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III. Materiales y métodos

2 Papel de la hipermutación en la adaptación genética de P. aeruginosa:

2.1 Cepas bacterianas

Diversos autores contemporâneos (ex. Branco & Mettel, 1995; Góes, 1993, 1997; Gonzáley Rey, 2004; Martínez, 2004; Rogoff, 1993; Simão, 2004a; Tacca, 2004; Tunes & Bartholo, 2004, Valsiner, 1997, 1998, 2000) têm reiterado as idéias de Vygotsky acerca da importância das interações dialógicas para o processo de construção de significados e, conseqüentemente, para a constituição cultural do sujeito. No Brasil, um número significativo de autores tem se interessado em investigar como se processam essas interações nas brincadeiras de faz-de-conta (ex. Coelho & Pedrosa, 1995; Conti & Sperbi, 2001; Góes, 2000b, 2000c, 2000d, Oliveira, 1988, 1998; Oliveira & Rosseti-Ferreira, 1996; Oliveira & Valsiner, 1997; Vasconcellos, 1998; Zanella & Andrada, 2002).

Uma perspectiva teórico-metodológica acerca da estrutura e da dinâmica das interações dialógicas, que a meu ver, permite compreender as peculiaridades do processo de construção de significados durante as interações que ocorrem nas brincadeiras de faz-de-conta, é o construtivismo semiótico-cultural, desenvolvido por Simão (2002, 2003, 2004a, 2004b). Articulando construtos de alguns autores que se preocuparam com o processo de desenvolvimento cultural do sujeito, como por exemplo, Lev Vygotsky, Mikhail Bakhtin, Ernst Boesch, Jaan Valsiner Heinsz Werner e David Herbst, a autora elaborou um conjunto de proposições que

permite compreender o processo de construção de significados como uma relação dialógica, no qual os elementos que a compõem estão em constante separação inclusiva (Valsiner, 1997, 1998, 2000). Elas são, ao mesmo tempo, partes ativas e simultâneas de um sistema, que se delimitam mutuamente, de modo que cada parte e a relação entre elas constituem elementos importantes para se entender o sistema.

Para a autora, nem toda interação verbal é dialógica. “Olhar dialogicamente para a interação verbal” significa compreendê-la como um processo dialógico e sistêmico. Dialógico porque permite a co-construção tanto do conteúdo do diálogo (significado propriamente dito) como da significação cognitivo-afetiva, do conteúdo do diálogo para cada sujeito que participa da interação (sentido). Sistêmica porque a realidade que o sujeito significa na interação não se restringe a aspectos do mundo exterior, mas também sobre si

mesmo, sobre o outro e sobre sua relação com o outro. Nesse sentido, tomar o diálogo como uma relação dialógica e sistêmica, significa:

(...) tomá-lo como uma relação entre elementos constituintes, inseparáveis, que são não só as pessoas envolvidas (as partes), mas também a própria relação entre elas; não só as falas dos envolvidos, mas também a relação das falas com quem falou, para quem e para quê (no sentido das expectativas e valores que norteiam a ação simbólica). Portanto, a conversa entre duas pessoas quaisquer só pode ser abordada como compreensão dialógica se apreendermos o significado do fato de a fala de uma ‘ser sempre para aquela outra e buscando algo’, ainda que momentaneamente (Simão, 2004a, p. 32).

As interações dialógicas, longe de serem espaços de consenso, de entendimento completo entre os sujeitos, são marcadas por tensões, conflitos, e contínuos ajustamentos e reconstruções “... a tensão presente no diálogo impõe-se como condição mesmo de sua existência, pois sendo a tensão gerada no próprio diálogo, leva a reconstruções afetivas nos atores, que continuarão ou não dialogando, nesta ou naquela direção, gerando tais e quais tensões, e assim por diante” (Simão, 2004a, p. 36).

O processo de construção de significados é marcado pelo imbricamento entre as ações simbólicas do ator ou eu-acional em relação ao tema dos diálogos e ao seu interlocutor, que pode ser alguém presente na interação, ausente desta ou até mesmo alguém que exista apenas no plano da imaginação do ator. (...) “o eu- acional é sempre alguém que tem a companhia de um outro que constrói o mundo com ele e que, para tanto, subverte, ao mesmo tempo, a pretensão desse eu de ser o autor único e soberano de seus significados” (Simão, 2004 a, p. 37). Adicionalmente, todos os significados construídos no interior das interações ou a partir delas implicam em desenvolvimento para os sujeitos participantes e em mudança qualitativa do que é significado. Isto não pode ser compreendido como mudança, necessariamente, sempre para o “melhor” ou para o “mais correto” (2004, p. 31).

O papel do “outro” no processo de significação ganha destaque nessa abordagem. Dialogar implica em sempre dialogar com alguém – alguém conhecido, amado, admirado, odiado, imaginado. Aquele que me deu um presente que eu gostei muito, fez algo que me deixou aborrecido, compôs uma música que me toca profundamente. Esse “outro” ou o “não eu” é sempre uma “figura afetivo-

cognitiva” pela qual o ator nutre diversas expectativas. Tais expectativas serão relevantes na significação que ele fará a respeito do outro (Simão, 2002, p. 86) e, por isso, são sempre carregadas de sentidos subjetivos (Rey, 2003, 2004).

A impossibilidade de entendimento completo entre os interlocutores coloca a figura do outro em constante posição de alteridade com o ator. As tensões e conflitos gerados pelo fato do ator perceber e sentir, de forma concomitante, compartilhamentos e incongruências com relação ao seu outro, uma vez ajustados e reconstruídos, atuam como fontes de mudança, de desenvolvimento, de geração da novidade, no sentido proposto por Valsiner (2000). “Novidade, mudança e desenvolvimento são, portanto, palavras-chave da perspectiva dialógica” (Simão, 2004a, p. 35).

Duas outras proposições da autora são pertinentes para a compreensão da dinâmica do processo de construção de significados nas brincadeiras de faz-de- conta. O conceito de experiência inquietante e as noções de aproximação, distanciamento e diferenciação.

Para Simão (2004b), o ser humano se co-constrói (o si mesmo e a cultura) por intermédio do constante diálogo entre o “mim mesmo” e o “outro”, principalmente, a partir de vivências que ferem as expectativas do “mim mesmo” e o instigam cognitivo e afetivamente – as “experiências inquietantes”. Nestas experiências “o inquietante se manifesta como alteridade no nível do tema e no nível das relações entre os interlocutores, e que, ao se dar, se dá com a emergência da margem, isto é do significado” (p. 22)

A construção de significados é um processo que caminha de elementos, inicialmente, indiferenciados à diferenciação progressiva. “Diferenciação significa

aqui sistematização, hierarquização integradora e articulação entre os elementos de um todo, gerando autonomia daquele todo” (Simão, 2007, p. 986).

Esse processo de diferenciação, por sua vez, só é possível por intermédio do distanciamento psicológico (Valsiner, 1997, 1998, 2000), o que implica um constante movimento de aproximação e afastamento do sujeito em relação ao seu contexto.

As proposições teóricas de Simão, aqui sintetizadas, trazem desdobramentos para a pesquisa psicológica, especialmente, para as microanálises de dados obtidos a partir de interações verbais. A autora questiona a relevância de estudos que buscam o acúmulo exaustivo e a-seletivo dos dados visando descrever a ‘interação em si’, ‘o mais objetivamente possível’. Para ela, no exame das falas nas interações, o pesquisador, ao invés de procurar os diálogos marcados pelos consensos entre os sujeitos, deve tomar como objeto de suas análises “as falas que expressem ‘momentos de tensão’, investigando para onde elas orientam os interlocutores, na negociação para a distensão e reconstrução do conhecimento sobre o conteúdo da conversa, mas, sobretudo, na reconstrução concomitante e interdependente do conhecimento sobre relações eu-eu e eu-outro” (Simão, 2004a, p. 34).

5.2. A importância das interações verbais nas brincadeiras de faz-de-conta