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Characteristics of the African State: Theoretical Implications

A proposta desencadeou, na época, uma adesão entusiasta em algumas escolas, uma adesão parcial em outras e total rejeição por parte de algumas, apesar de Kilpatrick apresentar, por vezes, um panorama uniforme neste sentido. (KNOLL, 2012). O projeto foi considerado como o mais avançado método de ensino, pois parecia uma forma de perceber as demandas da nova psicologia e aplicá-las. O método de projeto era uma questão de acalorada discussão em todos os lugares, nas reuniões da Associação Oriental de Professores de Física, na Escola de Mestres de Michigan, na Associação Nacional de Educação, nas páginas de Teachers College Record, nas revistas do Ensino Fundamental e até na revista de Economia

Doméstica, nos currículos de artes industriais, educação agrícola e ciências gerais. Mesmo educadores conservadores e adeptos das ideias de Herbart, como Charles A. McMurry, E. James Russell e David S. Snedden falaram em favor do novo método.

Em 1921, Kilpatrick organizou com alguns colaboradores o simpósio “Perigos e dificuldades do método de projetos e como superá-los”. Os oradores foram William C. Bagley, Frederick G. Bonser, James F. Hosic, Roy W. Hatch, Elbert K. Fretwell, todos colegas de Kilpatrick. Em suas exposições aclararam os princípios essenciais encravados no método, avaliaram as reações dos estudantes e questionaram a relação dos Projetos com os objetivos no ensino e na aprendizagem. Nos registros escritos desse simpósio, é possível observar que Bagley foi quem apresentou críticas mais ferozes; provocou uma discussão expondo três perigos de confiar no método de projeto: redução do valor de revitalização e transferência de valor do que é aprendido, uma ênfase exclusiva sobre os valores instrumentais de conhecimento e uma falta de intencionalidade de aprendizagem. Kilpatrick sintetizou tais críticas em um artigo final e levantou argumentos para defender o que, de acordo com ele, seriam dificuldades oriundas de um mau entendimento sobre o método.

Sobre a crítica de que haveria no trabalho com projetos uma falta de transferência do saber acumulado, Kilpatrick argumenta que há uma tensão entre os impulsos e potencialidades da criança e a melhor qualidade de experiências produzidas pela humanidade que chegou até nós. Mas, para ele, isto refere-se a um ponto de vista mais antigo, que enxergava o ato educativo como a mera organização da experiência da espécie em matérias sistemáticas para o estudo das crianças.

Em contrapartida, a proposta do método de projetos vincular-se-ia a outra forma de ver o processo educatvo. A criança é ponto de partida, o caminho a seguir é o da atividade proposital; no entanto, o ato educativo não pode reduzir-se a este momento inicial. Seria preciso incluir o que Kilpatrick chama de experiência da raça, ou seja, garantir a melhor seleção da experiência já conseguida pela humanidade. Há uma intenção em tornar os comportamentos plenamente adequados e adquirir mais e mais os saberes desejáveis e estabelecidos pela experiencia da raça; assim, não haveria oposição ou tensão e sim continuação. A ideia é de que as experiências acumuladas tivessem um efeito orientador para as decisões educacionais.

Sobre a crítica de que o método de projetos teria uma ênfase frequente em valores exclusivamente instrumentais, Kilpatrick também a rebate, dizendo que esse é um equívoco no entendimento da proposta. Procura anular tal crítica, retomando a definição sobre o segundo tipo de projetos, e sugere que os exemplos dados são uma grande variedade de

experiências não instrumentais. Deste modo, defende que tais experiências devem preencher um lugar importante na vida e aproxima esta defesa ao seu conceito de “wholehearted purposeful act”: “eu deveria desejar que o menino leia Ivanhoé, mas eu não deveria ficar satisfeito se ele lesse apenas sob coação. Eu deveria desejar que ele colocasse coração e alma em sua leitura” (KILPATRICK, 1921b, p. 4), ou seja, põe em relevo a necessidade de considerar a atitude do aluno em relação a esse tipo de experiência.

Ainda sobre a crítica da falta de intencionalidade, Kilpatrick diz que esse é o mais doloroso equívoco de interpretação do método - acreditar que é uma defesa de que as crianças estivessem à vontade para tomar as suas próprias decisões. Quanto a isso, defende-se, apontando que a necessidade de ter professores é tão fundamental como na escola comum. Na escola idealizada por Kilpatrick, o professor deve permanecer como uma autoridade competente, o árbitro final do que deve ser feito na sala de aula. Define um modelo de contrato didático: o direito de decidir é o do professor; este, para fins educativos, vai querer que as crianças sejam envolvidas, na medida do possível, em atividades intencionais. Do primeiro ao último momento, a decisão final está nas mãos do professor, a menos que ele opte por deixar o assunto dentro dos limites nas mãos da criança, assim, é sempre ele quem garante boas condições de aprendizagem.

O autor também aponta que o processo mais comum seria aquele no qual a criança traz sugestões e o professor decide, mas afirma não ser necessário que sempre seja assim. Pelo contrário, o professor deve ser livre para sugerir ou, se necessário, comandar o rumo das ações em sua sala de aula. Ele pondera que as crianças devem aprender a distinguir, desde cedo, aquelas sugestões do professor dadas como meras sugestões (ou seja, para ser aceito ou não pelas crianças) de outras sugestões dadas para serem, simplesmente, seguidas.

Em outro momento de sua obra, Kilpatrick discorre sobre uma questão dúbia - se o professor deveria dar a sua opinião sobre algum assunto polêmico para seus alunos. Sobre isto assume a posição de que é possível que o professor expresse seu pensamento ou guarde tal informação. No segundo caso, permite às crianças pensarem melhor. Nas palavras do autor:

A sociedade não lhe colocou ali com o propósito de que se aceitem as suas ideias particulares ou suas concepções em uma questão controversa. Colocou-lhe na sala de aula com o fim de poder ajudar a gente jovem a aumentar a sua capacidade de discutir as questões com uma inteligência cada vez maior. (KILPATRICK, 1940, p. 39).

Reportando à história da educação no Brasil, vale destacar uma primeira reapropriação do método de projeto. Lourenço Filho (1978) cita os trabalhos realizados em centros de investigação como a Escola de Aperfeiçoamento Pedagógico em Minas Gerais, a Escola Experimental Rio Branco, algumas classes da Escola Modelo anexa à escola Normal da Praça da República em São Paulo e a Escola de Aplicação do Instituto de Educação no Rio de Janeiro como lugares nos quais se constataram práticas que podem ser identificadas a um movimento defensor de uma educação ativa, acontecidos especialmente nas décadas de 20 e 30. O exemplo a seguir, desenvolvido em uma classe da Escola Experimental Rio Branco, oferece alguns elementos para uma breve análise de tal reapropriação:

Os alunos do terceiro grau primário tiveram a ideia de ornamentar a sala de aulas com material de desenho dos indígenas do Brasil. Esse, o propósito inicial. Decidida a realização, trataram de verificar como ela se tornaria possível, ou de organizar um plano de trabalho. Verificaram que os conhecimentos que possuíam da arte dos índios eram muito escassos. Foi lembrada uma excursão ao Museu Paulista, durante a qual recolheram documentação muito variada, em desenhos e moldes de massa plástica. Uma questão muito curiosa, porém, devia surgir: os alunos haviam copiado materiais também dos incas e povos primitivos de outras regiões da América e não só do Brasil. Isso propôs um novo problema, o qual, diga-se de passagem, despertou vivo interesse pela história de outros países do continente. Com o material acumulado e recortes de revistas e jornais, pôde se obter em poucos dias motivos puros da arte rudimentar do índio brasileiro. Como outras salas de aula possuíssem uma barra ornamental em papel decorado, nasceu a ideia de pintarem uma barra semelhante. Surgiram dificuldades técnicas muito sérias, relativas ao papel a ser empregado, às tintas, sua composição, processos de pintura etc. Organizou-se um concurso para a escolha de um motivo ornamental, composto para grupos de alunos, e por eles julgado. Curioso é que não foi adotado um modelo único, mas a combinação de dois dos melhores apresentados. A execução foi iniciada, então. Organizaram-se grupos de trabalho. Surgiram os chefes. Cada grupo executou alguns metros de barra. Terminada a pintura, foi o papel pregado às paredes. Novas dificuldades técnicas apareceram. As tiras dificilmente ficavam em horizontal. Foi lembrado o uso do nível, e o projeto terminou, então, com êxito. (LOURENÇO FILHO, 1978, p.205-6).

A exposição de Lourenço Filho, acima destacada, exemplifica o uso dos projetos porque envolvia a globalização dos conhecimentos e o exercício de ação autônoma, configurando um movimento de ação, pensamento e sentimento com a riqueza de todos esses aspectos da vida dentro da sala de aula. Destaca-se, na descrição, que o trabalho partiu do interesse da classe; mostra-se que exigiu pesquisa, registro, análise e seleção, contudo não se faz menção à ação do professor.

Obviamente, em um contexto que implicava o desenvolvimento de relações sociais, pois os alunos compartilharam, distribuíram tarefas, opinaram e aceitaram sugestões numa situação que envolvia cooperação e respeito mútuo, a intervenção do professor seria necessária senão para dar informações sobre o conteúdo estudado, ao menos para sugerir formas de se organizar e garantir que o trabalho se desenvolvesse de forma harmônica, sendo responsável pela sua finalização.

Também foi suprimido da análise o vínculo da ação descrita com os conteúdos previstos para aprendizagem. Tal análise deixa a desejar porque, por meio dela, poder-se-ia avaliar se a reapropriação brasileira aproxima-se da visão de Kilpatrick sobre currículo ou não.