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COLLABORATION BETWEEN DIFFERENT POLICY AREAS FOR DRUG PREVENTION: THE

7. DISCUSSION

7.2 COLLABORATION BETWEEN DIFFERENT POLICY AREAS FOR DRUG PREVENTION: THE

O ensino da hidrologia médica nas faculdades portuguesas só come- çou em 1922, intitulado «Lições de Hidrologia e Climatologia» nas três universidades portuguesas existentes na época (Lisboa, Porto e Coimbra). O Instituto de Hidrologia e Climatologia de Lisboa tinha sido cria do em

Figura 6.1 – Para cada doença tem Portugal a sua «cura de águas»

Fonte: Forjaz (1929, 17).

Doenças de pele: Cucos, Cal-

das, Moledo, Luso, Cambres.

Doenças do coração e artério- -esclerose: Curia, S. Pedro

do Sul, Rádio.

Doenças do estômago: Pedras

Salgadas, Melgaço, Vidago, Caldelas, Moura, Felgueira.

Doenças dos rins e bacia: Rá-

dio, Curia.

Obesidade, diabetes, sifilis, doenças ginecológicas: Ar-

senal, Caldas da Rainha, Vi- zela, Melgaço, Moledo.

PA R A C A D A D O E N Ç A T E M P O R T U G A L A S U A » C U R A D E Á G U A S »

Doenças das vias respirató- rias: Entre-os-Rios, S. Vi-

cente, Vizela, Caldas da Saúde, Caldas de Canaveses, Taipas.

Doenças do fígado: Gerez,

Rádio, Felgueira.

Doenças intestinais: Vidago,

Pedras Salgadas, Felgueira.

Reumatismo e gota: Monção.

Arsenal, Caldas da Rainha, S. Pedro do Sul.

1919, seguindo-se quase uma década de intervalo dos do Porto e Coim- bra (Acciaiuoli 1944). Estes institutos tinham a dupla função de divulgar as qualidades terapêuticas das águas e o turismo das respectivas estâncias que os artigos publicados na revista de Clínica, Higiene e Hidrologia tão bem ilustram.

Para este médico hidrologista, era a própria medicina oficial que con- tribuía para o não desenvolvimento dessa especialização médica pelo des conhecimento, «ignorância» e desvalorização deste tipo de terapêutica (Narciso 1947). Havia então que investir na formação. A organização do ensino da hidrologia médica deveria estar estruturado a dois níveis de formação: na licenciatura de medicina e no curso de pós-graduação. Na licenciatura de medicina fazia parte das disciplinas de terapêutica – a tera - pêutica termal – e na pós-graduação respondia a um imperativo da pró- pria legislação, a qual determinava que apenas os detentores deste curso de especialização fossem directores clínicos das termas. Nesta pers pectiva era indispensável começar por sensibilizar e formar os alunos de medicina para este campo, dando a conhecer as termas.

Para Armando Narciso o ensino deveria ser feito em centros especia - lizados, mas deveria haver um contacto directo com o terreno (as termas), condição necessária a um médico hidrologista, pois eram os médicos hidro - logistas que regulavam a organização das estâncias termais, quer no seu as- pecto terapêutico e sanitário quer no seu aspecto recreativo e, tal como já atrás foi referido, tinham mesmo a função de divulgar turisticamente a re- gião. É enquadrada nesta lógica que podemos compreender a importância dada ao turismo e à realização de «excursões científicas» a termas.

A relação com o turismo está bem patente nos vários artigos publica- dos tanto nesta revista como noutros periódicos e monografias médicas, sendo até a revista Panorama, uma boa ilustração da relação entre a me - dicina termal e o turismo, que Armando Narciso promove:

o turismo floresce à sombra das ciências económicas, das ciências geográficas, das ciências médicas, e ainda da literatura e da arte. São estas ciências que ensinam como se devem apetrechar as estâncias de cura e repouso, como se deve aproveitar as águas e os climas, e até como se deve fazer a propaganda, para que ele mereça o devido crédito nos meios cultos (Narciso 1935b, 17). Em Portugal, a relação existente entre a medicina e o turismo é assim bem evidente, sobretudo na primeira metade desse século, como ilustram algumas das publicações existentes relativas à divulgação («propaganda») de Portugal como um país de turismo, de que é um exemplo a revista

Panorama (editada por António Ferro) e alguns guias editados pelo Secre -

tariado de Propaganda Nacional e posteriormente pelo SNI,6onde há

frequentemente uma entrada dedicada às termas portuguesas ou a uma estância termal específica (Quintela 2008). Os autores destes artigos são sobretudo médicos, onde Armando Narciso se destaca pelo número de artigos e notícias sobre esta temática, defensor da necessidade de esta - belecer uma aliança entre o turismo e a medicina termal, como meio de desenvolvimento do país, das regiões, do turismo e da própria hidrologia médica.

É provável que, se o turismo chegar a desenvolver-se entre nós e se con- seguirmos fazer entre estrangeiros a propaganda (mas propaganda scientifica e não simplesmente reclamo comercial) das nossas águas, novo alento venha a tomar a industria hidromedicinal (Narciso 1935a, 6).

Assim, era necessário incrementar «indústrias» e «turismo», bem como a «propaganda» associada, onde os médicos termais teriam um papel pri- mordial. Para dar a conhecer as águas, as termas e as regiões, os futuros médicos tinham, eles próprios, de as conhecer primeiro. Era necessário conhecer o «campo», para Armando Narciso condição imprescindível na formação de um médico hidrologista. Não conhecer as termas era por ele considerado «um facto tão aberrante como ser dado a um médico o título de cirurgião, sem ele nunca ter entrado numa sala de operações, mas só porque aprendeu pelos Prosectores a técnica de operar» (Almeida 1948, 143).

Foi nessa lógica que promoveu a organização de «excursões científicas» a termas aos alunos do 4.º ano de medicina e do Instituto de Hidrologia de Lisboa. Em cada uma destas estâncias termais os alunos conheciam as instalações, ouviam uma comunicação «científica» proferida geralmente pelo director clínico do balneário e pelo director do Instituto – Armando Narciso e, posteriormente, visitavam os lugares.

A «excursão» realizada em 1935 durou 15 dias e foram visitadas «37 estâncias hidro-climáticas» (Almeida 1948, 143), começando em Lisboa e seguindo depois para norte até às Beiras. Fizeram parte deste grupo ex- cursionista médicos, professores e jornalistas. A última excursão realizada e organizada por Armando Narciso foi efectuada um ano antes da sua morte e durou apenas dois dias. Nesse ano o itinerário foi realizado às termas de Cucos, Caldas da Rainha, Curia, Luso, uma visita à Universi-

dade de Coimbra e à Faculdade de Medicina desta universidade, tendo terminado nas termas de Monte Real. As «palestras» proferidas durante estas «peregrinações», os itinerários e os relatos da viagem eram posterior - mente publicadas na revista Clinica, Higiene e Hidrologia.

Como disse o Prof. Armando Narciso, ao jornalista do Diário de Lisboa, estas excursões têm vários objectivos. Um deles, e talvez o maior, é o da evangelização científica, feita nas termas e nas estâncias climáticas. Por onde vão passando os excursionistas muito em especial o seu Mestre, vão aconse- lhando o que convém fazer para os bons resultados da terapêutica termal climática, o que representa uma das funções do Instituto, que é a de espalhar conhecimentos por todo o país, não limitando o seu ensino dos médicos que o frequentam. A esta extensão do ensino da hidrologia já alguém tem chamado e com toda a razão, curso de férias do Instituto de Hidrologia e Climatologia (Pamplona 1935, 8).

Depois da morte de Armando Narciso não são publicitadas excursões, o que leva a crer que estas terão acabado. No número especial deste perió - dico dedicado postumamente ao seu director são assim descritas estas excursões:

A visita às termas era feita sobre diferentes aspectos. Estudo das águas minerais em si, sua constituição química, suas qualidades terapêuticas, suas acções acessórias: estudo sobre o modo como era feita a captação: e visita pormenorizada às instalações das termas. Balneário, laboratório, gabinetes de tratamento etc, etc, tudo era visto com os olhos argutos de inspector que era Armando Narciso. Aos seus alunos o Mestre ia expondo durante a visita os reparos sobre os defeitos que encontrava; e sempre que dirigia a sua crítica aos directores do estabelecimento termal, o fazia de uma maneira agradável mas a que não era estranha a firmeza das suas decisões. [...] Depois de es- miuçar todos os pormenores das instalações, seguia-se a reunião científica. Falavam os médicos das termas, e no fim, Armando Narciso (Figueiredo 1948, 164-165).

A atenção dada por este médico à «propaganda científica» não se limi - tava apenas a dar a conhecer aos alunos de medicina o território nacional e os recursos termais existentes; era também preciso propagar além-fron- teiras fomentando a troca e circulação de saberes com centros de produ- ção de conhecimento científico europeu, designadamente através de pu- blicações e reuniões científicas.

Troca e circulação de saberes com centros