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Guillemin, Bombardier e Beaton (1993) sugerem que as propriedades de medida de um instrumento o qual tenha passado por um processo de adaptação devem ser avaliadas. Os autores referem ainda que após a escolha do instrumento apropriado para medir o que se pretende, haverá dois pontos a serem considerados: a confiabilidade e a validade da medida de escolha.

A confiabilidade de um instrumento diz respeito à coerência, clareza, precisão e está ligada à reprodutividade ou fidedignidade de uma mesma medida. A validade refere-se à habilidade de um instrumento de mensuração de aferir o que se propõe. A confiabilidade e a validade não se apresentam totalmente independentes, pois um instrumento de mensuração não confiável terá muitas chances de não ser válido (LOBIONDO; HABER, 2001).

Neste estudo, destacaram-se dois aspectos relacionados à confiabilidade: estabilidade e equivalência.

1. Estabilidade: refere-se à capacidade de medir o conceito de forma coerente com o

passar do tempo, o que é particularmente importante no que se refere à comunicação pais e filhos, pois espera-se que o diálogo seja regularmente estável. Neste estudo, verificou-se a estabilidade por meio do teste-reteste, aplicando a escala com um intervalo de cinco semanas entre a primeira e a segunda aplicação.

2. Homogeneidade: ou consistência interna refere-se ao atributo de medição do mesmo

conceito pelas questões da escala. Isso significa que os itens do instrumento se correlacionam ou são complementares uns aos outros. No estudo, utilizou-se o indicador estatístico de fidedignidade de um instrumento psicométrico ou Alfa de Cronbach, conhecido como coeficiente de fidedignidade de uma escala, usado em estudos que pretendem replicar técnicas por meio de outros instrumentos. Quanto maior a correlação entre os itens de um instrumento a ser validado, maior o valor do Alfa de Cronbach, e maior a confiabilidade. Por esta razão, o alfa também é conhecido como indicador de consistência interna do teste a ser aplicado. Os Alfas de crombach considerados aceitáveis estão entre 0,70 e 0,90. No estudo de validação da PACS, realizado por Sales et al. (2006), o Alfa foi de 0,88, o mesmo valor foi encontrado na PCS (MILHAUSEN et al., 2008).

4.5.1 Validade dos instrumentos de mensuração

A validade é a segunda característica relacionada às propriedades de medida a ser analisada (DUARTE, 2001). Segundo Pasqualli (1999), é a demonstração da adequação (legitimidade) do instrumento com o que ele diz medir. Verifica-se a validade de um instrumento mediante a validade de conteúdo, a validade relacionada ao critério e a validade do constructo. Neste estudo, procederam-se somente às validades de conteúdo e de constructo devido ao fato de que não existir no contexto cultural do Brasil um instrumento que pudesse ser utilizado como padrão outro para que fosse realizado a validade de critério.

4.5.1.1 Validade de conteúdo

A validade de conteúdo consiste no julgamento sobre a cobertura dos diferentes

aspectos a serem mensurados pelo instrumento (MENEZES; NASCIMENTO, 2000). A validação de conteúdo envolve um exame crítico da estrutura básica do instrumento e uma revisão dos procedimentos usados no desenvolvimento do questionário, realizado ainda durante o processo de tradução.

No estudo, utilizou-se a análise de validade de conteúdo dos itens, proposta por Pasquali (2003), a qual busca verificar se os itens referem-se ao fenômeno em estudo, a qual foi realizada pelos juízes, os quais foram comentados anteriormente. A intenção é que estes juízes sejam profissionais da saúde e que possuam domínio sobre o conteúdo do construto (comunicação pais e filhos, saúde do adolescente, DST/HIV) e/ou sobre a elaboração de instrumentos de pesquisa.

Os referidos juízes receberam carta-convite (Apêndice A e B) para participar do estudo, o termo de consentimento livre e esclarecido e uma sinopse do projeto. Tal instrumento foi composto por cada item da escala e questões que avaliavam a clareza e compreensão dos mesmos; a relevância de cada um deles, podendo este ser classificado como não equivalente (-1), indeciso (0) ou equivale (+1), além de um espaço destinado para possíveis alterações e sugestões por parte dos juízes. O objetivo da análise dos juízes foi verificar a adequação da representação comportamental dos atributos, o ideal era que a maioria dos itens apresentassem concordância entre os juízes e que os mesmos os identificassem como equivalentes a escala original (PASQUALI, 1999).

4.5.1.2 Validade de constructo

A validade de constructo é uma das mais importantes propriedades do instrumento (Fayers; Machin, 2000), embora seja a mais difícil de ser medida. A validade de constructo pode ser analisada por meio da testagem de hipóteses, comparação de grupos contrastados e comparação entre as variáveis do estudo e escores das escalas totais (FAYERS; MACHIN, 2000).

Essa validade envolve inicialmente a formação de um modelo teórico, de modo a descrever os constructos que serão avaliados e postular suas relações (FAYERS; MACHIN, 2000). Os dados são coletados e a avaliação é realizada através do grau com que as relações hipotetizadas são confirmadas. Neste estudo, a validade de construto foi realizada mediante a testagem de hipóteses por comparação dos grupos contrastados realizada entre adolescentes estudantes de escola pública e particular. Para se utilizar da validação por testagem de hipótese, o pesquisador usa o conceito que subsidia a escala para desenvolver hipóteses relativas ao comportamento dos sujeitos com diferentes escores da escala.

Logo, as hipóteses desenvolvidas para este estudo foram:

• Adolescentes estudantes de escola pública, com menor padrão socioeconômico, menor frequência de comunicação, obterão menores escores na aplicação da escala;

• Maior frequência de comunicação associada às adolescentes estudantes de escola particular com maior padrão socioeconômico.

Para tanto, foi realizada uma análise comparativa entre os dois grupos de adolescentes de escola pública e particular (comparação de grupos contrastados) e as variáveis relevantes (os domínios e a escala total). Procedeu-se ainda à investigação de associações entre os resultados da PACS e PCS, e as características sociodemográficas, de comportamento e de comunicação relacionados à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes, mediante aplicação de testes estatísticos. O intuito, de tal procedimento foi avaliar se estas variáveis interferiam no resultado das escalas e se estavam de acordo com a literatura.