A atuação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), em Redonda, não ficou restrita a um setor específico, mas buscou interface com as diversas esferas sociais. Acima, vimos um projeto de educação a se efetivar e a desenvolver iniciativas tal como a construção do grupo Monsenhor Diomedes. De forma parecida, se deram outras pelejas voltadas para a melhoria das condições de saúde, antes e depois da emancipação de Icapuí.
Narra Silva (1998) que as primeiras ações do recém-criado município de Icapuí se tornavam mais difíceis frente à falta de ajuda dos governos estadual e federal, mas não impediam a realização dos trabalhos, o que era possível graças à atuação dos agentes pastorais da Igreja Católica. Os mesmos encampavam ações de acompanhamento das crianças recém-nascidas, voltadas para o aleitamento materno e a nutrição. Nas palavras do autor:
Vale destacar a atuação dos agentes pastorais treinados pela Igreja local, coordenados na época pelo pároco monsenhor Diomedes de Carvalho, que prestavam serviços básicos de saúde nas comunidades. Esse pessoal todo foi absorvido pela administração. Eles foram qualificados não só para as atividades mais complexas nas ações de saúde, como também, para ser
dirigentes, ocupando inclusive, cargos de direção na Secretaria de Saúde (SILVA, 1998, p.81).
Em Redonda, por não haver unidade de saúde, as atividades eram realizadas na casa paroquial da comunidade, ou nas casas das agentes de pastoral, conforme nos conta uma dessas:
Antes, a saúde funcionava na casa paroquial. Minha madrinha Nonata tomava de conta, tinha uma prateleira com os remédios, que quando o médico vinha consultar, ele atendia lá, na casa paroquial. Tinha reunião, tinha aquelas cantigas... Eu gostava daquela que dizia assim:
“Minha gente pise firme, cante alto e vamos lá, vamos lutar consciente que a Redonda vai mudar, vamos lutar consciente que a Redonda vai mudar”. (...)
Quando alguém levava um corte, não tinha quem soubesse prestar um socorro, aí o padre Diomedes me levou pra fazer um curso de Primeiros Socorros, ali com seu Anastácio, em Icapuí. Aí depois o curso foi muito assim, não teve muito aperfeiçoamento, aí ele pegou levou pra Limoeiro, passemos um mês lá, estudando no Hospital Batista de Limoeiro, aí passemos uns tempo lá.
Aí quando chegamos aqui, a Diocese formou uma Farmácia Comunitária. Que a farmácia passava um mês na casa de mamãe e depois passava um mês na casa de madrinha Nonata. Uma criança com febre, um corte, uma pessoa pra tomar injeção, se consultar com médico, ia lá pra casa. Algumas coisas a Diocese doava, tipo gase, água oxigenada. A gente usava mais água oxigenada de que soro. Ela mandava vidro de soro, essas coisas, soro de pacotes pra dar as criança com diarréia, tudo a Diocese mandava. E aí o pessoal se acostumaram, qualquer coisa de doencinha que tinha, mulher que tinha neném em casa, dava hemorragia e vinha chamar nós e aí nós tinha as injeções pra hemorragia e nós aplicava e aí passemos bem...
Uma das características das ações de cuidado feitas pela população é a não distinção absoluta entre os espaços públicos e os privados: as casas das pessoas são lugares de acolher o outro que está a merecer cuidados. Ações como essas – de efetivação de uma farmácia comunitária ou de cuidados entre parentes e vizinhos – são chamadas por Valla (1998) como redes locais de apoio social, que investem na criação de práticas voltadas para enfrentamento dos problemas de saúde. Essas práticas acontecem no seio da comunidade e envolvem grupos religiosos, culturais, no cuidado à saúde das pessoas do lugar, no cotidiano da vida.
Para Vasconcelos (2009), muitas vezes, essas ações estão ficando fora do foco do movimento sanitário nacional, mas suas ações solidárias em saúde continuam se multiplicando, fazendo uso de saberes milenares. E exemplifica algumas das iniciativas que poderíamos chamar de apoio social em saúde:
Em muitos movimentos nacionais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são organizadas iniciativas próprias de saúde.
Parcelas crescentes da população recorrem às igrejas cristãs pentecostais para solucionarem seus problemas de saúde. Na Igreja Católica, houve expansão de várias atividades pastorais voltadas a problemas de saúde com bastante capilaridade no tecido social. ONGs ligadas ao enfrentamento da Aids, articuladas em fóruns, vêm desenvolvendo práticas inusitadas de apoio aos doentes e de prevenção, com grande impacto. Movimentos e organizações sociais muito antigos, como a Sociedade São Vicente de Paula e os Alcoólicos Anônimos (AA), continuam marcando importante presença nas comunidades (VASCONCELOS, 2009, p.278-279).
Acrescenta ainda Vasconcelos (2009, p.280) que “as conversas, reuniões e celebrações que acontecem nessas práticas solidárias de saúde são ainda espaços centrais de elaboração dialogada de sentidos e entendimentos para o que está acontecendo na crise da doença”.
Na tessitura de uma rede local de apoio social em saúde, conta uma moradora do lugar que duas pessoas da comunidade foram escolhidas para serem qualificadas e para desenvolverem o que ela chamou de “trabalho da saúde”. Um
trabalho que ia casa a casa, como o da Pastoral da Criança, e que começava a incluir capacitações, viabilizadas pelas CEBs:
Quando o padre chegou aqui, ele viu que a saúde tava muito lenta, que faltava melhorar muita coisa. Aí ele levou duas moças daqui para Limoeiro do Norte, que foi Da Paz e Nonata. Aí lá mandou dar um curso de saúde, elas aprenderam dar injeção, fazer curativo, cuidar dos doentes (...) Porque antes, se uma pessoa levasse um golpe, nós botava era areia, sal... Nós tava muito a precisar de um trabalho da saúde (Luísa).
Tais agentes de pastorais, como essas duas jovens de Redonda citadas nos depoimentos, tornaram-se as primeiras agentes de saúde do município de Icapuí, como nos conta uma delas:
No começo, minha madrinha Nonata trabalhava na casa paroquial. Num tinha prefeitura aqui, num tinha posto de saúde. Ela não era funcionária, era voluntária da igreja. Não existia agente de saúde. Nesse trabalho de agente de saúde, as primeiras da Redonda foram eu e Ceição de Ciço. Nos fizemos uma prova oral, com um pessoal do Estado, que fizeram perguntas sobre a comunidade, sobre as crianças daqui, as vacinas delas, essas coisas. E nós fizemos essa prova oral e fomos chamadas pra ser agente de saúde.
Eu fiquei com a Redonda e Ceição ficou com a Peroba.
Nesse tempo, era uma agente de saúde pra Redonda todinha. Mas nós se juntava e uma ajudava a outra, porque era muito menino. Tinha casa de ter cinco, seis crianças pra pesar. E as mães não sabiam onde tinham guardando o cartão dos meninos. E nós ficava caçando, por dentro de armário, de mala, de caixa, pra ver se achava o cartão dos meninos. Às vezes achava, ás vezes não. E desse negócio de ter mãe que perdia os cartões, nós começamos a ter sempre um nosso também. Eu me lembro que quando tinha vacinação, vinha era muita mãe procurando, elas diziam:
“Painha, mulher, só tu fazendo ajeitando aí um cartão pra meu fi, porque sumiu”. Com o passar do tempo, as mães foram vendo a importância, a ter
zelo pelo cartão. É tanto que tem mãe que guarda o cartão dos filhos até hoje. O menino já grande e muitas delas guardam o cartão. Mas de primeiro era uma luta.
A gente ia lá pra secretaria de saúde prestar conta. Tinha uma enfermeira que perguntava quantas crianças tinham na comunidade, se teve diarreia, vômitos, como tava o peso. Era mais voltado para as crianças, porque morriam muitas crianças, principalmente aqui na Redonda. A gente via a criança já grandinha, andando e tudo. Quando de fé, dava uma diarreia e morria.
Em consonância com os escritos de Bitu (1992), o Programa de Agentes de Saúde, em Icapuí, teve início, em 1987, juntamente com outros 44 municípios do estado, época em que o Ceará enfrentou uma de suas piores secas. Relata ela que, com o programa:
Houve uma redução no número de óbitos por diarreia, bem como o despertar da comunidade em relação à importância do soro caseiro (como prevenção da desidratação) e da imunização. Além desses avanços, notou- se, ainda, que um maior número de gestantes começou a procurar as unidades de saúde para realizar o pré-natal (BITU, 1992, p.147).
Todas essas melhorias no cuidado à saúde de crianças e mulheres passaram pela vigilância e persistência das primeiras agentes de saúde, pois, segundo nos informou a nossa depoente, elas passaram a sentir corresponsáveis pela atenção à saúde dessas pessoas. Vejamos:
Nós passamos a ter muita responsabilidade, porque Odorico dizia nas reuniões que se uma criança morresse, a responsabilidade também era nossa. A culpa era de todo mundo. Aí, se uma criança adoecesse, nós parecia um pião, rodando, ia na casa e voltava de novo e ia outra vez, enquanto a criança num melhorasse.
A gente vinha em nossa casa só dar uma reparada em nossos filhos, que vocês eram tudo pequeno, e voltava depressa pra casa da criança doente, porque a gente ficava prestando atenção se o olho ficava fundo, se tava com a boca seca, a pele, nós ficava olhando direto e ensinando as mães a dar o soro, nós fazia o soro caseiro. E ali nós passava era tempo com aquela mãe e aquela criança (...)
Além desses trabalhos de cuidados domiciliares e de educação em saúde, esses agentes de pastorais que se tornaram agentes de saúde, recorda Silva (1998), foram os principais atores na inclusão de todas as famílias do município no Cadastro Prontuário Familiar, que levantavam informações preciosas como: as condições de doenças, situação de moradia, tipo de casa, condições sanitárias e renda familiar. Complementam Andrade e Goya (1992) que também foram coletados dados sobre acesso e uso da terra, posse e tipo de animais, posse e tipo de barco pesqueiro e destino da pesca. Informam esses autores que, nesse período inicial
que corresponde ao ano de 1986, foram cadastradas 2.275 famílias, aproximadamente 90% das famílias residentes em Icapuí.
Sobre esse aspecto, da elaboração dos prontuários familiares, assim se reportam:
Considerando que a saúde dos icapuienses, além de ser determinada por fatores orgânicos individuais, sofre também consequência de variáveis sócio-econômicas que apontam o nível de qualidade de vida desta população, a Secretaria Municipal de Saúde Pública e Saneamento, objetivando conhecer a realidade local, e assim proceder a elaboração de seu diagnóstico municipal, fez uso da formulação do Prontuário Familiar (ANDRADE; GOYA, 1992, p.54).
De acordo com esses mesmos autores, cada família cadastrada foi destinada a uma unidade caracterizada como Porta de Entrada do Sistema Local de Saúde de Icapuí (ANDRADE; GOYA, 1992). Essa ação foi fundamental para o êxito da implementação, na terceira gestão pública (1993 – 1996), do Programa Saúde da Família – PSF, garantindo uma equipe de saúde composta por enfermeiro, médico, técnicos ou auxiliares de enfermagem e agentes de saúde para cada área do município.
Afiança Vasconcelos (2009, p.275) que:
Muitas práticas, que hoje marcam as características de funcionamento dos serviços brasileiros de atenção primária à saúde, foram delineadas a partir de experiências alternativas de saúde comunitária que se multiplicaram a partir da década de 1970. Dentre essas práticas podemos citar: a valorização da ação educativa de agentes comunitários de saúde da própria comunidade; formas grupais de enfrentamento de problemas de saúde específicos (grupos de hipertensos, diabéticos, gestantes, entre outros); ênfase na construção de ações de saúde integradas aos movimentos sociais locais; conselhos locais de saúde que buscavam estruturarem-se de forma inclusiva e participativa; envolvimento da equipe de saúde em lutas políticas locais; gestão do trabalho dos profissionais por meio de rodas de discussão, estudo e negociações que incluíssem todos os membros da equipe; valorização de dimensões emocionais, artísticas e espirituais nos grupos; integração com práticas e saberes populares etc.
Como bem disse o autor acima, as experiências de saúde comunitária, como a ensaiada em Redonda com o trabalho das CEBs, foram inspiradoras para as diversas práticas que se espalham pelos serviços de atenção primária em todo Brasil.
É pertinente advertir que o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e o PSF não surgiram integrados como hoje eles se apresentam. No começo, eles trilhavam caminhos separados, como bem recorda nossa primeira
agente de saúde de Redonda:
No posto, no início, era só consulta médica, uma vez por semana, depois duas... tinha curativo, essas coisas. Mas esse nosso trabalho de agente de saúde não tinha nada com o posto. Nós prestávamos conta lá na secretaria. Depois foi que o posto teve uma equipe trabalhando, com uma enfermeira que ficava direto mais nós, aí num precisava mais ir pra secretaria prestar conta, porque a enfermeira ficava acompanhando aqui na comunidade.
Paim (2003, p.580) chama a atenção para o fato de que a integração entre o PACS e PSF evidencia um movimento importante no interior do Ministério da Saúde. Quando o PSF surge em 1994, ele nasce com uma concepção de “medicina de pobre para pobres”. Só três anos depois, com essa integração entre os dois
programas, é que se constata, a nível de Ministério, a atenção primária como uma estratégia de reorientação da atenção à saúde, sendo o primeiro nível de atenção,
“recusando, portanto, a concepção de programa de medicina simplificada para pobres”.
Daí que, amparados por Andrade, Barreto e Bezerra (2012), ser mais apropriado fazer referência ao PSF como estratégia de saúde e não somente como um programa setorial, uma vez que, mais do que organizar a atenção primária, essa política conseguiu, sobretudo, estruturar o sistema público de saúde. Vejamos como esses autores se colocam:
A decisão governamental de se implementar a Estratégia Saúde da Família transcendeu as limitações temporais e a amplitude limitada inerentes à definição de um programa setorial de saúde. Na verdade, a ESF não foi implantada somente para organizar a atenção primária no SUS temporariamente, mas essencialmente para estruturar esse sistema público de saúde uma vez que houve um redirecionamento das prioridades de ação, reafirmação de uma nova filosofia de atenção à saúde e consolidação dos princípios organizativos do SUS (ANDRADE; BARRETO; BEZERRA, 2012, p.802-803).
Neste ínterim, apreendemos que a Estratégia Saúde da Família – ESF surgiu embutida de uma grande responsabilidade, de ser coordenadora de toda rede assistencial, uma vez que se entende que é na atenção primária onde os problemas de saúde são identificados, resolvidos ou encaminhados para outros níveis de atenção. E mais ainda, como uma estratégia para consolidação dos princípios do SUS.
Para esses mesmos autores, todo um contexto nacional e internacional determinou o surgimento dessa política de saúde. Na esfera nacional, o momento de evolução do SUS e sua luta por acesso universal, descentralização, integralidade da
atenção e controle social; como também as experiências inovadoras em alguns estados, além do perfil epidemiológico brasileiro, caracterizado pelas desigualdades regionais e necessidade de melhora dos indicadores básicos de saúde. No âmbito internacional, confluíram a popularidade de modelos internacionais de atenção primária centrados na comunidade e a pressão de financiamento das agências internacionais de saúde (ANDRADE; BARRETO; BEZERRA, 2012).
Diante do quadro, vamos tomar de empréstimo o conceito de Estratégia Saúde da Família apresentado por Andrade, Barreto e Bezerra (2012, p.804):
Modelo de atenção primária, operacionalizado mediante estratégias/ações preventivas, promocionais, de recuperação, reabilitação e cuidados paliativos das equipes de saúde da família, comprometidas com a integralidade da assistência à saúde, focado na unidade familiar e consistente com o contexto socioeconômico, cultural e epidemiológico da comunidade em que está inserido.
Neste linear, são especificados, pelos mesmos autores, os princípios norteadores, os princípios organizativos e os processos para organização da Estratégia Saúde da Família. Conceito abrangente de saúde, universalidade, equidade e integralidade são seus princípios norteadores. Acessibilidade, hierarquização, descentralização, controle social e resolubilidade são seus princípios organizativos. Quanto aos processos para organização, são discriminados: definição e descrição do território de abrangência, adscrição da clientela, diagnóstico de saúde da comunidade, acolhimento e o organização da demanda, trabalho em equipe multiprofissional, enfoque da atenção à saúde da família e da comunidade, estímulo à participação e controle social, organização de ações de promoção da saúde, resgate da medicina popular, organização de um espaço de co-gestão coletiva na equipe, identificação dos serviços de referência no nível secundário e terciário, monitoramento dos indicadores de saúde do território-população de abrangência, clínica ampliada e educação permanente em saúde (ANDRADE; BARRETO; BEZERRA, 2012, p.812).
Todos esses princípios são amálgamas para uma diversidade de experiências que foram e estão sendo desenvolvidas por todo o país. No caso de Redonda, o período da implantação dessa estratégia é resgatado, pelos trabalhadores da saúde que viveram esses “primeiros passos”, como um tempo em que havia comprometimento da equipe com os princípios que a regem, conforme depoimento que segue:
O PSF quando foi implantado aqui foi assim, uma coisa maravilhosa, tudo era muito bem feito, tudo era muito bom, todo mundo trabalhava junto, todo mundo era junto, e todo mundo queria que a coisa desse certo. As pessoas não eram egoístas, não pensavam só na coisa individual, não pensavam tanto em dinheiro, a gente tinha muito amor, as pessoas tinham muito amor ao trabalho, entendeu? Então, quando se fala em PSF, pra mim, eu tenho essa lembrança comigo, que é uma maravilha, que tem educação em saúde, tem atendimento, tem visita, tem os acamados todo mundo bem cuidado, bem tratado... Os agentes de saúde eles tinham uma coisa que era todo mundo ligado, uma coisa ligava na outra, ligava na outra e tudo dava certo. Então, eu ia pro posto, eu ia trabalhar porque era bom, eu gostava de ir pro posto. Antes do PSF, as coisas eram muito soltas, tinha consulta do medico que na época era Joaquim, tinha consulta, mas era tudo assim, muito sem direitos, entendeu?(...) (Sílvia).
Pela fala acima, concebemos que havia um esforço coletivo para operacionalização das ações a que se propunha a estratégia – “todo mundo queria
que a coisa desse certo”. E, nesse fazer empenhado, se dava uma sintonia entre os
diferentes sujeitos envolvidos nas atividades – “era todo mundo ligado, uma coisa
ligava na outra”. É o que se apreende também por esse outro depoimento:
A gente tinha um desafio muito grande no começo com relação a amamentação. Era um desafio e a gente conseguiu. Eu lembro que a unidade de Redonda era estampada assim que a questão da amamentação era quase cem por cento (...) Eu lembro que quando começou, quando a mulher ganhava neném, o enfermeiro cobrava que a gente todo dia, a semana toda, fosse na casa pra ver que a mãe tava amamentando ou se tinha introduzido outra comida, outra alimentação, outro leite. Se a gente visse isso, a gente trazia para o enfermeiro: - “ó, tá dando outro leite”. O enfermeiro ia bater lá, tentava convencer aquela mãe junto com o agente de saúde. Tinha muito isso antes, esse empenho, essa vontade de ajeitar (Eliená).
Localizada bem em frente ao mar, a unidade básica de saúde de Redonda faz jus ao nome: Estrela-do-Mar. Possui uma área externa com alpendre e bancos de cimentos, uma rampa e um pequeno jardim, com poucas plantinhas, delimitado por um murinho baixo. Nesses bancos externos, ficam muitas pessoas conversando, inclusive quem nem está aguardando atendimento. Às vezes são acompanhantes, ou simplesmente curiosos. Outras vezes são amigos conversando, que aproveitam a sombra e a ventilação do espaço. Acima da porta de entrada há uma placa de identificação com o nome da unidade e nas colunas de frente existe uma faixa onde se lê: “esta unidade de saúde aderiu ao programa de melhoria do acesso e da