Regional versus Global Cooperation for Climate Control
2. Background and Literature Review
Outra fazenda de importância na área do Morro Azul foi a Fazenda Santa Gertrudes, que também se originou da sesmaria que recebeu o nome daquela formação geográfica e teve início no Sítio denominado “Laranja Azeda”, que Amador de Lacerda Rodrigues Jordão herdara de sua mãe Gertrudes Galvão de Moura Lacerda – daí se origina o nome da propriedade - viúva do Brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão (proprietário da fazenda Morro Azul).
Segundo informações históricas da fazenda 140, Amador Jordão casou-se em 1852 com
Maria Hypólita dos Santos Silva, filha do Barão de Itapetininga, e foi agraciado, em 1858, com o título de Barão de São João do Ribeirão Claro. Dentre outras atividades, foi Deputado Provincial.
Inicialmente, as atividades estiveram voltadas para o cultivo da cana, para produção do açúcar e da aguardente, cultura que, com o passar dos anos, deu lugar à produção cafeeira. Por volta do decênio de 1850, a fazenda produzia tanto açúcar como café, ocupando uma área aproximada de 585 alqueires, passando, na década seguinte, a ter apenas no café sua principal atividade 141.
140 FAZENDA SANTA GERTUDES, 2009. 141 FAZENDA SANTA GERTUDES, 2009.
A fazenda produzia 30.000 arrobas de café e quintuplicara sua produção em 1861, quando o número de arrobas chegava apenas a 6.000, colocando-se como o maior produtor do município de Rio Claro 142.
Segundo Brotero (1948), Amador Rodrigues Jordão viveu até os idos de 1873 e sua viúva casou-se, três anos mais tarde, com o Marquês de Três Rios, que passou a ser o proprietário da fazenda até 1893, ano de seu falecimento. No inventário desse mesmo ano, a fazenda apontava 700 alqueires, mais de 600.000 pés de café e 85 casas de colonos.
Em 1876, chegaram a Rio Claro os trilhos da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, passando anteriormente pela fazenda e auxiliando no escoamento de sua produção. Em 1893, a Fazenda Santa Gertrudes cobria uma área de aproximadamente 700 alqueires, portanto, sua expansão já se fizera por mais de uma centena de alqueires143
Alexandre Luiz Rocha (2008) comentou que a baronesa Maria Hypólita faleceu no ano de 1895 e, como não deixou herdeiros em seus dois casamentos, a fazenda passou para sua irmã, Maria Antônia dos Santos Silva, casada com o conde Eduardo Prates, que recebera tal título por influência da Santa Sé, em agradecimento por suas obras de caridade.
Segundo este autor, o conde de Prates foi proprietário de terras e imóveis na capital - possuía uma gleba de terras onde hoje está o Vale do Anhangabaú, que, desapropriadas, serviram como capital para a edificação dos Palacetes Prates, edifícios de escritórios que se localizavam ao lado do viaduto do Chá, bem como de empresas exportadoras, casas bancárias, ações dos Armazéns Gerais São Paulo, da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e de muitas indústrias da capital e do interior.
Argumentou também Rocha (2008) que, ao receber a fazenda, Prates mandou executar um levantamento topográfico da mesma, objetivando o planejamento da propriedade, de modo a organizá-la com seu núcleo industrial funcionando com maior produtividade. Para tanto, foi contratado um arquiteto francês para elaborar um plano diretor para a fazenda.
Informações sobre a fazenda144 apontam que o casarão foi construído pelo Marquês de Três Rios, na década de 1870, e na passagem entre os séculos XIX e XX o Conde de Prates realizou amplas reformas estruturais no local, acrescentando, por exemplo, 10 banheiros com água encanada (FIGURA 18).
142 Ibid. 143 Ibid.. 144 Ibid..
FIGURA 18. Casarão e Capela da Fazenda Santa Gertrudes (século XIX). Fonte: BENINCASA, 2007, Vol. 2, p. 331 e 393.
Parte significativa dos materiais de construção veio dos países europeus, como lustres, azulejos, louças sanitárias, piso, encanamento de água quente e fria, tubulação de esgoto; os insumos restantes foram produzidos nas oficinas da própria fazenda, utilizando-se da mão-de- obra imigrante, como portas, janelas, estrutura de telhado e assoalhos, fabricados na antiga serraria que era equipada com máquinas alemãs145.
Uma das curiosidades desse casarão é o uso do sótão, dividido em dormitórios, além de cômodos destinados à rouparia, onde ficava a criadagem da família e de convidados, quando hospedados na fazenda. Outra curiosidade é a existência de vários terraços, que funcionam como mirantes, formando uma espécie de piso superior. Trata-se de uma solução bastante incomum em casas similares. O desenho
das fachadas, marcado pelo grande pano da empena triangular, privilegia a simetria e, não por acaso, esse casarão está locado no eixo central dos terreiros. A fachada oposta é igualmente simétrica e recebeu o mesmo tratamento cuidadoso, com ornamentos e paisagismo adequados. Ao contrário daqueles casarões tradicionais, esses, construídos sob a influência do ecletismo, dão a mesma importância formal a todas as fachadas. (BENINCASA, 2008, Vol. 2 p. 393)
Outra autora, Maria Silvia Casagrande Beozzo Bassanezi (1973), comentou que entre os idos de 1890 e 1910, além da fazenda cunhar a própria moeda, o Conde de Prates construiu uma das mais tecnológicas estruturas de plantação, benefício e comercialização do café (FIGURA 19).
FIGURA 19. Implantação da fazenda Santa Gertrudes século XX..
Na virada do século, a Santa Gertrudes possuía um milhão de pés de café e mais de 150 famílias residentes: “A maioria das casas das colônias foram construídas a partir de 1895, geralmente, por empreiteiros italianos e portugueses.” (BESSANEZI,1973. p. 83)
Novas glebas foram adquiridas e anexadas à fazenda e, com o conseqüente aumento da produção, mais casas tiveram que ser construídas. O número de casas ultrapassou a três centenas antes de 1930 [...], a população da fazenda, por volta de 1912, ultrapassou duas mil pessoas. Há registros de trabalhadores alemães, italianos, espanhóis, austríacos portugueses, argentinos, japoneses e cearenses que trabalharam na fazenda. (BESSANEZI,1973. p. 83)
A fazenda foi iluminada a gás acetileno em 1898 e a energia elétrica já chegava a ela em 1902. Devido às constantes interrupções de energia, foi instalada na fazenda uma turbina que produzia eletricidade (uma espécie de termoelétrica)146.
Com tantas inovações, a Santa Gertrudes passou a ser considerada uma fazenda- modelo e era frequentemente visitada por empresários e estrangeiros, convidados pelo Conde ou até mesmo pelo governo do Estado de São Paulo, para conhecerem o processo de cultivo, colheita e benefício do café147.
Rocha (2008) apontou que o Conde de Prates faleceu no ano de 1928, deixando para seis herdeiros, além de inúmeras outras propriedades, a fazenda, então com 1356 alqueires, patrimônio que facultou aos filhos e netos manter a propriedade da Santa Gertrudes, que hoje é administrada por Luís Filipe Botelho de Medeiros, um dos filhos dos proprietários atuais e bisneto de Eduardo Prates.