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Case Study - Natural Gas Based Flue Gas

Nosso propósito neste item era apresentar uma medição da gestão de riscos e crises da companhia estudada, não obstante não pudéssemos ter acesso às informações para essa finalidade.

O que apresentaremos, mediante esta limitação, é uma simulação, como forma de contribuição para estudos futuros, aplicações e teste desta proposta metodológica.

Suponhamos, considerando os três principais riscos críticos apresentados pela organização, ocorrências com impactos significativos e que foram geradores de crises, conforme Quadro 4, abaixo.

Nesse quadro, apresentamos uma simulação de 6 crises que teriam ocorrido durante o ano de 2010. A partir das datas de início e fim destes eventos, calculamos a duração de cada um deles e, deste dado, calculamos o Tempo Médio Entre as Crises – TMEC, o Tempo Médio para Tratamento das Crises – TMTC e a Taxa de Crises – TC.

Quadro 4 – Simulação de eventos de crise para cálculo de indicadores

EVENTOS DE RISCOS GERADORES DAS CRISES

(Hipotéticos) INÍCIO FIM

DURAÇÃO (Em dias)

E1

1. Veiculação de práticas de aquisição de produtos não compatíveis com as práticas de mercado – A companhia foi acusada de não promover processo

licitatório transparente para a aquisição de sistemas de produção. Essa contratação envolvia a aplicação de US$ 20 bi e teria sido feita com uma empresa xpz coreana, intermediada por um grande financiador norte americano que teria induzido à contratação dessa empresa, na qual tem participação. Outro grande grupo, interessado na licitação, teria acusado a companhia de falta de transparência no processo de licitação e de não cumprimento da legislação brasileira para essa finalidade.

18/1/2010 19/7/2010 181

E2

2. Veiculação de práticas de aquisição de produtos não compatíveis com as práticas de mercado – Uma empresa de um influente estado na economia nacional

denunciou a aquisição de produtos químicos, tratados como compras de caráter emergencial, sem o devido processo de licitação. A alegação da empresa é que esse fato tem sido recorrente, o que pode estar caracterizando um vício no processo de compras.

1/3/2010 28/3/2010 27

E3

3. Furtos que expoõem a companhia - Foi anunciada na mídia local, numa das

localidades onde a companhia tem uma de suas unidades, o acesso às suas instalações e o roubo de 12 computadores. O fato foi tratado com uma grande vulnerabilidade pela mídia local, considerando ainda o risco às pessoas e às instalações, que pelo seu alto risco pode causar impacto para a sociedade, sobretudo para os moradores do entorno das instalações. O assunto chegou à câmara de vereadores que convocou o executivo das instalações para uma audiência pública onde foi questionado sobre os riscos existentes. Vários moradores, inclusive aqueles da entorno, promoveram manifestações e barricadas na porta da unidade, solicitando providências.

E4

4. Vazamentos de informações – Jornais dos sindicatos noticiam reclamações dos

empregados de companhias prestadoras de serviço sobre o tratamento diferenciado nas instalações da companhia. Segundo os jornais, há um regime de segregação em que os empregados próprios usam instalações diferenciadas, com muito mais qualidade e que, inclusive, as refeições são diferenciadas, demonstrando "um verdadeiro descaso com os seres humanos em uma mesma instalação".

23/5/2010 25/8/2010 92

E5

5. Vazamentos de informações – Foi publicado em importante jornal do país,

publicado em primeira página, antecipação de informação ao mercado sobre relevantes resultados no seu negócio e que dariam noção sobre prejuízo no último trimestre, fruto de uma crise provocada por relações com outros países onde a companhia mantém parte de suas operações.

18/8/2010 1/9/2010 13

E6

6. Furtos que expõem a companhia – Foi noticiado na mídia em geral, o extravio

de relatório de inspeção de instalações da companhia, com o propósito de negociação de seguros orçado em alguns milhões de dólares. Segundo informado, o relatório teria sido furtado por pessoal terceirizado, sem propósito definido, mas que expõe a fragilidade da guarda de informações relevantes da companhia.

25/9/2010 13/12/2010 78

Tempo Médio Entre as Crises - TMEC 42

Tempo Médio de Tratamento das Crises - TMTC 113

Taxa de Demanda de Crise – TC 31%

O TMEC é o cálculo do tempo médio entre as crises, calculado pela subtração do TMTC do total de dias do ano (365) e depois dividindo pela quantidade de eventos.

Fórmula: TMEC=(365-TMTC)/6

Esse indicador estima quanto tempo, em média, a companhia esteve sem crises. Quanto maior esse valor, melhor. Assim, quanto mais próximo de 365 dias, quando o período de medição for anual, ou do número de dias do período da medição, melhor.

O TMTC é o cálculo do tempo médio de tratamento das crises. Ele é simplesmente calculado pela média do somatório dos tempos dos eventos. Indica a eficiência da companhia para tratar das crises.

Fórmula: TMTC=Somatório dos dias de duração de cada evento/número de eventos

Não se estima um tempo ideal pela falta de uma série histórica. Evidentemente, ele é impactado pela quantidade de crises e pelo tempo que elas duram. Naturalmente, quanto menor esse valor, melhor para a organização. O valor mais próximo de 0 (zero) é o ideal.

O TDC é o cálculo de demanda de crise. O seu cálculo é pela razão do TMTC por 365 dias, quando calculado para o período de um ano.

Fórmula: TDC=TMTC/365

Esse indicador demonstra qual o percentual do tempo disponível da companhia em que ela esteve envolvida no tratamento de crises.

Um cálculo ainda possível seria a estimativa de recursos empregados, considerando a quantidade de pessoas envolvidas e o custo médio unitário de cada uma delas. Suponhamos que o evento 1 (E1) tivesse envolvido uma equipe de 15 pessoas, durante todo tempo e o custo médio dos envolvidos fosse R$ 350,00 por dia.

Pessoas envolvidas: 15

Tempo do evento 1(E1): 181 dias

Custo médio unitário por Pessoa: R$ 350,00 Assim,

15 x 181 = 2715 dias

Custo Total = 2715 x 350,00 = R$ 950.250,00

Este valor de R$ 950.250,00 representa um valor do recurso pessoas que foram deslocadas do processo de produção para o tratamento da crise. Representa um custo que não teve retorno pelo processo de produção. Ele, associado a outros custos diretos do tratamento da crise, pode ser útil para analisar perdas de recursos, oriunda do impacto indireto da crise.

Na simulação do nosso estudo, apuramos que a companhia, se tivesse passado pelos eventos de crises simulados, teria um tempo médio de 42 dias sem crise, a cada crise, um tempo médio de tratamento de crises de 113 dias e uma demanda de 31% do seu tempo para o tratamento de crises.

A avaliação do desempenho desses resultados dependeria de uma série histórica, para demonstrar o quanto a organização evolui na qualidade dos seus processos, assim como de comparações com outras empresas, dentro de critérios de comparabilidade claramente definidos para essa finalidade, buscando avaliar o seu desempenho em relação a outras companhias.

Esses indicadores foram apresentados como propostas ao executivo responsável pela gestão de crises da companhia. Eles foram bem aceitos, culminando na possibilidade de que venham a ser utilizados, mediante a necessidade urgente de se estabelecerem indicadores para a gestão de crises. Além disso, essa abordagem culminou na necessidade de discussão para a busca de outros indicadores, principalmente aqueles associados à eficácia no tratamento das crises.