4 ANALYSIS
4.4 Porch analyses
4.4.6 LC-07: In-place, moment 45° from z-axis (lateral axis)
Estudar e analisar o espaço urbano de São João do Sabugi é de suma importância para se entender sua organização espacial. Assim, faz-se necessária uma abordagem e estudo sobre o meio urbano e para tanto é altamente valiosa a contribuição que o estudo da Geografia Urbana faz nesse sentido.
Enquanto fenômeno geográfico, a urbanização se apresenta como um conjunto de processos coordenados pela ação humana e cuja complexidade exige grande aprofundamento dos pesquisadores com vistas a compreender como a cidade se produz e reproduz como compreende um todo ao mesmo tempo homogêneo e heterogêneo, pois os espaços urbanos são, de modo geral, facilmente reconhecíveis na paisagem, porém cada espaço urbano apresenta suas especificidades, particularidades e singularidades.
Além disso, graças à compreensão do urbano, torna-se possível perceber como as pessoas se inserem e são inseridas neste espaço, acompanhando também os diferentes modos produtivos e as diferentes urbanizações que produzem e todas as
144 | P á g i n a diferenciações de apropriação do espaço urbano que ocorrem sob determinadas lógicas sócio-espaciais, produzindo assim tecidos urbanos que se complexificam à medida que são aprofundadas as relações produtivas no espaço (COSTA, 2000).
Dessa forma, é interessante ressaltar a questão do território que é muito bem definida por Santos (2007, p.56), em que o território é o lugar em que desembocam todas as ações, todas as paixões, todos os poderes, todas as forças, todas as fraquezas, isto é, onde a história do homem plenamente se realiza a partir das manifestações da sua existência.
O território, de qualquer forma, define – se antes de tudo com referência às relações sociais (ou culturais, em sentido amplo) em que está mergulhado, relações estas que são sempre, também, relações de poder. O território não é apenas o conjunto dos sistemas naturais e de sistemas de coisas superpostas; o território tem que ser entendido como o território usado, não o território em si. (...). O território é fundamento do trabalho; o lugar da residência, das trocas materiais e espirituais e do exercício da vida (SANTOS e SILVEIRA, 2001, p.247).
E, neste escopo, destaca-se o conceito de território usado, o qual, para Santos (2001), é central para a compreensão do espaço geográfico atual em suas múltiplas dimensões, ou seja, comporta em seu cerne todo o problema político do território (e do seu uso). Assim, valoriza-se a dimensão política da ação (para além simplesmente das formas), convocando-nos a pensar o futuro com todas as possibilidades de transformação nele contidas.
Para uma melhor discussão sobre o território usado, Santos e Silveira (2001, p.20) relatam que o que interessa discutir é, então, o território usado, sinônimo de espaço geográfico. Essa categoria aponta para a necessidade de um esforço destinado a analisar sistematicamente a constituição do território. Como se trata de uma proposta totalmente empiricizável, segue-se daí o enriquecimento da teoria.
Assim, o espaço urbano é o conjunto de diferentes usos da terra justapostos entre si. Tais usos definem áreas, como: o centro da cidade, local de concentração de atividades comerciais, de serviço e de gestão; áreas industriais e áreas residenciais, distintas em termos de forma e conteúdo social; áreas de lazer; e, entre outras, aquelas de reserva para futura expansão. Este conjunto de usos da terra é a organização espacial da cidade ou simplesmente o espaço urbano fragmentado. (COSTA, 2000, p.37).
Para Corrêa (1995, p.17) o espaço urbano não se constitui como algo uniforme, mas fragmentado e articulado, cuja fragmentação decorre da ação dos diversos agentes sociais, entre estes os proprietários dos meios de produção, os proprietários fundiários, o Estado e os grupos sociais excluídos.
A complexidade da ação dos agentes sociais inclui práticas que levam a um constante processo de reorganização espacial que se faz via incorporação de novas áreas ao espaço urbano, densificação do uso do solo, deterioração de certas áreas, renovação urbana, realocação diferenciada da infra-estrutura e mudança, coercitiva ou não, do conteúdo social e econômico de determinadas áreas da cidade. É preciso
145 | P á g i n a considerar, entretanto que, a cada transformação do espaço urbano, este se mantém simultaneamente fragmentado e articulado, reflexo e condicionante social, ainda que as formas espaciais e suas funções tenham mudado (CORRÊA, 1995).
Assim, para Corrêa (1995, p.23), a cidade pode ser considerada a expressão concreta de processos sociais, na forma de um ambiente físico construído sobre o espaço geográfico. Expressão de processos sociais, a cidade reflete as características da sociedade. A cidade firma-se como permanência da humanidade. Sua totalidade é constituída de partes efêmeras que se constroem e se destroem diuturnamente. A cidade é um emaranhado de fazer e desfazer: Construções, demolições, remendos, reformas.
Segundo Souza (1996), apesar da interdependência entre cidade e urbano, é fundamental distinguir que: a cidade é o concreto, o conjunto de redes, enfim a materialidade visível do urbano, enquanto que este é o abstrato, porém o que dá sentido e natureza à cidade.
Os processos espaciais são de natureza social, cunhados na própria sociedade (CORRÊA, 1989, p. 36). A partir da organização espacial preexistente na cidade em um determinado período, são verificadas mudanças substanciais quanto à forma e a intensidade das relações, criando um novo espaço e um novo sistema urbano, ambos redefinidos.
Dessa forma, a cidade segue criando sua própria identidade através das práticas construídas cotidianamente assim, a produção do espaço da cidade vai paulatinamente sendo construída e reconstruída, se afirmando como um lugar de espaço, singular, ímpar e diferente dos demais, e consequentemente ocorrendo o crescimento e desenvolvimento urbano.
A HABITAÇÃO COM O UM DOS PRINCIPAIS ELEM ENTOS FORM ADORES