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Concluding remarks

Discussion and Further Work

7.4 Concluding remarks

No Rio, o grupo, cada vez mais místico, tem o mesmo ritual todas as noites: toma um longo banho de mar as 18:00hs; reúne -se no apartamento-comunidade onde realiza o ritual de fumar maconha, em roda, para rumar numa fila, em total silêncio, rumo ao Teatro Tereza Rachel. Lá, o público já está à espera, pois entra no teatro antes dos atores, que já não se auto-intitulam como tal.

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O ESPETÁCULO coletivo do Oficina. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 01 fev. 1972. Matéria de lançamento.

29- GRACIAS, SEÑOR: O TEATRO ESTÁ MORTO!

Os, agora, atuadores, com as roupas do corpo e todas as luzes de serviço acesas, palco nu – criando um anticlímax teatral –, encostam-se num paredão e começam a proferir seus nomes e números de seus referidos RGs. A partir de então, renegam a função do teatro como entertainment o teatro está morto! e induzem os espectadores a reconhecer a morte em suas vidas e a prospectar a necessidade de romper com seu papel social de classe – que os tornam acomodados, mesquinhos, agindo dentro de um padrão de normalidade que só aprisiona as suas energias.

Iniciam, então, um processo de apresentação de seus novos princípios de trabalho, com certo tom didático, a fim de que a plateia entenda o código de relação que se quer estabelecer. A partir de algo que se descobriu em viagem e se registra nesse roteiro agora apresentado , este coletivo em processo busca uma nova função para si e para o teatro, tendo como principio fundamental uma troca de experiências profunda e verdadeira com a plateia. Em paralelo, vivencia-se uma viagem diária em que cada espectador é parte integrante, sujeito e motor da ação, deixando sua contribuição para as futuras apresentações: um roteiro in progress, algo tão usual nos dias de hoje, mas naquele momento, passível de estranhamento por boa parte da plateia:

This night we don t play. Esta noite o show vai parar, enquanto não ficar claro o que é que nós estamos fazendo aqui.

O que é que eu e você estamos fazendo aqui. Mas nós sabemos que nós estamos mortos.

Nossa força é muito grande para caber em nossa relação, meu amor.

Um dedo me apontou: O teatro está morto. E eu vi que esse dedo era o dedo de um cadáver.

Adeus, meu amor, vamos morrer sem nos conhecer, sem termos nos beijado nunca na boca. Um monte de pessoas estraçalhadas. Não solidárias.

Teatro canhoto, sem regras, sem padrão. Teatro impulso. Teatro energia pura. Fogo nos teatros onde existir teatro.

Construir teatros onde não houve teatros. 136

Propondo uma nova forma de contato, praticamente intimando que os espectadores embarquem nesta entrega, nessa recusa do já estabelecido, o grupo passa por processos dolorosos de dualidade, numa reflexão prática dos valores, equívocos e possíveis redenções do inconsciente coletivo da classe média: a sala é um ser esquizofrênico que luta para redescobrir-se una; seus integrantes descem aos infernos e são submetidos a um espancamento coletivo, vivenciando na pele a violência de uma sociedade repressiva; são tentados e seduzidos de várias formas por representantes e ícones do consumo; devem optar pela lobotomização total ou arriscar-se a um tratamento inovador a fim de liberar toda a sua energia criativa encarcerada. Escolha feita, são divididos em dois grupos:

1) O primeiro é formado por aqueles que se recusam a rasgar seus documentos de identificação, ou seja, os que entregam, voluntariamente, seus cérebros ao Grande Sistema de Produção e que preferem, mesmo acusados de caretas , ainda assistir à ação, repetindo todo um repertório de relações mortas ;

2) O segundo, pelos escolhidos, que ganham a cena junto aos atores para descobrirem, juntos, algo ainda não revelado, mas que é um estímulo ao uso de uma energia secreta, perigosa, violenta, a engrenagem transformadora, a viagem da vida.

Aos que ousam participar, é concedido o prazer e o risco de vivenciar diferentes situações, míticas e sensórias, a morte, ressurreição e comunhão dos corpos, até a assimilação de um novo alfabeto, a percepção da mensagem final, já ao fim do espetáculo, de que são capazes de serem, mais que atores, atuadores ou comunicadores, motores da

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transformação. O objetivo da ação não está mais no teatro. Reside, sim, no sentido, razão e, quiçá, missão de toda a existência.

Em poucas linhas, este é o trajeto percorrido pelo roteiro do espetáculo /aula/ happenning/ playground Gracias,Señor. Por criticarem a submissão da plateia ao sistema estabelecido e, paradoxalmente, determinarem impositivamente um caminho de salvação em que a disponibilidade e o contato físico entre atores e espectadores é essencial, o trabalho soará pretensioso e experimental e causará uma indignação violenta dos mais velhos e ortodoxos e revelar-se-á uma curtição para os mais jovens e abertos às novas experimentações que se apresentam no momento.

Clóvis Garcia esmiúça os elementos que fazem o espetáculo ser mais aceito pelos estudantes – que em verdade foi sempre o público maior do Oficina – do que pelo público especializado que acompanhava o teatro brasileiro de longa data:

Para se assistir ao novo espetáculo do Oficina é preciso, em primeiro lugar, estar preparado para tudo: para gritar, para danças, sentar-se no chão, ser arrastado por uma corda e até brigar com o seu vizinho, porque a criação é coletiva e a separação entre público e atores é intencionalmente destruída aos poucos. Em segundo lugar, deve-se estar preparado para uma entrega ao espetáculo no plano emocional sob pena de se ficar marginalizado. Em terceiro lugar é preciso abandonar qualquer conceito anterior sobre teatro como espetáculo a que se assiste, para participar de um rito, como teriam participado os gregos da procissão dionisíaca primitiva, os cristãos do drama litúrgico medieval, ou os bantus nas suas teatralizações mágicas.

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