Francis Wilson
4. Conclusion
Para ressaltar os serviços e recursos oferecidos pelo CRAI voltados para a aprendizagem e a pesquisa, Domínguez Aroca (2005) organizou-os em recursos e serviços para a aprendizagem e a
investigação voltados para bibliotecários, recursos e serviços informáticos, espaços para aprendizagem e o ensino, e recursos e serviços para a aprendizagem, conforme os quadros 21 e 22. Quadro 21 – Recursos e serviços oferecidos pelo CRAI para aprendizagem e investigação
Recursos e Serviços para a Aprendizagem e a
Investigação voltados para Bibliotecários Recursos e Serviços Informáticos Informação eletrônica
Informação documental Formação e Orientação Consulta em sala ou remota Obtenção de documentos
Biblioteca de programas informáticos Design Gráfico
Suporte Editorial
Unidade de Reproduções e Fotocópias Assessoramento Técnico, etc.
Fonte: Domínguez Aroca (2005, p. 8).
Quadro 22 – Espaços e recursos e serviços oferecidos pelo CRAI para aprendizagem Espaços para Aprendizagem e o Ensino voltados
para os alunos e docentes Recursos e Serviços para a aprendizagem Aulas de autoformação
Aulas de aplicativos para automação de escritórios Salas de estudo em grupo
Cabines de estudo individuais Aulas docentes
Produção de áudio e vídeo
Produção multimídia, CD-ROM ou Web Unidade de Reproduções e Fotocópias Recursos e design educacional Apoio e Orientação
Fonte: Domínguez Aroca (2005, p. 8).
Neste sentido, Martínez (2004) ressalta que as universidades mais inovadoras estão analisando as suas estruturas e serviços próprios e, com isso, estão desenvolvendo as seguintes linhas: a) avaliação rigorosa dos serviços universitários a partir de uma análise de custos e resultados; b) potencializar os serviços considerados chave que incidem diretamente na qualidade e prestígio do ensino e pesquisa e, também, na estratégia e visão de futuro; e c) integrar aqueles serviços que realizam tarefas diferentes, mas tem objetivos similares.
Assim, Martínez (2004, p. 100-103) destaca quais os serviços que podem ser inseridos no CRAI, no contexto universitário atual.
a) Serviços de informação geral e boas-vindas da Universidade
Orientados aos estudantes novatos, oferecem informações sobre a Universidade, o campus e os cursos que esta possui; ademais, fornece, também, por meio de respostas rápidas informação sobre matrículas e outros procedimentos acadêmicos, acerca de professores e pessoal administrativo, atos institucionais e novidades, como também, a respeito da cidade; estas informações estão disponíveis seja de forma presencial, ou por meio eletrônico, podendo, assim, ajudar a melhorar a imagem da universidade e solucionar as primeiras demandas.
b) Serviços de biblioteca
São os serviços comuns de uma biblioteca universitária tradicional (empréstimo, atenção e informação ao usuário, acesso aos catálogos, etc.) mais os específicos de um CRAI, incluindo serviços para o ensino e aprendizagem, voltados para o ambiente virtual das bibliotecas, estes
últimos dirigidos a todos os usuários virtuais, incluindo acesso a repositórios institucionais, biblioteca digital e toda a gama de serviços online.
c) Serviços de informática para os estudantes
A importância dos serviços de TIC no contexto dos CRAI é fundamental para o êxito deste modelo de biblioteca universitária. A presença destes serviços significa gerir a identificação e acesso de usuários, suporte a todas as estações de trabalho do CRAI, de programação, e inovação tecnológica, de segurança e manutenção, de suporte ao usuário virtual, de empréstimo de notebooks, entre outros; Com efeito, um curso de formação baseado no modelo CI2 desenvolvido pela biblioteca universitária poderia trabalhar a título de exemplo, com dez conteúdos voltados para as TIC junto aos usuários estudantes e docentes: 1) veículos de acesso, incluindo conceitos de acesso e uso de computadores, impressoras; 2) protocolos de acesso incluindo conceitos de acesso a rede wifi da universidade, conexões para dispositivos móveis 3G e redes Redes Privadas Virtuais197 (em inglês, Virtual Private Network (VPN)); 3) identidade digital incluindo criação de usuário e senha, certificado digital, perfis de usuário na universidade, carteira de identidade eletrônica e segurança e privacidade das identidades digitais; 4) sistemas operacionais e software de automação de escritório; 5) internet e a web incluindo, a configuração e uso seguro dos navegadores e correio eletrônico; 6) portais web da universidade incluindo, o acesso e uso da intranet, ambiente virtual de aprendizagem (Moodle) e outras plataformas de ensino à distância (Opencourseware, canais audiovisuais, etc.); 7) processo de busca da informação com ênfase na identificação das necessidades de informação e as ferramentas disponíveis (catálogo OPAC, bases de dados, repositórios, guias temáticas, metabuscadores, internet e web social); 8) avaliação da informação observando critérios de autoria, fonte e atualização bem como aspectos críticos e reflexivos acerca desta informação; 9) organização e comunicação da informação incluindo, gestores de conteúdo (Wordpress, Drupal etc.), gestores de referências (Refworks, Mendeley, etc.), formatação de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações, monografias), citações de referências, uso ético da informação e aspectos relativos à publicação de uma obra; e 10) ferramentas para manter-se atualizado e compartilhar informação, incluindo sistemas de alerta da base dados, fontes RSS, agregadores de conteúdo digital (Netvibes, My Yahoo etc.), blogs, wikis, marcadores sociais, Google Docs e Dropbox (CRUE-TIC; REBIUN, 2012).
d) Serviços de suporte para a formação do professor
Envolvem a formação dos docentes por meio de novas práticas pedagógicas, oferecendo diversos recursos tecnológicos, com a utilização de hardware e software que propiciem a educação continuada de professores, serviço de identificação e acesso à informação, suporte às estações de
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As Redes Privadas Virtuais asseguram as conexões além do perímetro da rede local, permitindo que redes locais se comuniquem com segurança através da internet (PINHEIRO, 2007).
trabalho do CRAI, com o intuito de tornar o docente o guia e assessor do projeto educativo do estudante.
e) Serviços de criação e elaboração de materiais multimídia para docentes
O CRAI atuará como laboratório inovador para a criação de materiais multimídia que permita ao aluno acessar novos conteúdos, online, e pelas plataformas educativas digitais. Este serviço oferece, também, um laboratório de autoaprendizagem com estações de trabalho, o uso das TIC e programas informáticos para a edição de materiais, serviço de assessoramento criativo, bem como no desenvolvimento de projetos docentes, além de serviço de criação de metadados.
f) Serviços de laboratório de idiomas
Para poder atingir os objetivos de construção do Espaço Europeu de Educação Superior, e o desenvolvimento das competências profissionais, o aprendizado de idiomas se torna fundamental. Efetivamente, são oferecidos aos estudantes cursos de inglês e outros idiomas, por meio de modalidade semipresencial, virtual e autônoma, com a ajuda de professor especializado em curso
online, permitindo a autoaprendizagem, a conversação em grupo e serviço de consultoria e
assessoria.
g) Serviços de busca ativa de emprego
Mediante este serviço, o usuário pode aprender técnicas de buscas de emprego, visando, com isso, a habilitar alunos em final de curso a elaborar um currículo, a realizar uma entrevista de trabalho. Propicia, também, serviços de orientação profissional, acesso a bases de dados de empresas e busca de emprego pela Internet.
h) Serviços de salas de estudo em grupo e reserva de salas
Visa a gerir o acesso a salas de estudos durante 24 horas, em épocas de provas e períodos extraordinários. Assim, o CRAI procurará oferecer um número de lugares que seja suficiente para que os alunos possam acessar, por meio do seu computador, a Internet para trabalhar durante várias horas;
i) Outros serviços
Serviço de publicação e edição da Universidade, acesso à consulta de todas as publicações editadas pela Universidade, seja em papel ou eletrônica, serviços de livraria e papelaria, de material informático, de salas equipadas com TIC com estações de trabalho para os cursos de doutorado, seminários e apresentações de trabalho em grupo. Além disso, desta categoria constam, também, o serviço adicional de reservas de salas de aula por semanas e meses, de salas de trabalho, reuniões, exposições, debates e apresentações, bem como o acesso a espaços destinados à socialização da vida universitária, da escola e da faculdade, o serviço de restauração e espaço disponível para descanso.
Desta forma, Castro Filho e Vergueiro (2011) observaram que havia convergências e divergências dos CRAI espanhóis com as bibliotecas universitárias brasileiras, representadas pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi). Os autores dividiram estas convergências e divergências em três aspectos de análise: a) quanto às tecnologias de informação e comunicação na educação; b) quanto às bibliotecas universitárias; c) quanto à introdução de um novo modelo de biblioteca universitária – padrão CRAI.
Assim, esses autores notaram que quanto ao aspecto que envolve o emprego das TIC na educação, nas bibliotecas universitárias brasileiras são, poucas as que oferecem produtos e serviços relacionados com o processo de ensino-aprendizagem, enquanto na Espanha cada vez mais estão alocando estes serviços em suas bibliotecas, um exemplo disso está na possibilidade de os CRAI criarem e elaborarem materiais didáticos para os docentes, algo que é muito raro nas bibliotecas brasileiras.
Quanto ao aspecto que envolve as bibliotecas universitárias como um todo, segundo Castro Filho e Vergueiro (2011), a Espanha possui como diferencial a constituição de uma grande rede de bibliotecas universitárias, a REBIUN, que permite elaborar um planejamento a curto e em longo prazo, definindo metas nas diversas áreas de atuação com objetivos e linhas estratégicas no aspecto biblioteconômico e direcionado ao ensino-aprendizagem, conforme pode ser observado no III Plan
Estrategico de REBIUN 2020198, situação esta que difere no Brasil, por ser um país de grande dimensão geográfica, com diversos tipos de bibliotecas universitárias federais, estaduais e privadas que, desta maneira, não estão agrupadas em órgão único o que dificulta o estabelecimento de um planejamento conjunto. Outra questão convergente e divergente que envolve as bibliotecas universitárias brasileiras e espanholas, como um todo, está relacionada na forma como estão organizadas, pois, enquanto o modelo brasileiro está relacionado à implantação de uma biblioteca virtual como é o caso da Biblioteca Virtual de Saúde, no modelo espanhol, está direcionado para um espaço comum de educação e pesquisa.
Por último, para a introdução de outro modelo de biblioteca universitária no padrão CRAI, Castro Filho e Vergueiro (2011) partiram de alguns pressupostos: a) este modelo é benéfico para os usuários que teriam todos os serviços integrados em um só local. Além disso, os professores teriam o auxílio da biblioteca para elaborar materiais didáticos e testar novos recursos educacionais que empreguem a tecnologia; b) mudança de visão da universidade para o emprego de novas metodologias de ensino e aprendizagem deveria incluir a biblioteca para dinamizar este processo; e c) centralização de produtos e serviços oferecidos pela biblioteca universitária é uma condição para
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Documento III Plan Estrategico de REBIUN 2020. Disponível em:< http://www.rebiun.org/opencms/opencms/handle404?exporturi=/export/docReb/PE_REBIUN_2020.pdf>. Acesso em: 14 jun. 2013.
o aumento da eficiência institucional. Neste caso a mudança de paradigma envolve um novo estilo de gestão perante a comunidade acadêmica que reflete diretamente no ensino e aprendizagem.