• No results found

Comparison of UX deflection on each prototype for different wave periods

4 Experimental results

4.4 Comparison of UX deflection on each prototype for different wave periods

Em Apocalipse 7.9-17, João vê uma grande multidão, que ele descreve como inumerável. Ela ve m “de todas as nações, tribos, povos e línguas”, e está de pé diante do que

342 RUSCONI, Carlo. Dicionário do grego do Novo Testamento, p. 396. 343 BARR, David L. Tales of the End, p. 69.

344 Ruiz, Jean-Pierre Ruiz. Betwixt and Between on the Lord´s Day: Liturgy and the Apocalypse. In: BARR,

David L. The Reality of Apocalypse: Rethoric and Politics in the Book of Revelation. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2006, p. 240.

se assentava no trono e diante do Cordeiro. Suas vestes eram brancas e traziam palmas nas mãos. Duas obras do período do segundo templo poderiam ajudar a esclarecer estas imagens:

Os judeus nela entraram no dia vinte e três do segundo mês do ano cento e setenta e um. Entraram entre aclamações e com ramos de palmeiras, ao som de cítaras, címbalos e harpas, e entoando hinos e cânticos, porque um grande inimigo havia sido esmagado e expelido fora de Israel (1Mc 13.51).

Durante oito dias, fizeram uma festa semelhante à das Tendas, relembrando que, pouco tempo antes, haviam passado essa festa vagueando pelos montes e cavernas, como animais. Por isso, trazendo hastes e ramos verdes e folhas de palmeiras, entoavam hinos àquele que lhes estava dando a alegria de purificar o seu lugar santo (1Mc

10.7).

A multidão que aparece com folhas de palmeira nas mãos nas narrativas de Macabeus simboliza a vitória e a alegria após um conflito vitorioso. Se este for o caso, o grupo que o visionário vê é uma multidão vitoriosa, e seu canto também é um canto de vitória.346 Ambos os relatos dos Macabeus mencionam a relação entre o retorno vitorioso com as palmas e os cânticos de celebração. A multidão no céu também celebra, e o faz com um hino a Deus e ao Cordeiro (Ap 7.10):

h` swthri,a

tw/| qew/| h`mw/n

tw/| kaqhme,nw| evpi. tw/| qro,nw| kai. tw/| avrni,w|Å

A salvação (está) no nosso Deus

o que se assenta sobre o trono e no Cordeiro.

Esta multidão canta com grande voz (fwnh/ mega,lh). E o que eles celebram? Celebram a salvação.347 No contexto das palmas, o termo swthri,a (salvação) poderia ser entendido, também, como vitória.348 É outra declaração de vitória, para Deus e para o Cordeiro. De qualquer forma, não há salvação ou vitória fora de Deus e seu Cordeiro.

345 Segundo Caird, a cor branca aqui simboliza a pureza ou a vitória dos “santos”. Cf. CAIRD, G. B. A

Commentary on the Revelation of St. John the Divine, p. 100.

346 PRIGENTE, P. O Apocalipse, p. 147.

347 Para Aune, seria o livramento da perseguição cantado por aqueles que foram selados na testa (Ap 7.3). Neste

sentido, seria uma referência proléptica à salvação escatológica, ainda não concretizada no presente da comunidade. Cf. AUNE, David E. Revelation 6-16, p. 470.

145 Mais significativo ainda é perceber que esta é uma das mais explícitas descrições de seres humanos diante do Trono com participação ativa no culto celestial.349

Novamente, João vê uma sucessão de atos litúrgicos logo após a declaração de vitória da multidão inumerável. Os personagens celestiais mais perto do trono, os Quatro Viventes, os Vinte e Quatro Anciãos, desta vez são acompanhados por pa,ntej oi` a;ggeloi (todos os anjos).350 Todas as figuras angélicas presentes no culto celestial se juntaram aos adoradores anteriores. Diante do trono, eles se prostram e cantam (Ap 7.12):

avmh,n( h` euvlogi,a kai. h` do,xa kai. h` sofi,a kai. h` euvcaristi,a kai. h` timh. kai. h` du,namij kai. h` ivscu.j tw/| qew/| h`mw/n

eivj tou.j aivw/naj tw/n aivw,nwn\ avmh,nÅ Amém O louvor, e a glória, e a sabedoria, e a ação de graças, e a honra, e o poder, e a força ao nosso Deus,

pelos séculos dos séculos. Amém.

Este hino está emoldurado pela expressão litúrgica avmh,n. Ela abre e fecha o cântico agora entoado, que possui sete declarações: louvor, glória, sabedoria, ações de graças, honra, poder e força. Anteriormente (Ap 5.12), o Cordeiro também havia recebido sete declarações de louvor, mas com termos levemente modificados: poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor. Além da alteração na ordem das declarações, a “riqueza” do Cordeiro foi substituída, na declaração ao que se assenta no trono, por “ações de graças”.

349 PRIGENTE, P. O Apocalipse, p. 146.

O Cordeiro não foi mencionado neste último hino, mas tem sua ação novamente celebrada, se não na forma hínica, numa declaração de vitória pela voz de um dos Anciãos (Ap 7.14-17). Nestes versículos, as peças hínicas evidenciam um grupo que se vê formado por uma multidão inumerável, que lavou suas vestes e as alvejou no sangue do Cordeiro. A forma como ele aparece descrito sugere algum tipo de sofrimento e tribulação por causa da fé no Cordeiro, seguindo o mesmo caminho que seu Senhor.351

A descrição da multidão como tendo lavado suas vestes no sangue do Cordeiro novamente usa linguagem sacrificial. É pela morte do Cordeiro que esta multidão agora se apresenta vitoriosa participando do culto celestial.

Esta multidão inumerável contrasta com os 144.000 selados das tribos de Israel (Ap 7.1-8). Mas não são grupos separados. Ambos representam o povo de Deus. Simbolicamente, a comunidade em adoração é ao mesmo tempo vinda de todos os povos de cada nação e o verdadeiro Israel de Deus, da mesma sorte que são ao mesmo tempo inumerável multidão e um grupo de 144.000. Como defende Bauckham, as figuras que João vê no céu representam os mesmos personagens que ele vê na terra (os 144.000 de Ap 7.1-8).352

A comunidade, aqui, é identificada, simultaneamente como vitoriosa (vestida de branco e carregando palmeiras nas mãos) e vítimas (pois vêm da “grande tribulação”, segundo Apocalipse 7.14).353 Bauckham sinaliza que a visão dos 144.000 (Ap 7.1-8) e a multidão inumerável forma um importante paralelo com a descrição de Jesus como Leão (conquistador) e como Cordeiro (vítima) de Apocalipse 5.5-6. Em Apocalipse 7, João também ouve o número dos selados (Ap 7.4), mas vê especificamente uma multidão inumerável (Ap 7.9). A relação entre os “santos” e o Cordeiro estaria construída, assim, em paralelo.354

Na visão da multidão, bênçãos esperadas tradicionalmente para a intervenção final de Deus são descritas no presente da comunidade. Eles já vieram da grande tribulação (esperada para os últimos tempos) e já lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Não precisam esperar os tempos finais para experimentar estas realidades, pois elas já são acessíveis aos “santos” no presente, em função do sacrifício de Jesus Cristo.355