4. Discussion
4.1. Comparisons to prior work
trabalho era algo que apenas Henrique fazia no momento da entrevista. Havia perdido recentemente seu trabalho (informal) como garçom e procurava desesperadamente um outro, em algum dos ramos em que já havia trabalhado. No entanto, todos já haviam passado pela experiência de procura por trabalho em algum momento de suas vidas, mais particularmente a procura por um emprego formal, e tinham visões muito próximas em relação a essa peregrinação. Em suas tentativas de acessar o mercado de trabalho, duas dificuldades aparecem com força em suas narrativas: a falta de reconhecimento de suas experiências profissionais em função da ausência de registro em carteira – evidentemente mais acentuada por aqueles que nunca trabalhavam com registro, o caso de Eliza, Henrique e Wander – e a falta de estudo, dado que não haviam completado a escolaridade básica.
A primeira dessas dificuldades diz respeito à desvalorização de suas experiências profissionais pelo mercado de trabalho. Os cinco jovens, como já observado, haviam começado a trabalhar cedo e em ocupações diversas: caso de Eliza, que já havia trabalhado como garçonete em uma lanchonete, atendente em um lava-rápido, entregadora de panfletos, babá, caixa de supermercado e, no momento da entrevista, balconista em uma padaria; caso de Wander, que já se ocupara como cobrador de perua e auxiliar de mecânico até tornar-se vendedor ambulante; caso de Henrique, que começara a trabalhar com seu pai como auxiliar de pedreiro e já havia trabalhado como vendedor de rua, repositor de mercadorias e garçom; caso de Evaldo, que havia iniciado no trabalho agrícola, seguiu trabalhando em um lava- rápido, em uma fábrica de panelas, na construção civil e era auxiliar de expedição em uma fábrica de roupas; caso de Roberto que havia começado na construção civil com o pai, passado pelas ocupações de vendedor ambulante e repositor de mercadorias e, quando entrevistado, era ajudante geral em uma concessionária.
Excluindo-se Evaldo e Roberto, que trabalhavam com registro em carteira, os outros reclamavam do não-reconhecimento das experiências adquiridas em suas diversas ocupações, dado que nunca tenham conseguido trabalhar registrados, algo que comprovaria suas competências para o mercado de trabalho:
É, eu não sei. É um lugar ali que eles levam você pro serviço, né [provavelmente referindo-se a uma agência de emprego]. Que eles dão a carta, tudinho pra você ir. Só que chega lá e a maioria dos empregos é tudo com registro. Eles até encaminham você pro serviço, mas chega lá, a primeira coisa que eles pedem é registro em carteira, entendeu? Mas aí eles não querem saber se você já trabalhou. Eu mesmo, na época que eu tava parada, eu fui. Eu, meu irmão e o meu marido, só que aí, eu cheguei lá, falei
que eu já trabalhei em padaria, que tava sem trabalhar e ela falou que tinha duas vagas pro Itaim e ia mandar a carta pra eu ir lá. Aí, no dia da entrevista, eu fui, conversei que eu sabia trabalhar e tudo, só que aí a hora que pediu a carteira eu falei que não tinha registro. Não tive registro. Eu não fui registrada pra trabalhar. Aí foi onde eles falaram, que depois de três dias eles iam retornar. Até hoje não retornaram. Por causa de quê? Por causa de registro. Mesmo no Natal que tá precisando de muita gente, você chega lá, você faz a ficha, mas eles tão dando preferência pra quem tem registro em carteira. Então, porque aí é onde entra, o que aparece você pega. Você precisa trabalhar. Vai fazer o quê? Vai sem registro mesmo.
(Eliza, 20 anos, preta, ensino fundamental completo).
Também Wander reclamava dessa ausência de provas e, portanto, do não reconhecimento de suas habilidades: ele sabia trabalhar com o público, era um vendedor (ambulante), mas não tinha provas disso. Na busca por esse reconhecimento, chegou a contar mentirinhas, que de fato eram verdades, mas para as quais não tinha provas – o registro – e não podia fazê-las valer. Mesmo com mentirinhas nunca conseguiu estabelecer-se como vendedor em uma loja.
Às vezes tem uma mentirinha, né? Você tem que mentir um pouco pra ver se você arruma lugar, mas nem assim... tipo assim, vamos supor: já tem experiência em trabalhar com o público, no caso, de vendas? Eu coloco no currículo, tenho. Já trabalhou de vendedor? Já. Só que aí e a prova, né? Você trabalhou aonde e tal, podem perguntar. Porque eu acho que trabalhando como vendedor ambulante, de rua, eu acho que às vezes tem mais competência do que as pessoas que trabalham em loja assim, pelo jeito que a gente vê. (Wander, 20 anos, pardo, ensino fundamental completo).
A ênfase que atribuíam ao pouco (ou nenhum) reconhecimento que experimentavam no mercado de trabalho, fruto da ausência de registro em carteira, aproximava estes jovens de parte daqueles analisados por Tartuce (2007). A autora explora as experiências e percepções de jovens de diferentes origens sociais em relação ao processo de qualificação profissional e (re)inserção no mercado de trabalho na cidade de São Paulo, e encontra também, em uma parcela dos jovens investigados, particularmente entre aqueles de mais baixa renda – e portanto mais próximos dos jovens desta pesquisa –, uma configuração discursiva216 em torno da experiência ocupacional passada contraposta à exigência de comprovação na carteira de trabalho. Apesar de possuírem pelo menos dois anos de trabalho em um determinado ramo ocupacional, os jovens que Tartuce investigou não conseguiam que “eles” – “os patrões ou
216 No processo de análise de suas entrevistas, a autora chegou a sete configurações discursivas, ou seja, sete
categorias de análise em torno das vivências e representações do processo de qualificação profissional e da transição escola-trabalho entre jovens demandantes de trabalho na cidade de São Paulo, quais sejam: 1) “Experiência de vida versus experiência comprovada”; 2) “Sem experiência e sem faculdade, hora de arrumar um trabalho fixo, para viabilizar o estudo”; 3) “Hora de procurar estágio, para adquirir experiência”, 4) “Com objetivo e dedicação, cria-se a oportunidade” 5) “Estágio na área como porta de entrada para crescimento e reconhecimento profissionais”, 6) “Primazia do estudo em boas faculdades e alto capital cultural”; 7) “Medo de entrar no mundo adulto”. (Tartuce, 2007).
recrutadores” – reconhecessem essa vivência pela ausência do registro, e a isso atribuíam suas dificuldades para encontrar trabalho. Mas se a falta do registro em carteira não possibilitava aos jovens pesquisados pela autora comprovar suas experiências e fazê-las valer no mercado, isto não significava que eles as desvalorizassem, o que também parece ocorrer entre os jovens aqui investigados.
Em alguns casos, como os de Henrique, Wander e também Eliza, as experiências ajudavam a configurar uma determinada área de atuação e, se não resultavam na conquista concreta de empregos formais, ao menos facilitavam-lhes a circulação pelos empregos informais217. Todavia, como se observa na fala anterior de Eliza, se pela necessidade de trabalhar ela acabava aceitando trabalhos sem registro – “Você precisa trabalhar. Vai fazer o quê? Vai sem registro mesmo” –, não era qualquer trabalho.
A partir de suas experiências, definiam os trabalhos de que mais ou menos gostavam, os setores, os empregos para os quais nunca mandariam um currículo, os empregos que consideravam ter alguma chance. A área nesse caso não se relacionava a uma qualificação profissional específica adquirida em uma instituição de ensino, mas aos saberes práticos aprendidos em suas experiências de trabalho, que embora não lhes conferissem uma identidade profissional, tal como assinalado por Tartuce (2007) a partir de estudos de Dubar (2005), permitia-lhes uma facilidade maior em suas idas e vindas pelo mercado de trabalho.
Henrique é o caso mais elucidativo desse modo de agir, especialmente porque estava, no momento em que o encontramos, em busca de trabalho. Não havia terminado o ensino médio, não havia realizado nenhum curso profissionalizante, mas já trabalhara como repositor de mercadorias, garçom, vendedor de rua. Nunca teve registro, lamentava isso, mas não era apenas essa falta que acentuava em sua fala. Estava muito seguro e otimista em relação à sua possível contratação em uma rede de supermercados em função de seus saberes práticos na área de reposição de mercadorias. De todo modo, era preciso não confiar apenas neles, ainda mais considerando que não tinha registro em carteira. Henrique também apontou outros aspectos que entravam em jogo na busca por trabalho, tal como a aparência, o que estivera ausente entre os demais jovens desse grupo, talvez pelo fato de não estarem mais na procura.
Já peguei e falei ah, eu vou me arrumar direito, tal, pus uma roupa melhor lá que eu tenho, aí tirei os brincos, aí fui lá, fiz a barba e fui lá. Aí fiquei até meio cismado, falei deixo o cavanhaque ou tiro? Aí falei não, tira tudo, peguei, tirei...Eu fiquei meio assim cismado, vai que ele [o gerente do supermercado onde iria realizar entrevista] não vai com a minha cara, não
217 Os limites da distinção entre emprego formal e informal já foram anteriormente abordados. Para fins de
gosta de barba, não sei, porque a maioria que trabalha lá naquele supermercado sempre tá com o cabelo arrumadinho, aí eu falei vou fazer a barba, vou cortar o cabelo amanhã. Aí eu falei vou lá. Eu tava deixando o cabelo crescer pra fazer trança, né? Mas falei deixa pra lá, eu corto mesmo, da próxima vez eu deixo crescer. Aí fui lá, conversei com ele, ele falou 'você trabalhou lá?'. Trabalhei, tal. 'Quanto tempo?'. Seis meses. Ele olhando pra minha cara, eu lá e ele aqui. Aí ele falou 'tem mais conhecimento assim de mercado?' Eu falei 'não, só repositor mesmo'. Aí ele falou 'tá bom, você traz a semana que vem xerox disso, xerox daquilo'. Acho que ele quer ver mais a prática, currículo é importante, mas ele quer ver a prática, também quer ver a sua cara. (Henrique, 22 anos, preto, ensino fundamental completo).
Sobre esta narrativa de Henrique, de que o empregador e/ou recrutador quer ver a prática, mas também quer ver a sua cara, vale ressaltar que a maior parte de suas experiências e dos outros quatro jovens deu-se no setor de comércio, significativo provedor de oportunidades ocupacionais especialmente para jovens e mulheres (Sindicato, 2007). Porém, dado que a situação de trabalho nesse setor exige uma constante interação entre trabalhador e consumidor, não somente os conhecimentos objetivos são fundamentais para o bom desenvolvimento do negócio, uma vez que em tal situação:
[...] os atributos subjetivos (físicos e emocionais) do trabalhador passam a ser parte importante das estratégias de recrutamento e de avaliação de seu desempenho [...] Essas ilações não são infundadas, haja vista que estudos anteriores no setor de comércio varejista apóiam-nas ao indicarem que, em situações dessa espécie, os preconceitos e estereótipos com relação aos grupos de sexo – e especialmente com relação aos grupos de cor – tendem a ter um papel importante na orientação das decisões gerenciais e das atitudes dos consumidores vis-à-vis os trabalhadores (Guimarães e Consoni, 2003, p. 285).
Ao que parece Henrique já conhecia e, certamente, já havia vivido situações de preconceito em relação à sua cor/raça e idade, ainda que não os nomeie como tais. Nesse sentido, além de cortar o cabelo que ele “queria deixar crescer para fazer trança”, também tirou os brincos. Diferentemente de um outro jovem deste estudo (Evandro), que se recusou a cortar seu cabelo e de certo modo negar sua identidade racial e juvenil, tal como será visto, Henrique optou por uma saída estratégica (Dubet, 2002). Mas o que sua fala ressalta é a presença de mecanismos altamente discriminatórios, especialmente em relação à cor/ raça – mas não apenas –, que, se estão presentes no mercado de trabalho como um todo, acentuam-se em alguns dos setores em que esses jovens têm maior probabilidade de inserção, como no setor de comércio218 (Guimarães e Consoni, 2003).
Mas para além da desvalorização de suas experiências profissionais e da aparência, esses jovens ainda tinham um agravante em relação aos demais jovens deste estudo e daqueles
218 Algo um pouco diverso ocorre no setor de serviços, mais especificamente no setor de telemarketing, como
investigados por Tartuce (2007): só haviam cursado até a 8ª série, alguns bem menos que isso, como Roberto. Não por acaso, era este jovem quem sentia os efeitos mais perversos da pouca escolarização: suas dificuldades na busca por trabalho já começavam no preenchimento da ficha. Os demais faziam alusão freqüente aos argumentos que cansaram de ouvir no período em que saiam em busca de trabalho:
Tipo assim, se vai procurar: ‘você é novo, terminou o estudo?’. Não, tô estudando. ‘Ah, então não dá porque vai complicar na escola, tal’. Aí tipo, você já passou da idade de estudar, aí perguntam ‘terminou os estudos?’. Não. ‘Tem registro?’. Não. ‘Então já não dá, né’. Aí eu falei, ah, quer saber, não vou mais atrás de nada, não. Vou continuar por aqui mesmo. (Wander,
20 anos, pardo, ensino fundamental completo).
Ainda assim, suas falas são fortemente marcadas por ambigüidades quanto ao papel exercido pela maior escolarização, o que evidentemente é mais forte para aqueles que estavam empregados formalmente, o caso de Roberto e Evaldo, mas não apenas. No caso destes dois, reconheciam dificuldades que amigos estavam tendo para encontrar trabalho e ao mesmo tempo identificavam que eles próprios não haviam finalizado os estudos, mas tinham trabalho. A falta de estudo era um obstáculo, mas não para eles. De fato, na década de 1990, pessoas de baixa escolaridade apresentaram taxa de desemprego menor que aquelas de escolaridade média (até o ensino médio incompleto), ainda que tenha se reduzido significativamente a absorção daqueles com menor escolaridade (Gomes e Amitrano, 2004). Até mesmo Eliza, que trabalhava sem vínculo formal, reconhecia que mesmo que nunca tivesse conseguido emprego com registro, ao menos havia conseguido vários trabalhos, apontando que, na ocasião, nem mesmo informalmente alguns amigos com mais estudo estavam conseguindo uma ocupação.
Através de alguém eu vou conseguindo serviço, porque já me conhece e vai me indicando, entendeu? Aí com um você fala, conversa, então, através de uma pessoa. Hoje em dia pra você conseguir um trabalho tem que ser através de outra pessoa que já esteja lá dentro pra poder te indicar pra outra pessoa. Porque sozinho mesmo, de cara, na cara e na coragem está difícil arrumar. (Eliza, 23 anos, preta, ensino fundamental completo). Tá difícil encontrar trabalho hoje, eu vejo pelos meus colegas lá. Ficam tentando arrumar emprego e não conseguem, acho que por falta de estudo e de conhecimento de alguém, né. Muitas pessoas têm o estudo completo aí e não adianta nada, tem que ter um pouco de conhecimento também, né, de uma pessoa pra indicar você. (Evaldo, 20 anos, preto, ensino fundamental
completo).
As palavras de Evaldo e Eliza sugerem a necessidade de um tipo de conhecimento que não era propriamente escolar. Se fazem referência à falta de estudo como um obstáculo para encontrar trabalho, vale observar que essa falta era percebida como muito mais problemática para os colegas do que para eles próprios. Seja referindo-se a um passado em que saíram em
busca de trabalho, seja referindo-se ao momento presente, revelam que não tiveram muitas dificuldades em encontrar trabalho, remetendo suas facilidades aos contatos de seus familiares e amigos, e também aos novos contatos realizados a partir do próprio ambiente de trabalho. Certamente isso emerge com mais efeito entre Evaldo e Roberto, que haviam conseguido seus empregos formais por conta de um empurrãozinho de parentes próximos, mas também no caso de Eliza, que já havia circulado muito pela informalidade sempre com base na indicação.
A elevada freqüência com que jovens lançam mão de contatos informais para procurar e obter trabalho já foi evidenciada por outras pesquisas. Comparando resultados de estudos anteriores, abarcando perfis distintos de jovens, Ferreira (2005) constrói a hipótese de que esses modos de procurar e obter trabalho nem sempre facilitariam a inserção no mercado de trabalho regular ou em empregos de maior qualidade. De certo modo, essa hipótese parece acertada para os jovens deste grupo. Muito embora conseguissem empregos, eram sempre informais. Nos casos de Evaldo e Roberto, por exemplo, ambos estavam em seu primeiro emprego formal, mas exercendo ocupações pouco qualificadas. Tomando como referência a noção de “redes de laços fortes” (forte densidade) e de “laços fracos” (fraca densidade) de Granovetter (1974)219, Ferreira assinala que a força ou fraqueza das redes familiares, ou seja, dos laços fortes na busca e encontro de ocupações de maior ou menor qualidade, também é largamente impactada pelas características do próprio território. Em suas palavras:
Novamente, é possível constatar a importância das configurações do espaço e seu impacto sobre o modo como os jovens empregam as redes na busca de trabalho. A possibilidade de circular por redes diferenciadas e ter acesso a informações sobre oportunidades é mais acentuada para indivíduos cujas condições socioeconômicas permitem a menor dependência em relação às redes de laços fortes, com ancoragem no local de moradia. Os indivíduos que enfrentam dificuldades econômicas e dependem do apoio dos laços fortes para se manterem, principalmente em regiões que não atraem a presença de outras redes, que poderiam ser ancoradas em laços fracos,
219 Como observa Granovetter (1974), “se todos encontrassem seus empregos no New York Times, o assunto teria
pouco interesse sociológico”. Nesse sentido, Granovetter preocupa-se em analisar as redes e as maneiras como circulam informações sobre oportunidades de emprego. Nessa perspectiva, constrói os conceitos de laços fortes e laços fracos e sua influência na busca de oportunidades ocupacionais pelos indivíduos. Os laços fortes caracterizam-se por uma forte densidade: os indivíduos conhecem-se uns aos outros, são íntimos e próximos, encontram-se com freqüência e trocam serviços recíprocos. Por outro lado, os laços fracos são caracterizados por uma menor densidade, onde os indivíduos encontram-se pouco, são pouco íntimos e não predomina a troca de serviços com freqüência. Os resultados de sua pesquisa revelam que os indivíduos que conseguem transitar por redes de laços fracos têm mais chances de encontrar melhores oportunidades de trabalho, pois conseguem contato com um conjunto mais amplo e diversificado de indivíduos. É no interior dos laços fracos que há maior incidência de pontes, um outro conceito central do autor, significando a possibilidade de uma linha na rede propiciar um caminho entre dois pontos. Por meio de pontes há maior probabilidade de conexão entre pessoas desconhecidas do que por intermédio de um conhecido, por exemplo. De maneira diversa, aqueles que permanecem mais ligados aos laços fortes, como parece ser o caso dos jovens desta narrativa, tendem a permanecer mais “fechados” em contatos muito próximos que oferecem poucas chances para alcançar melhores oportunidades de trabalho.
enfrentam obstáculos para converter os seus poucos contatos com os laços fracos em pontes, por meio das quais poderiam obter informações sobre oportunidades. (Ferreira, 2005, p.111).
Parece ser esta última situação a que predomina neste grupo de jovens: apóiam-se largamente nos “laços fortes” tanto para manter-se nos períodos em que não encontram trabalho como para encontrar uma nova ocupação. Por vezes as redes familiares podem operar como pontes na perspectiva de apoiar contato junto a outras redes que favoreceriam acesso a empregos de maior qualidade. Em outros casos, no entanto, os indivíduos acabariam mantendo-se mais fechados, em espaços onde todos se conhecem e exercem ocupações semelhantes, dificultando acesso a melhores ocupações e também a idéias e valores diferenciados (Ferreira, 2005). Desse modo, se conseguem emprego por intermédio de “redes de laços fortes”, são sempre empregos que giram em torno da informalidade ou da exigência de uma menor qualificação, que se aproxima das ocupações de seus pais, parentes e amigos próximos. Nesse processo, o local de moradia tem um papel importante.
Além de se manterem fortemente atrelados a “redes de laços fortes”, constituídas por membros da família nuclear, parentes próximos e vizinhança, os jovens aqui apresentados, assim como os demais deste estudo, residiam em regiões da cidade com elevados índices de desemprego, distantes da região central e mais isoladas espacialmente, tal como já destacado. Nesse sentido, o local de moradia torna-se um elemento restritivo das possibilidades de alcançar um melhor emprego, pois:
A população residente nas áreas mais pobres da Região Metropolitana de São Paulo convive com taxas de desemprego mais altas, que se correlacionam espacialmente com a baixa oferta de emprego formal local; e,