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Centre for Research-based Innovation in Sustainable fish capture and Processing technology, CRISP

atender às necessidades emergenciais da instituição. Existe uma preocupação com o registro e atualização de dados e informações sobre os alunos, que são levantados no cotidiano escolar ou junto à família. As atividades voltadas para fora dos muros da escola restringem-se ao fornecimento ou troca de informações com profissionais da saúde sobre o quadro dos alunos. O suporte ao professor que trabalha somente na escolaridade inclui o repasse de informações sobre os alunos, acompanhamento e orientação sobre o trabalho pedagógico enfocando apenas o comportamento do aluno. Os familiares podem ser atendidos individualmente conforme suas necessidades, ou participar de reuniões programadas para discutir questões específicas envolvendo a dinâmica familiar. Descritas dessa forma, todas estas atividades caracterizam uma prática institucionalizada. As avaliações e o trabalho de suporte ao setor pedagógico são realizados com a preocupação de identificar e encaminhar alunos em condições de freqüentar o ensino comum caracterizando uma prática inclusivista.

Focal.: Segundo a entrevistada, a instituição em que trabalha vem sofrendo muitas mudanças desde que todo o sistema de ensino vem sendo reestruturado para atender ao paradigma da inclusão. A escola que, até então, atendia especialmente a alunos com deficiência mental leve, passou por muitas mudanças. A nova proposição provocou o aparecimento de uma nova clientela que possui quadros mais graves e com os quais os profissionais não estavam acostumados a lidar. Um grande número de alunos, por apresentar condições favoráveis, foi encaminhado para o ensino comum.

Antes, a escola, todos os nossos setores, a gente funcionava assim muito... como se diz, muito tranqüilo.

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[...] tinha um número certo, o tipo de deficiência exata que você atendia na escola, tá. Então, nós trabalhávamos com deficiente mental, [...] o médio, [...] era só aquele menino com problemas escolares. Então, o menino não aprendia... estava lá fora, não aprendia, a escola encaminhava para cá.

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Se tivesse que fazer um gráfico da escola antigamente, ela estava na linha retiiinha... porque era só aquele grupo específico, o número exato de aluno dentro de sala de aula. A gente até já previa o comportamento dos meninos. Quando chegava algum menino com problema de comportamento específico... não, aqui nós não vamos atender esse caso... vamos encaminhar para a escola X, que lida com problemas de comportamento.

Depois dessas modificações todas, o serviço mudou e muito, e teve que ficar dinâmico, não é? Então, não é aquela fase do aluno se adaptar à escola, que a gente tinha antes. Agora, a escola, ela realmente... e todas nós, nós não podemos é achar... não, esse caso não é para nós. Nós temos que abrir esse leque aí... e aí, é que vem o desafio.

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Agitou, e cada um tem que ser responsável pelo seu papel. Não dá para ficar mais como era antes não, sabe? ... tudo acomodado. E a escola está diversificada, tem vários casos... então, você tem que atender mesmo àquela demanda do aluno, à demanda da família. Então, eu achei que mudou muito, muito, mas muito mesmo.

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Agora, depois dessa reviravolta toda... a gente fala assim: é para a nossa escola sim. Aí, o que nós vamos fazer? O que a escola oferece? O que nós, enquanto profissionais, podemos fazer também?

Portanto, reforçando as informações fornecidas na resposta à questão desencadeadora, o primeiro passo adotado pelos profissionais da escola para trabalhar nos moldes inclusivistas foi mudar os critérios utilizados no processo de avaliação diversificando a clientela da escola ao aceitar a entrada de alunos com quadros mais graves. Desta forma, a escola começou a deter a prática indiscriminada do ensino comum de encaminhar para o ensino especial alunos que, por qualquer motivo, apresentavam problemas na escolarização. Para justificar a decisão da equipe nos casos em que os encaminhamentos não eram aceitos, o profissional passou a fazer uma devolução das avaliações realizadas.

É... a criança vem e faz avaliação, tem anamnese, esse processo todo. Aí, a gente [a equipe] marca um período para a gente depois reunir e a gente rever o caso. Aí a gente começa... bom, será que ele é nosso? Vai ficar na nossa escola? Vai. Aí que a gente entra nesse esquema... que turma nós vamos colocar... qual a professora que, mais ou menos, daria certo para esse tipo de menino e tal. Quando não é para a nossa escola, tem os papéis todos que eu mando para a escola ... uma cartinha de devolução e tudo... me coloco, às vezes, à disposição também para elas virem discutir o caso...

porque, muitas vezes, a escola também não concorda, acha que é deficiente, que teria que estar aqui. É uma forma de ficar livre, não é? [...] Aí, a gente tem que estar muito firme na colocação.

Outro passo para atender à perspectiva inclusiva, foi observar e identificar dentro da escola os alunos que deveriam ser encaminhados para o ensino comum. Os conselhos de classe são apresentados como um momento onde todos os profissionais se reúnem para discutir sobre a situação de cada aluno e chegar a um consenso sobre a conveniência e viabilidade de inclusão do aluno.

Então, aqueles meninos que nós sentimos que... não, ele melhorou... dá conta... aí nós fizemos a reintegração deles. Então, eles voltaram para o ensino comum.

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[...] é no conselho de classe que a gente trabalha essa questão... ver se o menino tem condições de ser reintegrado ou não.

Quando questionada sobre as propostas que o setor de psicologia fez para atuar na perspectiva inclusivista, ela esclarece que as proposições tinham como objetivo capacitar os profissionais da rede para trabalhar com os alunos encaminhados pelo ensino especial e, também, orientá-los na elaboração da documentação que, por exigência da Secretaria de Educação, é necessária para a escola comum solicitar os serviços da educação especial.

Uma delas, é estar disponível para fazer o treinamento de professores aí de fora, que seria realmente é... sentar, discutir os casos com elas e fazer, tipo assim, mini-cursos. É uma das propostas.

A outra proposta é... O Estado lançou o PGDI [...] que é o planejamento, o que aquela escola já fez pelo menino, até agora... e, daqui para frente, o que se espera dele.

Então, também, nós montamos um grupo que atende às professoras. [...] para elas aprenderem a preencher, e eu acho muito rico porque, aí, você também aprende a lidar com o ensino comum e elas também aprendem a lidar conosco.

Para apoiar o processo vivido por estes alunos e as escolas para onde são encaminhados, a escola propôs a criação do serviço itinerante e de salas de recurso. Como ainda não dispõe de um profissional para assumir o serviço de itinerância, o setor de

psicologia vem cumprindo este papel acompanhando e orientando o trabalho desenvolvido pelo professor que recebe os alunos encaminhados pela escola e, quando necessário, também visitando as escolas para prestar esclarecimentos, ou para ajudar a sanar eventuais problemas enfrentados no processo de inclusão.

[...] o professor itinerante, [...] ele ia fazer essa ponte. E... até, no caso, o profissional que ficou... eu, psicólogo... para ir até a outra escola também para poder fazer... estar sempre também orientando o pessoal de lá. Porque você encaminhar um menino para o ensino comum e não ter alguém para poder ajudar e clarear para o pessoal que criança que é aquela que chegou, não funciona.

É possível verificar que a entrevistada se vê obrigada a assumir uma nova postura diante das mudanças que requer o trabalho na perspectiva inclusiva. A prática vem sendo modificada de acordo com as transformações vividas na escola. Ela deixa claro que, neste momento, o suporte às escolas da rede comum constitui uma atividade nova que o profissional da psicologia vem assumindo para facilitar o processo de inclusão dos alunos encaminhados para a escola comum.

Esta disponibilidade... que é diferente do que a gente teve no período que eu falei... que era tudo tranqüilo, aquela paz. Nem as escolas nos procuravam, nem a gente também, não procurava as escolas. Agora, com essa mudança não dá mais, você tem que abrir as portas ... e vai lá... e conversa, orienta: “Olha, lá nós agimos assim com esse menino... é assim que nós damos conta”.

4. Beatriz

Q.1: Esta psicóloga assumiu a coordenação dos serviços de apoio à inclusão da escola.