Supply of international sport events 1910-2005
5 Welfare, sport and media in Denmark and Norway
5.4 Competitive sport in a competitive state
ação estratégica
Para que o tratamento seja satisfatório e promova uma melhor qualidade de vida aos pacientes é necessário que haja uma excelente adesão ao tratamento farmacoterapêutico de forma contínua e persistente na maioria dos ARV (RESENDE et al, 2012). Neste sentido, os profissionais da saúde são indispensáveis, atuando de forma multidisciplinar na busca de identificar os principais problemas que podem levar a desfechos negativos no uso dos ARV e, com isso, diminuir a adesão (BRASIL, 2010a). Destaca-se, nesse contexto, o papel do farmacêutico, que através de estratégicas, como o serviço de Atenção Farmacêutica (AF), tem a responsabilidade de
fornecer orientações e esclarecimentos sobre os possíveis efeitos adversos, interações farmacológicas e com alimentos e propor um esquema terapêutico de fácil entendimento de acordo com as necessidades de cada paciente (BARRUETA, VALÍN; 2008), proporcionando, assim, um tratamento seguro e eficaz.
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2010b), o farmacêutico desempenha um papel-chave em programas de adesão à farmacoterapia em geral, principalmente em condições crônicas, como em casos de PVHIV/AIDS, em que o efetivo cumprimento da TARV é imprescindível para os desfechos clínicos e humanísticos propostos como, por exemplo, a diminuição da carga viral/elevação do linfócito CD4 e a qualidade de vida, respectivamente. Fatores que influenciam na adesão, como a toxicidade previsível, o esquema terapêutico complexo, os intervalos entre doses e preferências em relação ao esquema de medicamentos, devem ser discutidos em detalhes, em sessões individuais de cada usuário com o farmacêutico (COSTA, 2012).
Os resultados desses atendimentos podem ser relatados à equipe médica e utilizados para criar ou revisar um esquema de TARV de maneira individualizada, através do plano de AFT (JIMÉNEZ, 2010). O farmacêutico poderá fornecer subsídios à equipe multidisciplinar de atenção às PVHIV/AIDS e prever possíveis problemas de segurança farmacoterapêutica, tão frequentes com uso dos ARV e causa comum de abandono do tratamento (MAGALHÃES, 2011; COSTA, 2012). A equipe do cuidado farmacêutico poderá complementar suas ações em saúde com uma intervenção educativa que ratifique a importância do sexo seguro e ofereça ao indivíduo ferramentas de adesão, tais como caixas para comprimidos com divisórias internas (pill box), cartões individualizados com o esquema de doses, cronograma das doses diárias ou sistemas de lembretes (ex.: telefônico, associação a alguma atividade diária personalizada), além de informações sobre a doença (BRASIL, 2010b). Deve-se também estar disponível para esclarecer dúvidas que possam ocorrer em qualquer momento do tratamento.
O protocolo de assistência farmacêutica em DST/HIV/AIDS do Ministério da Saúde (BRASIL, 2010b) ressalta o papel estratégico do farmacêutico em prol do fortalecimento da adesão de cada indivíduo através de consultas educativas sistemáticas. Nestas, o farmacêutico terá a oportunidade de perceber e rever a capacidade particular dos usuários de entender os conceitos chave relacionados ao tratamento do HIV e suas interfaces com os fatores relacionados ao cumprimento dos esquemas ARV, e assim, buscar uma pactuação de como devem seguir seu
tratamento. Nesses atendimentos farmacêuticos, a capacidade de entender o esquema ARV, tomar e tolerar os medicamentos, bem como, a resposta virológica do indivíduo, podem ser monitoradas continuadamente (RESENDE, 2012).
De acordo com esse documento ministerial, os farmacêuticos são fonte valiosa de informação sobre a adesão, tanto aos usuários sobre seus medicamentos quanto à equipe de assistência à saúde sobre as questões logísticas ou problemas no consumo do medicamento. Além disso, promove a relação do usuário com a sua condição e tratamento e, também, o cuidado quando da presença de outras doenças, mediante o AFT adequado ao seu tratamento e a uma boa resposta imunológica (COSTA, 2012). Os registros de dispensação das Farmácias não devem servir apenas como método para avaliar a adesão, mas podem ser de extrema importância na condução do monitoramento do processo farmacoterapêutico e de gestão clínica (GOMES, 2008b). Um importante aspecto, nesse contexto, que é destacado no Protocolo de Assistência Farmacêutica em DST/HIV/AIDS do MS (BRASIL, 2010b) é a importância que a equipe de Farmácia forneça informações educativas a respeito da infecção pelo HIV antes do início da TARV e reforce essas questões durante os demais momentos da terapia. Cada indivíduo deve estar bem informado sobre o vírus, seu ciclo biológico, os medicamentos a serem utilizados, o modo como estes agem, como estocá-los adequadamente, os efeitos adversos possíveis e as interações com alimentos, medicamentos (SISCA et al, 2009), álcool, outras drogas e plantas.
O indivíduo também deve ter a ciência de que o primeiro tratamento é o que tem a melhor chance de sucesso. Essas informações devem ser transmitidas em linguagem acessível, levando em consideração seu grau de instrução ou nível de entendimento (ALMEIDA, VIEIRA, 2010). Uma vez iniciada a TARV potente, a adesão do paciente deve ser avaliada a cada novo encontro para averiguar se existem obstáculos afetando o nível de adesão (BONOLO, 2007). Conversas frequentes sobre o tratamento e apoio, tanto dos dispensadores como dos farmacêuticos e outros membros da equipe, poderão conduzir à identificação, prevenção e amenização de problemas que surgem entre uma visita e outra (MORIEL, 2011).
MAGALHÃES (2011) refere que as primeiras semanas após o início da TARV costumam ser críticas. Os efeitos adversos dos medicamentos, principalmente os gastrintestinais são sabidamente mais frequentes nesse período. Os pacientes podem criar expectativas negativas quanto à ocorrência desses efeitos adversos e, não raramente, podem desenvolver sintomas de ansiedade. Portanto, no decorrer dessa fase, os pacientes acabam necessitando de encontros
frequentes com os membros da equipe de adesão ou, especificamente, do farmacêutico UDM antirretrovirais.
No dia-a-dia da UDM, pode-se criar estratégias que potencializem a adesão, principalmente nos momentos mais críticos da terapia (início, abandono e mudança de esquema). O estabelecimento de um plano de tratamento é uma ferramenta que o farmacêutico pode usar e que facilitaria muito a adesão, segundo MOLINO et al (2014). Nesse plano de tratamento, deve-se incluir na descrição do esquema proposto, informações sobre os possíveis eventos adversos, assim como uma sugestão de condutas frente à sua ocorrência, incluindo orientações durante a dispensação (BRASIL, 2010b).
Em resumo, em uma concepção ampliada, a adesão à TARV pode ser entendida como o resultado do processo de decisão compartilhada entre o paciente e os profissionais de saúde que o assistem, como o farmacêutico (ROMEU et al., 2012). É fruto do estímulo à autonomia para o autocuidado e do estabelecimento de uma aliança terapêutica permanente, na qual são reconhecidas não apenas as responsabilidades específicas do paciente, mas também de todos os que estão envolvidos no tratamento. Para atingir o sucesso, a adesão deve ser entendida como uma atividade conjunta na qual o paciente não apenas obedece às orientações dos profissionais de saúde, mas as entende, concorda e segue (VITÓRIA, 2004).
Se, por um lado, as conquistas decorrentes da TARV deram à AIDS um caráter crônico, e possibilitou aos portadores de HIV/AIDS sua reinserção social e retorno à vida profissional e afetiva, por outro, o tratamento representa um grande desafio aos serviços, profissionais da saúde e pacientes (SADALA et al., 2006; RODRIGUES et al., 2010). Manter um alto índice de adesão exige que todos os envolvidos busquem constantemente as melhores estratégias para facilitar o enfrentamento das dificuldades encontradas no emprego da TARV, sendo uma dessas estratégias a ser agregada à atenção farmacêutica (MOLINO et al, 2014).