dias após o parto, com o intuito de explorar dados pessoais, fase do puérperio, números telefônicos e endereço delas para possível entrevista; no segundo mome nto, a partir dos dados coletadas, foram localizadas e agendadas por meio de ligações telefônicas para posterior visita domiciliar com fins a realizar as entrevistas em seus domicílios.

Cabe ressaltar, que o número de puérperas entrevistadas em domicilio, não chegava ao total previsto de 120 puérperas no trabalho de campo. Nesse sentido, optou- se por visitar quatro centros de saúde, assim como o hospital de referencia da cidade para realizar as entrevistas. A seleção das puérperas foi ao azar, abordadas nos centros de saúde (Cobija, Santa Clara, 27 de Mayo e Mapajo), à qual elas faziam consultas de controles para seus bebês. Com os mesmos critérios de inclusão: mães entre 30 e 45 dias após o parto e sem limite de idade, puérperas sem intercorrências neste período. Critérios de exclusão: mães com limitações cognitivas e menores de idade sem consentimento dos pais ou tutores. As entrevistas foram realizadas individualmente com uma duração de 20 a 30 minutos.