4. DRØFTING
4.1.3 Clear-Hold-Build i Ramadi
João Köpke, filho de Henrique Köpke12 e Felisbella Cândida e Vasconcelos, nasceu aos 27 de novembro de 1852, em Petrópolis, Imperial Colônia da então província do Rio de Janeiro. Casou-se em 1872 com Maria Isabel de Lima13. Faleceu em 28 de julho de 1926 em sua casa, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro.
Este capítulo tem por objetiv
, ao longo dos anos 60 e 70 do século XIX. Para buscar uma melhor compreensão de sua formação intelectual, procura-se recuperar o ambiente físico, social e político em que Köpke se movia, apresentando, assim, seus colegas, seus mestres, as disciplinas e os compêndios estudados, enfim, as escolas por ele freqüentadas. Escola aqui entendida como sen
ialização e aperfeiçoamento para o exercício da função intelectual (cf. Gramsci, s/d, p.12-3), mas também, ou prioritariamente a serviço da reprodução e da legitimação da dominação exercida pelas elites, conforme explicita Bourdieu (2003a):
A escola não cumpre apenas a função de consagrar a “distinção” – no sentido duplo do termo – das classes cultivadas. A cultura que ela transmite separa os que a recebem do restante da sociedade mediante
de diferenças sistemáticas: aqueles que possuem como “cultura” (no sentido dos etnólogos) a cultura erudita veiculada pela escola dispõem de um sistema de categorias de percepção, de linguagem, de pensamento e de apreciação, que os distingue daqueles que só tiveram acesso à aprendizagem veiculada pelas obrigações de um ofício ou a que lhes fo
12 Na época de seu casamento, Henrique Köpke tinha um filho de onze anos, “provavelmente de uma perfilhação
ou união anterior desconhecida” (Fróes, 1998a, p.8), cujo nome era Henrique Augusto Köpke. Com sua esposa teve outros quatro filhos: Henrique Junior, João, Lavínia e Felisbella.
13 Não foi possível localizar com precisão o número e o nome dos filhos de João Köpke e Maria Isabel de Lima.
Tendo fr
provavelmente aos 7 anos, em 1860, João Köpke ali permaneceu até os 14 anos, limite m
lícito afirmar que Henrique Köpke
Em segundo lugar, porque a educação superior se conce
vinciais, São Paulo e Recife.
que muito contribuiu para a unificação da elite imperial – a ocupação: eqüentado o curso primário no colégio da família, onde ingressou
áximo de idade para o atendimento prestado pelo educandário.
Nesse sentido, conhecer a história da família Köpke, e conseqüentemente a do Colégio de mesmo nome, é fundamental para se compreender a herança cultural, familiar e escolar de João Köpke.
Pensando em termos econômicos e culturais, é
e sua família pertenciam à elite imperial brasileira. Esta afirmação se sustenta pela soma de dois fatores, a educação e a ocupação, ambos poderosos elementos de unificação ideológica da elite. De acordo com Carvalho (2003), durante o Brasil Imperial, a educação foi marca distintiva da elite.
Em primeiro lugar, “porque quase toda a elite era uma ilha de letrados num mar de analfabetos” (p.65).
ntrava prioritariamente na formação jurídica e fornecia, conseqüentemente, conhecimento e habilidades bastante homogêneos. Em terceiro lugar, porque, até a Independência, a formação jurídica se concentrou na Universidade de Coimbra14 e, após a Independência, em duas capitais pro
Henrique Köpke apresentava exatamente este perfil. Possuía estudos superiores na área jurídica, obtidos em Coimbra, e à sua educação superior somava- se outro fator
A ocupação, principalmente se organizada em profissão, pode constituir importante elemento unificador mediante a transmissão de valores, do
quando, após retirar-se de São Paulo, a família mudou-se para o Rio de Janeiro. “A família dormia no chão. A mulher, grávida de seis meses, fazia a cozinha; as filhas, alegres dessa alegria despenada da inocência, lavavam, como no mais delicioso dos brinquedos, a louça e a própria roupa” (Pestana , 1906, p.797).
Há também uma menção de Antônio D’Ávila (1943) a respeito deste mesm
casa, enquanto as contas crescem inutilmente” (p.162). o período: “As crianças cuidam da Na Conferência A leitura analytica, proferida pelo educador em 1º de março de 1896, na Escola Normal de São Paulo, Köpke relata
de como Zizi, a filha No Curso de língua Henrique Köpke, ent Foi localizada ainda novo. É bem prováv 1996, p.101).
14 Ao lado da Unive e Coimbra, duas instituições de ensino foram importantes para a formação da elite
brasileira na primeira do século XIX, a Real Academia de Marinha e o Colégio dos Nobres.
A esse respeito, consultar: CARVALHO, José Murilo de. 2003. A construção da ordem; a elite política Imperial. 3ªed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
um diálogo ocorrido na Escola Neutralidade, entre ele e Antonio da Silva Jardim, a respeito mais velha de Köpke, havia aprendido a ler de maneira tão expressiva.
materna publicado em 1901, há a transcrição de várias composições dos alunos do Instituto
re eles os textos de Francisca Köpke e Antonia Köpke.
uma referência a respeito da morte de um filho: “... em 1883, Köpke perdeu um filho ainda el que a perda tenha sido um dos motivos de sua saída da cidade de Campinas” (Ribeiro, rsidade d
treinamento e dos interesses materiais em que se baseia (Ibid., 2003,
p.95).
Em sua pesquisa, Carvalho (2003) mostra que a ocupação ao longo do Brasil Impéri
ração e profissões liberais e, subsid
m de uma pequena parcela de capitalistas e proprietários - que se encon
e administração.
rique Köpke, constituidores do setor terciário, ao mesmo tempo que pouco representativos da população em geral em termos ocupacionais, também o eram em termos educacionais, e compunham, talvez por isso mesmo, a elite imperial brasileira.
Henrique Köpke e seu irmão Guilherme Köpke, ambos integrantes desta elite imperial, decidem então abrir um colégio, cujos destinatários seriam os jovens desta mesma elite.
Ao ex-soldado do batalhão da rainha de Portugal, advogado e professor, Henrique Köpke, coube o encargo de organizar e executar o plano educacional do colégio. Em 1845, obteve a carta de naturalização brasileira, o que sugere preocupação em obter qualificação e autorização legal para o exercício da direção do colégio (cf. Fróes, 1997). O título de cidadão brasileiro foi obtido por meio do Decreto nº 332, de 5 de fevereiro de 1845, nos seguintes termos:
Autoriza o governo a mandar passar carta de naturalização de cida ão orizado a mandar passar carta de naturalização de cidadão brasileiro a Henrique Köpke, natural de Portugal, o podia ser vista como um indicador de classe social e, mais ainda, que a fonte de recrutamento da elite nacional foi prioritariamente alimentada pelo setor terciário, por pessoas oriundas “particularmente da administ
iariamente, dos capitalistas e proprietários” (p.98).
É exatamente no seio do setor terciário – formado por juízes, procuradores, advogados, médicos, cirurgiões, padres, oficiais militares, altos funcionários, homens de letras, alé
tra Henrique Köpke, advogado por formação que se notabilizou à frente do renomado Colégio Köpke, também conhecido como Colégio de Petrópolis, de sua propriedade
Cabe destacar que homens como Hen
d brasileiro a Henrique Köpke, natural de Portugal.
Art. Único. O governo fica aut
dispensadas para esse fim as formalidades exigidas pela lei de 23 de outubro de 1832, art.1 §§ 3º e 4º (Prefeitura Municipal de Petrópolis, 1939,
Foi Guilherme Köpke, engenheiro renomado graças a seu empreendimento de navegação a vapor no Rio das Velhas, em 1834, quem concebeu e construiu o prédio especialmente projetado para abrigar o colégio.
Segundo Fróes (1997), os irmãos Köpke teriam feito “suas primeiras incursões à Imperial Colônia de Petrópolis” por volta de 1847, já com intenção de construir um “modelar estabelecimento de ensino particular” (p.7).
O Colégio da família Köpke de fato constituiu-se e consagrou-se como um estabelecimento de ensino modelar, tanto no que se refere aos elementos arquitetônicos de sua criação e instalação quanto ao que diz respeito à estrutura pedagógica.
O majestoso prédio projetado por Guilherme Köpke foi construído em um terreno com cerca de 27.000 m2 de área, constituído de um bloco principal e dois
apêndices.
Figura 1.1. Litografia do Colégio de Petrópolis.
No frontispício da construção, lê-se: Semina fortuna germinat cum tempore virtus. Fonte: Arquivo Histórico do Museu Imperial de Petrópolis, s/d.
O bloco principal, de aparência sóbria e imponente, possuía três andares, com área total de construção em torno de 1.200 m2. Abrigava as salas de aula, os
compl
com telhado aparente e em colunata, em estilo n
eses no século XVI, é possível afirmar que o Colégio Köpke manifestava, em sua arquitetura, as duas faces do saber: a da admiração, prestígio e respeitabilidade mosteiros, que religiosa, ao me arquitetura do C secundária tam gabinetes de le mesmo tempo janelas, fachada
Por sua r seu projeto arquitetônico, o Colégio Köpke certamente se diferenciava dos estabelecimentos congêneres da época, já que a maiori
ementares, como os dormitórios para os alunos, os quartos para os professores residentes, um toalete e uma sala de banho para alunos, uma sala para mudança e limpeza de calçados e um refeitório. O apêndice lateral esquerdo era constituído de um prédio térreo aberto,
eoclássico, com cerca de 450 m2 de área, destinado à recreação e à ginástica nos dias de chuva. O apêndice lateral direito era uma área com cerca de 350 m2, sem telhado aparente e bastante simples, para abrigar os empregados e os escravos (cf. Fróes, 1998b, p.7; Fróes, 2000, p.12).
Buscando inspiração no estudo de Petitat (1994) sobre o surgimento dos colégios franc
, e a da laboriosidade, disciplina e trabalho. Dessa forma, tal como os por sua imponência sinalizavam para a sociedade o prestígio da vida smo tempo em que o claustro interno abrigava o trabalho cotidiano, a olégio onde João Köpke realizou sua formação inicial, elementar e bém abrigava e escondia um claustro interno, além de corredores e itura e salas de aula, voltados às atividades escolares cotidianas, ao em que evidenciava para a cidade de Petrópolis, através de suas
s e escadaria, o prestígio e a autoridade do saber. s dimensões e po
a das aulas se dava em prédios adaptados, quer nas cidades, quer nas fazendas15, ou pelo sistema de preceptoria16.
15 No decorrer do século XIX, muitas escolas funcionaram em fazendas, em um espaço cedido e organizado pelos
pais, reservado ao ensino de seus filhos, e às vezes estendido a parentes e vizinhos. A responsabilidade era conferida ao professor, que por tal recebia o pagamento de seu contratante.
A esse respeito, consultar: FARIA FILHO, Luciano Mendes. 2000. Dos pardieiros aos palácios; cultura escolar e urbana em Belo Horizonte na Primeira República. Passo Fundo: UFF; FARIA FILHO, Luciano Mendes. 2000. Instruçã
Cynthia
FESSORA: Precisa uma professora para ensinar íncia, para maiores informações em casa de H. L. Levy, Rua da Imperatriz, 34” São Paulo, 31/7/1883. (A esse respeito, consultar RITZKAT, Marly Gonçalves Bicalho. 2000. Preceptoras alemãs no Brasil. LOPES, Eliane Marta Teixeira, FARIA FILHO, Luciano Mendes, VEIGA, Cynthia Greive (orgs). 500 anos de educação no Brasil. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, p.269-90; BINZER, Ina von. 1982. Os meus romanos; alegrias e tristezas de uma preceptora alemã no Brasil. Trad. Alice Rossi e Luisita da Gama Cerqueira. 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e terra, 135p; PAES de BARROS, Maria. 1998. No o elementar no século XIX. LOPES, Eliana Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes, VEIGA,
(orgs). 500 anos de educação no Brasil. 2ªed. Belo Horizonte: Autêntica, p.135-50.
16As preceptoras foram presença freqüente nas casas das elites brasileiras, presença atestada por muitos viajantes
estrangeiros, pelas memórias de seus ex-alunos e das próprias preceptoras e pelos vários anúncios publicados nos renomados jornais da época, como O Correio Paulistano: “PRO
Há de se considerar que os seus criadores pretendiam que o Colégio fosse de fato um empreendimento inovador e arrojado para seu tempo, uma vez que construíram e instalaram salas de aula e gabinetes de leitura e reservaram espaços apropriados para recreação e ginástica.
Da edição de 12 de setembro de 1849, do Jornal do Commercio, consta uma propag
igências educacionais:
O Colég e destacava
ainda por sua localização privilegiada, distante aproximadamente vinte minutos do centro de Petrópolis e 7 horas da Corte, o que facilitaria aos pais visitas freqüentes. Como benefícios, além da temperatura agradável, a pureza atmosférica e a possibilidade de banhar-se em um ribeirão que “passa em frente da chácara, próprio para banhos no verão, cuja água só dá pela cintura” (Köpke, G, 1849, Anúncio, s/p).
Logo no início de seu funcionamento, o Colégio de Petrópolis passou a receber visitas do Imperador, tal como ele fazia no Colégio Pedro II, na Corte, prática que, em breve, estenderia aos demais colégios.
anda assinada por Guilherme Kökpe informando a data prevista para a inauguração, bem como os propósitos pedagógicos do Colégio. O engenheiro explica ao leitor, potencial cliente do estabelecimento, a construção do edifício, na qual estariam reunidas as comodidades a serem oferecidas aos alunos com as ex
As exigências sanitárias foram devidamente atendidas, os dormitórios, que são cinco, para separação de idades por classe, são salões altos e ventilados por tal modo que só vistos podem ser condignamente apreciados. As camas estão separadas umas das outras por 4 palmos em volta inteira de cada uma. Contíguo a cada dormitório e com viga ou postigo na parede, acha-se um quarto pertencente ao preceptor residente encarregado da disciplina de cada classe. O toalete contém 70 bacias, com torneira cada uma para água ilimitada; e no mesmo lugar cada aluno terá a sua roupa branca, escovas, pente, etc., em gaveta exclusiva sua. As aulas são espaçosas e em número correspondente à classificação dos estudos. Sem contar a sala comum ao diretor e mais preceptores para seu descanso e reunião, há um gabinete de leitura onde estará um deles durante as horas de recreio. Para recreação durante o tempo de chuva fez-se um grande salão ou colunata em que os exercícios ginásticos terão lugar (Köpke, G.
1849, Anúncio, s/p).
io dos Köpke, inaugurado em 1º de janeiro de 1850 s
tempo de dantes. São Paulo: Paz e Terra. 140p.); VASCONCELOS, Maria Celi Chaves. 2005. A casa e os seus mestres; a educação no Brasil de oitocentos. Rio de Janeiro: Gryphus).
Em dezembro de 1854, D. Pedro II condecorou Henrique Köpke com a Ordem da Rosa, no grau de Cavaleiro. Provavelmente todas estas deferências contribuíram para elevar o conceito do estabelecimento17, que, nessa época “já podia ser considerado um bem-sucedido empreendimento, tanto no que tangia ao ensino, quanto ao aspe
Na verda
na idoneidade d cente e na sólida estrutura curricular, encontrou respaldo também na arquitetura do prédio. Esse foi o argumento apresentado de forma cabal por Ca
a porção de janelas que
e a limpeza e o asseio são
ita distração de cuidar das árvores e das flores, que as crianças colhem para que sejam seus favoritos, ao passo que exercitam o
cto financeiro” (Fróes, 1998a, p.8).
de, a notoriedade18 alcançada pelo Colégio, além de ter suas raízes o corpo do 19
rmen Oliver de Gelabert20, mãe de um aluno desse estabelecimento:
A construção do edifício é linda, e a idéia muito a propósito para o local. Por exemplo: uma bonita paisagem é ver aquele rico prado sustentando tão altas paredes muito brancas, ornadas por um
formam o maior gosto arquitetônico; e ainda mais, como está um pouco afastado do centro urbano, isso nada lhe tira nenhuma beleza, porque se vê resguardado por altos montes, recreado por um poético rio.
A casa é grande como um convento, ainda que a forma seja de palácio, e, quanto ao seu interior, vale muito mais, porque há sábios professores que instruem os alunos de várias ciências,
impossíveis de serem superados.
Para recreio dos alunos, o diretor permite o plantio de flores, como manter viveiros no jardim, como me disse meu Pepito, que possuía um canário, dois tico-ticos e um cardeal, de modo que muito me agradou saber dessa líc
es
movimento ativo. Tudo isso em um saudável clima.
Ao terceiro sinal da campainha os alunos se levantam, e isso às seis horas da manhã. Consagram a Deus seus primeiros momentos, e os segundos, ao asseio corporal, e no rio Piabanha aprendem a nadar.
(Gelabert apud Prefeitura Municipal de Petrópolis, 1939, s/p).
17 Em 1854 a população de Petrópolis atingia 5.257 habitantes e ali funcionavam três escolas alemãs, com 404
alunos, duas portuguesas, com 71, e seis colégios particulares, com 251 alunos, sendo que, destes, 100 alunos eram matriculados no Colégio Köpke.
18 Ao longo das décadas de 50 e 60 do século XIX, o Colégio Köpke foi bem-sucedido financeiramente, o que
permitiu um significativo investimento em reformas, como “a harmonização arquitetônica dos blocos componentes, a urbanização total da área, a construção de residências para professores e a edificação do Salão de Baile e Concertos” (Fróes, 2000, p.12). A partir dessas reformas, a propriedade passou a ser conhecida como Palacete Köpke.
19 Ao longo dos anos, muitos foram os professores renomados que lecionaram no Colégio Köpke, dentre eles João
Batista Callógeras, o Barão de Sheneeburg, o Barão de Taupthoens, Bernardo José Falleti e José Ferreira da Paixão. Interessante destacar que todos estes professores deixaram o Colégio Köpke para se tornarem proprietários e diretores do concorrente Colégio Callógeras.
20 Carmen Oliver de Gelabert publicou, em 1872, o livro Viaje poético a Petrópolis, em que dedicou algumas
O Colégio de Petrópolis, considerado modelar, mereceu inúmeras referências elogiosas ao longo de sua existência. Nesse sentido, Pedreira, Presidente da Província do Rio de Janeiro, escreveu em seu Relatório de 1853:
Merecem elogios os Colégios do Doutor Köpke, do Dr. Callógeras e de Madame Taulois, em Petrópolis. Todos, em edifícios grandes e apropriados e com bons professores, dos quais passaram por exame todos aqueles que não tinham a seu favor algumas das isenções da lei (apud Alves Neto,
1991, s/p).
Os memorialistas e viajantes também prestaram suas homenagens, ilustrando as páginas de seus trabalhos com imagens do colégio, ou então com textos fazendo referências ao educandário. Nessa condição, Taunay ilustrou sua obra Viagem
Pitores
légio modelo21, atingindo a média anual de cento e
vinte m
ca a Petrópolis com uma litografia do Colégio Köpke.
Conforme já foi dito, o Colégio Köpke destacou-se também, ou prioritariamente, por sua estrutura pedagógica. O Colégio – o primeiro educandário particular de Petrópolis – foi fundado na qualidade de internato para meninos, destinado a ministrar o ensino primário e o secundário.
Quando João Köpke ali ingressou para iniciar o seu curso primário, o Colégio já estava consolidado como co
atrículas.
Infelizmente não foram encontradas fontes documentais sobre o ensino primário, no entanto é possível estabelecer algumas inferências. Em 1854, o ministro Luiz Pedreira do Couto Ferraz expediu o Regulamento da Instrução Primária e
21 Na década de 1870, a situação do Colé
afligiam seu proprietário e diretor, Henrique Köpke. Nessa mesma época, dois de seus filhos, Henrique Köpke Jr. gio Köpke passou a declinar. Problemas de saúde, como os circulatórios, e João K
Além di
originais. Esse insucesso, acrescido à morte do pioneiro Henrique Köpke, em dezembro de 1881, culminou com a venda do colégio ao Padre José Benito Moreira, que ali instalou o Colégio do Pe. Moreira.
öpke, tinham se retirado de Petrópolis para cursar Direito, respectivamente em Recife e em São Paulo. sso, mais uma perda, desta feita de “seu melhor auxiliar e professor, José Ferreira da Paixão” (Fróes, 2000, p.12), que se afastou para assumir a direção do Colégio São Luiz, e pouco tempo depois fundou seu próprio internato para meninos, o Colégio Paixão, nas mesmas instalações onde funcionaram os colégios do Dr. Callógeras e do professor Falleti.
Com o agravamento do estado de saúde de Henrique Köpke, seu filho Henrique Augusto Köpke o substituiu na direção e, embora se esforçasse para manter o Colégio em atividade, a decadência da instituição era evidente, causada provavelmente pela ausência de professores renomados e competentes, que seu fundador, mesmo sabendo que não seriam mantidos por longo tempo, fazia questão de trazer para Petrópolis (cf. Fróes, 2000). No final da década de 1870, Henrique Augusto Köpke, numa tentativa de enfrentar a séria crise pela qual o Colégio passava, alugou o Palacete Köpke ao cônego Francisco Bernardino de Souza e transferiu o Colégio Köpke para o prédio do antigo Hotel Oriental, onde tentou instalá-lo sob a forma de externato. No entanto, nem o Colégio do Cônego Bernardino nem o Externato Köpke obtiveram sucesso. (cf. Fróes, 2000).