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Esta subseção é formatada para atender ao objetivo específico que tem como propósito analisar se existem associações entre os valores culturais e os estilos de aprendizagem dos operadores da contabilidade do setor público brasileiro. Os testes estatísticos são realizados com o suporte da análise de correspondência.

As cinco dimensões da cultura (PDI, UAI, IDV, MAS e LTO) foram subdivididas em alta, média e baixa. A Tabela 49 mostra a relação existente entre estilos de aprendizagem com a dimensão do valor cultural distância hierárquica (PDI), que foi subdividido em três: PDI baixo, PDI médio e PDI alto.

Tabela 49 – Resultado da análise de correspondência aplicada ao cruzamento estilos de aprendizagem por distância hierárquica (PDI)

Eixos ou dimensões Valor singular Inércia Qui-quadrado Valor-p % inércia

1 0,116 0,013 6,328 0,388 90,6

2 0,037 0,001 9,4

Total 0,015 100,0

Fonte: Dados da pesquisa.

A análise de correspondência decompõe a estatística qui-quadrado para avaliar a proximidade entre colunas e linhas (tabelas cruzadas com duas ou mais classificações) na forma de uma apresentação gráfica para identificar similaridades entre categorias.

A partir do percentual da inércia, verificado na Tabela 49, é possível identificar que o eixo 1 explica a relação existente entre as variáveis em 90,6%. Logo, a Figura 12 demonstra o gráfico produzido pela análise correspondência, que é formado por pontos, projeções de linhas e colunas no espaço bidimensional euclidiano (ou unidimensional).

O eixo ou dimensão 1 da Figura 12 mostra que os operadores da contabilidade que apresentam estilo de aprendizagem assimilador têm comportamento cultural distância hierárquica média (PDIM). Os divergentes apresentam distância hierárquica baixa (PDIB). Assim, os operadores que apresentam estilos de aprendizagem assimilador e divergente buscam o diá́ logo com o seu chefe e com os demais colegas para obter um efetivo aprendizado no ambiente de trabalho ou de apredizagem.

Figura 12 – Mapa de associação da análise de correspondência para o cruzamento das variáveis estilos de aprendizagem por distância hierárquica (PDI)

Nota: PDIA: distância hierárquica alta; PDIM: distância hierárquica média; PDIB: distância hierárquica baixa. Fonte: Dados da pesquisa.

É possível afirmar, portanto, que os assimiladores e divergentes apresentam comportamento desfavoráveis aos chefes que tomam decisões de forma individualizada, ou seja, preferem que os chefes os consultem antes de as decisões serem tomadas, por exemplo, se é adequada ou não a adoção das IPSAS. Os que apresentam estilos convergente e acomodador têm valor cultural de distância hierárquica alta (PDIA). Logo, eles demonstram um comportamento “tímido” e apreensivo para questionar seus superiores. Esses resultados assemelham-se aos de Hamann (2011).

Os estilos de aprendizagem também foram associados com a variável valor cultural aversão à incerteza. A Tabela 50 apresenta a análise de correspondência para o cruzamento entre essas variáveis.

Tabela 50 – Resultado da análise de correspondência aplicada ao cruzamento estilos de aprendizagem por aversão à incerteza (UAI)

Eixos ou dimensões Valor singular Inércia Qui-quadrado Valor-p % inércia

1 0,067 0,004 2,015 0,918 94,8

2 0,016 0,001 5,2

Total 0,005 100,0

A análise de correspondência da Tabela 50 demonstra que o eixo 1 explica 94,8% da relação entre as variáveis estilos de aprendizagem e aversão à incerteza. O mapa de associação exposto pela Figura 13 mostra quais variáveis se encontram associadas umas com as outras.

Figura 13 – Mapa de associação da análise de correspondência para o cruzamento das variáveis estilos de aprendizagem por aversão à incerteza (UAI)

Nota: UAIA: aversão à incerteza alta; UAIM: aversão à incerteza média; UAIB: aversão à incerteza baixa. Fonte: Dados da pesquisa.

É visível, a partir da análise do eixo 1 da Figura 13, que os operadores da contabilidade do setor público brasileiro que apresentam estilos de aprendizagem assimilador e acomodador têm relação com aversão à incerteza baixa. Já os operadores que têm estilos divergente e convergente apresentam relação com valor cultural aversão à incerteza média. De forma geral, isso representa um grau de comportamento de baixa aversão à incerteza. Para Hamann (2011), pessoas com baixa aversão à incerteza preferem atribuições subjetivas para suplementar seus conhecimentos, apreciam desafios e não se assustam em cometer erros, o que é vital no processo de mudança ao qual está passando o sistema de contabilidade do setor público.

Portanto, o comportamento dos operadores que têm estilos de aprendizagem assimilador e acomodador são os que apresentam maior aversão emocional diante das regras formais. Eles seriam os mais propensos à aceitação da adoção das IPSAS. Por outro lado, os operadores de estilo de aprendizagem divergente são menos propensos a aceitarem a adoção.

Outra associação verificada foi entre os estilos de aprendizagem e valor cultural individualismo/coletivismo. Nessa análise, busca-se aferir se os operadores apresentam comportamento, a partir dos estilos de aprendizagem, individualista ou coletivista alto, médio ou baixo. A Tabela 51 apresenta a inércia dos eixos 1 e 2.

Tabela 51 – Análise de correspondência aplicada ao cruzamento estilos de aprendizagem por individualismo (IDV)

Eixos ou dimensões Valor singular Inércia Qui-quadrado Valor-p % inércia

1 0,150 0,23 10,175 0,117 94,2

2 0,037 0,01 5,8

Total 0,24 100,0

Fonte: Dados da pesquisa.

A análise dos eixos demonstra que a inércia pode ser explicada quase que totalmente pelo eixo 1 (inércia = 94,2%). Os eixos estão dispostos na Figura 14. A partir deles, é possível identificar a associação entre estilos de aprendizagem e individualismo/coletivismo.

Figura 14 – Mapa de associação da análise de correspondência para o cruzamento das variáveis estilos de aprendizagem por individualismo (IDV)

Nota: IDVA: individualismo alto; IDVM: individualismo médio; IDVB: individualismo baixo. Fonte: Dados da pesquisa.

Os operadores que apresentam estilos de aprendizagem assimilador e convergente têm comportamento cultural mais associados ao valor cultural individualismo médio, demonstrando equilíbrio entre individualismo e coletivismo. Já os operadores que apresentam estilos divergente e acomodador têm comportamento coletivista bem mais acentuado.

Em sentido amplo, observa-se que os operadores da contabilidade não apresentam comportamento individualista. Logo, a dimensão cultural IDV indica se os operadores da contabilidade preferem compartilhar o senso comum que prevalece entre eles ou aplicar suas próprias ideias. Os resultados demonstram que os operadores, independentemente do estilo de aprendizagem, preferem o senso comum da maioria e aprendem com as experiências de outros profissionais. Esse resultado assemelha-se aos de Hamann (2011) para estudantes de Ciências Contábeis.

A penúltima análise realizada entre estilos de aprendizagem e valores culturais busca verificar o comportamento cultural masculinidade/feminilidade e a forma de aprender dos operadores. A Tabela 52 traça os resultados da análise de correspondência entre aprendizagem e masculinidade.

Tabela 52 – Análise de correspondência aplicada ao cruzamento estilos de aprendizagem por masculinidade (MAS)

Eixos ou dimensões Valor singular Inércia Qui-quadrado Valor-p % inércia

1 0,107 0,12 4,972 0,547 98,0

2 0,015 0,00 2,0

Total 0,12 100,0

Fonte: Dados da pesquisa.

Realizada a decomposição da estatística qui-quadrado da análise de correspondência para avaliar a proximidade entre colunas e linhas, verifica-se, a partir do percentual da inércia, que o eixo/dimensão 1 explica a relação existente entre as variáveis em 98%. O resultado foi plotado na Figura 15, que demonstra as projeções de linhas e colunas no espaço bidimensional.

O comportamento dos operadores de estilos de aprendizagem assimilador e convergente está associado ao valor cultural masculinidade média, o que implica em equilíbrio entre masculinidade/feminilidade. Já o comportamento daqueles que apresentam estilos divergente e acomodador têm correspondência com a feminilidade. Para Hamann (2011), pessoas com baixa masculinidade consideram a relação pessoal mais importante no ambiente de aprendizagem (EC). Logo, presume-se que, para a adoção das IPSAS, é necessário que a relação pessoal entre os operadores seja agradável e menos competitiva.

Figura 15 – Mapa de associação da análise de correspondência para o cruzamento das variáveis estilos de aprendizagem por masculinidade (MAS)

Nota: MASA: masculinidade alta; MASM: masculinidade média; MASB: masculinidade baixa. Fonte: Dados da pesquisa.

A última associação verificada é entre o comportamento dos operadores de baixa, média e alta orientação de longo prazo com os estilos de aprendizagem. A Tabela 53 mostra que a análise da associação deve ser realizada tomando por base o eixo 1, pois apresenta inércia de 94,6%.

Tabela 53 – Análise de correspondência aplicada ao cruzamento estilos de aprendizagem por orientação de longo prazo (LTO)

Eixos ou dimensões Valor singular Inércia Qui-quadrado Valor-p % inércia

1 0,090 0,008 3,619 0,728 94,6

2 0,022 0,000 5,4

Total 0,008 100,0

Fonte: Dados da pesquisa.

A análise de correspondência demonstra que o eixo 1 explica 94,6% da relação entre as variáveis estilos de aprendizagem e orientação de longo prazo. A associação apresentada na Tabela 53 pode ser melhor explorada por meio do mapa de associação da análise de correspondência das variáveis estilos de aprendizagem e valor cultural orientação de longo prazo, que foi subdividida em baixa, média e alta.

Figura 16 – Mapa de associação da análise de correspondência para cruzamento das variáveis estilos de aprendizagem por orientação de longo prazo (LTO)

Nota: LTOA: orientação de longo prazo alta; LTOM: orientação de longo prazo média; LTOB: orientação de longo prazo baixa.

Fonte: Dados da pesquisa.

O comportamento dos operadores que têm estilo de aprendizagem assimilador, acomodador e divergente está associado com orientação de longo prazo alta, e o convergente com valor cultural orientação de longo prazo média. Em suma, em todos os estilos de aprendizagem, os operadores buscam adquirir as habilidades e conhecimentos sobre as IPSAS de longo prazo.

Por fim, a seção seguinte apresenta as considerações finais desta pesquisa, demonstrando que valores culturais dos operadores da contabilidade do setor público brasileiro divergem, em parte, daqueles apresentados por Hofstede (2001) para os valores culturais da sociedade brasileira, e que o estilos de aprendizagem predominantes são o assimilador e convergente respectivamente, resultado esse condizente com Kolb (1984), Cerqueira (2000), Loo (2004) e Kolb e Kolb (2005).