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Comparing the views of student sub-groups – why choose English?

Key concepts and definitions

5. Results A – Why students chose English 1 Introduction

5.9 Comparing the views of student sub-groups – why choose English?

Os esculápios pernambucanos também batalharam para implementar um sistema de abastecimento de água para o Recife. Nesse ponto, contaram com o apoio total do presidente da província, que havia facilitado a vinda, para a cidade, de uma missão francesa (a segunda que veio embelezar as cidades brasileiras) composta de engenheiros liderados por Louis Vauthier, em 1837.

Como era feito o suprimento de água no Recife, até então? A compreensão desse fato é importante porque será possível compreender até que ponto era possível a adoção de um discurso higienista nas instituições de ensino.

1.2.3.1 A distribuição de água em Recife: “Me despache seu João que a branca ta m’esperando mode tomá seu banho”

Tudo indica que no Foral de Olinda, datado de 1537, já constavam algumas orientações sobre o fornecimento de água para Pernambuco, especificamente para Olinda (MELO, 1991). Mas, de todo modo se sabia que a água de uso em Recife era procedente do Rio Beberibe, de um

lugar que Serpa, no seu ensaio de 1842 identificou como sendo o “lugar denominado Jangada ou Peixinho onde as canoas vão buscar água”. O que justifica a resistência no uso das águas do rio Capibaribe era o fato dela ser salobra (SETTE, 1948).

Por volta de 1830 a água de uso do recifense vinha de Olinda. Como ela chegava até o Recife? Usou-se canoa como meio de transporte. O estudo de Evaldo Cabral de Mello (1992) revelou que estas canoas, no geral, eram fechadas, mas havia também as abertas que, além de transportar os tonéis e barris de água, transportava pessoas e ambas conviveram pacificamente. Os reservatórios de água sim, quase sempre eram imundos, sem a menor condição de higiene ou mesmo qualquer tipo de proteção que evitasse a contaminação ou poluição da água. Essas canoas eram manobradas pelos escravos que se tornaram peritos em guiá-las.

Vencendo as dificuldades da correnteza e mesmo da sujeira do rio, os jangadeiros aportavam nos pontos de atracamento situados à margem do rio Capibaribe. Nestes locais, a água era comercializada ou mesmo fracionada para ser revendida em outros locais. O único tratamento que o líquido recebia, e mesmo assim, só em alguns casos “era ser coada em três panos antes de entrar no depósito” (itálico do original). Com este diferencial a dona do depósito de água que se localizava atrás da Ribeira do Peixe10 cobrava mais caro pelo precioso líquido, conforme relatou o historiador Flávio Guerra (1973, p.53).

Como é possível perceber a água era muito manipulada. A partir desses depósitos o líquido era acondicionado em diferentes vasilhames – púcaro, cântaro, bilhas, potes, jarras, cantarinhas ou quartinhas – para ser transportado ou vendido a domicílio pelos escravos que ficaram conhecidos por “aguadeiros”. Não é de admirar a ocorrência de epidemias de diarréia, com alto índice de letalidade.

Foi a partir de 1840 que o Conselho de Salubridade proibiu o uso de canoas abertas para o transporte de água, pois segundo consta, as pessoas que, também eram transportadas nessas canoas não tinham a menor cerimônia de satisfazer suas necessidades fisiológicas ainda estando embarcadas.

O serviço de encanamento da água no Recife se tornou realidade a partir do meado do século XIX. Segundo Luís de Castro Santos

10 O mesmo historiador esclarece que, atualmente, este ponto se refere ao local onde se encontra o Mercado de São

O Caso do Recife é à primeira vista surpreendente. Muito cedo, desde 1840, Pernambuco ganhou projeção nacional em matéria de obras técnicas... Recife já contava, desde 1846 com um reservatório e aquedutos para o abastecimento, a cargo da Beberibe Water Company (SANTOS, 2004, p.254).

A partir de então, as canoas de transporte de água começaram a rarear. Começaram a serem colocados os canos no Bairro da Boa Vista. No ano seguinte, chegaram a Santo Antônio e São Frei Pedro Gonçalves (MELLO, 1992).

Também, começaram a serem construídos chafarizes, em pontos estratégicos da cidade, para facilitar o acesso da população à água potável. Em 1840 foram construídos nove. Nos meados da década de 1850 houve a proposição para serem construídos mais 15, porém uma década após, apenas dois foram acrescidos aos que já existiam.

Figura 4: Rua da Cruz. Grav. Luiz Schallapriz. Fonte: www.longoalcance.com.br/recife/banco/htm.

No último quartel do século XIX, a Companhia de Água do Beberibe encaminhou à Assembléia Provincial um relatório sobre a localização dos chafarizes11, tanto da cidade quanto

11 Esses chafarizes estavam localizados nos seguintes pontos do Recife: Apipucos, Monteiro, Capunga, Largo da

Soledade, Campo Verde, Caixa D‟água, Rua de São Gonçalo, Praça da Boa Vista, Cais do Capibaribe, Cais do Ginásio, Largo do Carmo, Santo Amaro, Rua do Sol, Largo do Paraíso, Largo do Colégio, Largo do terço, Travessa

do seu arrabalde que serviam de pontos de abastecimento de água de uma boa parcela da população (JUCÁ, 1977).

Mas, a disponibilização dessas fontes de abastecimento não significava a redenção dos problemas de fornecimento de água e a população, que crescia, sofria com as constantes faltas. Segundo Freitas (1935), na metade do século XIX o Recife tinha uma população aproximada de 65 mil habitantes. Nem mesmo o encanamento das águas de Apipucos foi capaz de suprir as necessidades, além disto nem todas as casas tinham encanamento e, assim, continuavam dependendo dos aguadeiros para serem abastecidas. E isto começou a influenciar no cotidiano das pessoas. Por exemplo, o banho teve que se adaptar às circunstâncias e, as brancas das casas grandes e sobrados ficavam aguardando a escrava que ia à fonte buscar água. Quando esta chegava no chafariz geralmente o encontrava superlotado pela presença de outros escravos e, assim, ficava à espera do venderim para encher o púcaro. Quando isto demorava a acontecer, ela dava logo o aviso: “Me despache seu João, que a branca ta m‟esperando mode tomá seu banho” (SETTE, 1948).

1.2.3.2 As cacimbas holandesas: fugindo à falta de água

Mas, a população de Recife também tentou criar outros meios de resolver a falta de abastecimento de água e para isto se valia de estratégias como cacimbas12, para ter água abundante e mais fácil, além se ser gratuita. Fora isso, ainda era possível vendê-la quando o veio de água era rico e o líquido de boa qualidade ao paladar. Aliás, ressalte-se que o uso das cacimbas foi adotado pelos batavos quando invadiram Pernambuco e, ao chegarem ao Recife perceberam a dificuldade de obter água potável. Para protegê-las criaram o Forte das Cacimbas, posteriormente denominado de Forte das Cinco Pontas (MELLO NETO, 1983 apud MELO, 1991). A partir de 1912 elas foram terminantemente proibidas pela saúde pública em virtude do surto, muito grave, de Febre Amarela.

da Detenção, Viveiro do Moniz, Rua Imperial, Ponte dos Afogados, Arco da Conceição, Forte do Matos, Rua da Cruz, Rua do Brum, Madalena e Entre Pontes.

12

Cacimba. sf. Poço cavado até um lençol de água. FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. Minidicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 1977.

Mediante a descrição dessa situação caótica que se encontrava a terceira maior província brasileira, não era de admirar que houvesse a necessidade de uma intervenção drástica por parte daqueles que tinham o poder nas mãos.