Chapter 6. Three Mechanisms: Discussion of Findings and Overall
6.1 Three mechanisms
6.1.1 Communication of social obligations
Uma reflexão que se precisa realizar para iniciar este tópico, se refere ao fato de que, geralmente, algo é criado devido à existência prévia de uma determinada demanda. Parafraseando Constantino (2009, p. 136), a fim de explicitar essa realidade, por exemplo, ele afirma que somente "podem existir empresários, onde houver economia de mercado”. Com relação à Educação a Distância (EaD), partiu-se desse pressuposto para tentar apresentar brevemente algumas considerações a respeito das mudanças socioeconômicas e políticas que justificaram o surgimento dessa modalidade de ensino e de aprendizagem.
As transformações na estrutura de trabalho, advinda da emergência do fenômeno da industrialização, representa um “divisor de águas”, no que concerne a criação da EaD no cenário mundial (SEGRERA, 2008). No final do século XIX havia a necessidade de se criar uma metodologia que propiciasse associar educação e treinamento, pois predominava a preocupação com responder rapidamente às demandas sociais dessa época marco, em que o modelo socioeconômico capitalista ganha evidência.
Como exemplo, pode-se apontar a seguinte situação: o curso de taquigrafia, oferecido por Isaac Pitman, em 1840, no Reino Unido (que mais tarde se tornaria o Sir. Isaac Pitman Correspondência Colleges). Esta situação representou a chamada geração textual, por utilizar como principal recurso os textos impressos. Os cursos ocorriam mediante o envio de materiais (livros, cartas, apostilas) que utilizavam o sistema de correios (BASTOS; CARDOSO; SABBATINI, 2000; NETO, 2012).
Além disso, cabe destacar a criação do curso de formação profissional de métodos de mineração e prevenção de acidentes em minas, no ano de 1891, por meio do Journal Mining Herald da cidade da Pensilvânia/EUA. Essa proposta, idealizada por Thomas Foster, editor do jornal citado, atingiu um resultado favorável, que o levou à produção de uma série de cursos por correspondência em vários campos profissionais (LANDIM, 1997).
No Brasil, durante o século XX, as Escolas Internacionais, possibilitaram demarcar oficialmente a instauração do ensino à distância no país. Essas instituições referiam-se a centros educacionais estruturados em filiais de uma organização norteamericana. O público desses cursos eram pessoas em busca de aperfeiçoamento profissional, tendo em vista empregos nos setores de serviços e comércio. O ensino era por correspondência e os materiais didáticos enviados pelos correios (HERMIDA; BONFIM, 2006).
Este século também marcou um período de avanços nas metodologias empregadas no ensino à distância no cenário internacional. O emprego de novas formas de comunicação em massa, aplicadas ao âmbito da área educacional produzem novas maneiras de utilização da Educação a Distância (EaD), recorrendo a gravações de áudios (rádio), programas de televisão e outros (BELLONI, 2003).
A utilização do rádio, como um meio disponibilizado para o processo de ensino e aprendizagem das pessoas, representou uma experiência satisfatória fundamentalmente durante o período da Segunda Guerra Mundial. Nessa época, os norteamericanos usaram esse tipo de mídia para capacitar seus recrutas, no que diz respeito a se habilitarem para codificar e decodificar o Código Morse13 (NUNES, 1993, 1994).
Quanto à realidade brasileira, nesse mesmo momento histórico, algumas instituições iniciaram cursos por meio da utilização do rádio. A Igreja Católica, mediante a diocese de Natal-RN, fundou no período de 1959 algumas escolas radiofônicas que, por sua vez, originaram o movimento de Educação de Base. Outras experiências no Brasil, que utilizavam esse recurso, adotavam os programas Madureza e o Projeto Minerva, que transmitiam seus conteúdos formativos através do rádio (FARIA; SALVADORI, 2010).
Ao final da década de 1960, no Brasil, aconteceu uma estagnação nos sistemas educacionais de ensino a distância, via rádio. Nessa mesma época, a televisão se torna um importante instrumento para os programas de Educação a Distância (EaD). Na década de 1950, por exemplo, certas universidades americanas já estavam usando, em seus repertórios, aulas por TV, associadas a encontros presenciais (FREITAS, 2005). 13
Um sistema de representação de letras, números e sinais de pontuação através de um sinal codificado enviado intermitentemente. Foi desenvolvido por Smuel Morse em 1835, criador do telégrafo elétrico (importante meio de comunicação a distância), dispositivo que utiliza correntes elétricas para controlar eletroímãs que funcionam para emissão ou recepção de sinais.
O uso da televisão no Brasil, em programas EaD, teve seus primeiros registros a partir de 1960 (ALVES, 2009). A Secretaria de Educação de São Paulo, em 1961 ofereceu cursos preparatórios para o Ensino Médio veiculado pela TV, por meio da TV Rio, que passou a transmitir aulas, periodicamente.
Diante deste movimento, o Código Brasileiro de telecomunicações, criado em 1967 determina que as emissoras de TV passem a incluir na sua grade de programação programas educativos. O Sistema Nacional de Radiodifusão é um exemplo nesse processo que permitiu a inclusão de uma variabilidade de programas no ar (canal aberto) (LOPES, 2011).
Torna-se importante ressaltar que o uso das metodologias de EaD no Brasil estavam associadas a um movimento que tinha por objetivo fundamental formar e capacitar professores para atuarem no Ensino Básico brasileiro. Esta medida visava intensificar o processo de alfabetização da população e, com isso, reduzir um déficit presente nas estatisticas educacionais do país (GIOLO, 2008).
O uso da internet representa outro marco importante para o desenvolvimento da Educação a Distância no cenário mundial, por possibilitar a comunicação através de diferenciados dispositivos tecnológicos (telefone móvel, computador, tablet e outros) e permitir, ainda, o acesso a banco de dados e bibliotecas virtuais, videoconferências, entre outros recursos (BELLONI, 2003; MILL, 2006).
O advento da internet, em parceria com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs), criou possibilidades para facilitar o processo de gerenciamento das atividades executadas no âmbito da Educação a Distância (EaD) (avaliações, horários de abertura e fechamento do sistema, segurança nas plataformas virtuais de aprendizagem e outras) (MILL, 2012).
[…] a internet e outras tecnologias digitais trouxeram ricas possibilidades comunicacionais em tempos e espaços síncronos ou assíncronos. No âmbito da Educação a Distância, foram diversos as ferramentas e dispositivos técnicos que influenciaram (positivamente) a interatividade, fóruns de discussão, bate papo (chat), redes sociais e outros meios de interação provenientes das TICs (p. 29).
Os formatos de Educação a Distância (EaD), apresentados anteriormente, quais sejam, a correspondência, o rádio e a televisão; apresentavam, do ponto de vista didático
e pedagógico, certas limitações, principalmente, no que dizia respeito à relação que se estabelecia entre professor e aluno.
Essa nova estrutura, em que a Educação a Distância (EaD) está organizada, mediante as tecnologias da informação e comunicação (TICs), viabilizou que esse déficit apresentado nos outros formatos (correspondência, rádio e televisão) fossem minimizados. A estrutura espaçotemporal daquelas configurações convencionais de sala de aula foi transformada, de modo a permitir que a interação entre professor e aluno torne-se praticamente simultânea, superando dificuldades; tais como: realizações de avaliações, envio de dúvidas, recebimento de respostas, entre outras (MILL, 2012). A Educação a Distância (EaD), com isso, “[...] evolui rumo a propostas mais personalizadas de atendimento pedagógico entre sujeitos (professor e aluno)” (p.30).
Essa reformulação da organização espaçotemporal, propiciada nesse contexto, viabilizou uma maiora flexibilização didaticopedagógica e curricular; permitindo que a base formativa dos processos de ensino e de aprendizagem também fossem personalizados, favorecendo, dessa forma, condições que atendam aos interesses, aos estilos e às necessidades próprias de cada aluno (MILL, 2006).
Essas transformações históricas, principalmente aquelas que envolvem o avanço, promoção e difusão da internet, impulsionam a retomada do termo: educação on-line, visto a necessidade de se especificar bem essa expressão, que possui um papel fundamental no que diz respeito à delimitação do nosso campo de estudo.