Esse é um tema que não apresentou harmonia nos relatos. Parte dos entrevistados reconhece a existência de poucas – e bastante tímidas – políticas públicas que promovem a formação desses profissionais, como o Ciência Sem Fronteiras. No entanto, para eles, as políticas que existem não atendem às expectativas das organizações. Os entrevistados que deixaram um parecer positivo sobre o assunto argumentam que, embora já existam, essas políticas necessitam ser aprimoradas e melhor absorvidas pelas organizações. Já os que se manifestaram de forma negativa argumentam abandono do setor público para o desenvolvimento das organizações de tecnologia, ou ainda, que a própria indústria de TI não absorve os profissionais, por não ter condições, por estarem desemparadas.
“Desconheço políticas”. (Ev7G).
“Assim, a gente hoje não tem grandes programas públicos a não ser de responsabilidade social”. (Ev5A).
“Acho que aí políticas de gênero que muitas vezes vão para um âmbito um pouco maior, maior no sentido de hierarquia estatal protegendo essas vítimas de políticas federais como mulheres CEO... ou a participação moral na folha de pagamento de mulheres etc. não sei o quanto as políticas locais poderiam influenciar nisso, mas eu desconheço políticas locais voltadas à questão de gênero no setor de TI”. (Ev10D).
“O governo todo está errado. O problema é esse. A minha fala é essa. Ela sempre vai voltar no mesmo lugar, a gente tem, falando de Brasil, principal problema da inovação no Brasil, a escola é careta, o governo é careta, o sistema judiciário é careta, o banco é careta e o empreendedor é careta. Está tudo errado entendeu”. (Ev9E).
“Desastre”. (Ev9E).
“Políticas públicas é bem difícil pensar no que poderia ter feito a princípio precisa haver uma indústria capaz de absorver essa mão de obra e o primeiro passo e o segundo passo é ser tão atraente quanto a oferta lá fora”. (Ev13L).
As políticas de formação foram, neste fator, as mais citadas. Como dito anteriormente, nem todos os entrevistados as reconhecem, dada a timidez dessas políticas. Segundo aqueles que as reconhecem, elas precisam ser melhoradas ou mantidas – dado o risco de serem cortadas. Mas a percepção de que são necessárias é mencionada por todos.
“Você faz a retenção e vai melhorando o ambiente geral e econômico. Isso é um programa mais complexo, mas eu acho que isso tem efeito. Outro é ter uma política mais focada na inovação”. (Ev14G).
“Enxergar uma política pública... a gente tem coisa que pode fazer ainda dentro da universidade. Por exemplo, nós temos a ideia que a gente ou o cara tem que fazer os quatro anos e meio ou cinco anos de curso para receber seu diploma, ou seja lá o que for. Como assim, na França, o cara faz 2 anos, tem o diploma de 2 anos, faz mais um ano tem o diploma de três anos”. (Ev14G).
“Como política pública, eu acredito fortemente que a gente precisasse de um fortalecimento das universidades públicas, que são as responsáveis
efetivamente pelo início de inovação de qualquer processo de inovação dentro da sociedade”. (Ev16M).
“Política pública tem que ser investido desde formação básica até universidade pública de qualidade”. (Ev16M).
“A criação de uma política pública de internet para as coisas no Brasil”. (Ev16M).
“Não adianta tentar fazer tudo sozinho”. (Ev16M).
“Política pública nesse GAP aí da base de ter formação de escola técnica”. (Ev12P).
“Uma metodologia para formar esse cara saindo da escola, do ensino médio, ou seja, criação de escolas técnicas focadas em programação, mas eu acho que é uma saída para essa formação”. (Ev12P).
Parte dos entrevistados reconhece haver políticas, como, por exemplo, o programa federal Ciências Sem Fronteira – que atualmente está ameaçado de deixar de existir – e deixam claro que políticas de incentivos fiscais beneficiam não apenas as organizações, mas a sociedade local.
“Política pública a gente vê muito presente no porto digital, porque capta recurso público, criam coisa aberta a plataforma totalmente aberta para a sociedade, então, eu considero uma política pública de desenvolvimento de estado. Eles se preocupam, a prefeitura se preocupa, secretarias de estado e município se preocupam e se unem num programa, por exemplo, em vários programas de formação, internacionalização de profissionais, de conhecimento etc. Existe sim uma preocupação e uma atividade forte na política pública aqui é muito presente”. (Ev11E).
“O ano passado a gente teve 200 viagens para o Vale do Silício, certo? Só para lá, fora Chicago, fora Europa”. (Ev15B).
“Também coisas tecnológicas, Java, Java script, apoio a certificação, assistência a programa de certificação, então, o Porto Digital tem uma série de incentivos para formação de capital humano certo”. (Ev15B).
“O programa Ciências Sem Fronteiras, por exemplo, é uma iniciativa importantíssima. Não pode parar. Não é para o meu filho, não, meu filho está resolvido. É para a classe C e D, que está ingressando na Universidade. Se ele não tiver essa cultura mundial, falar uma língua acostumado”. (Ev15B).
“Descontinuidade das políticas afeta nossa formação de capital humano”. (Ev15B).
“Tríplice hélice da prefeitura é desenvolver a política pública sim para as empresas que estão aqui. É claro que acabam extrapolando o parque e acaba beneficiando outras empresas que não estão dentro do Tecnosinos, mas, por exemplo, hoje São Leopoldo pratica o menor ISS”. (Ev2A).
“Do orçamento secretaria de desenvolvimento do município para que as empresas pudessem submeter projetos e captar recursos alguns recursos para formação de talento para melhoria da qualidade dos colaboradores das empresas assim todo planejamento plurianual da prefeitura sempre a cada ano tem política pública orçamentária do fundo para desenvolvimento tecnológico em informática - FDTI”. (Ev2A).
Essa unidade temática remete a reflexão sobre algumas necessidades de ajustes nas políticas públicas. Obviamente, há, entre os entrevistados, os que, de alguma forma, encontram sustentação nas políticas para ações positivas, mas outra parcela de entrevistados não encontra esse mesmo suporte. Outra condição que se estabelece é que diferentes locais desenvolvem políticas diversas, não havendo uma simetria nacional, mesmo que estes locais sejam ocupados por um conglomerado de organizações como os parques tecnológicos.