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A Simple Dynamic Model of Regional Climate Agreements

Regional versus Global Cooperation for Climate Control

3. A Simple Dynamic Model of Regional Climate Agreements

A fazenda Tatu tem seu nome devido ao ribeirão que corta a propriedade: Tatu, originalmente Tatuhiby (do tupi: tatu pequeno).

O engenho do Tatu foi fundado por volta de 1820, pelo capitão Luiz Manoel da Cunha Bastos, personagem de grande importância para o município de Limeira. Nasceu na Cidade do Porto, em Portugal, e ainda pequeno veio para o Brasil, quando sua família fixou

160 Nota dos autores: Processo no. 20.145 – CONDEPHAAT, Sobrado de Pedra do Barão de Grão-Mogol, Rio

Claro-SP, fls. 24 e 27.

residência em Vila Rica (Ouro Preto), onde posteriormente tornou-se militar. De lá, mudou-se para São Paulo. Na capital paulista foi promovido a capitão e tornou-se comerciante162.

Documento encontrado no Arquivo do Estado de São Paulo163, sob a forma de um Ofício assinado pelo então Capitão da 8ª Companhia, Luiz Manoel da Cunha Bastos, endereçado ao Presidente da Província e datado de 24 de julho de 1826, que informava sobre um desentendimento entre um cabo e um soldado do regimento, que gerou briga e agressões, com providências tendo sido tomadas, demonstra que o proprietário da fazenda Tatu ainda exercia cargo na Capital, naquela data.

Estas informações levam a duas suposições: a primeira, que na data apresentada pelo autor – início da década de 1820, a fazenda ainda não estava efetivamente produzindo, ou que esta se encontrava, naqueles idos de 1826, sob o comando de funcionários do Capitão.

Estas inferências, de certa forma explicariam o intervalo de datas entre a autorização para a edificação da capela em louvor a Nossa Senhora e a instalação do patrimônio – 1826, e a doação oficial da gleba – 1832, efetuada na Ibicaba. Possivelmente, tal intervalo teria sido ocasionado por Cunha Bastos estar ainda, naquele período, atrelado às responsabilidades militares na Capital, o que pode tê-lo impedido de comparecer à região para que se lavrasse a escritura definitiva de posse.

Com relação às atividades comerciais do capitão, Busch (1967) comentou que com os lucros de seu armazém, em São Paulo, tornou-se proprietário, no final da década de 1810, de terras na região de Limeira, adquirindo glebas das sesmarias do Saltinho e do Coronel José Manoel de Sá, ambas concedidas em 1799.

Nessas propriedades fundou o engenho Tatu – considerando-se as informações anteriores, de modo mais efetivo entre 1826 e 1832, e abandonou a carreira militar, dedicando-se exclusivamente à produção e comércio do açúcar.

O Capitão foi assassinado em 1835 e, por ser solteiro, não deixou herdeiros, ficando o Poder Judiciário responsável por suas terras.

O engenho Tatu e o Lagoa Nova foram separados e leiloados com todas as plantações e benfeitorias, sendo que Tatu foi arrematado por Maria Joaquina da Silva, por cinco contos de réis, duzentos mil réis a mais que o lance mínimo164.

No ano de 1854, com a chegada dos primeiros imigrantes, edificaram-se as colônias na fazenda Tatu, que tinha então como proprietário Cândido José da Silveira Serra165.

162 Cf. LEMOS, 1999, p. 88-89. 163 OFÍCIO, 1826, doc. nº 52, p 1. 164 Cf. BUSCH, 1967, p. 154-154. 165 Cf. MARQUES, 1952, p.187.

Naquele período, a fazenda possuía escravos, 8 famílias alemãs e 27 portuguesas, totalizando 142 pessoas166.

Entende-se que na década de 1850 a fazenda já se constituía em produtora de café - a cafeicultura já se consolidava na região, com contratação de mão-de-obra assalariada, como nas demais fazendas analisadas (FIGURA 26).

FIGURA 26. Implantação da fazenda Tatu século XX.. Fonte: SCARIATO, 2009, p.182.

Autores como Sthalberg (1999) e Busch (1967) apontaram que Tatu nunca abandonou a atividade canavieira. A cultura do café sempre ocorreu paralela à produção do açúcar e da aguardente.

Aquele primeiro autor observou que estes fatores fizeram com que o terreiro e a tulha improvisados que existiam na fazenda não mais comportassem a produção. Assim sendo, por volta de 1870 foi criada a fazenda Santo Antônio do Canguçu, uma Sessão da fazenda Tatu,

dedicada exclusivamente ao benefício do café. A sede, então, passou a dedicar-se somente à produção do açúcar e da cana (FIGURA 27).

FIGURA 27. Casa Sede da fazenda Tatu século XX.. Fonte: BENINCASA, 2007,Vol. 1, p.18.

Com relação às edificações da fazenda Tatu, Benincasa comentou:

A casa do Tatu é imensa, e sua planta retangular. Possui doze alcovas, três enormes dependências talvez de serviços, incluindo a cozinha, as salas fronteiras e mais quatro dormitórios. Ela sai dos padrões de época por ter somente as paredes externas de taipa de pilão, as internas de taipa de mão, fato ainda inédito na bacia do Tietê. A bateria de alcovas ao centro também era incomum, porém se tornaria quase uma norma, anos mais tarde, nas casas de fazendas de café! (BENINCASA, 2008, Vol.1, p. 18)

Este mesmo autor apontou, acerca do posicionamento dos edifícios:

Quanto à implantação, observa-se pela primeira vez, em São Paulo, um lanço de cômodos ligado ao casarão, seguido de outro, perpendicular ao primeiro. O primeiro lanço destinava-se, provavelmente, a diversas atividades como selaria, ferraria, depósitos, fabrico de alimentos e, talvez, também a acomodações para hóspedes de baixo estrato social, além de escravos de dentro. No segundo lanço, a senzala propriamente dita. (BENINCASA, 2008, Vol.1, p. 18)

Em 1876, a linha férrea da Companhia Paulista cortou as terras da fazenda e instalou uma estação a aproximadamente 700 metros da sede. Este local tornou-se estratégico para a Cia., que adquiriu uma área da Tatu para a instalação de um horto destinado à produção de madeira para dormentes e de uma pedreira, por existir jazida de basalto nas proximidades.

Tais atividades produziram, a partir de uma das colônias da fazenda, um aglomerado urbano, próximo à estação, formando-se então o distrito de Tatu, ainda existente.

3.9. Fazenda Itapema

Como apontado em Fazenda Itapema (2009), a Fazenda foi instalada em 1860, pelo Coronel Sebastião de Barros Silva, contando com a mão-de-obra escrava para retirar parte da composição nativa de mata Atlântica e ali introduzir a cultura do café (FIGURA 28).

FIGURA 28. Implantação da fazenda Itapema (século XX). Fonte: BENINCASA, 2007,Vol. 2, p.285.

A Itapema possuía, naquele período, a sede, os galpões, a senzala e os terreiros que, em grande parte, são conservados até os dias de hoje.

A história da fazenda se entrelaçou com a dos imigrantes alemães, que chegaram para trabalhar na colônia da Ibicaba - irmãos José e Simão Levy, os quais, em 1871, estabeleceram-se em Limeira como comerciantes e fundaram a Casa Bancária Levy & Irmão.

No início da década de 1900, receberam a Fazenda Itapema como quitação de uma dívida que Sebastião de Barros Silva mantinha com a referida Casa Bancária.

Major José Levy Sobrinho167, filho de Simão, juntamente com sua família, passou a residir na sede da fazenda Itapema (FIGURA 29). No auge do ciclo do café, tornaram-se grandes exportadores, através do porto de Santos.

FIGURA 29. Casa sede da fazenda Itapema (século XX). Fonte: FAZENDA ITAPEMA, 2010.

167 Nasceu em Limeira em 17 de dezembro de 1884, filho mais velho de Simão e Ana Levy. Fez seus estudos em

Petrópolis e em Poços de Caldas, seguindo para a Alemanha onde completou curso de comércio. Regressou para Limeira, assumindo a gerência da Casa Bancária Levy & Irmãos. Começou na política aos 21 anos como vereador. Foi Presidente da Câmara, Vice-Prefeito de 1908 a 1910 e Prefeito Municipal de 1910 a 1913. Nessa gestão trouxe até Limeira a água de Cascalho que abasteceu a cidade durante 40 anos. Foi presidente do Diretório Municipal do partido Republicano Paulista, Juiz de Paz e suplente de delegado. Casou-se em 1912 com Ana Carolina de Barros - filha do Capitão Manoel de Toledo Barros e bisneta do Barão de Campinas. Na revolução de 1932 foi chefe do M.M.D.C. e organizador do Batalhão Limeirense. Faleceu na Fazenda Itapema em 22 de janeiro de 1957. (LIMA, 2010 a ,p.7)

Com a crise mundial de 1929, o Major Levy substituiu a lavoura do café pela do algodão. Na década de 40 passou para o ciclo da cana-de-açúcar e, consequentemente, a produzir aguardente.