• No results found

Computational Models

In document Perception-inspired Tone Mapping (sider 53-59)

No que se refere às preocupações com o banho e o asseio das crianças nas teses médicas, Duque (1864) recomendava que ao primeiro banho se fizessem as seguintes etapas, para limpar a criança de matérias escoadas na ocasião do parto:

começa-se por untar-lhe todo o corpo com óleo e manteiga fresca e sem sal, ou, o que ainda é melhor, com uma gemma de ovo desfeita em uma pequena porção de água que, desta sorte, se emulsiona facilmente com as matérias gordurosas do enducto sebaceo. Depois, com uma esponja macia ou com fios, ou com pannos usados limpa-se a pelle e mergulha-se a criança n’um banho que já deve estar de antemão preparado (DUQUE, 1864, p.19).

Doutor Costa (1840) também comenta sobre a necessidade de se limpar a criança do sangue e do “inducto caseoza” que cobre a criança após o parto, utilizando-se água e sabão, em seguida untá-la com manteiga ou gema de ovo em um banho morno.

Machado (1874) recomenda apenas o uso do sabão e de água morna para retirar a camada de matéria gordurosa que envolve a criança recém-nascida. Ele condenava a

prática de misturar bebidas alcoólicas na água do banho, pois isso poderia causar alguma irritação na mucosa das fossas nasais e “bronchia”. Criticou também o hábito muito comum no interior de banhar a criança no sangue quente de certos animais, buscando assim legitimar o conhecimento científico e desqualificar crendices da época. Paula (2011) afirma que a ideia de acrescentar ou não substâncias ao banho das crianças provocava muita divergência entre os médicos. Doutores como Portugal (1853) e Duque (1864) orientavam às mães que preparassem banhos com um pouco de vinho e aguardente para animar a criança quando ela nascesse fraca, ao contrário de Gomes (1852) que criticava este tipo de prática. O doutor Urculo (1882) era indiferente a tal prática.

Costa (1840) recomendava um banho com vinho quente no recém-nascido quando este nascesse fraco e não aconselhava o banho com águas aromáticas. Mello (1846) criticava o uso de vinhos e outras substâncias no banho das crianças. Ele advertia para o risco que poderiam causar ao recém-nascido e assim como Costa, acreditou na validade dessa prática, somente nos casos de crianças que nascessem fracas. Duque (1864) já mencionava que a criança ao nascer corria risco de vida. Desta forma, era dever dos pais, caso fossem católicos, batizar o recém-nascido.

A limpeza após o parto e o banho aparecem como algo de extrema importância para a higiene do corpo. Doutor Vieira (1882) considerava que nos primeiros dias de vida era necessário um cuidado especial com a pele das crianças, sendo o banho importante na prevenção de irritações causadas por sujeiras, excreções e urina. Recomendava que as loções, os banhos e a mudança frequente das peças do vestuário destinadas a receber as evacuações, eram os meios mais eficazes de evitar as irritações. Gomes (1852) considerava a limpeza importante para a transpiração e para evitar odores, recomendando uma limpeza especial nas regiões das virilhas, coxas, nádegas e axilas das crianças.

Urculo (1882) falava sobre a crença de algumas mães de não lavarem a cabeça de seus filhos nos primeiros dias de vida. Ele por sua vez, prevenia a importância de lavar a cabeça da criança e o corpo todo com água e sabão, e ter cuidado com os olhos. E tempos depois dos primeiros banhos, este mesmo médico recomendava banhos em água corrente e em lugares onde, além disso, fosse possível nadar, uma vez que considerava muito vantajoso a higiene desse tipo de banho. Acreditava ainda que a falta de banho

deixava a pele da pessoa endurecida e imunda, impedindo que ela repirasse bem, além de causar mau cheiro.

Todos os médicos analisados defenderam o banho diário. Eles não viam razão para que os banhos não fossem múltiplos, principalmente quando as crianças estivessem sujas com seus excrementos. Castilho (1882) afirma que a limpeza da criança é uma das condições indispensáveis para o seu perfeito desenvolvimento. Descuidar da pele do bebê acarretaria um desconforto das superfícies fisiológicas cutâneas.

Os motivos de discordância entre os higienistas em relação ao banho eram em relação à temperatura, à duração e à frequência dos banhos. Alguns médicos eram favoráveis a banhos frios com o objetivo de fortalecer as funções do corpo, enquanto outros, pelo contrário, recomendavam banhos mornos, como Mello (1846), Costa, (1840), Portugal, (1853), Castilho (1882) e Cerqueira (1882), que defendiam a ideia de dar banhos mornos nas crianças e ir esfriando lentamente a água, até que elas estivessem preparadas para receber o banho de água fria. Um exemplo é a tese de Duque (1864) no que se refere à temperatura da água que recomenda a temperatura de 28 a graus centígrados para o banho da criança. Este médico, apesar de reconhecer benefícios da água fria, condena o hábito de alguns países de dar banho frio em suas crianças, crendo que a mudança de temperatura possa causar danos à saúde.

Já o doutor Vieira (1882) adverte quanto aos banhos frios que não deviam acontecer nos primeiros dois meses de vida. E também os banhos quentes por sua inconveniência. Recomendava os banhos “indiferentes”, isto é, os que estavam na temperatura entre 25 a 30 graus e com duração máxima de 5 minutos. O médico Cerqueira (1882), alertava sobre frequência do tétano depois de banhos muito quentes. Ele prescrevia banhos às crianças de 25 a 30 graus de calor, com progressiva redução da temperatura e assim como Urculo (1882), indicou que o banho deveria ser de até 10 minutos.

Por sua vez, Costa (1840) era da opinião de que os pais não poderiam submeter os filhos a baixas temperaturas e ao uso de certas loções, pois poderiam provocar no recém-nascido tosses, catarros, dores no ventre e tétanos que poderiam levar à morte. Gomes (1852) afirmava que eram muitos os médicos que sugeriam os banhos nos rios, porém considerava que era melhor esperar a criança crescer primeiro antes de colocá-la em contato com a água fria.

In document Perception-inspired Tone Mapping (sider 53-59)