2.4 New insight to teacher-students interaction
2.4.2 Classroom discourse in the activity system
O ITA possui programas e incentivos para especialização, mestrado e doutorado que oportunizam aos alunos STEM serem disputados no mercado de trabalho, mesmo que sejam para outras áreas.
“Os bons engenheiros se formam e vão para outros mercados, mercado financeiro etc. mas por quê? Porque esses mercados sabendo do valor intelectual dessas pessoas do potencial dessas pessoas, não interessa se são engenheiros aeronáuticos, eletrônico ou civil querem levar as cabeças para esses seus mercados, então nós tivemos uma fase que uma porcentagem significativa ia para o mercado financeiro, mercado de
consultorias, consultoria tudo bem é resolução de problemas, mas várias pessoas na área não são tecnológicas então tem feito, tem feito alguns ajustes nesse lado do empreendedorismo está mais forte ultimamente”. (Ev1CI).
Verificou-se que existe uma parcela de alunos que tende a migrar para diferentes locais. Esse fato é encarado com naturalidade, consequentemente a uma série de problemas estruturais e econômicos, como a baixa remuneração, a oferta de ambientes de desenvolvimento profissional e de estudos mais atraentes em outras regiões, entre outras situações. Soluções como o intercâmbio de alunos, ou ainda a criação de desafios parece ser conteúdo de algumas políticas ou preocupações.
“Nós o ITA, estamos nesse processo de internacionalização, a gente agora optou por duplo diploma, com várias escolas na França principalmente Polytechnique e Supaero e na Holanda ou lá em Berlim algumas escolas normalmente da Europa, mas para nós aqui do ITA foi uma coisa meio complicada fazer por que por lei o ITA não pode dar diploma para estrangeiro, diploma de graduação então nossa dupla formação, nossa dupla diplomação nosso aluno vai para a França ele vai ganhar um diploma lá da Polytechnique, vai ficar lá um ano e meio dois anos volta completa o curso e ganha o diploma do ITA e da Polytechnique”. (Ev1CI).
“Então pelo menos ao montar esse sistema ele volta para o Brasil, se forma no Brasil, tudo bem isso não o impede que depois ele volte para fazer um doutorado, não impede mas pelo menos há chances dele ficar no Brasil”. (Ev1CI).
“O problema dele sair da força aérea não é que ele não foi bem formado, é porque depois a força aérea não tem tido desafios interessantes”. (Ev1CI). Por fim, surge a constatação de que pouco pode ser realizado pela instituição, no que se refere ao processo migratório. Parece que sempre há uma oportunidade melhor que supere as iniciativas da IES como acordos e parcerias com empresas locais sem contar que é uma decisão pessoal de cada estudante ou profissional STEM.
“Tem muita gente que vai para outras áreas ou vai para fora do país isso a gente não pode impedir não tem como impedir, há uma pouca valorização dos nossos formados, não nosso do ITA, mas do Brasileiro, do engenheiro. As empresas dão um salário baixo, então quando vem uma organização que oferece possibilidade de continuar estudando a tendência do cara topar mais esse tipo de caminho é muito grande”. (Ev1CI).
“Questão do atual baixo nível de desafios tecnológicos que as pessoas do país estão oferecendo para os nossos jovens”. (Ev1CI).
Sobre questões relacionadas a gênero, foi possível constatar que, embora exista alguma iniciativa, o setor é, em sua grande maioria, formada por pessoas do gênero masculino. Com relação a políticas para o gênero feminino, o ITA tem projeto com uma empresa, específico para alunas e professoras. Cerca de 10% das vagas oferecidas, apenas, são preenchidas por mulheres.
“Bom às meninas depois da década 1990, 1996 foi a primeira turma que entraram as mulheres, que normalmente nós temos 10% que são do sexo feminino”. (Ev1CI).
“Nós estamos em um projeto junto com a Johnson, justamente nesse contexto Johnson rosa onde se busca desenvolver professoras e as alunas do ITA também, eu não consigo ver muitas variações disso não”. (Ev1CI). Outro importante aspecto a ser observado são as ações desenvolvidas com base na inovação tecnológica que oferecem visibilidade ao processo de formação com qualidade oferecido pelo ITA.
“Nós estamos entrando com um laboratório de bioengenharia onde se está mexendo com válvula de coração, com equipamento prótese e tem um laboratório aí que faz peças de avião, está fazendo agora substituindo ossos”. (Ev1CI).
As parcerias contribuem para essas ações. Em muitos casos, elas são desenvolvidas pelos próprios professores pesquisadores, que, com a liberdade acadêmica, por meio de projetos para o ITA, potencializam e ampliam parcerias, o que resulta no avanço significativo dos conhecimentos.
“A gente tem grupos de pesquisa e esses grupos de pesquisa têm seus pares, eventualmente esses pares estão na USP, geralmente esses pares estão na UFMG”. (Ev1CI).
“Cada um tem sua liberdade acadêmica de se desenvolver e procurar evidentemente uma aplicabilidade para aquilo que está estudando”. (Ev1CI).
“Por meio de algumas cooperações acadêmicas, instituições estrangeiras principalmente na França e com a Alemanha, então nós temos professores,
mas porque, professores nossos vão fazer doutorado lá, voltaram depois mantiveram seus vínculos então sempre é o interesse do professor que acaba direcionando”. (Ev1CI).
O tema das políticas de formação pode ser encontrado com detalhes no PDI do ITA. Parece evidente, porém, que os recursos existentes têm sido empregados com inteligência, por exemplo, por meio das parcerias internacionais, que possibilitam ao aluno o intercâmbio – com ou sem bolsa, de acordo com o convênio. Invariavelmente, para mestrado ou doutorado sempre há a oferta de bolsas do governo federal, ainda que neste momento seja em menor quantidade. Além disso, há as parcerias com empresas do setor privado na intenção de manter esse aluno na região.
Muitas bolsas foram oferecidas pelo governo federal em 2015, por meio de agências como a CAPES, sendo 64% das concessões de bolsas destinadas às instituições federais. De um total de 105.450 bolsas (divididas entre mestrado – 49.353, doutorado – 42.779 e pós-doutorado – 7.486), o Estado de São Paulo recebeu 24.892 bolsas do total, seguido por Rio de Janeiro, com 11.963 bolsas, Rio Grande do Sul, com 11.892 e Minas Gerais, com 11.344 concessões de bolsa. (CAPES, 2015). Essas concessões representaram naquele momento um incentivo à formação e à pesquisa das instituições, sobretudo as federais.
Por fim, percebe-se que a formação oferecida pelo ITA é cobiçada por outros segmentos, nem sempre das áreas das engenharias ou tecnologias. Esse perfil de aluno necessita de desafios e de infraestrutura para desenvolver seu potencial. Não raramente, durante ou após a formação, esse aluno pode optar pela mudança de ambiente, a fim de desenvolver suas habilidades. A questão de gênero é pouco discutida e poucas políticas foram desenvolvidas para a inserção da mulher nos cursos oferecidos pelo ITA.