inclusiva. A avaliação é descrita com detalhes e cada passo parece confirmar a preocupação em diagnosticar o aluno para verificar se ele corresponde à clientela que, em outra época, era a especialidade da escola (alunos com deficiência múltipla). O trabalho voltado para os profissionais da escola visa a capacitação e orientação para melhor atender esta mesma clientela. Alunos e professores são observados e acompanhados pelo profissional e as intervenções, de caráter remediativo, se restringem aos problemas de comportamento. Em relação às famílias, existe uma maior preocupação em acolher as mães que acompanham os alunos diariamente. Um diferencial no trabalho deste profissional consiste em um apoio mais
sistematizado à direção da escola auxiliando nas questões que envolvem conhecimentos de legislação educacional e na elaboração de projetos. Embora seja um profissional que, para dar este suporte à direção, deveria estar sempre atualizado sobre a legislação educacional, sua fala revela que, no papel de psicólogo, mantém uma prática conservadora a despeito das transformações vividas na escola.
Focal.: A escola vive, segundo o entrevistado, uma situação de incerteza sobre o rumo que vai tomar. Para acompanhar os alunos encaminhados para o ensino comum, instituiu o serviço itinerante e as salas de recurso, mas ainda não conseguiu se estruturar como um Centro de Apoio conforme previa o Projeto Escolas Especiais: um novo tempo. Frente a esta incerteza, o entrevistado vem assumindo o papel de auxiliar a direção no atendimento às exigências da Secretaria de Educação que dizem respeito à organização da escola, o que possivelmente consome boa parte de seu tempo e não deixa espaço para o cumprimento de suas funções como psicólogo.
Agora, eu, sinceramente, posso te falar que nós não estamos ainda com uma filosofia de falar assim: qual é o nosso caminho, o que a gente vai fazer.
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Então a gente [...] está... tentando vislumbrar vários outros caminhos. Com sinceridade, você chegou num momento que... talvez você tenha experienciado isso nas outras escolas também. Esse momento de conflito, de inquietude, de indagação, de busca de identidade... porque esse ano pode dizer que é o marco, é o ano mesmo que a escola está retomando uma outra postura agora... essa não é a que eu creio que vai para frente.
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Então assim, [...] muita mudança nesse sentido de você estar atendendo uma demanda não da escola, uma demanda maior do Estado, [...] então, foi um ano altamente burocrata... e principalmente para mim, de estar muito sentado, fazendo, escrevendo... dessas mudanças todas... buscando alguma coisa. ...
Acaba, eu trabalhando mais dentro da dificuldade que ela [professora] tem do que estar aprimorando
alguma coisa a mais, talvez pela falta até de tempo e do desvio da minha função de não estar realmente cumprindo o que devia estar cumprindo, que é um apoio...
Como não havia clareza e nem uma definição de como a escola iria se estruturar para atender neste molde de Centro de Apoio, também não tinha sido construída uma proposta de trabalho para a psicologia.
Olha, eu te falo que a gente como equipe, uma coisa fundamentada assim... não tem não. Nós estamos ainda a nível de idéias, um fala uma coisa, outro fala... assim de... de estar com um objetivo comum até para estar escrevendo alguma coisa.
Conforme as informações apresentadas na resposta à questão desencadeadora, em relação às salas de escolarização, Ananias presta um atendimento emergencial que focaliza os problemas comportamentais do aluno atendendo às demandas dos professores ou dos familiares. Mesmo o trabalho realizado em equipe visa discutir e buscar soluções para os problemas emergenciais dos alunos ou da escola. Ao contrário do que acontece, no seu entender, o psicólogo deveria acompanhar e, quando necessário, intervir nos aspectos que influenciam o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.
Então assim, essa mediação da família, escola, do comportamental dele [aluno], que a gente faz
muito, [...] é... o emergencial da escola, [...]. [...] Então, a nossa função acaba sendo, eu vejo, mais assim... por mim mesmo... mais emergencial do que do cotidiano da função realmente que é do psicólogo escolar ... de apoio a esse processo ensino-aprendizagem.
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Acaba mais uma relação de ajuda das necessidades emergenciais delas [PROFESSORAS] do que... eu estou falando mais por mim... do que uma ajuda do meu ponto de vista para elas... de estar balizando alguma coisa mais... Acaba, eu trabalhando mais dentro da dificuldade que ela tem do que estar aprimorando alguma coisa a mais, talvez pela falta até de tempo e do desvio da minha função de não estar realmente cumprindo o que devia estar cumprindo, que é um apoio...
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Acaba, essa questão da reunião de equipe é mais no sentido do estudo de caso ... que a gente faz ... e mais dentro desses emergenciais, até [...] dentro desses projetos que tem que estar encaminhando... quer dizer, muitas vezes até a nível de Secretaria para estar atendendo.
Neste segundo momento da entrevista, ele não faz referência a nenhuma atividade que seja do campo da psicologia e que esteja voltada para a perspectiva inclusiva. Sua prática está concentrada no atendimento às necessidades emergenciais da escola e apoio à direção na
organização da escola para atender às exigências da Secretaria de Educação, desviando-se das funções que lhe competem.
[...] problema daqui [DA DIREÇÃO], não é problema meu e o que a gente vê muito no Estado é...
quer dizer, não tem ninguém que faça isso - essa questão da ordenação do que a Secretaria pede nessa interlocução.
Então, acaba... não sei lá nas outras escolas como que é isso, mas acaba um ou outro mudando muito o seu papel, em função do que a escola precisa.
Mesmo quando questionado sobre o que a psicologia deveria assumir na escola ele não faz referência aos serviços complementares ou de apoio à inclusão educacional, mas reforça que precisaria estar mais presente nas questões que dizem respeito ao planejamento pedagógico a ser desenvolvido com o aluno.
É... a psicologia, eu acho que deveria assumir, dentro daquilo que eu estava te falando, o pedagógico [...] dentro dessa organização da aprendizagem, o conteúdo programático desse aluno junto com a supervisão e a orientação, estar melhorando essa relação para que essa aprendizagem seja aí mais efetivada.
Observa ainda, que a escola conta com vários especialistas, mas que o trabalho é fragmentado e desenvolvido por cada profissional respondendo por sua área de conhecimento. Sua fala sugere a defesa de que esta equipe deveria partir para um trabalho transdisciplinar tendo como foco o aluno e o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.
A gente vê que o aluno é um aluno só. A gente ainda fragmenta ele muito, não é?... isso aqui é dele, isso aqui é meu, isso aqui é do outro... como que é difícil a gente ter esse... esse conceito que o aluno é todo, que não adianta vir por partes ... que o ajuntar fica, depois, difícil.
3. Angélica
Q.1: A entrevistada apresenta a escola como um ambiente diversificado onde o