Option Values and the Timing of Climate Policy
5. Concluding remarks
Além da fazenda Ibicaba, também a Morro Azul ocupava a Sesmaria de mesma denominação. Seu primeiro proprietário foi o Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, que participara do processo de Independência do Brasil e mantinha com o Imperador Pedro I relação de amizade.
A fazenda Morro Azul, oficialmente adquirida em 1821, precedeu a existência da sesmaria, como apontam informações de autores como Felipe de Barros Brotero (1941), Manuel Eufrásio de Azevedo Marques (1952) e Reis Filho (1982), segundo os quais as atividades da mesma se iniciaram por volta de 1806, já sob a gerência do Brigadeiro, que possuía também terras em várias partes da província, como a chácara Ipiranga – onde se proclamou a Independência - e a área onde hoje se encontra a cidade de Campos do Jordão.
Os autores apontaram que o Brigadeiro faleceu nos idos de 1826, deixando a propriedade para seus descendentes, dentre eles Silvério Rodrigues Jordão que, com a partilha da fazenda, viria a ser o proprietário da área da sede e construiria a casa-grande atual.
Warren Dean (1977) observou que esta sede da Fazenda foi construída entre 1868 e 1877, pelo filho Silvério Rodrigues Jordão. Todo o material de construção veio da Europa e de lá foram trazidos canos, blocos, vidros, móveis, portas e janelas, que, a partir de Campinas, vieram em carros de bois.
O Solar, construção residencial existente na fazenda Morro Azul, se destacava pelo projeto arquitetônico e forma de Palacete, com azulejos portugueses e ingleses, utilizados na decoração de sua fachada (FIGURA 16).
Por ter hospedado duas vezes o Imperador Pedro II, é conhecida na região como a Fazenda do Imperador, mais precisamente como Casa de Dom Pedro.
FIGURA 16. Solar da fazenda Morro Azul (século XIX). Fonte: BENINCASA, 2007, Vol. 2, p. 386 e 389.
Benincasa destacou, acerca do Casarão do Morro Azul:
Um dos mais antigos e requintados exemplares de todo o interior paulista, a usar esse repertório variado, é o casarão da fazenda Morro Azul, em Iracemápolis. Construído entre 1868 e 1877, possui planta que se desenvolve em três corpos distintos, sendo, o central, deslocado para frente, criando um pátio externo, aos fundos, e um corpo saliente na parte fronteiriça. Esse corpo dianteiro é assobradado, pois está no desnível do terreno. Seu piso inferior possui vários cômodos que devem ter servido para acomodação de visitantes, entre outros usos. O piso superior acompanha o dos corpos laterais, formando o pavimento principal dessa casa. O acesso a ele é feito por um pretório coberto, com três aberturas em arco, onde se iniciam as duas escadarias monumentais, cada uma com dois lances interrompidos por um descanso. Essas escadarias ladeiam o vestíbulo coberto, existente no terraço acima do pretório, que forma um volume independente, coberto por uma elegante cúpula metálica, encimada por agulha decorativa, também metálica. (BENINCASA, 2008, Vol. 2 p. 387)
Azulejos portugueses e ingleses revestem toda a fachada do corpo central e balaústres compõem o guarda-corpo da escada, terraço e ainda a platibanda, com vergas arqueadas nas aberturas do vestíbulo, estas terminadas em bandeiras, compostas por vidros coloridos.
Benincasa (2008) também apontou que arquitraves complementam a ornamentação, acompanhadas de “cimalhas, pilastras jônicas, gradis com datas e iniciais do proprietário, molduras, entre outros elementos”. Segundo o autor, os panos laterais de paredes, embora mais simplificados, contêm janelas tipo guilhotinas com vidros e folhas almofadadas, onde, na porção superior, notam-se azulejos e pestanas com consolos imitando folhas de acanto (FIGURA 17).
“Trata-se de um verdadeiro palacete construído em meio ao sertão paulista. Suas peças importadas, incluindo os azulejos, vidros e madeira, foram transportados em lombo de burro e carros de bois até o local, demonstrando a imensa riqueza de seu proprietário à época, Silvério Rodrigues Jordão.” (BENINCASA, 2008, v.2, p. 388)
FIGURA 17. Detalhes do Solar da fazenda Morro Azul (século XIX). Fonte: BENINCASA, 2007, Vol. 2, p. 387 E 390.
Na parte externa do casarão, um jardim se posiciona na porção frontal, acompanhando a topografia em desnível, entretanto formando patamares com níveis diversos, aos quais se chega através de escadas, edificados com desenho em simetria, onde estão postados canteiros e espelhos d’água.
As fachadas laterais e posterior são menos elaboradas, exceto nas faces voltadas para o pátio, em que as aberturas também apresentam desenho diferenciado, com vergas em arco pleno. Esse pátio traseiro é circundado, nas laterais, por uma mureta encimada de gradil metálico; ao centro, possui um grande canteiro oval, guarnecido de uma bela ânfora; aos fundos, tem-se acesso a uma enorme gruta artificial, de onde escorre água corrente para um tanque em semicírculo. É possível percorrer o interior dessa gruta através de uma passarela. Logo adiante, num patamar seguro por arrimos de pedra, está o belo bosque com árvores exóticas, guarnecido de várias edificações de gosto eclético, algumas com aberturas ogivais, outras com abertura em arco pleno e duas caixas d’água com desenhos diferenciados. Trata-se de um complexo de hidroterapia, com duas casas de banho, uma para homens e outra para mulheres, que contêm em seu interior, piscinas e banheiras de mármore de Carrara, dotadas de caldeiras, proporcionando, assim, banhos quentes, mornos ou frios. Uma outra edificação parece ter servido de lavanderia e depósito. O declive acentuado do terreno obrigou a dispô-las em vários níveis, acessados por caminhos e escadarias diversas. Esse belo e inusitado conjunto de edificações está sendo recuperado, aos poucos, pelos atuais proprietários. (BENINCASA, 2008, Vol. 2 p. 388)
Brotero (1948) relatou que com a morte de Silvério, em 1882, a propriedade da fazenda foi herdada pelos seus 15 filhos.
Segundo Marques (1952), entre os anos finais do século XIX e início do XX, a Morro Azul foi hipotecada junto à companhia Prado & Chaves, de Martinho Prado – irmão de Antonio Prado, fiscal de barreiras das tropas de mula e sócio da Cia. Paulista de estradas de Ferro - sendo entregue como pagamento.
Segundo este autor, por volta de 1911, o diretor geral da companhia financiadora, Luís Bueno de Miranda, casado com Laura de Sá Leite, adquiriu a propriedade e ali fixou residência.