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Stolen Historical Monuments from the Perspective of the Polish Police

No período da pesquisa, obtive contato direto com os sujeitos que constituem o povo do mar de Canto Verde (já que sou nativa e envolvida nos processos de organização comunitária), para entender processos, momentos vividos por eles na sua luta pela vida comum, bem como suas compreensões do mundo e de sua comunidade, tendo em vista chegar ao objetivo almejado.

Foi possível participar de reuniões, assembleias, momentos culturais, conversas formais e informais; também em alguns momentos sentamos com as crianças para conversar sobre suas vidas em Canto Verde e produzir desenho como resultado dessas conversas e reflexões, igualmente com pescadores.

Recorri também a pesquisas sobre a temática pesquisada, realizando um levantamento de várias publicações que tivessem ligação com o tema, e de pesquisas acadêmicas como teses e dissertações, como recorri também aos arquivos da comunidade, da escola e associação de moradores.

Na busca de compreender melhor meus questionamentos, pesquisei em sites da UFC (Universidade Federal do Ceará), USP (Universidade de São Paulo) e Scielo, UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UFPA (Universidade Federal do Pará) e UFPI (Universidade Federal do Piauí), entre outros bancos, teses e dissertações que tivessem relação com o meu tema e foram encontradas um número bastante relevantes de pesquisas já realizadas sobre Canto Verde. Dez (10) delas são de nível internacional; investigadas por pesquisadores de universidades dos EUA, Argentina, Alemanha e Suíça. Encontrei variadas, principalmente no site da Universidade Federal do Ceará. Isso me fez poder aproximar-me de como estão lidando com o estado da arte.

Nesse estudo, elegemos a abordagem qualitativa, e como metodologia a etnografia. Consideramos que essas duas vertentes nos possibilitaria um detalhamento maior sobre o objeto investigado, auxiliando-nos na construção das respostas às perguntas que nortearam este trabalho.

Deste modo, a pesquisa, ao escolher a abordagem qualitativa, pretendeu aprofundar a busca de saberes e não mensurar fenômenos. É que na pesquisa qualitativa existe uma relação dinâmica entre o mundo real, objetivo, concreto e o sujeito, visando uma conexão entre a realidade e o homem (OLIVEIRA, 2008) e, nesse sentido, não se buscam dados quantitativos, mas uma interpretação do dito pelos sujeitos, e que é obtido na relação entre o pesquisador e objeto de pesquisa. Para Minayo (2010):

O método qualitativo é o que se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a sim mesmos, sentem e pensam (MINAYO, 2010, p.57).

A eleição da abordagem qualitativa em pesquisa, portanto, apontou os caminhos necessários a trilhar nesse fazer metodológico, pois se estudou saberes que envolvem as relações, o cotidiano, as construções da organização social e de vida que fazem as pessoas, daí

observando sua história do ponto de vista memorial e em devir constante. Nosso objeto se caracterizou, primordialmente, pois, por sua natureza histórica, mas, como nos diz Minayo (2010, p.39), as sociedades humanas “vivem o presente marcado pelo passado e projetado para o futuro que em si traz, dialeticamente, as marcas pregressas, numa reconstrução constante do que está dado e do novo que surge”.

Para melhor compreender a leitura do vivido, que os sujeitos relatam sobre as suas lutas como povo do mar de Canto Verde, identificando os passos históricos da comunidade, seus saberes produzidos ao longo do tempo, buscamos a lente da etnografia. Esta metodologia em pesquisa nos possibilita certo detalhamento sobre os fenômenos que ocorrem na comunidade, na forma como os sujeitos do lugar os apreendem.

A configuração da pesquisa deriva, pois, das contribuições de Geertz (1989), que propõe, inclusive, como procedimento etnográfico a descrição densa - que permite ao pesquisador capturar o ponto de vista dos sujeitos que pretende compreender:

A etnografia é uma descrição densa. O que o etnógrafo enfrenta, de fato - a não ser quando (como deve fazer, naturalmente) está seguindo as rotinas mais automatizadas de coletar dados - é uma multiplicidade de estruturas conceptuais complexas, muitas delas sobrepostas ou amarradas umas às outras, que são simultaneamente estranhas, irregulares e inexplícitas, e que ele tem que, de alguma forma, primeiro apreender e depois apresentar. E isso é verdade em todos os níveis de atividade do seu trabalho de campo, mesmo o mais rotineiro: entrevistar informantes, observar rituais, deduzir os termos de parentesco, traçar as linhas de propriedade, fazer o censo doméstico... escrever seu diário. (GEERTZ, 1989, p. 7).

Ainda para Geertz (1989), pensar em descrição densa supõe que se analise poder ser, esta, tomada como uma narrativa, intersubjetiva, que possui sua validade em pesquisa. Vejamos como Geertz (1989, p.1) se refere ao assunto:

Uma densa descrição impõe-se como detalhada narrativa de fenômenos intersubjetivos, fenômenos sempre significativos e cuja significação desprende-se do modo como neles se formou a relação do homem com os outros homens e com a natureza (...), uma operação que se abre, não para a vinculação extrínseca dos fatos, mas para a sua interpretação, ou seja, para a apresentação dos fatos não como apresentação de coisas justapostas mas como internamente vinculados, reunidos segundo as intenções mais ou menos conscientes de seus atores. (GEERTZ 1989,

p.1).

Escolhendo a descrição densa como procedimento do método etnográfico, pois, nos propomos a ver detalhes minuciosos na investigação, o que pode contribuir para uma análise significativa dos saberes em pauta. Assim é que, para Geertz (1989, p.7), “fazer a etnografia é como tentar ler (no sentido de ‘construir uma leitura de’) um manuscrito estranho, desbotado, cheio de elipses, incoerências, emendas suspeitas e comentários tendenciosos (...)”.

Clifford Geertz (1989) preocupou-se com o fazer etnográfico, assinalando para além de descrição superficial, onde prevalece a técnica. A descrição densa leva em consideração as variadas estruturas conceituais e significativas que moldam as ações humanas. Assim, o que interessa não é apenas interpretar ou explicar os fatos isolados, mas dos conjuntos em que se constroem.

Nessa pesquisa, com a concepção etnográfica realizamos uma descrição sobre o jeito e modo de viver dos comunitários de Canto Verde, bem como sua organização social, cultural e histórica, onde procuramos perceber detalhes a partir do envolvimento com os sujeitos e seu cotidiano. Desse modo, dialogamos com os elementos da etnografia também considerados por André (2009, p.28),

A etnografia é um esquema de pesquisa desenvolvida pelos antropólogos para estudar a cultura e a sociedade. Etimologicamente etnografia significa ‘descrição cultural’. Para os antropólogos, o termo tem dois sentidos (1) um conjunto de técnicas que eles usam para coletar dados sobre os valores, os hábitos, as crenças, as práticas e os comportamentos de um grupo social; (2) um relato descrito resultando do emprego dessas técnicas. (ANDRÉ, 2009, p. 28).

Etnografia significa “descrição ou estudo cultural” e em acordo com o que diz Triviños (2008, p. 121), o papel do etnógrafo “não é tanto estudar a pessoa, e sim apreender das pessoas”. Nesse caminho buscamos apreender as pessoas, e a partir disso a cultura delas, o jeito de viver, os processos construídos de luta e resistência ao longo do tempo e descrever esse cotidiano, sendo elas o principal objeto de análise.

Desvelar os resultados dessa escritura é nosso caminho.

2.4.2. O cenário da pesquisa

O lócus da pesquisa foi a Reserva Extrativista da Prainha do Canto Verde, comunidade que é gestada oficialmente por uma equipe do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade)um local considerado de território federal. Por isso, para que um pesquisador possa desenvolver um trabalho de investigação nesse espaço é necessário realizar primeiramente uma inscrição no SISBIO1 (Sistema de Autorização e Informação em

1

O Sisbio – Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade, foi implementado em 2007 com o objetivo de permitir aos pesquisadores, a solicitação à distância de autorizações para a realização de pesquisas e a coleta de material biológico em todo o território nacional, sobretudo aquelas com espécies ameaçadas, em unidades de conservação federais ou cavernas. Desde sua implementação, graças a seu formato automatizado, interativo e simplificado, o Sisbio melhorou significativamente o atendimento e a prestação de serviços junto aos pesquisadores e a interação entre estes e os gestores. Atualmente, há 29.744 pesquisadores cadastrados no sistema. Fonte: http://www.icmbio.gov.br/sisbio/